quinta-feira, 18 de agosto de 2016

P-077 - Nas Algemas da Eternidade - Clark Darlton [parte 2]

Transmissores de matéria...?
Na mente de Rhodan, começou a delinear-se um plano tão arrojado e fantástico que não levou a idéia adiante.
Mas, afinal, por que não...?
Por coincidência, Atlan formulava, no mesmo instante, idéias semelhantes. Tendo em vista a similitude de caráter daqueles dois homens, o fato dificilmente poderia ser atribuído a um acaso.
Também os druufs conhecem o transmissor de matéria, não é? — perguntou Atlan, rompendo o silêncio.
Rhodan levantou rapidamente os olhos, dando com o ar indagador de Atlan. De seu sofá, o rato-castor pigarreou. Harno deu sua tarefa por encerrada, “murchou” e subiu para o teto.
Possuem um, pelo menos — confirmou Rhodan, Por quê?
Atlan sorriu.
Aposto que sabe por que pergunto, bárbaro. Viu tão bem quanto eu a frota bloqueadora dos druufs, e deve ter imaginado uma maneira de chegar à central de cálculos, sem perder metade de seus efetivos na tentativa. Há dois modos: tentar novo acordo, a fim de poder aterrissar, ou atacar abertamente. Fora disso, ainda existe uma terceira possibilidade!
Foi exatamente esta que me ocorreu também — confessou Rhodan, retribuindo o sorriso. — O acordo com os druufs, nos moldes do anterior, está fora de cogitação, já que pretendemos entender-nos com Árcon. Restaria, portanto, o ataque aberto. E como prefiro contorná-lo, por razões compreensíveis, só nos fica a terceira possibilidade: os transmissores. Não é isso que pensa?
Exatamente, Rhodan! Mas como?
Rhodan disse simplesmente:
Ellert-Onot!
Atlan acenou em silêncio. Depois calaram-se. Apenas ficaram observando o Coronel Baldur Sikermann iniciar a transição que os levaria a Mirta VII, também chamado Fera Cinzenta.

* * *

Ainda na noite do mesmo dia — tempo terrestre — a Drusus decolou novamente, vencendo com uma curta transição o trajeto de vinte e dois anos-luz até a zona de descarga. Distância esta que, meramente por acaso, pouco se modificara, apesar do contínuo deslocamento da faixa de superposição ao longo da Via Láctea. Ela seguia com metade da velocidade da luz; no entanto também o sistema Mirta se movia, com velocidade e rumo idênticos.
A Drusus materializou-se bem no meio de uma formação de cruzadores ligeiros do Império Arcônida. Pela reação um tanto indecisa, Rhodan percebeu que se encontrava diante de unidades tripuladas por seres vivos, e não por robôs.
Antes que os saltadores — indubitavelmente se tratava dos aliados do regente — pudessem tomar atitude, Rhodan entrou em contato radiofônico com eles.
Foi com imensa surpresa que os saltadores constataram estar mais uma vez diante do endiabrado terrano: e mais surpresos se mostraram, quando Rhodan manifestou o desejo de falar com o regente.
Asseguraram-lhe que podia fazer contato com Árcon sob a proteção da poderosa frota de batalha, sem o risco de ser molestado.
Além disso, Rhodan sabia que os saltadores podiam ouvir igualmente a conversação que iria ser travada. E essa circunstância era a principal razão para sua maneira de agir.
Rhodan, Atlan, Reginald Bell e Gucky dirigiram-se para a central radiofônica da Drusus. O receptor do hiper-rádio já estava ligado.
A tela oval mostrou o conhecido símbolo do cérebro-robô de Árcon: a imensa semi-esfera metálica pousada sobre um pedestal. Simultaneamente se ouvia a gravação da frase captada há semanas:
O regente de Árcon chama Perry Rhodan, o terrano! Nosso inimigo comum ataca com forças superiores! Se não nos aliarmos, estaremos perdidos! Solicito a ajuda de Perry Rhodan! Manifeste-se, Rhodan!
A mensagem era repetida ininterruptamente, a breves intervalos. Até então Rhodan não respondera.
Eu já teria enjoado disso há muito tempo — comentou Bell, observando com interesse profissional a semi-esfera.
Claro, você não tem temperamento de robô — esclareceu Gucky, acomodando-se confortavelmente num canto, a fim de observar com exatidão os acontecimentos. — Felizmente...!
Sem lhe dar atenção, Rhodan aproximou-se do transmissor.
Aqui, Rhodan! Que proposta tem para me apresentar, regente?
Depois aguardaram.
Não porque as ondas de rádio necessitassem de algum tempo para percorrer o incomensurável trajeto. Pelo hiperespaço, alcançavam Árcon instantaneamente; captadas pelo equipamento local, eram conduzidas ao regente. O cérebro-robô tinha ampla capacidade para realizar simultaneamente centenas de conversações daquele tipo. Um dos canais receptores ficara permanentemente livre para Rhodan.
No entanto, até mesmo o robô precisava de algum tempo para refletir e pesar toda a gama de possibilidades. A pergunta de Rhodan devia tê-lo pegado de surpresa.
Apesar disso, dali a cinco segundos, a voz mecânica se fez ouvir na central radiofônica da Drusus.
É você, Rhodan! Meus cálculos me diziam que continuava vivo. Conhece os druufs?
Sim, conheço-os. Que sugere?
Minha frota está em prontidão. Reforce-a com a totalidade de suas naves, para um ataque conjunto. Nós destruiremos os druufs.
Não estou tão certo disso — declarou Rhodan decididamente, percebendo que, mais uma vez, o regente tentava matar dois coelhos com uma cajadada. Aniquilados os druufs, seria a vez da Terra. — Tenho plano melhor!
Se for melhor que o meu, está aprovado.
Destaque uma nave de guerra do tipo Titan para atravessar a brecha, e entrar no Universo dos druufs. A tripulação será formada exclusivamente por robôs guerreiros. Providencie para que pelo menos uma ou duas dúzias deles desçam em Druufon, e desencadeiem uma confusão infernal.
Depois de curto silêncio, veio a resposta:
Não vejo sentido nesta ação, Rhodan...
Verá, se continuar a ouvir.
Então fale.
Rhodan expôs ao cérebro-robô todo o plano anteriormente discutido com Atlan. Tudo foi dito em poucas frases. A idéia era tão óbvia e lógica que o regente respondeu imediatamente:
O plano é bom; concordo com ele. Receberá o que pede.
Eu espero.
As naves dos saltadores os envolviam por todos os lados. Seu número era tão grande que ocultava as estrelas. Rhodan, Atlan e Bell estavam novamente na central de comando. Gucky ficou na sala de rádio.
Estou curioso por ver o que vai acontecer — disse Atlan, afundando com um suspiro na poltrona mais próxima. — Por que não funcionaria?
Rhodan não deu resposta, atento em observar, na tela, as naves dos saltadores. Havia alguns cruzadores-robôs entre elas. Unidades das mais perigosas, pois atacavam sem a menor preocupação com a própria perda. Os tripulantes-robôs limitavam-se a obedecer ordens, e desconheciam o medo.
Enquanto esperavam, algumas modificações foram feitas a bordo da Drusus. Um dos imensos porões de carga foi desocupado; era bastante amplo para acomodar vários cruzadores ou outra espécie de material.
Passou-se meia hora.
E depois, a menos de um segundo-luz da nave, materializou-se um cargueiro. Vindo do hiperespaço, freou assustadoramente perto da Drusus, dando a impressão de catástrofe iminente. Deteve-se bem próximo a ela.
Pelo rádio, Rhodan entrou em contato com o comandante.
Trago os robôs de combate pedidos.
Obrigado. Direto de Árcon?
Exato. Ordens do regente.
Ótimo; vou abrir as escotilhas de carga. Pode mandar transferir os robôs. E quanto à segunda exigência?
Uma nave bélica de Árcon está à disposição.
Rhodan agradeceu e cortou o contato.
O resto era mera rotina.
As duas naves foram interligadas com cabos magnéticos. Pela prancha gravitacional, 500 possantes robôs de combate marcharam da abertura do cargueiro para o compartimento de carga da Drusus.
Tratava-se de colossos do modelo mais recente, com quase três metros de altura. Na altura do peito possuíam uma protuberância rotativa, eriçada de armas, permitindo-lhes atirar simultaneamente em todas as direções. Os quatro braços terminavam em radiadores energéticos. Depois de ativado, cada um daqueles monstros metálicos era um inferno ambulante, espalhando fogo e destruição. Bastava programar adequadamente seus cérebros positrônicos.
Uma hora depois, as escotilhas foram fechadas, e os cabos desamarrados; as duas naves separaram-se vagarosamente, tomando rumos opostos.
Novamente Rhodan entrou em contato com Árcon.
Tudo pronto, regente. Marque o ataque para amanhã. Tempo: meio-dia, hora da Terra.
Tempo já convertido! Tudo entendido! — após imperceptível pausa, o regente acrescentou: — Boa sorte, Rhodan da Terra!
Muito grato — replicou Rhodan, com certa frieza.
Não havia razão para supor que o regente expressara tal voto movido por sentimento. Pura vontade de se fazer de bonzinho...
A Drusus ganhou velocidade, afastando-se algumas horas-luz da coligação de saltadores e robôs. Depois Rhodan ligou para Hades.
O Tenente Stepan Potkin, comandante substituto da base secreta no seio do reino dos druufs, já estava devidamente instruído. Comunicou que o transmissor III se encontrava em prontidão.
Rhodan e Atlan dirigiram-se para o compartimento de carga da Drusus.
Não era por acaso que ficava vizinho ao transmissor de matéria da nave.
Bem, vamos à viagem — disse Atlan, abrindo a porta da sala. Ao mesmo tempo, disse aos robôs: — os primeiros vinte entram comigo na cabina. Dentro de exatamente dez segundos segue o segundo grupo. Em duzentos e cinqüenta segundos, a operação de transferência estará completada. Então receberão nova programação.
De pé junto à porta, Rhodan viu Atlan entrar na cabina com os vinte guerreiros mecânicos. Dois segundos após, todos tinham desaparecido. Materializariam-se no mesmo instante em Hades, a dois anos-luz de distância.
Os próximos vinte, os próximos....
Com a última leva, também Rhodan deixou a Drusus.
Sikermann colocou-se em posição de espera. Seria uma dura prova de paciência para ele próprio, para Bell e Gucky. Especialmente para o rato-castor, impaciente por natureza.
Em Hades, tudo decorreu conforme o programado.
Enquanto os técnicos tratavam de preparar os robôs para a tarefa em perspectiva, Rhodan e Atlan foram procurar o Capitão Rous, companheiro de Potkin no comando da base. O hangar de Hades abrigava o cruzador ligeiro Califórnia.
Marcel Rous pertencia ao grupo de pioneiros na exploração da dimensão temporal dos druufs, muito antes do aparecimento da tal zona de descarga. Mediante um gerador de campo lenticular, tinham conseguido romper a barreira de tempo, proeza que quase lhes custara uma sentença de prisão perpétua no cárcere do tempo.
Suspirou de satisfação ao ver Rhodan e Atlan, vindo-lhes ao encontro de mão estendida.
Alegro-me, Sir...
Tudo em ordem — disse Rhodan, em tom tranqüilizador, apertando-lhe a mão.
Atlan cumprimentou igualmente Rous, e, a seguir, Rhodan resumiu os acontecimentos ocorridos na Terra, concluindo:
Precisamos agora de um contato telepático com Ellert. Nem sei como seria possível sem o concurso de Harno.
Enfiando a mão no bolso, retirou a bolinha negra. Atlan nem percebera que Rhodan trouxera Harno.
Pode achar Onot?
Harno inflou, transformando-se em tela.
Vou tentar — disse o impulso no cérebro dos três homens.
Névoas coloridas ziguezaguearam pela superfície curva e leitosa, acabando por condensar-se na imagem de um planeta, que crescia visivelmente. Druufon!
No entanto, Harno avançou mais, até o interior do planeta. Todas as instalações importantes dos druufs localizavam-se nas profundezas do solo, resguardadas pela sólida rocha de Druufon. Ali pulsava o coração da poderosa tecnologia que ambicionava sobrepujar até o tempo.
Onot aparecia bem em evidência.
O físico-chefe dos druufs repousava. Estava deitado, de olhos fechados.
Portanto”, refletiu Rhodan, “deve ser especialmente fácil estabelecer contato com Ellert, se é que seu espírito não está também dormindo. Será que ele dorme alguma vez?
Rhodan não teve tempo de formular resposta para sua dúvida, pois já sentia o cauteloso tatear de impulsos estranhos em sua consciência — prenuncio da aproximação de Ellert.
Também o Capitão Rous e Atlan entenderam o que Ellert dizia:
Seu plano, Rhodan, é muito hábil! Pode ver-me?
Vemos Onot, o cientista. Harno encontrou-o.
Seus pensamentos são fragmentos apenas. Diga coerentemente o que devo fazer, para que engano nenhum comprometa o plano. Eu ouço.
Rhodan disse:
A frota do regente de Árcon atacará novamente Druufon; no decorrer da ação, tentará fazer descer uma nave de guerra cheia de combatentes-robôs. Operação que visa apenas fazer camuflagem, pois dificilmente os robôs conseguirão chegar à central de cálculos. Esta parte será reservada aos robôs distribuídos por nossos doze transmissores de matéria. Ligaremos os aparelhos pouco depois do início do ataque arcônida. Seu único encargo será colocar “casualmente” a ligação da estação receptora na central de cálculos, em sintonia com a nossa. Pode fazer isso?
Devo poder, pois afinal eu sou Onot — veio a resposta clara e decidida. — Renovarei o contato a tempo, Rhodan. O plano não pode falhar. Tudo em ordem, fora disso?
Rhodan não tinha mais perguntas a fazer.
Fora disso, tudo em ordem, Ellert. Até amanhã...
Não houve resposta. Talvez os contatos fossem cansativos para Ellert, e ele evitasse desperdiçar energia desnecessariamente.
Atlan perguntou de repente:
E que papel nós desempenharemos na ação planejada?
O Capitão Rous irá conosco, Atlan. Faremos uma visita sem compromisso aos druufs, bem na hora da confusão. Gostaria que continuassem nos considerando amigos... Pelo menos até conseguirmos o segredo da propulsão estelar — Rhodan sorriu, deliciado. — Belo nome, não acham?
E o congelador de tempo?
Um presente que não seria de desprezar, caso possamos obtê-lo — replicou Rhodan, que atribuía pouca importância àquela invenção. — Menos interessante do que a propulsão estelar, com a qual gostaria de equipar nossas naves. Em comparação com os hipersaltos, apresenta uma série de vantagens.
Quando partimos? — indagou Rous, excitado.
Amanhã — prometeu Rhodan. Porém, logo emendou-se: — Receio ter que desapontá-lo, meu caro. Parece-me mais conveniente seguir para Druufon na Drusus. Os druufs já conhecem a nave de guerra, e ela imporá mais respeito do que a insignificante Califórnia. Não leve a mal...
Razões estratégicas pesam mais — declarou Rous, escondendo a decepção.
Ou talvez nem sentisse decepção alguma, pois certamente aquele vôo infernal não constituiria prazer algum.
Rhodan deu-lhe as derradeiras instruções, a fim de assegurar a perfeita coordenância de horários, e retornou com Atlan e Harno para junto do Tenente Potkin, que dirigia a programação dos robôs.
Iniciarão sua tarefa destrutiva, assim que pisarem na central de cálculos subterrânea dos druufs. Cada um destes robôs-combatentes possui a força de fogo nuclear de um pequeno destróier. Quando imagino os 500 em ação simultânea...
Melhor não pensar nisso — aconselhou Rhodan, contemplando as máquinas enfileiradas. Semelhavam-se a seres pré-históricos e, no entanto, faziam parte de um futuro recém-iniciado para a Terra.
Harno desceu, deixando que Rhodan o colocasse no bolso. Parecia sentir-se bem lá dentro, evidentemente. Rhodan nem sentia seu peso.
Retornaremos ainda hoje para a Drusus, permanecendo em contato através do hiper-rádio. Assim que a frota de Árcon atacar, amanhã cedo, começa nossa grande partida contra os druufs. Espero que eles não recusem participar do jogo!
É disso que tudo depende — comentou Atlan.
Porém a opinião de Rhodan era diversa.
Ora, não fará diferença. De uma ou de outra maneira, nossos quinhentos lutadores alcançarão a central de cálculos, arrasando tudo à sua frente. Porém isso me colocaria na posição de inimigo dos druufs, o que eu lamentaria imensamente.
Atlan não respondeu. Acompanhou-o calado até o transmissor que os levaria de volta para a Drusus.
Continuava cético, fiel à sua natureza.

* * *

Ainda lhes restavam quatro horas até o começo do ataque.
Após repousante sono, Atlan e Gucky chegaram quase juntos ao camarote de Rhodan. Bell já estava presente, sonhadoramente reclinado num assento. Gucky se encaminhou para lá, e, num salto, se instalou ao lado do amigo. Aconchegou-se a Bell, sem ligar para seu olhar meio desconfiado.
Rhodan tomara o desjejum, e sentia-se bem disposto. O plano estava traçado, e nada podia alterá-lo. Tinham diante de si quatro horas ociosas, sem maiores preocupações.
Sob o teto flutuava Harno, o enigmático ser de energia e tempo, reduzido a uma inofensiva bola.
Atlan tomou lugar diante de Rhodan.
Agora falta pouco, bárbaro.
Em determinadas circunstâncias, quatro horas podem representar longo espaço de tempo...
A Drusus ainda se mantinha a alguma distância da frota espacial de Árcon. A menos de um ano-luz de distância, tremeluzia a zona de descarga. Imóvel em relação à Drusus, à frota e ao sistema solar do Universo relativista; porém, na realidade, deslocava-se com metade da velocidade da luz através do Universo. Unicamente graças a este acaso permanecera estável por tanto tempo. Durante os fugazes contatos entre os dois Universos, estas zonas de superposição duravam apenas horas ou dias. Às vezes, até poucos segundos.
Sinto-me contente com a pausa — confessou Rhodan. — As derradeiras horas e dias foram verdadeiramente exaustivos. E não sei se o futuro será mais tranqüilo.
Dificilmente — opinou Atlan. Lançou um olhar a Bell, ocupado em acariciar a nuca de Gucky. — Até nosso rotundo amigo vai demonstrar inesperada lepidez em breve.
Bell não reagiu à provocação.
Lepidez...? Que bela palavra, almirante! Mas acho que está enganado. Que tenho eu a fazer? O trabalho principal caberá aos robôs, e a Ellert — estacou, como se a menção do nome lhe recordasse algo. — Aliás, será que ainda teremos novas de Ellert?
Claro que sim, mas só alguns minutos antes do ataque, ou no decorrer da ação. Vai depender da oportunidade que ele tiver.
Rhodan calou, olhando para o alto, como se quisesse perguntar algo a Harno. No entanto, nada disse.
Por que não pergunta, Rhodan?
O impulso mental penetrou em todos os cérebros.
Por um instante, Rhodan revelou certo constrangimento por ver-se descoberto, mas logo sorriu, sacudindo a cabeça.
Não devia ser tão indiscreto, Harno! Sabe muito bem o que queria perguntar-lhe. E não é de hoje... Responda se quiser!
Quer saber se posso fazer mais do que refletir imagens. Claro que posso, Rhodan, desde que tenha a devida permissão! Há coisas que até a mim são proibidas.
Proibidas... por quem?
Era a mesma pergunta que Harno já deixara de responder certa vez. Poderia ou quereria respondê-la algum dia?
Por aquele que já encontraram.
Rhodan ergueu os olhos para o teto.
Desistiu de novas perguntas, adivinhando que Harno se envolveria em silêncio. Ao contrário de Bell, mais desinibido.
Que quer dizer? Já encontramos tanta gente...
Não pode classificá-lo de gente — corrigiu Harno, silenciosamente, mas em tom enérgico. — Trata-se de um ser de inimaginável inteligência, imortal como eu, porém infinitamente mais sábio e poderoso. Seu lar é o Universo todo, e nutre-se da luz das estrelas.
Parece que vocês dois têm muito em comum — disse Bell, pensativo. — Também você vive da luz das estrelas. Tira delas energia, e a capacidade de ser como é. Afinal, o que vem a ser você?
Gucky observou, constrangido:
Sua curiosidade chega a ser inconveniente, gorducho!
Antes que Bell pudesse replicar, Harno comunicou:
Já mencionei uma vez que a curiosidade gera o conhecimento. Portanto, não levem a mal a curiosidade de Bell. Afinal, minhas respostas não dependem dele, mas sim do que me permitem ou não falar. Sim, sou aparentado com ele, com o ser onipotente que por sua vez também conhece limites. Aquele que não tem limites nem sequer eu conheço. Jamais alguém o verá de perto.
Rhodan percebeu que a conversa tomava rumo perigoso.
Deixemos isso de lado — disse, categoricamente. — Harno falará quando julgar oportuno. O que, no entanto, não me impede de querer conhecer suas capacidades, Harno. O que, além de qualquer recanto do Universo, pode mostrar-nos?
Como se isso não bastasse! — veio a réplica um tanto irônica. — Que quer que eu possa?
Aquilo pegou Rhodan de surpresa, deixando-o quase sem ação. Recuperando-se, formulou de maneira mais generalizada sua questão:
Pode alterar a forma esférica de seu corpo caso necessário? Isto é, poderia tomar a forma de um cubo, em vez de uma bola?
Nas suas mentes ecoaram risadas. Realmente, Harno estava rindo! Externamente a bola não apresentava modificação alguma, mas era indubitável que ria da pergunta de Rhodan.
Também Harnahan queria saber por que eu tinha formato de bola. Disse-lhe que, conforme todo mundo sabe, a esfera é a mais perfeita das formas. Claro que posso me transformar num cubo se for necessário!
Obrigado, Harno! Vou-me lembrar disso na devida ocasião. E talvez ela se apresente mais cedo do que esperamos. Uma pergunta adicional, ainda: pode voar acima da velocidade da luz sob qualquer forma?
Posso, sim!
É tudo que eu queria saber, Harno.
A sede de sabedoria de Rhodan estava satisfeita.
Só aos poucos, os demais foram tomando consciência da imensa significação contida no que acabavam de ouvir. Seus olhares espantados prenderam-se ao teto, onde flutuava a pequenina e insignificante bola.
Apenas Gucky relevou a tensão numa observação zombeteira.
Conforme constataram, não é a forma física que importa, mas sim o que esta dentro dela. Bell é enorme por fora, enquanto eu sou pequeno. A conclusão lógica seria...
Em seus cérebros, Harno ria gostosamente.

* * *

O físico-chefe Onot não vinha se sentindo bem há algum tempo.
O mal-estar começara há três ou quatro meses. Inicialmente, dores de cabeça. Depois começou a perder a consciência — por instantes, segundo lhe parecia. No entanto, ao consultar posteriormente o relógio, constatava que havia passado horas inteiras.
Onot evitou cuidadosamente cientificar o venerável Conselho dos Sessenta e Seis de suas observações; além disso, uma voz íntima se opunha à noção de que alguém tomasse conhecimento de sua doença.
Tratar-se-ia realmente de doença?
Pois havia sintomas paralelos que intrigavam Onot.
Muitas vezes, quando se achava sozinho em seu laboratório, ocupado com as misteriosas experiências com o tempo, tinha a nítida impressão de estar sendo observado. Como se não estivesse mais sozinho, com alguém espiando por cima do ombro. E a presença invisível exercia incrível influência sobre seu modo de pensar.
De alguma forma, o fato devia ter relação com suas experiências. Afinal, analisava o problema tempo, e não seria de admirar se algum dia topasse com seres ou objetos vindos do passado ou do futuro. Por outro lado...
Cientista objetivo, e o melhor de sua raça, aliás, Onot jamais poderia acreditar em assombrações. Não estava doente. Simplesmente não podia estar doente!
De maneira alguma deveria adoecer!
Onot encontrava-se em seu laboratório. Sabia que lá fora a situação chegava a um estado crítico. A zona de descarga no Universo, há tanto tempo prevista por ele, se tornara realidade, assegurando por longo prazo acesso à outra dimensão temporal. A superposição progredira, mas ninguém — nem sequer ele próprio — poderia prever a duração deste estado de coisas.
Ao mesmo tempo ela trazia um risco. Assim como os druufs podiam sair de seu Universo, os estranhos da outra dimensão podiam penetrar no reino de Druufon. E fora exatamente o que acontecera.
Onot sorriu sarcasticamente. Os invasores não podiam ter escolhido ocasião mais apropriada. Sua invenção estava pronta e testada. No devido momento poderia transformá-la numa arma capaz de conquistar vias lácteas inteiras. Além disso, a frota convencional dos druufs era suficientemente poderosa para rechaçar qualquer adversário.
Sabia que, naquele preciso momento, as potentes naves de guerra se organizavam para atacar a frota de robôs, que bloqueava a entrada da zona de descarga. Em Druufon haviam sido feitos preparativos para receber “condignamente” qualquer unidade, que escapasse aos defensores.
Ao ligar pela derradeira vez o gerador que ativava o campo do congelador de tempo, sorria ainda. Nenhum sinal exterior denotou o fluxo de energia através da complexa aparelhagem; e a radiação distribuída pelo refletor no teto era invisível. Desta forma, apenas parte do recinto ficava sob a influência do campo de tempo. Uma seção circular, com cerca de dez metros de diâmetro.
Onot deu um passo para a frente, e pôs a mão no bolso do amplo jaleco. Retirou-a de punho fechado. Abriu-o cautelosamente, certificando-se de que o pequenino micar, um animal parecido com rato, ainda vivia. Os micars eram amplamente usados para experiências.
Nada vai lhe acontecer — murmurou para o trêmulo bichinho, em tom conciliador. — De certa forma, você se tornará até imortal, pois o tempo vai passar milhões de vezes mais devagar para você. Mas só se eu deixar o campo de tempo ligado tanto assim...
Riu estrepitosamente, mas ouvidos humanos seriam incapazes de captar tanto sua gargalhada, quanto as palavras pronunciadas depois:
E agora, divirta-se... Descrevendo amplo arco com o braço, lançou o esperneante micar para dentro do invisível campo de tempo.
Primeiro o micar voou e depois quedou imóvel no ar, sem executar mais o menor movimento. Como se tivesse sido pregado no nada, ou imobilizado por súbito encantamento. Parecia morto, aprisionado no interior de um bloco de gelo. Ficou suspenso no ar, a menos de cinco metros de Onot.
O físico-chefe contemplava-o com satisfação, mas sem surpresa alguma, pois era exatamente este o resultado que esperava.
O micar vivia agora em outra dimensão temporal, criada artificialmente. Antes que completasse um movimento respiratório, ou caísse ao solo. Inteiramente desamparado, encontrava-se à mercê do druuf, invisível para ele. O mesmo sucederia a qualquer ser vivo atingido pelo campo de tempo de Onot. Um gerador de dimensões apropriadas poderia subjugar um mundo inteiro.
Um único detalhe aguardava solução: como atingir o adversário indefeso sem cair igualmente sob a influência do campo de tempo? Era este o problema que Onot ainda precisava resolver.
O cientista encaminhou-se para o painel de controle. Com alguns gestos, ativou o indutor de choques entrementes construído. Seria absurdo penetrar no campo de tempo, evidentemente, pois, no mesmo instante, o invasor estaria sujeito às condições ambientes. Teria diante de si um adversário inteiramente normal. O mais certo era tentar matar, ou pelo menos atordoar, o inimigo paralisado, sem incorrer em risco. Depois o campo de tempo poderia ser desativado novamente, e o conquistador tomaria posse do mundo dominado.
Quando a tela acusou o impacto do indutor de choque, o micar continuava suspenso no mesmo ponto. Onot deixou-o atuar por dez segundos antes de tornar a desligá-lo. Trêmulo de excitação, voltou à posição inicial, e pousou a mão sobre a alavanca que interrompia o campo de congelamento de tempo.
O micar precipitou-se no chão, caindo de dois metros de altura, como se uma mão invisível o tivesse soltado de repente. Onot apressou-se a recolher o animalzinho, levando-o até bem perto dos olhos. Viu a pele fremir sob o efeito das pulsações do diminuto coração. O micar vivia, porém estava inconsciente.
Onot suspirou de satisfação. A experiência tivera completo êxito.
As ondas de choque, especialmente neutralizadas, não eram influenciadas pelo campo de tempo; atravessavam-no em velocidade normal. O que significava que se poderia alcançar e influenciar qualquer objeto desejado sem ser forçado a pisar na zona perigosa.
Assim o problema estava resolvido.
Onot triunfara.
Agora era só convencer o Conselho a liberar os recursos necessários para a construção de um gerador gigante, e sua invenção poderia ser produzida em larga escala.
Não teria dificuldade em consegui-los.
Mal acabou tal reflexão, tornou a sentir a dolorosa pressão no cérebro. Mera estafa, talvez. Não se preocupou muito no momento; decidiu ir para sua moradia privada, anexa ao laboratório. Estava tão cansado e exausto...
Andei me excedendo no trabalho”, pensou.
Vislumbrou com satisfação a ampla cama. Sem sequer fechar a porta, jogou-se sobre o leito e fechou os quatro olhos.
Adormeceu instantaneamente.

* * *

Todos estes acontecimentos se deram simultaneamente.
O Conselho dos Sessenta e Seis deliberava na arena. Desta vez, os representantes do povo haviam sido admitidos, pois discutia-se a necessidade de um ataque imediato. Os adversários vindos do outro Universo precisavam ser rechaçados, e, além disso, aniquilados. A passagem para a dimensão temporal do outro Universo não podia ficar bloqueada.
A sessão foi rápida e sem atritos.
As propostas dos sábios foram unanimemente aprovadas e sancionadas pela assembléia. Os comandantes de esquadrão receberam ordens de deixar suas naves em rigorosa prontidão, e decolar dos hangares subterrâneos ao primeiro sinal.
Druufon passou a ser uma fortaleza armada até os dentes. Em todos os pontos do planeta, os canhões até então ocultos emergiam do chão; apontavam ameaçadoramente para o céu luminoso, no qual o sol gêmeo rubro-verde desenhava estranhos reflexos. Entraram em ação as gigantescas instalações destinadas a produzir inimagináveis quantidades de energia, a ser liberada durante a batalha.
Druufon preparava-se para aniquilar Árcon.
Por puro acaso, a frota robô do regente recebia no mesmo momento ordem de ataque.
Aquilo poderia significar o fracasso total para Rhodan, mas também a vitória garantida.
Ninguém saberia dizer ao certo.
Nem mesmo Ellert.


4



Precisamente ao meio-dia, hora da Terra, a imensa nave esférica se pôs em movimento, e acelerou para a velocidade da luz. Não levava ser humano algum a bordo, mas apenas robôs guerreiros do último tipo. Modelos idênticos aguardavam a vez de entrar em ação, nos transmissores de Hades. A nave era teleguiada, e condenada ao extermínio a partir do momento da decolagem.
Simultaneamente, a frota completa do regente avançou para a brecha no Universo, a fim de executar o ataque simulado a Druufon. Durante a confusão generalizada provocada por este ataque, esperava-se conseguir o desembarque do carregamento de robôs no planeta natal dos druufs.
Rhodan ficou de prontidão com a Drusus na retaguarda da linha de combate. O sistema radiofônico estava ligado, e sintonizados na freqüência dos druufs. Portanto, poderiam entrar em contato imediato com eles no momento oportuno.
Primeiro, no entanto, era necessário fazer outro contato.
Rhodan tentara em vão conseguir comunicação telepática com Ellert. Gucky falhara, por mais que se esforçasse. Harno captara a imagem de Onot, porém o físico-chefe estava aprofundado numa experiência; esta, evidentemente requisitava toda sua atenção, impedindo que o espírito de Ellert encontrasse oportunidade de libertar-se.
Contratempo quase funesto, pois dentro de uma hora — ou até antes — Ellert deveria ligar o receptor dos transmissores de matéria na central de cálculos dos druufs, e pôr-se a salvo em tempo.
Rhodan olhava ansioso para Harno. Viu nitidamente Onot jogar um pequeno ser vivo no campo de tempo, matar ou atordoá-lo com outro aparelho, depois desligar o campo, e recuperar o animalzinho.
A frota de Árcon precipitou-se através da zona de descarga para o espaço dos druufs.
Chocou-se com o poderio bélico dos entes do outro Universo, desencadeando um conflito sem paralelo nos anais das raças civilizadas.
Única em sua ferocidade, a batalha espacial jogava milhares de naves umas contra as outras. Incontáveis armas energéticas cuspiam fogo e destruição, rompiam anteparos protetores e estraçalhavam fuselagens de decímetros de espessura. Grandes e pequenas naves rachavam ao meio, derretiam-se no espaço, ou se vaporizavam em nuvens radiativas.
Rhodan não prestou atenção ao espetáculo. O objetivo mais urgente era comunicar-se com Ellert. Senão tudo estaria perdido.
Onot, conforme lhe revelava a superfície de Harno, concluíra sua experiência. Impossível saber se tivera êxito ou não, pois os impulsos mentais do cientista chegavam fracos e indistintos.
Depois Onot foi para seu quarto e deitou-se, parecendo pegar no sono instantaneamente.
Bem”, pensou Rhodan, “agora Ellert vai poder se libertar.”
Sua suposição foi imediatamente confirmada.
Perry Rhodan...? Ouve-me?
Graças a Deus! — exclamou Rhodan, aliviado, em voz alta. — Já era mais do que tempo, Ellert! O que houve?
Onot era mais forte do que eu; agora deixou de ser. Subjuguei sua mente, e apoderei-me do corpo. Harno pode me ver?
Pode, sim.
Muito bem, então vou agir. Irei até a estação de transmissores e ligarei o receptor. Quanto tempo terei para pôr-me em segurança? O corpo de Onot ainda não pode ser destruído, a fim de impedir que sua mente se perca. Apenas ele é capaz de revelar-nos o segredo da propulsão estelar.
Por que não colhe as informações necessárias no cérebro dele? — perguntou Rhodan, sem compreender por que Ellert ignorava os dados técnicos.
Seria cansativo demais para mim. Quanto tempo terei, portanto?
Cinco minutos exatos, caso ligue o receptor no preciso instante em que o primeiro robô combatente desça em Druufon. Pois é quando o Tenente Potkin vai ligar os transmissores em Hades. Não esqueça, Ellert: cinco minutos!
São suficientes! Espero até que os primeiros robôs transportados na nave pisem o chão de Druufon, depois viro a chave. Quanto a mim, vou procurar atingir a superfície a tempo; espero estar mais seguro lá!
A central de cálculos não possui saída subterrânea?
Claro. Acha que é mais garantida?
Sem dúvida! Harno o acompanhará constantemente. Não receia que Onot torne a readquirir a superioridade?
Não, agora não vai conseguir mais! Torno a comunicar-me.
Depois Ellert calou. Bell troçou, aliviado:
Este sistema de comunicação telepático-visual, sem interferência de recursos técnicos, é muito interessante. Jamais dá defeito em válvulas...
Fitou a tela da Drusus, que abria caminho através dos esquadrões em luta, canalizando toda a energia disponível para os anteparos protetores. Em conseqüência, o cruzador esférico não tardou a adiantar-se às primeiras naves de Árcon.
Espero que não cheguemos antes da aterrissagem dos cinco mil robôs, também...
Não se preocupe — tranqüilizou Rhodan. — O carregamento já deve estar sobrevoando Druufon. Se tudo der certo...
Nem tudo deu certo!

* * *

Se bem que todas as naves utilizáveis tivessem deixado Druufon, para lançar-se contra os invasores, os druufs não estavam desprovidos de alternativas. A defesa terrestre entrou em atividade, assim que surgiu a imensa nave esférica de Árcon, entrando em órbita em torno do planeta.
Inicialmente o bombardeio foi retardado, por suporem que podia tratar-se da nave de Rhodan. Porém depois o Conselho regente foi notificado, por um observador, de que esta surgira por trás da frota atacante de Árcon, ultrapassara o front, e rumava para Druufon.
O Conselho expediu imediatamente ordem de atacar. Ainda desconheciam as intenções do cruzador esférico com sua tentativa de aterrissagem.
As salvas de disparos energéticos ricocheteavam nos anteparos protetores da esfera, resvalando para os lados. Porém, instantes depois, o fogo se concentrou em ponto previamente determinado, rompendo a defesa. Os raios energéticos precipitaram-se adiante, atingindo seu alvo: a fuselagem desprotegida da nave agressora.
E então se deu o imprevisto. Da nave começou a cair uma chuva de robôs.
De todas as aberturas disponíveis, os robôs arcônidas programados saltavam para profundidade incerta, providos de aparelhos antigravitacionais, e projetores individuais de campos protetores. Estes não resistiam a fogo concentrado, mas repeliam eficazmente, com raios energéticos, isolados e mais fracos.
Conjuntos motrizes reduziam a velocidade de translação dos robôs, imediatamente atingidos e atraídos pela elevada gravidade de Druufon. Porém os conjuntos motrizes tinham uma função adicional: evitar que seus possuidores descessem em regiões desabitadas, mas sim em plena capital ou imediações. Se chegassem a descer!
O potente sistema de defesa de Druufon funcionou esplendidamente.
Robô após robô era abatido, precipitando-se descontrolado ao solo, onde se desintegrava numa explosão atômica. Outros caíam no mar e afundavam. Alguns se descontrolaram. Seus conjuntos motrizes não obedeciam mais às ordens constantes da programação, e aceleravam continuamente; em conseqüência, o robô disparava em alucinante velocidade espaço a fora. Torpedos de caça perseguiam-nos, acabando com eles.
A nave esférica, por sua vez, continuava a contornar Druufon, porém, evidentemente, incapacitada de manobrar. Limitava-se a flutuar, mantida em equilíbrio pela lei da gravidade e da força centrífuga. Caças espaciais rapidamente mobilizados não tiveram dificuldade em alcançá-la e transformá-la em destroços. Durante a ação, evidenciou-se que não era pilotada sequer por robôs.
No entanto, alguns dos robôs acabaram conseguindo chegar ao solo intatos.
Assim que sentiram chão firme sob os pés, os pesados cinturões armados entraram automaticamente em ação. Disparavam em todas as direções, causando pavorosa destruição, até serem silenciados por canhões energéticos.
Pelo visto, o ardil inimigo de enfraquecer internamente as defesas de Druufon tinha fracassado redondamente.
O Conselho dos Sessenta e Seis suspirou de alívio.
Até que chegou a notícia fulminante.

* * *

Mas, dez segundos antes da notícia fulminante, outro fato aconteceu.
Todas as estações radiofônicas de Druufon captaram o intenso sinal de Rhodan. Como era conhecido, ligaram os aparelhos tradutores. Então se tornou compreensível a mensagem irradiada por Rhodan:
Aos druufs! Os robôs planejam atacar a terra pátria de vocês! Atenção! Nave com cinco mil robôs a caminho! Pretendem destruir a central de cálculos! Corro a acudir vocês! Permitam-me aterrissar! Rhodan, Terra.
Era este o conteúdo textual da mensagem universalmente captada em Druufon, e imediatamente difundida. Por instantes, o Conselho dos Sessenta e Seis transformou-se num conselho de desorientados. Porém não havia muito tempo para refletir.
Pois mal haviam digerido o aviso de Rhodan, perguntando-se intrigados por que teria vindo um pouco tarde demais, o interior de seu planeta se transformou em vulcão.
O solo da cidade começou a tremer.

* * *

Onot acordou.
Esfregou os quatro olhos e ergueu-se.
Ora, por que peguei no sono? Ah, tinha acabado de realizar a experiência... Comprovei ser realmente possível...”, pensou, recordando-se. “Essas dores de cabeça, novamente... Talvez sejam elas as causadoras de meu cansaço. Logo agora, que eu precisava agir, a fim de comunicar ao Conselho o êxito da minha experiência.
Precisava mesmo...?
Repentinamente aquilo já não lhe parecia tão urgente. Havia coisa muito mais importante. Lá na estação do transmissor...
Ergueu-se a custo, vacilando sobre as pernas informes.
O carro elétrico conduziu-o ao destino, percorrendo corredores brilhantes e bem iluminados. O transmissor de matéria, excelente modelo experimental, ficava no seio da seção científica; esta, por sua vez, vinha a ser ponto central de todo o serviço de cálculos.
Onot desembarcou tranqüilamente do veículo, e tomou seu caminho. Detestava andar a pé, porém ali não lhe restava outra escolha. A estação ficava afastada do corredor principal, e só podia ser alcançada através de passagens secundárias.
Alucinantes dores de cabeça impediam-no de pensar claramente.
Afinal, o que queria na estação?
Não sabia, e desistiu de aprofundar o assunto. Por que, afinal? Alguma coisa...
Cruzou com outro druuf, que perguntou silenciosamente:
Já soube, Onot? Os estranhos tornaram a atacar. Já seria tempo de fazê-los provar sua nova arma.
Nova arma...? Ah, sim, o congelador de tempo! Sim, sim, você tem razão! Mas preciso ir... não disponho de tempo agora...
O druuf contemplou surpreso Onot.
Não dispõe de tempo? Afinal, que faz aqui em meu departamento?
Preciso...
Onot estacou.
Sim, de que preciso mesmo?”, pensou martirizado. “Se pudesse lembrar!
Você precisa de quê?
O transmissor de matéria... Funciona?
Claro que funciona, basta ligá-lo! Que quer com ele? Não é hora de andar fazendo experiências. Só não sei se está sendo usado no momento. O ataque dos robôs...
Os robôs atacam? Já aterrissaram?
O druuf fitou Onot com espanto ainda maior.
Ora, de onde tirou tal idéia? Robô nenhum aterrissou! As naves é que estão atacando, só isso. Mas são tripuladas por robôs.
De alguma forma, Onot sentiu imenso alívio, sem saber por quê.
Só precisava ligar o transmissor depois da aterrissagem dos robôs, e então lhe restariam cinco minutos para pôr-se a salvo.
Foi o que eu disse — replicou Onot, continuando a andar.
O druuf lançou-lhe um olhar admirado, depois revirou os olhos, e prosseguiu também em seu caminho.
Onot alcançou a estação, e certificou-se de que o receptor se encontrava em ordem. Poderia ligá-lo naquele mesmo instante, porém corria o risco de aparecer alguém para tornar a desligá-lo. De maneira alguma isso poderia acontecer. E como faltavam ainda cinco minutos para a chegada dos robôs, era melhor não perder o aparelho de vista.
Onot estremeceu.
Robôs...?
Que sabia ele de robôs?
Teria enlouquecido subitamente? Que estava fazendo ali, afinal? Será que não tinha ocupação suficiente em seu setor...?
Sentiu a intensa pressão no cérebro; logo em seguida, teve a sensação de que alguém empurrava sua consciência para o lado. Sim, exatamente isso. Mas ainda não foi tudo. Pela primeira vez, escutou a voz.
Dizia-lhe mudamente:
Não há mais outro jeito, Onot! Precisa saber finalmente quem sou, e que já moro dentro de você há muitos meses, coabitando com seu espírito. Sou mais forte do que você, e, daqui por diante, terá de obedecer-me. Em caso contrário, abandono você, levando sua vida comigo.”
Onot sentiu-se invadido por um terror mortal. Não acreditava em fatos sobrenaturais, mas aquela voz muda e insistente não era ilusão dos sentidos. Era tão real quanto ele próprio.
O quê... onde está você?
Dentro de você, Onot. Sou um intelecto como você, mas perdi meu corpo. No decorrer de minha incessante peregrinação através do tempo, encontrei-o. Ajudei-o a construir o congelador de tempo. Não lhe parece razão suficiente para me ser grato?
Ainda não consigo compreender...
Chame-me Ellert, Onot. Compreenderá algum dia. Se não compreender, morrerá, quando eu o abandonar. Porém agora não temos mais um segundo a perder. Ligue o transmissor dentro de exatamente um minuto!
A estação receptora? — Onot reagia com todas as forças à influência estranha. — Não o farei enquanto não me disser por que quer me forçar a isso.
Pois vou forçá-lo, não tenha dúvida. Tenho poder sobre seu corpo, seus nervos, seus músculos. Posso mandar seu coração parar, Onot! Ainda lhe restam trinta segundos!
As indicações de tempo obedeciam, evidentemente, aos padrões dos druufs.
Onot sentiu a mão direita levantar-se e tocar a chave que permitiria a entrada de energia. Ordenou ao cérebro que mandasse a mão descer.
Ela se crispou em torno da chave.
É inútil, Onot”, veio o impulso um tanto zombeteiro de Ellert. “Além disso, é mais conveniente que me obedeça, pois dentro de cinco minutos isto aqui vai virar um inferno. Precisa colocar-se em segurança, caso queira sobreviver. Eu, Onot, poderei salvar-me, pois não necessito de seu corpo para continuar existindo.
A mão hesitou ligeiramente, e virou a chave.
Logo depois, se fez sentir a vibração que denotava o funcionamento do receptor.
E agora, pernas para que te quero, Onot! Deixe de bobeira! Há um carro esperando no corredor principal. Em cinco minutos ele pode nos deixar bem longe daqui.”
Onot desandou a correr, sem ter recuperado o controle sobre si mesmo. Bem que gostaria de saber que relação havia entre o transmissor e os robôs, porém preocupava-se muito mais com o problema do inimigo invisível que se apoderara dele.
Poderia ver-se livre dele algum dia?
Jogou-se para dentro do carro com todo o peso do corpo. As cabinas corriam sobre trilhos eletrônicos, interligando as estações e centrais subterrâneas. Atingiam velocidade de mais de mil quilômetros horários.
Acionou a alavanca motora, levando-a ao ponto máximo. Depois recostou-se, e fechou os olhos.
Ellert isolou o cérebro de Onot, e entrou em contato com Rhodan.
Transmissor ligado!
Pelo menos cinqüenta dos robôs aterrissados ainda funcionando — respondeu Rhodan, imediatamente. — Vão pensar que conseguiram chegar aos subterrâneos, quando os fogos de artifício começarem a estourar por lá. Acabei de irradiar meu aviso aos druufs, e vou pousar. Mantenha-se em contato, Ellert!
Onot encontrava-se a oitenta quilômetros da central de cálculos, quando o chão começou a tremer debaixo da cidade. Pouco sentiu os tremores, pois já se encontrava na superfície no momento em que as ondas de choque atingiram o ponto em que se encontrava.

* * *

O Capitão Rous e o Tenente Potkin esperavam ansiosos junto aos transmissores. Devidamente sintonizados, os doze aparelhos seriam ativados por um único botão, todos ao mesmo tempo.
A tela tremeluzia inquieta. Reproduzia a freqüência elétrica do sol gêmeo Siamed. Conferia com a de Rhodan. A ordem poderia vir a qualquer instante.
Os robôs aguardavam no interior das cabinas, mais de quarenta em cada uma. Haviam sido programados. Sua ação destrutiva começaria exatamente no instante em que desembarcassem das cabinas na central de cálculos dos druufs. Liberariam todo seu potencial de energia, até eles próprios serem consumidos pelo fogaréu produzido.
Rous mordeu os lábios
Raios, que demora!
Potkin manteve-se aparentemente sereno, de acordo com seu hábito.
Nada podemos fazer a respeito. Rhodan deve saber por que aguarda. O golpe contra Druufon consta de uma série de acasos, artificialmente arquitetados. Nossa atuação é um deles, e não devemos entrar em cena nem cedo, nem tarde demais.
Sim, sim, já sei! — replicou Rous, irritado.
Estava a ponto de perder a paciência; porém não realizava aquela empreitada sozinho, e não lhe competia tomar decisões. Não fora em vão que lhe haviam dado por companheiro o sereno Potkin.
A tela modificou-se de repente. Via-se agora um rosto.
Rous! Potkin! Tudo pronto?
Chegou a hora? — gritou Rous, levando a mão à chave do transmissor.
Contato dentro de dez segundos, exatamente! — replicou Rhodan, com a maior calma.
Potkin lançou um olhar de advertência a Rous.
Cinco segundos ainda... quatro... três... dois... um... agora!
O Capitão Rous ativou os transmissores, e quando olhou para as cabinas, estas já se encontravam vazias.
Despachara dali um inferno concentrado!
Voltando novamente o olhar para a tela, não viu mais o rosto de Rhodan.
Rhodan sabia muito bem que risco enfrentava ao preparar-se para pousar no espaçoporto de Druufon.
Os restos destroçados dos robôs guerreiros jaziam por todo canto. O concreto apresentava inúmeros buracos. Não havia mais nenhuma nave. A frota inteira se encontrava engajada na luta contra os agressores, tentando repelir e destruí-los.
A Drusus pousou.
Em algum ponto da cidade, houve uma detonação, e a onda de choque varreu o espaçoporto. À luz do meio-dia, brilhou um relâmpago mortiço. Uma escura nuvem de fumaça subiu vagarosamente no ar; o vento carregou-a para longe da cidade.
Bell hesitava:
Deus nos acuda se esses caras desconfiarem de alguma coisa!
Quando descobrirem, estaremos longe demais — replicou Rhodan, displicentemente. No entanto, não se sentia tão seguro quanto fazia crer. Os druufs poderiam ter suspeitado. Seu aviso chegara com dez segundos de atraso. — Por que lhes passaria pela cabeça que estamos jogando falso?
Gucky aproximou-se, bamboleando.
Ao contrário, estão muito satisfeitos com nossa chegada — anunciou. Certamente andara vigiando telepaticamente os governantes druufs, e devia saber o que dizia. — Neste momento, eles quebram a cabeça, tentando saber de que jeito alguns dos robôs desembarcados conseguiram penetrar na central de cálculos. Foram informados de que houve luta lá.
Harno desceu do teto e transformou-se em tela.
Dêem uma olhada à central dos druufs.
Seguiram o conselho, e tiveram ocasião de presenciar as cenas desenroladas nas profundezas do solo.
Os robôs iam saindo da cabina, iniciando imediatamente sua obra de destruição. Alguns deles já deviam ter começado antes, pois incessantes ondas de choque rugiam pelos corredores, provocando enormes fendas nas paredes. Detonações faziam ruir geradores, e alas inteiras de máquinas. Para sorte dos druufs, a central de cálculos era quase toda automática, exigindo pouco pessoal. Portanto, a destruição se concentrava nas instalações técnicas.
Porém aquilo era mais do que suficiente.
Obrigado, Harno, já vimos bastante. Quer dizer que o plano deu certo. Os druufs foram privados de sua central científica, e muito merecidamente, já que aplicam seus conhecimentos quase exclusivamente para fins bélicos. Foi um golpe magistral, enfraquecemos sensivelmente seu sistema de defesa. Resta saber até quando...
Atlan, até então mudo, expressou seu ponto-de-vista:
Espero que nossa intervenção tenha chegado a tempo de salvar a frota de Árcon do aniquilamento total. Pois chegará o dia em que necessitaremos desesperadamente dela!
Sem encará-lo, Rhodan respondeu.
Penso como você, Atlan. Porém não havia outra maneira de conter os druufs, e enfraquecer o regente. A não ser que nós próprios quiséssemos cuidar de ambas as tarefas. E sabe tão bem quanto eu quais teriam sido as conseqüências nesta hipótese.
Atlan acenou.
Harno tornara a subir para o teto, e aguardava.
Irei com Bell e Gucky — disse Rhodan. — Isso nos possibilitará uma rápida fuga teleportada, em caso de emergência.
Posso transportar ambos de uma vez — afirmou o rato-castor, com justificada autoconfiança. Não seria a primeira vez que levava duas pessoas num salto teleportado. — Claro que com um é mais fácil, mas com dois também dá. Apesar de Bell contar por pessoa e meia, com o peso que tem...
Perdi dois quilos nas últimas semanas — protestou Bell, muito suscetível neste ponto. — Facilitará sua tarefa.
Pô — caçoou Gucky. — Como se dois quilos fizessem diferença em você! E com toda a certeza, perdeu-os no lugar errado.
Bell bateu na barriga.
Aqui, meu velho!
Ainda bem — disse Gucky. — Eu temia que fosse aqui...
E apontou para a cabeça de Bell.
Antes que Bell pudesse agarrá-lo, Gucky fugiu com um pulo.
Rhodan interrompeu o alegre bate-boca.
Desceremos da Drusus normalmente, por uma das escotilhas, e sem levar arma alguma. Sikermann, faça contato radiofônico com os druufs! Avise-me quando tiver o tal de Tommy-1 na linha.
Tommy-1 era a sigla do aparelho tradutor para o habitual porta-voz dos druufs. Estes seres tinham nomes difíceis de serem pronunciados. Até a máquina demorava para reproduzi-los.
Sikermann pôs mãos à obra, ajudado pelo Tenente Stern, o radioperador chefe. Em menos de dois minutos, veio o aviso:
Contato, Sir! Pode falar...
Rhodan disse no microfone do tradutor, acoplado ao transmissor radiofônico:
Aqui Rhodan! Pousamos com nossa nave principal, e gostaríamos de parlamentar com vocês, a despeito de nos terem tratado de maneira tão indigna. A arrogância do agressor ultrapassa os limites. Necessitamos da ajuda de vocês tanto quanto necessitam da nossa.
Eles fizeram descer robôs, alguns dos quais conseguiram se introduzir em nossa central subterrânea. Vocês podem liquidá-los? Temos as mãos mais do que ocupadas com a defesa antiaérea e a batalha espacial.
Só nos faltava isso!”, pensou Rhodan. Hesitando, disse:
Não dispõem de tropas terrestres para cuidar dos invasores? Temos três naves, apenas, e teríamos que solicitar reforços primeiro. E isto demoraria demais.
Houve uma pausa. Concentrado, Gucky tentava sondar Tommy-1.
Estão confabulando — avisou ele.
Venham para cá — transmitiu por fim o aparelho tradutor. — Talvez possamos chegar a um entendimento.
Comparecerei com dois assessores — concordou Rhodan, mandando Sikermann desligar o rádio. Depois voltou-se para Bell: — Está na hora, amigo. Vamos?
Levaram apenas os braceletes de múltipla utilidade; continham, entre outras coisas, um bom transmissor-receptor de rádio. Por meio dele poderiam comunicar-se com a Drusus a qualquer instante. Falhando o aparelho, ainda lhes restariam Gucky e Harno.
Harno...?
Rhodan olhou para o teto.
Melhor vir também, Harno. Talvez possa nos ajudar, estando por perto.
Obedientemente a bola preta desceu e pousou na mão de Rhodan, que a colocou no bolso do uniforme. Guarida segura e confortável. Rhodan ainda não sabia muito bem de que forma o estranho ser lhes poderia ser útil em caso de necessidade.
Em determinado trecho do curto trajeto até a cidade, foram atacados por um mini-caça arcônida. O torpedo de menos de vinte metros de comprimento devia ter rompido o cerco espacial; com a indiferença pela ameaça de um robô articulado, precipitava-se agora sobre o que lhe parecera um inimigo. Felizmente foi atingido pelo raio de um canhão energético. Por instantes, a nuvem incandescente flutuou sobre a cidade, acabando desfeita pelo vento.
Desta nos safamos! — exclamou Bell, aliviado, apressando o passo. — Bem que gostaria de saber por que não nos mandam um carro.
Nem bem acabara de expressar o insólito desejo, surgiu um veículo na orla do espaçoporto. De forma alongada, parecia teleguiado. Parou diante deles, e a porta abriu-se automaticamente, convidando-os a entrar.
Rhodan embarcou, seguido por Bell. Gucky escorregou por último para o amplo assento.
Os druufs têm mesmo traseiros tão largos? — admirou-se o rato-castor, que quase desaparecia no enorme banco estofado. — Para Bell, o banco está na medida certa, mas para meu corpo delicado...
Ora, pare com isso! — indignou-se Bell. — Sou gordo, mas tenho uma massa cerebral que funciona muito bem...
Novamente Rhodan teve que intervir, advertindo:
Eu prestaria mais atenção ao caminho, a fim de saber voltar. Senão nem mesmo o mais belo dos cérebros não lhes adiantaria nada. Lá adiante está a arena do Conselho, onde já tentaram me fazer entrar numa fria uma vez. Certamente reconhecerão Gucky.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Quem sou eu

Minha foto
Carlos Eduardo gosta de tecnologia,estrategia,ficção cientifica e tem como hobby leitura e games. http://deserto-de-gobi.blogspot.com/2012/10/ciclos.html