P-050 - Atlan, o Solitário do Tempo - K. H. Scheer
P-051- O Soro da Vida - Kurt Brand
P-052 - O Pseudo - Clark Darlton
P-053 - Os Condenados de Isan - Kurt Mahr
P-054 - O Duelo - K. H. Scheer
P-055 - A Sombra do Supercrânio - Kurt Brand
P-056 - Os Mortos Vivem - Clark Darlton
P-057 - O Atentado - Kurt Mahr
P-058 - Ataque do Invisível - Clark Darlton
P-059 - O Regresso do Nada - Kurt Mahr
P-060 - Fortaleza Atlântida - K. H. Scheer
P-061 - O Robô Espião - Clark Darlton
P-062 - Os Anões Azuis - Kurt Mahr
P-063 - Os Microtécnicos - Clark Darlton
P-064 - A Prisão do Tempo - Clark Darlton
P-065 - Um Sopro de Eternidade - Clark Darlton
P-066 - Os Escravos Cósmicos - Kurt Mahr
P-067 - Interlúdio em Silico V - Kurt Brand
P-068 - A Caça das Dimensões - Kurt Mahr
P-069 - A Morte Espera no Semi-Espaço - Kurt Mahr
P-070 - Últimos Dias de Atlântida - K. H. Scheer
P-071 - Tigris Erra o Salto - Kurt Brand
P-072 - Os Embaixadores de Aurigel - Kurt Mahr
P-073 - Os Três Desertores - Kurt Mahr
P-074 - O pavor - William Voltz
P-075 - O Universo Vermelho - K. H. Scheer
P-076 - Sob as Estrelas de Druufon - Clark Darlton
P-077 - Nas Algemas da Eternidade - Clark Darlton
P-078 - O Sacrifício de Thora - Kurt Brand
P-079 - O Inferno Atômico - Kurt Mahr
P-080 - Nas Cavernas dos Druufs - Kurt Mahr
P-081 - A Nave dos Antepassados - Clark Darlton
P-082 - Xeque-Mate Universo - Kurt Mahr
P-083 - Planeta Topsid, Favor Responder - Kurt Brand
P-084 - Recrutas de Árcon - Clark Darlton
P-085 - Escola de Guerra Naator - Clark Darlton
P-086 - A Chave do Poder - K. H. Scheer
P-087 - As Cavernas do Sono - William Voltz
P-088 - O Caso Columbus - K. H. Scheer
P-089 - A Grande Hora de Gucky - Kurt Brand
P-090 - Atlan em Perigo - Kurt Brand
P-091 - O Regresso de Ernst Ellert - Clark Darlton
P-092 - Missão Secreta Moluque - William Voltz
P-093 - O Inimigo Oculto - Kurt Mahr
P-094 - O Sol Chamejante - Clark Darlton
P-095 - Céu Sem Estrelas - Clark Darlton
P-096 - O Mistério do Anti - K. H. Scheer
P-097 - O Preço do Poder - Kurt Brand
P-098 - Forças Desencadeadas - Kurt Brand
P-099 - Um Amigo da Humanidade - William Voltz
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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
P-050 - Atlan, o Solitário do Tempo - K. H. Scheer [parte 3]
Ao
perceber que não dava para salvar mais nada da espaçonave, Rhodan
resolveu incendiá-la, tirando-me assim um excelente abrigo. Através
desta sua última atitude, o duelo entre nós dois estava muito
desfavorável para mim. Tive que fazer muito esforço para sair a
tempo das proximidades dos destroços que começavam a explodir.
Seguindo o bom senso, estabeleci meu esconderijo de tal modo que os
escombros da nave ficavam entre mim e Rhodan. Só assim poderia
escapar de seus tiros.
Somente
agora é que estava compreendendo bem o que eu tinha arranjado com
isso. Meus olhos se abriram e eu percebi que este frio calculista
contava com uma reação de minha parte. Tinha realmente de mudar de
posição. Porém, a maneira como mudei é que são elas.
Rhodan
achava-se de posse de uma posição muito melhor. Primeiro, estava
mais próximo da grande cúpula de aço e depois encontrando-se atrás
da cúpula, eu não o tinha ao meu alcance.
Em linha
reta entre ele e mim, avultava o monte fumegante dos escombros do que
foi uma maravilhosa espaçonave. Já que eu estava bem perto dos
restos da nave, estes mesmos escombros encobriam não somente a
cúpula, mas também o próprio Rhodan. Não levei mais de um minuto,
até chegar a uma solução definitiva. Se é que eu conhecia bem meu
adversário logo após seus tiros devastadores teria ele corrido para
chegar imediatamente ao edifício provido de pressurização. Ainda
não eram passados dez segundos, depois de minha afobada mudança de
lugar, quando fui tomado por uma idéia luminosa. Não tive mais
dúvidas. Talvez, estivesse superestimando Rhodan. Se fosse assim,
logo depois de eu ter saltado, seus raios energéticos me teriam
fuzilado.
Peguei a
arma e fui me arrastando olhando para um ponto de melhor proteção à
frente. Em meio à subida, havia uns blocos de pedra de onde teria
uma boa visão. Pulei para cima da pedra e fiquei farejando. Depois
começou a corrida, uma corrida louca que a gente consegue fazer só
em momentos de grande perigo e de desespero. Com seis pulos, tinha
resolvido a questão da visibilidade. Enquanto corria, vi, bem para
trás um outro homem.
Era Perry
Rhodan que fez uma coisa da qual só me conscientizei momentos
depois. Quando eu ainda estava deitado na areia, ofegante, desviando
os olhos do metal incandescente, Perry já estava agindo. Engoli uma
praga e cedi ao meu instinto que me aconselhava, antes de tudo,
arranjar uma proteção. Isto queria dizer que tinha de correr uns
duzentos metros. Durante este tempo, Rhodan também avançou 200
metros. Mas ele não podia correr essa distância melhor do que eu.
É verdade
que resistia às transições muito melhor do que eu, o que não
significava nada em relação à força física. Choques do
hipersalto atuam profundamente no sistema nervoso. Conheci homens
fortíssimos, que num pequeno salto espacial se sentiam sempre
quebrados.
Estas
ponderações passavam com toda clareza por minha mente, enquanto eu
corria. Com o rabo do olho procurava por novas possibilidades de um
abrigo. Porém, minha grande atenção mesmo era para Rhodan, que em
tempo de corredor bem treinado disparava pelo deserto quase que
plano.
Era um
esforço tremendo correr tão depressa com o pesado traje espacial.
Ainda estávamos mais ou menos em forma. Mas que aconteceria se cada
um descobrisse o plano do adversário, tão depressa que um não
conseguisse pegar o outro?
Neste
momento houve mais uma comunicação do meu sexto sentido:
“Bobo,
deite no chão, respire três vezes e atire. Ele está sem proteção.”
Claro que
isto era também uma alternativa. Rhodan ainda não havia virado para
trás, nem uma vez. Apesar de tudo, não me deitei no chão para
melhor atirar. Conhecia minhas limitações e sabia também que, com
mãos trêmulas e com o coração em elevada pulsação, não
conseguiria boa pontaria. Puxar o gatilho era muito simples, mas
acertar eram outros quinhentos. Se eu errasse o primeiro tiro, ele
certamente procuraria um abrigo. Haveria de achar, certamente, uma
pequena elevação do solo, em qualquer lugar, e então eu ficaria
mais exposto do que ele. Quem teria no caso mais chances? Cheguei à
conclusão de que era ele, por isso continuei a correr.
Se ele,
por descuido, me desse tempo de atingir os blocos de pedra, minha
situação melhoraria muito.
Aumentei
meu tempo e fiquei admirado como os miseráveis 200 metros
tornavam-se tão longos. Meus pulmões estavam estourando quando
alcancei a pequena elevação e me atirei ao chão entre dois
poderosos rochedos.
Não
compreendia como meu corpo bem treinado, podia sentir-se cansado numa
corrida mínima. Diante dos meus olhos sonhadores dançavam os
círculos olímpicos... Levei alguns segundos até poder ver de novo
com clareza. Instantes depois minha vontade firmou-se. Não iria mais
dar tiro só para espantar, Rhodan era mesmo meu inimigo. Se ele
conseguisse chegar à cúpula antes de mim, eu estaria perdido.
Com toda
certeza, a base devia estar muito bem munida. Logicamente disporia
também de aparelhagem de rádio, para pedir socorro. Simplesmente o
fato de, chegando antes de mim, ter tempo de ligar o envoltório de
proteção, decidiria meu destino. Na pior das hipóteses, ele me
poderia deixar morrer de sede no árido deserto. Tinha na mochila
somente dois litros de água.
Caso eu
chegasse antes dele na cúpula, o quadro estaria invertido. Os
limites estavam bem delineados: era um caso de vida ou morte. Já
estava com arma engatilhada e o visor não precisava de regulagem. Um
raio térmico ultra-rápido tinha sempre uma trajetória reta, jamais
podendo ser prejudicada pela força da gravidade ou por fortes ventos
ou ainda por simples resistência do ar. Quando ele me estivesse sob
a mira, não haveria mais dúvida. Num planeta de rara atmosfera, a
exatidão do tiro seria absoluta.
Escolhi
bem o ângulo e atirei. Um verdadeiro trovão soou no meu ouvido, a
arma deu um forte coice e o cano se levantou um pouco. Mas o tiro já
tinha saído. Bem rente ao homem que corria, surgiu uma cratera de
lava incandescente e Rhodan foi atirado para o lado, caindo de rosto
no chão. Se eu tivesse contado mais com sua fantástica capacidade
de reação, teria evitado o próximo erro. Levei dois segundos,
para, com meus olhos ofuscados pelo clarão, poder ver bem a mira.
Exatamente
neste meio tempo, Rhodan deu um salto para o alto, de tal modo que
não pude mais interromper o tiro. No lugar onde ele estava antes,
bateu a nova carga, abrindo de novo um buraco na areia. Atirei mais
uma vez, mas o diabo do homem já havia desaparecido, tinha realmente
achado um abrigo. E apesar de minha localização mais elevada, eu
não o avistava.
De
respiração tensa, fiquei aguardando. A distância seria mais ou
menos uns 400 metros, o que não representava nada para uma arma
energética de amplo alcance.
A parte de
transmissão do meu aparelho de rádio estava desligada há tempo. O
receptor, porém, estava ligado. Aumentei o volume e fiquei na
escuta, com toda atenção. Fora dos ruídos normais de estática,
não se ouvia nada. Aí, comecei a cismar que Rhodan também havia
desligado o transmissor. Certamente estaria procurando controlar a
respiração.
Comecei a
rir para mim mesmo, até que foi surgindo um pensamento que me
inquietou. Por que Rhodan não foi atingido com o primeiro tiro? Foi
um disparo bem certeiro. Minha memória fotográfica me lembrou que
estes modernos trajes espaciais possuem um gerador de campo.
Naturalmente, no calor da refrega, tinha me esquecido de ligar o
envoltório de proteção.
Tive de
fazer um grande esforço para não ficar furioso comigo mesmo. Quem
sabe se o envoltório não agüentaria mesmo um tiro em cheio, mas
normalmente devia ser à prova de ferimentos mortais. Tentei então
recuperar o que havia perdido.
A lâmpada
de controle, acesa na região torácica do uniforme, indicava que
tudo estava em ordem. O leve cintilar era quase imperceptível.
Fiquei perplexo quando li o indicador do registro: como poderia eu,
nos poucos momentos desde a aterrissagem, ter consumido 24
quilowatts-hora? Olhei mais uma vez, à procura de um possível
engano, quando ouvi de repente um estalo no alto-falante do capacete.
Fiquei a princípio assustado, procurando encontrar a transmissão.
Mas, só pelo ouvido, não era possível. Não se podia supor que
Rhodan trabalhasse com raios dirigidos em feixe. Talvez ele estivesse
irradiando em todas as direções. Por via de dúvidas, examinei a
instalação da antena no capacete. Não, não estava regulada para
raios dirigidos em feixe.
Continuou
aumentando o número de estalos. De súbito, se podia ouvir a
respiração de alguém. Soava regular e equilibrada. Na chapa
espelhada do meu capacete percebi que meus lábios se contraíam para
um sorriso. Se este rapaz estava pensando que ia me desconcertar com
truques psicológicos, estaria enganado pela segunda vez, e
redondamente. De qualquer maneira, o pensamento não era nada mau,
querer deixar o inimigo na dúvida quanto ao paradeiro certo.
— Alô,
arcônida, você está me ouvindo? — soou alto demais e eu abaixei
o volume imediatamente. Então comecei a respirar com muita calma e
liguei o transmissor.
— Estou
ouvindo, bárbaro. Que quer? Está implorando piedade? Você está
sob a minha pontaria, vou apertar o gatilho daqui a dois minutos.
A
gargalhada de Rhodan me fez morder os lábios de raiva. Ele sabia que
eu não podia vê-lo, que mal conhecia sua direção.
— Seu
bobo — respondeu ele com voz suave. — Em minhas incursões em
Árcon liquidei centenas de pessoas iguais a você de uma vez só.
Fiquei
trêmulo de ira. Sabia onde me queria atingir. Para me dominar, tinha
que fingir, tornar-se indiferente. Como se não ligasse,
esforçando-me até para rir. Mas era difícil, não estava em minha
natureza. De qualquer maneira, estava ficando mais fácil quando eu
pensava que ele dizia aquelas palavras ofensivas para me desmoralizar
ou para me obrigar a um gesto impensado. Custou, mas fui me tornando
indiferente às ofensas.
Rhodan
continuava rindo. Interrompi-o, dizendo:
— Economize
seu ar, bárbaro. Se eu o deixar sair vivo daqui, será para levá-lo
para uma corte marcial do Império.
A
afirmativa era um tanto ousada. Tinha o fim, apenas, de obrigá-lo a
um pouco mais de ponderação. Parece que mordeu a isca.
— É
interessante mesmo. Você é um agente cômico do Império.
É claro
que não era nenhum agente, mas isto não era da conta dele.
— O que
você pensa, hein? Um pouco tarde, é verdade, mas descobrimos que
sua prolongada morte em 1.984 foi um simples truque. Agora temos você
e seu ridículo Reino Planetário, que num criminoso atrevimento
chama de Império, em nosso poder. Vamos ajustar as contas logo, seu
bárbaro.
Havia
cometido um erro, só não sabia qual era. Rhodan gargalhava
gostosamente e desta vez havia sinceridade total em sua voz.
— Arcônida,
ninguém no Império de Árcon poderia saber que no tempo de minha
suposta morte, a Terra estava no ano 1.984.
— É! —
disse eu em tom de zombaria.
— Você
também não vem diretamente dos três planetas, seu sonhador. A
“Enciclopédia Terrânia” lhe contou muita coisa sobre a evolução
da Humanidade, mas isto não basta para você querer me enganar.
Estava
realmente me deixando confuso. Naturalmente, teria sabido por
intermédio do general Kosnow, de que maneira eu havia aparecido
entre os homens, pela primeira vez.
— Nós
não dependemos de sua enciclopédia. Basta afirmar que eu o
encontrei.
— Você
serviria a um robô e receberia ordens dele? — perguntou,
enraivecido.
Eu estava
indignado profundamente. Era muito comum fazerem tais considerações.
E ele repetiu:
— Você
seria escravo de um robô?
Eu batia
com os dentes, de tanta ira.
Que
palavra terrível: escravo de um robô... Ouvi uns ruídos, depois
que a gargalhada de Rhodan terminou.
— Está
certo, arcônida. Está tudo muito claro. Quando uma pessoa fica tão
excitada e nervosa como você, é um sinal que não é um arcônida.
Já há muitos anos que o Império está sob a regência absoluta de
um cérebro positrônico, sob cujo chicote até o sereníssimo
imperador tem que dançar.
— Mentira
deslavada — gritei fora de mim.
— Não
me importo, entende? Não se pode ajudar a quem não quer ver a
realidade. Está certo. Sei que você é um pobre solitário. Quer me
dizer seu nome?
Concentrei-me
bem depressa. Ele estava a par de toda a minha mentira. Jamais
conseguiria que ele ficasse nervoso.
— Meu
nome é Atlan, comandante da frota do Grande Império, cientista e
técnico de primeira classe, nos ramos de Colonização do Cosmo e de
Técnica de Superenergia. Vou transformar seu sistema solar em nossa
colônia, seu bárbaro.
Houve um
silêncio e eu me senti contente de que ele agora sabia com quem
estava tratando.
— Não
deixa de ser um orgulho ridículo, ilustríssimo — foi a resposta
irônica. — Minha atual esposa também falava assim, há muito
tempo atrás. O nome Thora, da estirpe dos Zoltral, representa alguma
coisa para você?
— Sim, é
claro. Conheço o nome apenas pelo estudo da história.
— Ela
casou comigo, um terrano. Temos um filho. Você não acha que esta
arcônida de sangue nobre teve motivos suficientes para casar com um
terrano?
Novamente
comecei a morder os lábios. Era um problema que nunca me passou pela
cabeça. Não respondi nada.
— Está
certo, é bom pensar um pouco. Atlan, não é assim seu nome? Bem,
Atlan, agora preste atenção.
Eu me
surpreendi já com uma risada sardônica. Agora chegaria naturalmente
o momento das ponderações para eu depor a arma.
— Sabendo
que o Grande Império Arcônida está chegando ao fim, Thora aceitou
meu pedido de casamento. Hoje não existem fronteiras raciais e seu
orgulho não tem mais razão de ser. Ofereço-lhe, pois, uma rendição
honrosa.
— Rendição?
— respondi revoltado.
— Naturalmente.
Ou você acha que vou deixá-lo voltar sem mais nem menos para Árcon,
para você espalhar para meio mundo o que está acontecendo aqui em
nosso pequeno planeta, tido como completamente destruído? De maneira
alguma. Tente compreender isto e saia de seu esconderijo de mãos ao
alto.
Parecia
muita petulância e eu não aceitei.
— Quero
ser seu amigo e não seu prisioneiro, seu bárbaro.
Rhodan
sorria serenamente.
— Muito
esquisito, Atlan! Como se pode chamar de bárbaro alguém que se
deseja para amigo?
Olhei
aborrecido para a direção do seu esconderijo. Realmente, ele tinha
razão.
— Agradeça
aos céus que eu não o chamo de monstro — respondi-lhe em tom mais
amistoso.
Houve
silêncio, nesse duelo sui-generis.
Finalmente, falou com grande calma:
— Atlan,
se você não quer se entregar, eu me sinto obrigado a destruí-lo. E
isto torna-se para mim grandemente doloroso, mas você não me dá
outra opção.
— Experimente
fazê-lo.
— Vou
fazê-lo. Nossa água não dá para muitas horas. Daqui a 72 horas os
microrreatores não mais funcionarão. Este planeta fica muito
distanciado da Terra. Nós o chamamos de Hellgate, porque é
realmente a porta do inferno. Você já deu uma olhada para o
termômetro externo?
Realmente,
não havia me preocupado com isso até então. Foi aí que reparei
como a aparelhagem técnica do meu traje espacial tinha consumido
tanta energia. Tive então calma para observar o chiado da instalação
de ar condicionado. Há tempo que a luzinha vermelha, indicadora de
carga deficiente, estava acesa. A temperatura externa, ao sol, era de
148,3 graus Celsius. Só agora pude compreender por que aquela
correria de apenas 200 metros me cansou tanto. Meu traje espacial já
estava há muito tempo além dos limites de sua capacidade.
Logo
depois comecei a sentir pontadas nos pulmões. O ar que respirava
estava demasiadamente quente. Conforme o termômetro, a temperatura
interna era de 41,7 graus Celsius. Pessoas do meu tipo, em geral, não
transpiram. No entanto, eu já estava banhado em suor. Estando bem
próximo do sol, o calor neste planeta era assombroso, fazendo jus ao
nome de Hellgate, ou seja, “Porta do Inferno”.
— Então,
arcônida? — continuava a pergunta de Rhodan. Sem o querer, estava
colocando à minha disposição uma arma psicológica.
— Ótimo
— disse eu com muita pose e entonação. — Uma temperatura muito
boa para a saúde, não é, bárbaro? Sempre senti frio em seu mundo
gelado. Você deve saber que o sol de Árcon, muitas vezes maior que
o da Terra, é também muito mais quente que o seu solzinho de doze
meses. Cresci com aquele sol inclemente na cabeça. Ainda estarei cem
por cento quando você estiver se afogando no próprio suor. Talvez
você vá-se transformar em carne-seca.
Ele me
chamou de doido varrido e eu só pude rir.
— Minha
proposta, seu bárbaro: entregue-se logo, eu não lhe farei mal
algum. Se você realmente for inteligente...
— Sem
comentário — interrompeu ele. — Pois bem, Atlan, considere,
então, que daqui em diante estamos em estado de guerra.
— Aceito,
selvagem. Olhe muito para sua água. Estes miseráveis dois litros,
você os consumirá em pouco tempo. A temperatura externa para você
também é de 148,3 graus, não é? Formidável, formidável, como
isso faz bem ao meu metabolismo. Isto é que é um calor de verdade.
Quer que lhe ceda um litro de líquido? Atlan está com tudo,
bárbaro. Topo qualquer parada.
Rhodan não
disse uma palavra. Tinha certeza de tê-lo atingido com meus
argumentos convincentes. Nós os arcônidas agüentamos de fato o
calor com muito mais facilidade do que os habitantes da Terra. Minha
grande sorte foi que Rhodan não sabia há quanto tempo eu já estava
na Terra e que meu organismo estava mais adaptado às condições
climáticas deste planeta.
Minha
garganta estava completamente ressecada, pois estivera quase uma hora
exposto ao sol. Olhei pesaroso para a direção dos rochedos. Do
outro lado deles, haveria sombra. Porém ficaria ao alcance de
Rhodan. Diante de meus olhos, aros de fogo começaram a dançar.
— Estamos,
pois, em estado de beligerância, — foram as últimas palavras de
Rhodan antes de desligar o microfone.
Eu também
desliguei o meu. Um silêncio fúnebre se estendeu sobre o deserto de
areia e de pedras do planeta apelidado “Porta do Inferno”, como
um mar sem fim.
Levando a
mão em pala e piscando muito, tentei olhar para o alto, desejando
que a noite viesse o quanto antes. O calor teria então que diminuir.
Finalmente, afastei-me um pouco das pedras escaldantes e desliguei
meu campo energético, para economizar energia. O diminuto
transformador térmico já estava há muito em sobrecarga e o
envoltório de proteção não adiantava nada contra a irradiação
solar.
Do outro
lado, nada se movia. Rhodan não se atrevia a sair de seu abrigo. E
assim começou a longa vigília: um espreitando o outro. Era o início
de uma lenta agonia.
De um
momento para o outro, os sentidos desapareceram, como se alguém me
tivesse injetado nos pulmões um gás entorpecente. Quando acordei
com dores alucinantes nas vias respiratórias, haviam se passado
apenas dois minutos. O desmaio foi, pois, muito curto, mas não
deixou de ser um alarme importante.
Já eram
decorridas quase doze horas desde que Rhodan se comunicara pela
última vez. Neste tempo todo, Rhodan não deu sinal de si, pois
certamente queria provocar um suspense quanto ao seu estado físico.
Também eu não me manifestei. Já havia consumido um litro de água.
Era necessário um autodomínio fantástico para retirar da boca o
canudinho de sucção, quando o nível da água chegava ao ponto
determinado pela prudência. Ultrapassá-lo seria uma loucura. Já há
três horas que meu subconsciente trabalhava apenas em função do
fantasma da água. Era um desfile de quadros de um só assunto:
líquido, líquido de todos os tipos, principalmente sob a forma de
água comum.
Durante
seis horas, transpirei sem parar. Estava chegando a fase do
ressecamento. Era como se meu organismo não tivesse mais uma gota de
líquido.
Se
conseguisse, com o máximo de autodomínio, conter o desejo
irresistível de água, procuraria depois refletir um pouco sobre a
situação. Estava deitado sob o sol, sem nenhuma proteção. A
temperatura externa continuava a mesma, cerca de 148,5 graus Celsius.
A areia do deserto estava ainda mais quente.
Assim,
para minorar a situação, comecei a mudar de posição em intervalos
de no máximo de três minutos, para dar vazão ao calor proveniente
do chão causticante. Deitava-me de barriga para baixo, depois de
lado e finalmente de costas. Este movimento constante, porém, exigia
muita energia. Com cada mudança de posição, notei que as forças
iam diminuindo e minha resistência ia chegando a zero.
Estas doze
horas se transformaram numa eternidade. Estava chegando ao ponto que
muitos homens e arcônidas tinham conseguido superar antes de mim. É
o momento crítico em que a lógica e o pensamento claro desaparecem.
Dá-se um curto-circuito na central de comando do cérebro. Estes
segundos de pânico transformaram, em todos os tempos da história,
simples cidadãos em heróis e tornaram covardes, guerreiros
destemidos que enfrentaram a morte com denodo.
Sabia que
não ia agüentar por muito tempo esta situação. Minha aparelhagem
de refrigeração — cuja finalidade não era apenas eliminar a
umidade natural do corpo, mas também e principalmente absorver os
terríveis raios do sol inclemente — já estava começando a pifar.
A
instalação para fornecimento de oxigênio e purificação do ar não
funcionava mais. A capacidade máxima de resistência do traje
espacial era de 150 graus Celsius. Dei ainda, por minha conta, uma
margem de segurança de 5 graus, mas com isto a instalação devia
mesmo ter chegado ao fim.
Meu
microrreator tinha uma potência de 50 quilowatts por hora, isto
calculado como boa margem de segurança, pois nunca se precisaria de
tanta energia. Mas até este aparelho estava em sobrecarga. Só o
campo de reflexão da instalação de ar condicionado necessitava de
45 Kw para poder funcionar normalmente.
A
filtragem do ar carecia de 2 mil Watts e o sistema de refrigeração
comia 3 mil Watts por hora. Tudo isto dava um montante de consumo de
energia tal que as reduzidas baterias e transformadores mal podiam
cobrir.
No
envoltório de proteção para defesa contra corpos materiais e
contra irradiações energéticas ou ionizantes nem era bom pensar.
Mesmo em condições normais, ele já consumia 50 quilowatts.
Se pudesse
encontrar um material condutor, teria chegado à idéia maluca de
adaptar o microconversor de impulsos de minha pistola térmica. Mas
não encontrei nos bolsos do traje nem um pedacinho de fio metálico.
Minha garganta não estava aceitando a abundante alimentação
concentrada, empacotada na mochila do traje espacial. Também não
tinha fome.
Mas, meu
maior sofrimento era provocado quando respirava o ar escaldante. A
temperatura interna havia subido para 50,8 graus. Mais ou menos da
mesma temperatura era a horrível mistura de oxigênio com hélio.
Tinha ar para 72 horas, mas com toda a certeza minha vida não iria
tão longe assim.
Chegou a
hora de outra fase de desmaio. Num esforço ingente, tentei
concentrar a atenção em alguma coisa e fiquei olhando para o ponto
onde Perry Rhodan devia também estar deitado na areia ardente. Ainda
podia ver a mancha vitrificada do meu último disparo energético, no
chão de areia. Pelos meus cálculos, aliás sempre bem feitos,
Rhodan não podia estar a mais de 30 metros daquele local. Não podia
ter caminhado mais do que isto, em todo este tempo.
Tinha que
vigiar uma extensão de uns sessenta metros de raio em torno de mim,
para não ser apanhado de surpresa pelo adversário. Com a luneta de
mira de minha pistola energética, varria constantemente o terreno em
volta, sem nada encontrar. Talvez não houvesse mesmo nenhuma
reentrância no solo arenoso onde Rhodan pudesse se abrigar ou ir se
arrastando.
Por muito
tempo, fiquei refletindo sobre a conveniência ou não de varrer com
disparos energéticos aquela pequena área. Mas cheguei à conclusão
de que era muito improvável atingir meu adversário, talvez abrigado
numa saliência rochosa. Os prós e os contras deste plano
apresentavam um quadro negativo. Caso não encontrasse, em pouco
tempo, o paradeiro de Rhodan, ele me teria facilmente sob a mira de
sua arma. Já no meu primeiro tiro, ele certamente localizou bem
minha direção.
Desisti,
pois, da idéia maluca e fiquei esperando que o bárbaro perdesse a
paciência. Pelo rastro na areia do meu último disparo, Rhodan
poderia perceber muito bem que eu estava numa pequena elevação.
Podia
também determinar a direção, pois o disparo deixara uma cratera
bem alongada. Uma angulação perfeita, porém, não seria possível,
pois estava a mais de 30 metros de mim. Se existisse só uma
elevação, seria uma maravilha para Rhodan. Mas eram três e eu
poderia estar em qualquer uma delas.
Por este
mesmo motivo, Rhodan não iria atirar, pois sabia que com isso eu
iria descobrir seu paradeiro. Nesta luta de trincheira, de um ficar
espreitando o outro, tudo dependia de quem cometesse o primeiro erro.
Para encontrar um abrigo conveniente, teria que passar por campo
aberto. Mais para trás, cerca de um quilômetro, estendia-se um
trecho mais montanhoso, calcinado pelo sol. Lá em cima haveria não
somente esplêndidos pontos de defesa, mas sobretudo trechos de
sombra.
Estava
mordendo meus super-ressecados lábios, quando meus olhos indecisos
perceberam uma caverna funda e escura. Estava fresco lá dentro; um
tanto mais fresco. No máximo cem graus de calor... Inebriei-me com
uma temperatura que normalmente me seria insuportável. Os apenas cem
graus de calor me pareciam um suave lenitivo. A instalação de ar
condicionado poderia descansar um pouco. O reator também funcionaria
melhor.
Nuvens
incandescentes começaram, de repente, a dançar na minha frente. Do
meio delas, saltou subitamente a figura de Rhodan. Passou correndo na
minha frente, dando uma enorme gargalhada e me atirando areia com
chutes de suas botas.
Consegui
me controlar no último instante. O cano de minha arma já estava
saindo do vão das pedras, quando despertei da alucinação.
O fantasma
de Perry Rhodan se desfez diante de mim, restando apenas o deserto,
uma superfície desesperadora de areia clara e ofuscante, com milhões
e milhões de cristais reverberando a luz e o calor. Queria gritar um
pesado palavrão, mas minha garganta não conseguiu emitir som. De
novo a vontade louca de tomar água. Ainda me restava um litro.
Encolhi o corpo e dei um soco no capacete pressurizado. Só o
pensamento de que Rhodan estava passando pelo mesmo sofrimento é que
me dava um pouco de alento. Tinha, porém, o pressentimento de que
alguma coisa haveria de acontecer.
Senti, de
súbito, um impulso do meu sexto sentido. Um calafrio me percorreu a
espinha dorsal.
“Ele
tem dons telepáticos! Não descuide de seu bloqueio mental!”
Senti-me
mais resistente a alucinações. No reflexo do vidro da viseira do
capacete, reparei na palidez do meu semblante. É claro que não
devia relaxar minha defesa mental, mesmo que isto fosse muito difícil
devido ao meu estado físico depauperado. Se Rhodan me captasse o
pensamento, também descobriria meu paradeiro. E então, não teria
mais força para resistir.
Comecei a
praguejar em voz alta, mas saía apenas um chiado rouco. Porém de
qualquer maneira, era minha voz e isto me estava encorajando. Fiquei
de repente bem lúcido e minha visão mais nítida.
Aquilo
tinha sido planejado. Planejado psicologicamente à base da
necessidade louca de água que martiriza a pobre criatura. Todo meu
pensamento agora tinha que ser sem muita profundidade. Eu não podia
formar em mim idéias lúcidas.
Poderia
apelar somente para os instintos mais primitivos, e nada mais.
Sentimentos e desejos do subconsciente jamais chegam, em geral, a ser
expressos por palavras formais. Resumindo, somente devia admitir
conceitos referentes à avidez de água para o corpo ressecado.
De um
momento para o outro, tentei a lucidez de pensamento. Uma esperança
nova me arrancou da letargia e deu forma ao meu plano. Já estava
pronto. Rhodan devia fazer com que eu percebesse o local do seu
esconderijo. O modo de conseguir isto, não me interessava. Para que
que eu me formara em Cosmopsicologia? Conhecia muito bem os homens.
Com muita
ponderação, dominando toda avidez, sorvi um pouco de água. Em cada
gole, gargarejava bastante, até que o líquido fosse bem absorvido
pelos tecidos ressecados. Não queria propriamente beber, mas avivar
um pouco minhas cordas vocais. Depois de cada gole, dizia alguma
coisa em voz alta e bem articulado. Quanto mais água penetrava na
garganta, tanto melhor ficava minha voz. Estava correndo o risco de
desperdiçar meu resto de água.
Depois de
ter bebido quase meio litro, minha voz estava perfeita. Comecei a
cantar com voz média uma modinha popular, até ter a certeza de
poder cantar também os sons agudos. Após o exercício da voz, veio
mais um gole. Este era mesmo para beber.
A seguir,
comecei a ajeitar o texto imaginário. Parecia uma coisa boba, mas
tinha sua finalidade. Tratava-se dos conceitos “água”
e “beber”.
Somente isso. As duas palavras deviam aparecer o mais freqüente
possível no “texto”.
Fiz ainda
um teste geral da minha voz e da canção. Finalmente liguei o
transmissor do capacete. Podia me arriscar a isto, pois seu consumo
era apenas de 5 Watts.
— Alô,
bárbaro, como vai? — disse eu com a maior naturalidade e voz
descansada no pequeno microfone.
Isso devia
deixar Rhodan meio maluco e desorientado. Naturalmente sua garganta
não iria ter som algum e não seria homem para falar com voz
deficiente. Mas haveria de me ouvir e era isto que me interessava.
Dei uma
gargalhada de pulmão cheio.
— Alô,
bárbaro! Estou com lágrimas nos olhos de tanto rir. Puxa, meu rosto
está todo molhado e o culpado é você. Por que me provoca o riso
desta maneira?
Parei de
falar e fiquei na escuta. Primeiramente foi a palavrinha “molhado”.
Tinha que agir com técnica para que afrouxasse um pouco a vigilância
e cochilasse. Talvez estava sentindo muito mais sede do que eu, pois
um homem não pode agüentar tanto sem água como um arcônida. Se
meus cálculos não me falham, devia ter ainda, no máximo, algumas
gotas, apesar de todo seu autodomínio. Tudo de uma vez, não poderia
ter bebido. Um homem do tipo de Rhodan não faria isso.
— Alô,
bárbaro! Por que não responde? — exclamei mais alto ainda. —
Será que devo lhe dar um pouco do meu “tanque”?
Até agora tomei poucos goles. Então, Rhodan, como vão as coisas?
Nenhuma resposta, hein? Já vi muitos terranos morrerem de sede. Qual
é a sua situação? Quer se render agora? Cumprirei minha palavra,
não o matarei. Alô, responda por favor...
Comecei a
rir de novo em voz alta, sabendo que ele não ia mesmo responder.
Mesmo que quisesse, a voz não lhe obedeceria. Comecei então a pôr
em prática o
meu plano. Devia ser horrível para ele. Certamente ainda estaria
pensando nas minhas lágrimas “úmidas”.
— Alô,
bárbaro! Vou cantar uma linda canção em sua homenagem. Você
conhece a melodia. É para distraí-lo um pouco, nesta solidão sem
fim. Preste bem atenção no texto, é de minha lavra, do amigo
Atlan, aquele que você não quis ouvir.
E comecei
a cantar:
A água é
divina,
é uma
coisa fina.
Como é
bom beber
a água a
correr.
Água da
mina
que vai
pra piscina,
vem
refrescar
minha
triste sina.
Poesia com
fins psicológicos, ridícula e boba, onde, porém, a rima tem um
efeito de bomba sentimental. Continuei a cantar, sempre a mesma
coisa. “A água é divina, é uma coisa fina, como é bom beber.”
Tinha
certeza de que ele estava ouvindo e não teria força para desligar o
receptor, preso que estava aos desejos subconscientes. Talvez até
sentisse alucinações.
Continuei
cantando, sempre as mesmas palavras, até ficar com a garganta
completamente seca de novo. Já estava aceitando o fracasso
irremediável de todo o meu plano, quando aconteceu o inesperado.
Ouvi um
ruído horroroso no alto-falante do meu capacete. Alguém queria
gritar, mas a garganta não funcionava. A apenas 400 metros, houve um
clarão amarelado. A trajetória incandescente dos raios energéticos
veio bater no flanco de uma pequena elevação, a uns trinta metros
de mim, produzindo uma cratera de areia candente.
Era isso
mesmo. O coitado tinha perdido o controle do sistema nervoso e
atirado. Fixei bem o ponto de onde veio o tiro. Depois do seu segundo
disparo, comecei também a atirar. A arma saltou de minha mão e
escorregou para o lado.
Do outro
front vinha fogo cerrado e destruidor. Mas cessou de repente. Eu dei
mais de vinte tiros na direção de onde vieram seus disparos,
parando somente quando o dispositivo automático deu sinal de alarme.
A arma atingira a temperatura limite. Agora tinha de esfriar.
Do outro
lado só se via uma enorme cratera de pedras e areia incandescentes.
Rhodan não estava mais vivo.
Abobalhado
e apático, fiquei olhando para lá. Sabia que havia matado um homem
que poderia ter sido meu maior amigo. Com muita dificuldade, fui
caminhando, sem direção certa. A grande cúpula, com seus tesouros
tentadores estava a uma distância de um quilômetro e meio. A
elevação que lhe servia de pedestal ficava próxima. Meu caminhar
por aquela areia escaldante não tinha mais sentido nenhum. Pareciam
mortos todos os meus sentimentos e anseios. Ele me salvou da aeronave
em chamas. Se não tivesse feito isto, não teria tido tanto
aborrecimento. Minha consciência estava pesada. Tomei as últimas
gotas de água. Haveria de vencer aquela pequena distância.
Para os
mil metros até os pés do morro, cuja altura oscilava em torno de
uns cinqüenta metros, gastei quase uma hora. Ao chegar à sombra do
pequeno morro, deixei-me cair para descansar. Deitei de braço e
pernas abertas. Joguei a arma para o lado, como se não precisasse
mais dela.
Ao virar a
cabeça, depois de algum tempo de repouso, vi um fantasma caminhando
pelo deserto. Comecei a rir desta alucinação, até que a aparição
se ajoelhou na minha frente e começou a gingar a metade superior do
corpo. Levantou um dos braços ao ar e qualquer coisa metálica
reluzia em sua mão.
Eu estava
paralisado, de olhos fixos naquele objeto cintilante, quando dele
começaram a sair jatos de fogo, a uns dez metros da minha cabeça.
Pedaços de rocha incandescentes sibilavam próximas do meu corpo. E
o fantasma continuava atirando, mesmo depois de se levantar. Pôs-se
em movimento, atirando sempre, até desaparecer atrás de uma rocha.
Minha
alucinação tinha sido naturalmente Rhodan, que logo depois que eu
comecei a caminhar para o morro, também mudou de abrigo. Certamente
ele estava me vendo durante todo o tempo que eu descansava e não
atirou em mim. Por que motivo? Bondade pessoal dele? Ou por que meu
choque “psicológico” o arrasou emocionalmente?
Não,
certamente não. Simplesmente ele não tinha mais força para atirar.
Quando se está extenuado, até um palito de fósforo pesa mais do
que um saco de farinha. Somente agora, depois que eu virei o rosto
para ele, é que começou a atirar contra mim, sem atingir nem mesmo
a direção onde me encontrava.
Não
estava mais me preocupando em saber como este infeliz ainda estava
vivo. No fundo, eu o estava admirando, admirando cada vez mais.
Instantes
após, lá ia eu desaparecendo entre as rochas, levando comigo ainda
a arma. O calor estava tenaz e não tinha mais uma gota de água. E,
no entanto a cúpula da esperança achava-se a 400 metros, com uma
estrada de suave aclive e muito cômoda.
Tivemos
mais oito horas de vigilância e espreita mútua. Quase todos os
truques imagináveis foram empregados para deixar o adversário fora
de combate. Os menores detalhes eram vitais, pois qualquer erro teria
conseqüências fatais. A luta era para valer. Mutuamente nos
xingamos e nos ameaçamos. Mutuamente exigimos a rendição do
adversário, mas ninguém cedia, e não podia ceder mesmo.
Éramos
como água e fogo. Quando ele atirava, suas mãos estavam trêmulas e
os olhos confusos. E, quando eu o tinha sob minha mira, ao mudar de
posição, fazia uma série de disparos, mas sem atingi-lo. Parecia
até que a retícula da mira telescópica da arma estava trabalhando
contra mim. Quando eu tinha Rhodan no centro da pontaria, a imagem se
transformava em rodas de fogo, e o tiro se perdia.
Dentro do
traje espacial, o termômetro acusava 59,3 graus Celsius. A esperança
de poder me refrescar um pouco numa caverna menos quente do morro,
foi frustrada por Rhodan. Rhodan não tinha dó. Certamente, ele
está, mais uma vez, identificado com sua querida Humanidade, a quem
ele trairia no momento em que permitisse minha entrada na cúpula.
Parece que
este pensamento lhe dava forças descomunais, transformando-o, por
assim dizer, num mártir da Humanidade. Quando julgava ter descoberto
um caminho para a base, imediatamente era coberto por uma saraivada
de tiros. Este bárbaro não sabia o que era repouso. Talvez
estivesse mesmo meio inconsciente. Talvez não tivesse uma gota
d’água, depois desta caminhada toda pelo deserto escaldante.
Já havia
renunciado há muito tempo à explicação de um fenômeno que no
começo me preocupava muito: como é que Rhodan podia ainda estar
vivo e resistindo daquela maneira... Esgotado, exausto física e
mentalmente, muito além da força humana. Se demorássemos apenas
mais uma hora, nenhum dos dois conseguiria chegar até a cúpula.
Estávamos tão alquebrados pelo ressecamento interno, pelo cansaço,
sob o fogo inclemente do sol, que não chegaríamos mais, com as
próprias forças, aos pés da base.
Tive um
desmaio de alguns minutos. Quando recuperei os sentidos, minha vista
não estava funcionando. Apalpei à procura de minha arma e não a
achei mais. Além disso, já não tinha forças para carregá-la.
Minha cabeça também estava falhando. Com muito esforço, ainda
consegui ouvir um impulso muito débil do meu sexto sentido, que me
sussurrava:
“Desistir.
Ele também está obrigado a isto. Vá se arrastando até a cúpula.”
Levei
muitos minutos até conseguir me levantar. Com o tubinho na boca
sugava desesperadamente. Mas não havia mais nada no recipiente
d’água. Braços e pernas pareciam galhos mortos de uma árvore
caída. Não sei de onde me veio a força que moveu meus pés e
joelhos, para me arrastar rumo à base.
Depois de
muito tempo, havia progredido um metro. Faltavam ainda sete. Queria
dar expansão ao meu desespero, mas a garganta não conseguiu
produzir nenhum som, a não ser um chiado oco.
O
equipamento de refrigeração também já estava pifando. O ar que me
entrava no pulmão parecia ser feito agulhas em brasa. Os reforços
metálicos das articulações do queixo e dos braços estavam
fervendo. Não recebendo mais a refrigeração necessária, queimavam
minha pele. Não podia nem gritar. Sentia apenas a dor horrível e
uma ânsia desesperada de poder, ainda, no último instante, atingir
a alavanca do automático do mecanismo de abertura.
Percebi,
ao meu lado, um vulto que também se arrastava na direção da rocha
escaldante. A cabeça esticada para frente. Perry Rhodan se havia
igualmente desfeito da arma. Assim, nos arrastamos lado a lado para a
entrada da escotilha de ar, pintada de vermelho-berrante.
Para cada
metro, precisávamos de dez minutos. Através do transmissor do
capacete ouvíamos o chiar das respirações ofegantes. E aí ficamos
sabendo que cada um tinha tentado sempre enganar o outro.
Não
conseguia mais reconhecer as coisas. A única coisa que ainda prendia
minha atenção era a porta vermelha, que parecia exercer uma atração
mágica. A presença de Rhodan era para mim uma coisa nebulosa, mais
imaginada do que propriamente vista Depois de uma hora de um
sacrifício desesperado, estava Rhodan diante da escotilha. A mim,
faltavam ainda 30 centímetros. Tinha perdido a parada. Fiquei
parado, inerte, esperando a morte. Tudo, tudo perdido... sacrifício
inútil! Passaram-se muitos minutos, até que comecei a ouvir um
grunhido de voz humana no alto-falante, sons ocos e inarticulados.
Rhodan
estava deitado diante da porta, sem ter força para comprimir para
baixo a alavanca da fechadura, pintada de amarelo-claro. E ele estava
me chamando, chamando a mim, seu inimigo figadal. Se ele realmente
soubesse que eu nunca fui seu inimigo... Foi questão apenas de
legítima defesa, pois eu também amo meu povo.
Sua voz me
chamando mobilizou minhas últimas forças. Necessitava ainda de 10
minutos para vencer os últimos 30 centímetros. Quando cheguei perto
dele, tentei levantar a mão com muito esforço. A gravitação tão
reduzida do pequeno planeta Hellgate parecia de repente ter se
centuplicado. Não sei com que esforço ingente minha mão alcançou
a alavanca, chegando a se encostar com os dedos de Rhodan e juntos
tentamos puxá-la.
Os
duelantes haviam se encontrado novamente, buscando num esforço
conjunto abaixar a alavanca salvadora. Conseguimos, depois de alguns
segundos que pareciam uma eternidade. A campainha começou a tocar
enquanto a porta se abria, liberando a entrada da escotilha da base.
Levamos ainda uns dez minutos nos arrastando no corredor estreito.
Quando eu e Rhodan conseguimos acionar o mecanismo para o fechamento
da porta, estava quase desmaiando. Tinha a impressão de estar dentro
de uma centrífuga. Sentia uma dor imensa na garganta, incapaz agora
de fazer os movimentos de deglutição.
Ouvia,
porém, o sibilar do vento fresco na direção da escotilha. Ao
cessar o ruído e quando a segunda porta se abriu automaticamente,
tive ainda força para tocar com a mão o interruptor que estava à
altura de seus ombros. Meu capacete se abriu para trás e um ar
maravilhoso acariciou meu rosto ressecado. Na primeira respiração
completa, perdi os sentidos. Era como se eu tivesse engolido pedaços
de gelo.
Acordei de
repente. Ao meu lado havia o barulho típico da chuva. Quando abri os
olhos, vi os pés metálicos de um robô e tentei virar o corpo para
o outro lado. Os olhos me ficaram mais claros, desaparecendo as
últimas sombras. O robô tinha nas mãos um vaso com água e o
despejava na cabeça de um homem. O rosto de Rhodan estava cheio de
queimaduras horríveis. Mas ele sorria. Nunca vi em minha vida um
homem, fosse terrano ou arcônida, que soubesse rir tão espontânea
e serenamente.
Porém
nada disso tinha importância agora. Todo o meu consciente e
subconsciente falava apenas em água, esta água que o robô jogava
sobre o rosto de Rhodan. Não estava compreendendo bem o que se
passava, mas meus ouvidos funcionavam bem, do contrário não teria
ouvido suas palavras serenas, acompanhadas sempre de um leve sorriso:
— Você
foi um osso duro de roer, meu irmão — disse Rhodan pensativo. —
Abra bem a boca, que o robô vai lhe dar água. Minha performance foi
por dez segundos melhor que a sua, arcônida.
Ao
pingarem nos meus lábios as primeiras gotas, julgava que estava
bebendo não água, mas um néctar muito mais precioso. Rhodan se
manteve calado. Deixou que eu me recuperasse totalmente. Bebia e
bebia sem parar. Meu corpo parecia uma esponja ressecada. De vez em
quando o robô interrompia o fluxo de água, a fim de o organismo
poder assimilar melhor. Já estava me sentindo outro, mais disposto e
com a garganta em condições de falar normalmente.
Rhodan
sorria. Parecia que estava muito ausente daquela cúpula, como se
seus pensamentos estivessem bem longe.
— Incrível
e incompreensível — disse ele como que pensando em voz alta. —
Um sujeito assim quase que ia matando um imortal.
Cuspi para
fora o líquido que mantinha na boca fechada. De repente comecei a
compreender como este homem se conservava sempre jovem e elástico.
Imortal! Então tinham fundamento os boatos sobre uma misteriosa
ducha celular que lhe garantia a eterna juventude.
Minha boca
se escancarou para uma estrondosa gargalhada. Era tragicômico.
Rhodan não podia saber o motivo desta gargalhada esquisita e eu
também não lhe iria dizer. Imortal!
— Haverei
de descobrir tudo — disse ele, com os olhos vivos e pesquisadores.
Eu,
naturalmente, tomei minhas providências para que minha mente não
fosse invadida por sua telepatia.
Comecei
também a sorrir para ele, dando-lhe tempo para quebrar a cabeça.
Percebi também a pistola de raios energéticos apontada para mim. É
claro que não ia cometer nenhuma loucura mais. Ele havia ganho a
parada. Recuperara os sentidos um pouco antes de mim. Estava tudo tão
esquisito e confuso. Essa aventura toda me parecia um pesadelo.
— Quanto
tempo estivemos lá fora? — perguntei com a garganta ainda
arranhando um pouco.
Sentia
realmente dores.
— Graças
à sua cabeçudice, cerca de vinte e quatro horas — afirmou ele. —
Agora você está de novo sob meu poder.
— Você
teve foi muita sorte, isso sim — respondi contra minha própria
convicção.
Realmente
não foi nada de sorte, foi sua fantástica determinação.
Ele me
penetrava todo com seu olhar sereno, onde transluzia sempre um sabor
de ironia.
— Seu
truque psicológico não foi nada mau, Atlan. A estrofe meio idiota
sobre a água, quase me deixou maluco. Como é que você arranjou
esta idéia?
Sacudi os
ombros. Já estava me sentindo muito bem. Com algum cuidado procurei
ficar sentado, apoiando as costas na parede metálica. Ele também
estava sentado do mesmo jeito. Estava conseguindo ver uma boa parte
do interior da cúpula. Devia ser uma base muito bem organizada.
— Como
você chegou mesmo à idéia dos versos psicológicos?
— Veio
por si mesma. Não tinha outro meio de provocá-lo para dar uns
tiros.
Olhava
para ele estupefato e a minha curiosidade estava em marcha
progressiva. O cano da arma continuava apontado para cima.
— Calma!
— disse ele.
Fiz apenas
um gesto de assentimento:
— Não
sou louco. Além disso, seu robô está de prontidão. Apenas uma
pergunta, bárbaro: Como foi que você escapou do meu tiro?
Ria agora
com toda naturalidade, com toda cordialidade. Não era sem razão
que, depois do sentimento de admiração, passei a sentir grande
simpatia por ele. Não queria, porém, que ele o percebesse.
— Seu
primeiro tiro passou a um metro de mim. Naturalmente você ficou
ofuscado por seu próprio tiro. Perdi o esconderijo e tive que
procurar outro, logo depois. Era uma pequena caverna, protegida por
fortes rochas.
Como
parecia tão simples tudo isto. E certamente não o foi. Deve ter
pulado de um canto para o outro, como um felino acuado.
— E
depois, você deve me ter seguido, não é?
Confirmou
com a cabeça.
— Você
não olhou para trás. Eu lhe poderia ter dado um tiro pelas costas.
— Não
faria isto! — disse eu rindo. — Teve sorte de ainda poder sair
correndo.
Ele apenas
sacudiu os ombros. E estava tudo dito.
— Agora,
gostaria de saber como foi que veio parar na Terra e o que andou
procurando por lá? — indagou ele de repente, com uma calma
absoluta.
— Adivinhe
você mesmo — disse com ar provocador.
— Não
estou com disposição para brincadeiras de adivinhações. Meu rádio
já foi enviado. Estamos aqui num planeta desabitado que está mais
ou menos a doze mil anos-luz da Terra.
— Se
soubesse disso... — disse resignado — teria deixado você
aterrissar calmamente, para começar a agir depois.
— Azar
seu, arcônida. Um pequeno cruzador de minha frota estará aqui
dentro de três horas. Até lá terei de saber o que fazer com você.
Não permitimos estranhos no Império.
— No
assim chamado Império — corrigi eu. — Vocês não são tão
importantes assim. O que eu quero é voltar para casa, nada mais.
— Sei
disso. Acho que eu também sei pensar um pouco — disse ele em tom
de ironia. — Parece-me que há muito tempo que está afastado de
Árcon, pois ainda não acredita na regência do cérebro robotizado.
Quando foi, pois, que chegou à Terra?
— Já há
algum tempo — foi a minha evasiva.
Naturalmente
não lhe podia mencionar minha base submarina nos Açores, na mais
profunda fossa do Atlântico. De qualquer maneira, ele estava muito
desconfiado. Não me recusaria a ter que depor perante pessoas com
faculdades parapsicológicas.
Ficamos
conversando e discutindo até que lá fora se ouviu o estrondo surdo
de uma espaçonave que aterrissava. Era o pequeno cruzador, cujo
comandante logo depois apareceu na cúpula acompanhado de cinco
soldados bem armados. Levantei-me do chão ainda com cuidado. O robô
havia tratado minhas queimaduras e me aplicara uma injeção para
diminuir as dores.
Rhodan já
estava cem por cento. Era um homem de uma fibra extraordinária.
O
comandante do cruzador não fez muita cerimônia, tirou do bolso um
par de algemas e prendeu-me as mãos.
— Tem
alguma coisa contra? — perguntou meio sem jeito.
Eu apenas
esbocei um sorriso forçado. Rhodan estava bem no fundo, quando
disse:
— Há
alguma coisa errada em você: seguirá arrastando um segredo inútil
pela vida afora. Voltarei em poucos dias, só então conversaremos
mais seriamente. No momento, disponho de pouco tempo. Reflita um
pouco, e veja se não é bom para você dizer toda a verdade.
Os
soldados trouxeram um traje espacial, do mesmo tipo do que eu tinha
usado antes. Franzi as sobrancelhas, dizendo:
— Mais
isso ainda? Vocês não têm um tanque pressurizado ou coisa
equivalente?
— O
cavalheiro ainda deseja mais alguma coisa? — resmungou-me o
comandante um tanto irritado.
Rhodan não
pôde deixar de sorrir. Devia conhecer muito bem seu pessoal. Neste
momento, resolvi lançar-lhe uma indireta, para que me respeitasse
mais. Levantei os dois braços e apontando com os olhos para as
algemas, disse:
— Sabe
de uma coisa, bárbaro? — falava pausadamente — as coisas não
mudaram tanto assim nos tempos modernos. Parece que estamos ainda na
Idade Média durante as guerras religiosas. Nos tempos de Wallenstein
e Gustavo Adolfo, as algemas eram um pouquinho mais largas.
Rhodan
deve ter se enfurecido com isso. Empalideceu de repente e me fitou
longamente. Ele, o imortal... e no entanto tão facilmente
vulnerável, quase perdera o controle.
— Sem
parar, marche! — gritou o comandante.
Fui
sorrindo para a escotilha. Por que motivo aquele homem gritou tão
alto nos meus ouvidos?
*
* *
*
*
*
Apesar
das bem sucedidas campanhas de Perry Rhodan nas Galáxias, sua obra
estava ainda incompleta. Sua luta pelo reconhecimento da Humanidade
no Universo esbarrava sempre nos poucos recursos da Terra, em relação
aos padrões cósmicos.
Desde a
aparente destruição da Terra em 1.984, já se passaram 56 anos. Há
uma nova geração. Da Terceira Potência surgiu o governo mundial.
Assim, depois de fortalecida esta Terceira Potência, aparece a
organização do IMPÉRIO SOLAR. Marte, Vênus e as luas de Júpiter
e Saturno já estão povoados. Os outros planetas inadequados para
serem habitados se transformam em inesgotáveis fornecedores de
matérias-primas. Não foram descobertos outros seres inteligentes no
sistema solar. Os terranos são, pois, senhores absolutos do Grande
Império Solar. A capital é Terrânia e o líder permanente é Perry
Rhodan. Com este Império Solar bem armado, pensa Rhodan em novas
conquistas fora do nosso sistema. Em O Soro da Vida, título da
próxima aventura de Perry, novos episódios emocionantes vão
acontecer.
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Quem sou eu
- Carlos Eduardo
- Carlos Eduardo gosta de tecnologia,estrategia,ficção cientifica e tem como hobby leitura e games. http://deserto-de-gobi.blogspot.com/2012/10/ciclos.html