quinta-feira, 11 de abril de 2013

P-068 - A Caça das Dimensões - Kurt Mahr




























































De modo a facilitar e organizar a leitura  dividi os livros em 3 partes:





parte 1
parte 2
parte 3


P-068 - A Caça das Dimensões - Kurt Mahr [parte 3]

Rhodan não teve a menor dúvida de se tratar de corpos metálicos, mais precisamente, de robôs, que haviam sido enviados para capturar ou matar os homens do grupo.
Isso não era de admirar! Os druufs deviam estar tão interessados em conhecer o mais implacável de seus inimigos.
Rhodan não tinha muitos receios em relação ao confronto que se aproximava. Numa série de lutas, especialmente nas travadas juntamente com Mareei Rous, no mundo de cristal, constatara-se que as armas dos robôs dos druufs eram muito inferiores às armas terranas.
As preocupações de Rhodan eram bem diferentes. Tratava-se de uma coisa sobre a qual até então ninguém falara: o desaparecimento da K-238 e as conseqüências que resultariam daí. Um colosso metálico como a K-238 não poderia ter deixado de lançar um reflexo sobre a tela de Tompetch, por mais rapidamente que se afastasse do local em que estivera pousada. Mas não aconteceu nada disso: portanto...
Agora, ninguém mais precisaria quebrar a cabeça para descobrir as intenções dos druufs, pois estas estavam sendo manifestadas de forma inequívoca. Então Rhodan combinou com a inteligência de Solitude para que esta procurasse localizar a nave dos inimigos que, sem dúvida, teria trazido os robôs. Devia encontrar-se em local próximo, no máximo a cem quilômetros, pelos cálculos de Rhodan.
O contingente de robôs inimigos aproximava-se cada vez mais. Assim mesmo, Rhodan teve tempo para observar que, de repente, o corpo do ser de Solitude se tornou flácido e sem vida, quando a inteligência — ou o espírito — se separou do mesmo.
Agora o estranho ser não estava submetido a qualquer dimensão temporal, e movia-se aproximadamente à velocidade com que Rhodan e os homens de seu grupo se haviam movido antes da igualização das dimensões temporais. Em outras palavras, seus movimentos eram tão rápidos que um olho submetido à dimensão temporal de Solitude não conseguiria vê-lo.
Rhodan levantou-se e fez um sinal para o Tenente Tompetch.
Pegue um desintegrador pesado — ordenou. — Vamos ver as linhas inimigas de cima.
Tompetch sentiu-se entusiasmado. Teria oportunidade de dar uma prova de seu valor. Procurou às pressas uma pesada arma automática de desintegração no montão de armas que se encontrava junto aos arbustos e entrou no Câmbio. Também armado, Rhodan tomou lugar à direção.
Ao que parecia, os outros já sabiam o que fazer. Reginald Bell mandou que o arcônida e o Capitão Gorlat ocupassem seu lugar entre os arbustos e avisou-os para que se mantivessem totalmente escondidos.
O corpo imóvel da inteligência de Solitude também foi arrastado até os arbustos.

* * *

Do lado de fora, o termômetro atingira a marca dos quarenta e cinco graus. Em comparação com essa temperatura, os trinta e oito graus produzidos pelo aparelho de condicionamento de ar representavam um verdadeiro conforto.
Duas alternativas se ofereciam a Rhodan: voar rente ao solo ou a grande altitude. Rhodan escolhera a segunda, que lhe ofereceria melhor visão. Para o veículo versátil com seu propulsor antigravitacional não havia a menor dificuldade em deslocar-se a dois mil metros do solo, como se fosse um avião.
Nessa altura, os enormes robôs dos druufs, que já formavam um círculo de seiscentos metros em torno do acampamento, transformaram-se em pontinhos reluzentes. Ao que parecia, não notaram a presença do veículo, ou então não se interessaram pelo mesmo. De qualquer maneira, na opinião de Tompetch, seu procedimento era estranhável. Não havia a menor dúvida de que o alcance de suas armas, que eram semelhantes aos radiadores térmicos terranos, era suficiente para atingi-los e, por certo, sabiam que as armas terranas também seriam capazes de atingi-los lá embaixo.
O que acha disso, Tompetch? — perguntou Rhodan de repente, como se adivinhasse o assunto sobre o qual o tenente estava quebrando a cabeça.
É estranho, Sir — respondeu Tompetch. — São robôs, e já devíamos saber que um robô nunca deixa de perceber qualquer coisa. Se não atiram contra nós, isso...
Lá embaixo surgiu um lampejo, como que para escarnecer das palavras de Tompetch. Um feixe energético branco-incandescente passou a vinte metros do veículo, produziu um chiado no ar aquecido e um solavanco no carro.
Rhodan fez uma manobra e o disparo seguinte passou pelo menos a duzentos metros do veículo.
Isso o quê? — perguntou, como se nada tivesse acontecido.
Isso nos deveria levar a supor — prosseguiu Tompetch — que não nos querem fazer nada. Talvez estejam realizando apenas uma manobra... Mas esta opinião já está superada. Afinal, estão atirando.
Viu-se outro lampejo produzido por um tiro. Sua trajetória passou perto da carlinga de plástico, fazendo com que o termômetro desse um salto rápido para além dos quarenta graus. Com um ribombo, o ar aquecido voltou a ocupar a trajetória do tiro.
Rhodan desviou-se.
A coisa está ficando muito arriscada — disse. — Dê-lhes aquilo que lhes cabe.
Tompetch enfiou a arma pesada na abertura existente abaixo da janela da carlinga. Enquanto Rhodan manobrava o aparelho e uma série de disparos de radiações passava por eles sem produzir o menor dano, Tompetch dirigiu a mira automática para um denso grupo de robôs e apertava o gatilho toda vez que a luz vermelha indicava que conseguira fazer pontaria sobre um alvo.
A luz acendeu-se por oito vezes, e oito pontos reluzentes desapareceram de entre os arbustos. Oito nuvens de poeira metálica subiram ao ar.
Agora só restam trinta e dois — disse Tompetch laconicamente.
Os robôs, que pareciam perceber o perigo que os ameaçava, abrigaram-se entre os arbustos. Mas não contavam com a perfeição da tecnologia terrana. A tela de localização continuava a mostrar os pontinhos reluzentes da mesma forma que antes; a vegetação não representava qualquer obstáculo. Tompetch acoplou a mira automática ao mecanismo de localização, e fez o círculo vermelho parar sobre um grupo de cinco pontinhos.
Dali a algum tempo, anunciou:
Ainda restam vinte e sete, Sir.
Os disparos inimigos diminuíram. Ao que parecia, os robôs estavam preocupados em abrigar-se e escapar ao fogo muito bem dirigido de Tompetch.
Tompetch transformou mais de metade dos robôs inimigos em nuvens de gás. Os outros fugiram desabaladamente; até mesmo o robô possui o instinto de autoconservação, muito embora seja um instinto artificial, criado pelo construtor no intuito de evitar, na medida do possível, a perda da construção. Naquela altura, Reginald Bell e seu grupo, orientados pelas indicações de Rhodan, ajudaram a combatê-los.
Por estranho que possa parecer, os robôs fugiram em todas as direções, muito embora, via de regra, esses mecanismos possuíssem um ótimo senso de orientação, e soubessem melhor que qualquer ser orgânico que rumo deveriam tomar. Rhodan concluiu que o inimigo não tinha o menor interesse em revelar a posição de sua nave.
Ao que tudo indicava, contava com a possibilidade de que o veículo de Rhodan pudesse descobri-la. O motivo disso poderia consistir no fato de que a nave dos druufs não estava muito bem escondida, ou então os robôs sabiam que os terranos não poderiam destacar um homem para localizar a nave.
Enquanto refletia sobre essas coisas, Rhodan voltou a pousar seu veículo na clareira que Tompetch havia queimado em meio aos arbustos. Reginald Bell recebeu-o numa disposição eufórica. Com o rosto sujo e coberto de poeira, trazia a arma a tiracolo e, levantando os braços, gritou:
Nós os mandamos para o inferno.
Rhodan desceu e esteve a ponto de responder. Mas, nesse instante, teve uma idéia. E essa idéia foi tão nítida que até parecia que já se encontrava há bastante tempo nos escaninhos da consciência, aguardando o momento em que sua presença fosse notada.
A bomba!
Por que não pensara nisso antes? Por que não se lembrara de que os robôs dos druufs poderiam tirar proveito da nova situação?
Por um instante, fitou a entrada da galeria. Depois virou-se abruptamente e gritou para o rosto radiante de Bell:
Coloquem o cilindro no carro! Vamos logo! Rápido!
Bell não sabia o que estava acontecendo, mas suas reações costumavam ser rápidas. Gorlat e Tompetch também apressaram-se. Os movimentos de Atlan, o arcônida, eram mais lentos, mas um gesto ríspido de Rhodan avisou-o de que deveria ser mais ligeiro.
O corpo cilíndrico da inteligência de Solitude era tão pesado que, mesmo em cinco, mal conseguiram movê-lo. Rolaram-no até junto ao veículo, mas só conseguiram colocá-lo na plataforma depois que Rhodan criou um campo gravitacional bem espalhado, que erguia todos os objetos por ele atingidos. Depois bastava um homem para mover o cilindro; mas três homens tiveram de segurar o veículo que, liberado de seu peso, pretendia esquivar-se à carga.
Amarrem-no! — ordenou Rhodan depois que o cilindro fora colocado no lugar.
Tompetch pegou a corda que ainda pendia na galeria e deu várias voltas em torno da plataforma de carga e do cilindro, até que se pudesse supor razoavelmente que, por mais violentos que fossem os movimentos do veículo, o corpo imóvel da inteligência de Solitude não cairia.
Entre, Tompetch! — ordenou Rhodan. — Leve-nos a uma distância de quinhentos metros, na direção em que ficava a nave, e procure um lugar onde possa pousar!
Tompetch obedeceu. Revelando grande perícia, levantou o veículo, que, sob o peso de várias toneladas do corpo cilíndrico, pendia para trás e, voando rente aos arbustos, seguiu na direção indicada.
Nós vamos a pé! — ordenou Rhodan.
Pegaram o equipamento e puseram-se a caminho. Até o lugar em que antes estivera o veículo, a caminhada foi confortável. Mas além desse lugar a vegetação estava intacta.
Carregando o pesado gerador de campo de bloqueio no ombro, Rhodan abriu caminho com o desintegrador, queimando a vegetação numa largura que mal e mal era suficiente para que os homens não ficassem presos nos espinhos.
Prosseguiram aos gemidos. A temperatura havia subido a quarenta e nove graus.
O calor infernal fez com que se enganassem quanto à extensão do trecho percorrido. Uma pessoa que acreditava estar caminhando há duas horas, e que cairia ao dar o passo seguinte, na verdade apenas deixara atrás de si pouco mais de cem metros.
Rhodan só parou quando se haviam afastado duzentos metros da caverna. Descansou cautelosamente o gerador e atirou-se ao solo, na sombra de alguns arbustos. Fungava e estava com a boca seca. Quis dizer alguma coisa, mas não conseguiu falar nada.
E nem teve necessidade! Momentos depois que seu corpo tocou o chão, um forte solavanco voltou a erguê-lo ligeiramente e, dali a alguns segundos, o ribombo de uma forte explosão percorreu o ar aquecido. No lugar do qual haviam vindo, ergueu-se uma coluna de terra marrom, que logo se desmoronou ruidosamente.
A bomba acabara de explodir.
Reginald Bell lançou um olhar espantado e um tanto desconfiado para Rhodan.
Então você é o grande rei do feitiço, não é? — disse depois de algum tempo. — Previu tudo! Como?
Rhodan enfiara na boca um tablete de alimento concentrado e fez um esforço para engoli-lo. A sede começou a amainar.
A K-238 — começou — desapareceu sem deixar o menor vestígio. Para onde foi?
Bell deu de ombros.
Não sei.
Tompetch nem sequer conseguiu vê-la na tela. Desapareceu sem mais nem menos. O que se conclui disso?
Bell arregalou os olhos quando começou a compreender.
Os druufs transferiram-nos para sua dimensão temporal e... transferiram a si mesmos para nossa dimensão. Será que é isso?
É mais ou menos isso. A K-238 permaneceu onde estava, ou seja, em nossa dimensão temporal. Enquanto isso nós fomos transferidos para a outra dimensão, onde tudo corre muito mais devagar. Ao mesmo tempo, alguns druufs, ou alguns de seus robôs, foram transferidos para nossa dimensão. Seus movimentos são setenta e duas mil vezes mais rápidos que os nossos, e por isso nos são invisíveis. Quando perceberam que penetramos na caverna, procuraram fazer detonar a bomba pela maneira usual. Não conseguiram, porque arranquei o fio. Por isso, puseram-se a caminho para detonar a bomba pessoalmente. A explosão não poderia causar-lhes nenhum dano, não é mesmo? Foi como a primeira explosão, da qual conseguimos escapar sem maior esforço.
Bell sacudiu a cabeça; parecia espantado.
Bem, eles entraram na caverna — começou parecendo entender a ação inimiga — emendaram o fio e deram um “empurrão” no gerador. Quando saltou a faísca, a explosão começou a desenvolver-se na dimensão temporal em que nos encontramos, ou seja, tão devagar que os druufs ou seus robôs puderam sair tranqüilamente da caverna e colocar-se em segurança. Mas por que detonaram a bomba? Eles sabiam que nós não estávamos mais lá, quando chegaram à caverna. Não poderiam fazer-nos coisa alguma.
Rhodan acenou com a cabeça. Antes que pudesse dizer qualquer coisa, Atlan interveio na palestra:
Não querem que descubramos para que ponto do Universo está dirigido o pequeno hipertransmissor. Eles o instalaram na caverna para manter-se a par das reações da inteligência de Solitude.
Bell pôs a mão na cabeça.
Oh! Como sou idiota! — gemeu. — Naturalmente. Foi isso que aconteceu também na primeira caverna, não foi?
A esta hora acredito que sim — admitiu Rhodan. — Não existe nenhum segredo relativo aos druufs que as inteligências de Solitude nos possam revelar, pois os cilindros também não sabem mais nada. Mas o transmissor poderia fornecer alguma indicação sobre o lugar em que fica o mundo dos druufs.
Ninguém perguntou por que não se haviam lembrado de procurar o transmissor, retirá-lo da caverna e desmontá-lo, a fim de descobrir a direção para a qual estava regulado. Se o mecanismo do transmissor direcional eletromagnético é complicado, o do hipertransmissor é muito mais complicado ainda. Não tiveram tempo de cuidar disso, mesmo quando começaram a desconfiar de que, na realidade, era o transmissor que permitia aos druufs fazer detonar a bomba para evitar que fossem descobertos.
Bell olhou em torno.
Não podemos vê-los — disse em tom desconfiado. — Podem estar aqui, ali ou acolá — disse, apontando em três direções diferentes. — Por que não atiram contra nós?
Rhodan sorriu.
Provavelmente a esta hora já desistiram. Já devem ter sentido o espanto causado pelo fato de não termos sido mortos por seus tiros. É possível que já soubessem antes que não nos podem fazer coisa alguma, enquanto permanecem na outra dimensão temporal.
Bell ergueu os olhos.
Sabiam? Sabiam o quê? Por que não nos podem fazer nada?
Porque usam armas de radiações, cuja energia se desloca a uma velocidade maior que a permitida neste universo. Trata-se de uma hipótese de perda de causalidade; apenas isso. Comprimam o botão, e pode acontecer qualquer coisa; o fluxo determinado dos acontecimentos não pode verificar-se. O raio que se propaga à velocidade superior à da luz não pode fazer-nos qualquer mal.
Reginald Bell pôs-se a rir. De início, foi uma risada hesitante, como se ainda não soubesse por que estava rindo, mas logo se transformou numa estrondosa gargalhada. Gorlat também riu. O rosto de Atlan contorceu-se e, depois de algum tempo, todos estavam rindo. Riam por causa dos rostos espantados dos druufs, se é que tinham rostos. Riam por causa da idéia maluca de que em torno deles corriam seres ultra-rápidos e invisíveis, que comprimiam ininterruptamente os botões de suas armas, mas não conseguiam fazer mal a ninguém.
A risada aliviou-os e tornou mais suportável o ambiente.
Quando as risadas amainaram, Rhodan retomou o fio de suas considerações:
Os druufs que trabalham em Solitude estão divididos em dois grupos. Um desses grupos transferiu-se para nossa dimensão temporal primitiva, roubou a K-238 e fez explodir a bomba no interior da caverna. Provavelmente o outro grupo pousou com uma nave nas proximidades do lugar em que nos encontramos, e dá apoio ao primeiro. Para isso, por exemplo, desvia nossa atenção por meio de um ataque desfechado por quarenta robôs, evitando que examinemos detidamente o hipertransmissor. O que eu gostaria de saber é o seguinte: por que os druufs vieram para Solitude?
Os rostos exprimiam perplexidade.
As primeiras naves — prosseguiu — apareceram na noite que se seguiu ao nosso pouso, ou seja, no máximo dez horas depois do momento em que chegamos neste planeta. Na dimensão temporal primitiva dos druufs, dez horas correspondiam a meio segundo. Ninguém é capaz de reagir num tempo tão curto. Já deviam estar a caminho quando pousamos, pois foram informados, através do transmissor instalado na primeira caverna, que havíamos chegado.
É claro que, dali em diante, passaram a interessar-se por nós. Não podem permitir que o inimigo pouse em um dos seus postos avançados. Transferiram-nos para outra dimensão temporal, enquanto eles mesmos, ou ao menos parte deles, passou à nossa dimensão. Roubaram nossa nave, e com isso ficamos isolados. A esta hora, devem acreditar que não somos muito perigosos. A única coisa que têm que fazer é cuidar para que descubramos o segredo do hipertransmissor. Assim que chegarem à conclusão de que este segredo não nos servirá de nada, já que não temos possibilidade de transmitir qualquer mensagem para fora deste mundo, provavelmente nos deixarão em paz.
Reginald Bell mudou de posição.
Não deixarão, não. As oito naves vieram por um motivo bem diferente. Gostaria de saber qual é esse motivo.
É claro que você gostaria de saber — disse. — Acontece que ninguém poderá contar-lhe. Que calor infernal! Será que Tompetch não poderia...
Até parecia que Tompetch apenas esperava que seu nome fosse mencionado. O pequeno receptor que Rhodan trazia no bolso emitiu um sinal. Tirou-o e fez a ligação. Todos ouviram a voz de Tompetch, quando o tenente disse em tom exaltado:
O cilindro voltou a mover-se, Sir. Provavelmente o espírito voltou.
Muito bem. Descarregue-o e venha buscar-nos. Daremos um sinal.
6



O cilindro — ou melhor, a parte do cilindro que podia destacar-se do corpo — descobrira uma coisa. Uma nave dos druufs, em forma de fuso, encontrava-se a oitenta quilômetros dali, no lugar onde terminava a planície e começavam as montanhas. Uns duzentos robôs estavam fazendo uma escavação baixa e quadrada e consolidando-lhe as paredes. Ao que tudo indicava, em cima da escavação seria erguido um edifício e, pela feitura dos alicerces, concluía-se que o edifício seria grande e pesado.
Isso representava outro problema para Rhodan e os homens de seu grupo. Mas, para sua satisfação, o problema aparentemente não lhes dizia respeito. Que os robôs dos druufs construíssem casas ou mesmo cidades, a tripulação da K-238 não teria nada com isso.
Rhodan era o único que possuía uma hipótese. E comentou-a com Atlan.
Há um detalhe de que ninguém se lembrou, almirante — principiou. — Em virtude de seu encontro com o planeta Peregrino, Solitude afasta-se de sua órbita e vai deixando seu sol. Ao que tudo indica, a construção que está sendo levantada pelos robôs deverá abrigar um mecanismo destinado a colocar o planeta novamente numa órbita estável.
O arcônida lançou um olhar em direção às montanhas, como se dali pudesse ver a construção.
Se forem capazes disso, deverão ter uma tecnologia bastante avançada — murmurou em tom pensativo. — Não é nada fácil mover um planeta.
É difícil, mas não é impossível. Aliás, não é bem isso que eu quero dizer. Se realmente pretendem recolocar Solitude numa órbita estável, alguns deles devem saber aquilo que procuramos descobrir a respeito do planeta Peregrino.
Atlan ergueu as sobrancelhas brancas.
O bárbaro raciocina depressa — disse em tom irônico, mas sério. — É possível que você tenha razão. Se querem mover Solitude, devem saber quando e por que este foi arrancado de sua órbita. O que é que o cilindro diz? Sabe alguma coisa a respeito do planeta Peregrino?
Rhodan fez um gesto afirmativo.
Peregrino ficou visível durante três noites, enquanto passava perto de Solitude, a aproximadamente duzentos mil quilômetros. A esta hora, já conhecemos com uma boa dose de precisão o momento em que teve início a influência exercida por esse planeta. Mas a indicação da distância resultou apenas de uma estimativa. Não temos tempo para cálculos complicados e demorados. Por isso, talvez seja preferível capturarmos um dos robôs e levá-lo. A esta hora, o computador positrônico da K-238 já concluiu seus cálculos. Dessa forma, teríamos três dados diferentes, que poderiam ser comparados.
Os olhos avermelhados de Atlan exprimiram o mais puro espanto.
A K-238! Você acredita que voltaremos a pôr as mãos nessa nave?
Rhodan sorriu.
Precisamos pôr as mãos nela — respondeu. — De outra forma nunca poderemos voltar.

* * *

Aliás — disse o Capitão Gorlat em tom de tédio — a rotação do planeta não corresponde à respectiva dimensão temporal. Quando pousamos, o tempo de rotação de Solitude era de dezoito horas. Agora, que vivemos em outra dimensão temporal, esse tempo deveria ser setenta e duas mil vezes menor, não é? Em outras palavras, deveria ser inferior a um segundo. Quando discutirmos o tema da igualização das dimensões temporais, não me deixe esquecer este detalhe.
Tompetch, que pilotava o veículo, parecia perplexo.
Era isso que o senhor esperava? Um tempo de rotação inferior a um segundo. Ora essa! Gostaria de ver aonde a força centrífuga já nos teria atirado se isso tivesse acontecido.
Soltou uma gostosa gargalhada. Gorlat deu uma palmadinha em seu ombro.
Não se exceda, meu caro. Cuide do caminho. Se levantar demais a proa, os robôs nos verão, e nesse caso nossas férias cairão na água.
Tompetch fez descer o veículo até que a parte mais baixa roçasse ruidosamente nas pontas dos galhos.
Gorlat procurou enxergar através da escuridão. Acreditava que os robôs trabalhassem de noite e, como nem todos são equipados com olhos infravermelhos — o que seria muito caro — o local da construção devia estar iluminado. Sem dúvida podia-se vê-la ao longe, desde que sua suposição fosse correta.
Não se entusiasmara muito com a tarefa que lhe fora confiada: capturar vivo um dos robôs e levá-lo intacto ao acampamento.
Como se faz para pegar um robô “vivo”? Ainda mais um robô cuja forma de construção é totalmente desconhecida, e do qual nem sequer se sabe se possui uma ligação de emergência.
Nesse instante, Tompetch disse:
Ali na frente há luzes, capitão. Gorlat pôs a mão em cima dos olhos a fim de protegê-los contra a luz interna do veículo e olhou atentamente pelo pára-brisa. Tompetch tinha razão. No horizonte, surgiu uma mancha de luz confusa. Por enquanto era fraca, quase imperceptível. Tratava-se do local da construção!
Procurou avaliar a distância. Seriam uns dez ou quinze quilômetros.
Tompetch reduziu a velocidade. O terreno começou a ficar acidentado. Percebia-se a proximidade das montanhas. Tompetch encontrou uma depressão que corria diretamente para o local da construção e por ela entrou.
Excelente! — elogiou Gorlat. — Se isto continuar assim, poderemos chegar bem perto com o Câmbio.
Agora, que se achavam fora do alcance dos instrumentos de localização do inimigo — se é que estes existiam — Tompetch imprimiu maior velocidade ao veículo. A abóbada luminosa, da qual só viam um pequeno setor, por se encontrarem numa depressão do terreno, tornava-se cada vez mais intensa.
Chegaram a um lugar em que o fundo da depressão começava a subir, e esta se adaptava ao terreno adjacente. Sem aguardar novas ordens, Tompetch parou o veículo e fê-lo pousar suavemente.
Acho que daqui em diante teremos de ir a pé, capitão — disse.
Desceram do veículo, pegaram as armas e subiram à borda da depressão. Não pensavam que estivessem tão perto da construção. Tompetch soltou um grito de surpresa quando viu a algumas centenas de metros um mastro, de cuja ponta uma luz branca e ofuscante era derramada sobre um verdadeiro exército de robôs reluzentes.
Não seria nada mau se o senhor também deitasse — disse Gorlat, que já se encontrava no chão. — Com essa figura hercúlea o senhor pode ser visto de longe.
Tompetch atirou-se ao solo. Perplexo, contemplou a escavação que os robôs de formato estranho já haviam revestido. Um grupo de cerca de cem máquinas desse tipo juntava, por meio de um guindaste, peças pré-fabricadas que serviriam de base à construção. A base era quadrada, tal qual a escavação, e tinha cerca de cinqüenta metros de lado.
Gorlat tivera sua atenção despertada para algo situado além da escavação, mais precisamente, para o corpo fosco de uma gigantesca nave, que se erguia para o céu com o formato de um grande charuto; era pontuda em ambas as extremidades. Teve de esforçar-se para reprimir uma idéia que lhe ia pela cabeça. Que sensação não causaria se em vez de um robô aprisionado aparecesse no lugar combinado com uma nave inteira.
Meu amigo, você é capitão, não chefe de bando de assaltantes”, pensou.
Bem — resmungou Tompetch de repente. — Pelo que vejo, um grupo de robôs se instalou na borda da escavação, do mesmo lado em que nos encontramos. Se é que temos alguma chance, só poderá ser por ali.
Gorlat olhou na direção em que Tompetch apontava. À pequena distância do mastro de iluminação, na área limítrofe entre a luz e a escuridão, seis robôs estavam agachados em torno de alguma coisa estendida no solo, que parecia ser de papel.
Talvez seja uma planta da construção”, pensou Gorlat.
Tompetch tinha razão. Os seis robôs vistos diante de si eram os únicos de que poderiam aproximar-se sem serem pressentidos. E apresentavam outra vantagem em relação à enorme quantidade dos que trabalhavam na escavação. Um deles era maior que os outros. Provavelmente era um robô especializado. Se algum dos robôs sabia por quê, como e quando Solitude foi arrancado da órbita, seria aquele.
Precisamos agarrar aquele — resmungou Gorlat. — Vamos!

* * *

Deitado atrás de uma moita, Tompetch olhou para o relógio.
Faltavam cinqüenta segundos até o momento combinado.
Pela décima vez fez pontaria por cima da arma térmica automática e chegou à conclusão de que tudo estava em ordem. O primeiro disparo atingiria a parede oposta da escavação, queimaria o revestimento e levaria os robôs a procurar o autor do atentado na direção da qual viera o disparo.
É só o que eu tenho a fazer. O que tenho a fazer aqui”, pensou retificando. “Uma vez feito o disparo, e desde que sua ação seja bem sucedida, eu corro para o carro, coloco-o em movimento e saio em ajuda do Capitão Gorlat, que já terá se apoderado do robô maior.
Mais quinze segundos.
Tompetch fez pontaria pela décima primeira vez. Mas, desta vez, não baixou o cano da arma. Contou mentalmente de vinte e um a trinta e cinco, já que não podia olhar mais para o relógio, e apertou o gatilho.
Uma carga energética chiou pelo ar, atingiu a parede da escavação, derreteu o revestimento e evaporou-o numa questão de segundos. Num instante, formou-se um buraco profundo, pelo qual penetrava a terra que, atingida pelo raio escaldante, também se derretia.
A confusão entre os robôs no interior da escavação só durou alguns segundos. Certo número deles prosseguiu no trabalho, enquanto os que se encontravam mais próximos de Tompetch — cerca de oitenta — se puseram em movimento e foram subindo pela borda da escavação. Segundo Tompetch e Gorlat já haviam constatado antes, deslocavam-se sobre um conjunto de rodas e esteiras, que é o sistema mais conveniente para um robô de trabalho.
Tompetch teve a impressão de que estava na hora de abandonar o local. Pegou a arma e saiu correndo o mais rápido que pôde. Lançou um olhar por cima do ombro e ficou satisfeito ao constatar que, ao menos por enquanto, os robôs se deslocavam muito mais devagar que ele. Os raios energéticos fulgurantes cortavam o ar em todas as direções; Tompetch percebeu que os robôs ainda não tinham a menor idéia do lugar onde se encontrava.
Correu um bom trecho, fungando sob a carga da arma térmica automática e banhado em suor. Nem mesmo de noite, o calor diminuíra. Finalmente a depressão surgiu à sua frente. Escorregou para dentro da mesma e, reunindo as últimas forças, saltou para o veículo. Quando os primeiros robôs surgiram no início da escavação, já se havia afastado. Planando rente aos arbustos, dirigiu-se ao lugar de encontro combinado com Gorlat.

* * *

Gorlat soltou um urro de alegria ao ver que quatro robôs do grupo de seis se afastavam, deixando para trás apenas o maior deles, com um único companheiro. Provavelmente os quatro que se haviam afastado eram robôs-feitores, que explicariam aos companheiros o que deveriam fazer.
Mesmo entre os robôs existe uma diferença de posições e uma hierarquia. Ao que parecia, neste ponto os druufs não se distinguiam dos terranos. Cada inteligência construía o robô à sua imagem.
O objeto sobre o qual os dois robôs se inclinavam realmente parecia ser uma planta da construção. Gorlat, que se encontrava a apenas dez metros do mastro de iluminação, reconheceu algumas linhas e viu um dos órgãos preênseis do grande robô passar pelas mesmas, provavelmente no intuito de explicar alguma coisa ao outro.
Gorlat olhou para o relógio.
Faltavam cinco segundos!
O tiro energético foi disparado pontualmente por Tompetch e produziu o efeito desejado. Dali a alguns segundos, a parte da escavação que ficava mais perto de Gorlat estava totalmente vazia. Os robôs haviam saído e procuravam encontrar, na escuridão, o sujeito que se atrevera a perturbá-los no trabalho.
O robô maior, que estava inclinado sobre a planta, juntamente com o outro, menor, não deu o menor sinal de “nervosismo”. Gorlat teve a impressão de que nem sequer levantou os olhos quando o tiro foi disparado.
Ora, levantar os olhos, esta é boa”, pensou. “Nem sequer sei onde ficam seus olhos.”
De qualquer maneira, continuou inclinado sobre a planta, e um dos seus braços passou pelas linhas que estavam desenhadas no papel, ou fosse lá qual fosse o material.
Ainda bem que mesmo entre os robôs existem generais, que são de opinião que a tarefa de lutar cabe aos elementos de graduação inferior. Gorlat não pôde deixar de confessar que teria passado por maus bocados se o robô maior saísse correndo com os outros.
Avançou mais um pouco, saiu de baixo dos arbustos e com um tiro do desintegra-dor pesado transformou o robô menor numa nuvem de vapores metálicos.
Desta vez, o robô maior parecia realmente perturbado. Ergueu-se e virou para Gorlat uma das “faces”.
Gorlat fez pontaria sobre a parte mais estreita do conjunto de rodas e esteiras. Uma das esteiras foi destruída, e o robô começou a girar em torno de seu eixo. Gorlat viu-o levantar um dos instrumentos preênseis — talvez fosse uma arma — e destruiu-o com outro disparo.
O robô ficou parado. Mantendo a arma apontada e com os olhos bem atentos, para não perder qualquer movimento do monstro multifacetado, Gorlat caminhou em sua direção. Pela primeira vez se deu conta de que a altura do robô era cerca de quarenta centímetros superior à sua. Seria ainda mais difícil de colocar na plataforma de carga do que a inteligência cilíndrica de Solitude.
Gorlat constatou que os robôs no interior da escavação cuidavam exclusivamente de seu trabalho. Se é que haviam percebido alguma coisa do segundo incidente, certamente eram de opinião que os companheiros que haviam saído em perseguição de Tompetch também cuidariam desse caso.
Gorlat parou a dois metros do robô. Viu alguns braços que pendiam imóveis ao lado do estranho corpo. Cortou-os a tiro. Pelo que via, o robô já não tinha a menor possibilidade de agarrá-lo.
Contornou-o e tentou empurrá-lo em direção aos arbustos. Seus esforços tiveram um êxito apenas parcial. Como a esteira do lado direito tivesse sido destruída, o robô sofria um desvio para esse lado. Gorlat endireitou-o um pouco e surpreendeu-se ao perceber que isso não lhe causava maiores dificuldades. Depois continuou a empurrá-lo. Dali a dois minutos, chegou ao lugar em que estivera escondido.
Olhou para trás e ficou apavorado ao ver que os robôs que se encontravam no interior da escavação estavam desconfiando de alguma coisa. Interromperam o trabalho e viraram-se para o lugar em que Gorlat e seu companheiro estiveram escondidos entre os arbustos. Dali a pouco, uns cinqüenta robôs se puseram em movimento, em direção ao lugar em que Gorlat se encontrava.
Este deixou o grande robô imobilizado entregue à sua própria sorte e atirou-se ao solo. Apontou a arma.
Enquanto não souberem estabelecer uma formação mais inteligente”, pensou, “poderei defender-me até que Tompetch chegue.”
Mas antes que tivesse tempo de disparar o primeiro tiro ouviu um leve zumbido atrás de si; era o veículo dirigido por Tompetch. Este pousou entre os arbustos e saltou da cabine.
Vamos depressa! — cochichou. — Não demorarão em encontrar minha pista. Onde está a geringonça?
Gorlat levantou-se de um salto.
Ali. Já ativou o campo antigravitacional? O robô é muito pesado para ser levantado com as mãos.
Já — disse Tompetch apressadamente. — Ajude-me a empurrá-lo para junto do veículo.
Fizeram força. Quando os primeiros robôs surgiram atrás deles, já haviam colocado o pesado corpo sobre a plataforma de carga. Gorlat foi diretamente da plataforma para a cabine, enquanto Tompetch saltou do lado de fora e se deixou cair no assento do piloto com um suspiro de alívio.
No mesmo instante, o veículo subiu verticalmente. Um único disparo de raios chiou atrás deles, mas passou a mais de dez metros do alvo. Dentro de alguns segundos, o veículo colocou-se fora do alcance da vista dos robôs e dos tiros disparados pelos mesmos.

* * *

Rhodan examinou o céu. Notou uma mancha um pouco mais clara. Era o primeiro reflexo do sol nascente.
Não acredite que tenham necessidade de seguir sua pista, tenente — disse. — Não terão a menor dúvida de que só nós poderíamos ter seqüestrado seu mestre-de-obras. Virão pelo caminho mais rápido. Até estou admirado de que ainda não estejam aqui.
Tompetch lançou um olhar desconfiado para o robô imobilizado, que jazia no solo.
Provavelmente estão procurando lá adiante — respondeu. — Ainda não sabem que transferimos nosso acampamento para cá.
Enquanto Gorlat e Tompetch executavam sua tarefa, Rhodan, Bell e o arcônida prosseguiram em sua marcha, em direção à depressão em que estivera a K-238. Rhodan ficou muito satisfeito com o resultado do trabalho dos dois oficiais. Perry tinha a mesma opinião de Gorlat: o robô sabedor daquilo que queriam descobrir, só poderia ser o maior.
Mas, até então, não havia contado a ninguém o que estava procurando nas proximidades do antigo local de pouso da K-238.
Dali a uma hora, nasceu o sol. A temperatura subiu rapidamente de trinta e oito graus para quarenta e cinco. Os homens procuraram abrigar-se sob os galhos espinhentos dos arbustos.
A inteligência cinzenta de Solitude mantinha-se imóvel na poeira. Seu espírito andava por aí, à procura dos robôs dos druufs. Retornou meia hora depois do nascer do sol, o que foi notado pelos movimentos que, de repente, o cilindro cinzento começou a executar. Informou que um grupo de cem robôs se aproximava, vindo da caverna, e que vira outros robôs — cinco ao todo — que se moviam muito mais depressa que os outros.
Eram estes cinco robôs que preocupavam Rhodan. Um inimigo rápido representava um empecilho para aquilo que pretendia fazer.
Já recolhera o emissor de código que fora enterrado junto ao local de pouso. Era um pequeno instrumento com o formato de uma caixa de fósforos que possuía um único botão. Uma pressão sobre esse botão fazia com que a caixinha expedisse o sinal-código que levaria a K-238 a desativar os campos defensivos e deixar livre o acesso às comportas.
Admitamos que a K-238 realmente volte”, pensou Rhodan. “Nesse caso gastarei cerca de dez segundos, a partir da emissão do sinal, para entrar na comporta e fechar a escotilha. E dez segundos sempre são duzentas horas ou mais de oito dias para os robôs mais rápidos.”

* * *

O cilindro asseverou que uma simples subdivisão não afetaria suas faculdades mentais. Sim, naturalmente era capaz de produzir dois espíritos, fazendo uso da capacidade de projetar sobre cada espírito o aspecto de alguma pessoa. Então, poderia perfeitamente dar a esses espíritos a aparência de Rhodan e do Capitão Gorlat. Não havia o menor problema.
Rhodan deu-se por satisfeito. Pegou o desintegrador pesado e fez quatro covas. Cobriu-as com galhos, deixando apenas uma entrada bem estreita; os galhos, por sua vez, foram cobertos com terra.
Depois familiarizou Bell, Atlan e Tompetch com seu plano. Gorlat e a inteligência de Solitude, que seriam os participantes principais, já haviam sido informados antes.
Gostaria de saber por que você tem tanta certeza de que a K-238 vai voltar — disse Bell.
Rhodan deu de ombros.
É tudo cálculo, meu caro, apenas cálculo — respondeu Rhodan.
Dali a alguns minutos, os cem robôs lentos, vindos da caverna, viram três pessoas num veiculo planador que saía do acampamento situado junto à depressão do solo.
Já os robôs rápidos viram cinco pessoas no veiculo que se deslocava com tamanha lentidão que parecia parado no ar. É que para os robôs rápidos as figuras imateriais, projetadas sobre o veiculo pela inteligência do ser de Solitude, eram perfeitamente visíveis.
Os robôs rápidos não tiveram a menor dúvida de que o inimigo abandonara seu acampamento, fugindo do exército de robôs lentos. Porém não ficaram sabendo que os robôs lentos só viram três pessoas no veículo. Se tivessem sabido, provavelmente nem teriam quebrado a cabeça sobre isso.

* * *

Rhodan e Gorlat mantiveram-se escondidos embaixo do solo, até que o ambiente estivesse bem limpo.
Caramba! Que calor faz aqui embaixo... — disse Rhodan com um gemido.
Parece um forno — comentou Gorlat. — Onde eles estão?
Longe daqui, espero. Apesar disso, será conveniente não nos mostrar-nos em campo aberto. Durante o tempo que levamos para pronunciar uma frase de dez palavras, os robôs rápidos consomem um ano de suas belas vidas. Poderiam voltar de um instante para outro e descobrir-nos.

* * *

Deu certo. E deu certo porque era um acontecimento previamente estabelecido que, segundo se verificou posteriormente, quando a teoria das diversas dimensões temporais foi divulgada, não poderia ocorrer de forma diferente daquela que Perry Rhodan imaginara.
Subitamente, a K-238 estava de volta.
Com uma rapidez de que só era capaz nos momentos de grande perigo, Perry saltou do buraco onde se escondera e desceu pela encosta que levava ao fundo da depressão. Dali a um segundo, viu que a luminosidade produzida pelos campos defensivos cessou.
Perry Rhodan comprimiu o botão do instrumento que transmitiria o código. Na parede da nave, surgiu uma abertura, que antes não existira, e os campos defensivos apagaram-se.
Rhodan saltou para a abertura, rolou pelo soalho da comporta e voltou a comprimir o botão. Lá fora os campos defensivos voltaram a isolar a K-238 do mundo exterior.
Mas a tarefa de Rhodan ainda não estava concluída. Tirou a arma do cinto e abriu um buraco de dez centímetros na parede interna da comporta.
Muito cansado, levantou-se e abriu a escotilha interna depois de ter fechado a externa. Passando pelo corredor que se seguia à comporta, dirigiu-se à sala de comando.
Apesar do cansaço chegou depressa à sala de comando, e com a mesma rapidez manipulou os controles que, em sua opinião, se tornavam necessários para que o êxito fosse completo. Ligou os geradores de campo de refração, e não se espantou ao notar que não os ouvia. É que as freqüências do som da outra dimensão temporal ficavam além de todas as faixas perceptíveis a seu ouvido.
Mas viu o anel que se espalhou lá fora, além dos campos defensivos. Girou lentamente um botão do painel que parecia mole como borracha, tal qual o da caixinha do transmissor de código, e depois de algum tempo conseguiu que o campo de refração circular, criado pelos geradores, fosse projetado para dentro da sala de comando.
Colocou-se à frente do anel leitoso, hesitou por um instante, e atravessou-o.

* * *

No mesmo instante, ouviu o zumbido agudo dos geradores de campo defensivo. O som lhe parecia mais belo que o canto de um coro de anjos.
Olhou em torno e viu que o ambiente continuava inalterado. Achava-se ainda na sala de comando da K-238. Mas nas telas...
A experiência fora bem sucedida. Retornara à sua dimensão temporal.
Ao olhar para a tela, viu que lá fora o Capitão Gorlat estendia a cabeça para fora do buraco cavado na terra, parecia imóvel. Voltou a girar o botão do painel e fez com que o campo de deflexão fosse projetado para um ponto situado fora da nave, apenas a um passo do lugar em que se encontrava Gorlat.
Recostou-se na poltrona e pôs-se a esperar.

* * *

Imaginava o rosto de Reginald Bell no momento em que este perguntasse:
Quer dizer que você sabia que a K-238 voltaria. Até sabia aproximadamente quando. Será que esse seu conhecimento é um segredo de Estado? Ou prefere contá-lo a mim?
Então ele, Rhodan, procuraria explicar-lhe como eram as coisas com os dois espaços e as duas dimensões temporais. Esperava certas dificuldades. É que Bell, por mais inteligente que fosse, tinha uma antipatia congênita contra tudo que não fosse palpável. Especialmente quando, em virtude da ausência de teorias adequadas, a coisa impalpável nem pudesse ser compreendida em termos matemáticos.
Nossa missão em Solitude — explicaria — foi um movimento pendular entre dois espaços diferentes, cada um com sua dimensão temporal própria. Nas primeiras horas que se seguiram ao pouso, tanto nós como a K-238 fomos um corpo estranho nesse espaço. Participamos dos acontecimentos que ali se desenrolavam, mas não pertencíamos ao mesmo. Éramos um quisto de nosso Universo, encravado no espaço estranho.
Foi então que demos o passo decisivo. Levamos a K-238 do primeiro local de pouso para este em que nos encontramos agora. Naquela oportunidade, deslocamo-nos a velocidade maior que a luz desenvolve neste Universo.
Para um observador pertencente ao espaço em torno de Solitude com a respectiva dimensão temporal, as coisas se passaram assim: ele viu quando decolamos do primeiro local de pouso, mas não pôde ver-nos descer aqui. É que o pouso era uma decorrência causal da decolagem antes realizada. E a cadeia da causalidade foi rompida em virtude do deslocamento a uma velocidade superior à da luz.
Para nós, as coisas foram diferentes. Deslocávamo-nos à velocidade ridícula de quinze mil metros por segundo. Em nosso espaço, isso corresponde a apenas um vigésimo da velocidade da luz. Decolamos e dali a pouco pousamos. Houve a seqüência causal.
A confusão só surgiu quando as quatro naves dos druufs projetaram um campo de deflexão sobre a superfície de Solitude. Com isso, fomos transferidos para a outra dimensão temporal, enquanto simultaneamente alguns dos seus robôs foram atirados para nossa dimensão temporal, que é mais rápida. Assim, transformamo-nos em observadores para os quais a K-238, em virtude do vôo a uma velocidade superior à da luz, rompeu a cadeia da causalidade. Por isso, havia decolado no outro lugar, mas ainda não pousara aqui. Portanto, não estava aqui quando procuramos por ela. Nem poderia estar.
Com os druufs mais rápidos as coisas foram diferentes. Ocuparam nosso lugar, viram a K-238 parada e roubaram-na.”
Neste ponto Bell provavelmente indagaria:
Como foi mesmo a história da lâmpada que já estava acesa quando o homem mexeu no interruptor? A perda da causalidade não significa que o efeito é anterior à causa? Para um observador de Solitude a K-238 não deveria aparecer no lugar atual antes que decolasse do ponto anterior?
Rhodan, que já estaria preparado para a pergunta, responderia o seguinte:
A inversão de causa e efeito é apenas uma das expressões possíveis do fenômeno não causai. Existem muitas outras. Um exemplo: uma bala que se desloca em direção ao centro do alvo, mas em virtude da interferência de alguma força estranha não o atinge, desaparecendo pouco antes do alvo e voltando a aparecer atrás dele, age por duas vezes contrariamente à lei da causalidade. Em primeiro lugar, deixa de existir o efeito, que é a ruptura do alvo, efeito este que teria de surgir após a respectiva causa, que é o tiro disparado com a pontaria correta. Em segundo lugar assistiríamos a um efeito, isto é, o desaparecimento e o reaparecimento da bala, sem que houvesse uma causa preexistente.
Após isso, Bell ficaria resmungando. Diria que é uma comparação idiota. Todavia... ele, Rhodan, prosseguiria:
Uma coisa semelhante aconteceu com a K-238. O efeito que deveria seguir-se à causa, a decolagem, efeito este que seria representado pelo pouso, deixou de ocorrer. Ao que tudo indica, devemos incluir uma proposição na teoria das dimensões temporais diferentes: a soma de todos os efeitos sempre é igual à soma de todas as causas, mesmo que a cadeia causal tenha sido rompida. À primeira causa que não produziu nenhum efeito, teria de seguir-se um efeito sem causa. E esse efeito foi o pouso da K-238, observado por Gorlat num momento em que ninguém esperava a nave. Esse efeito não teve causa. Para um observador do planeta Solitude, a K-238 desapareceu por algum tempo.
Pois bem; agora está de volta, e esse fato representa o efeito final de uma ocorrência não causai, ou melhor, de duas ocorrências. É possível calcular o tempo em que um efeito sem causa se segue a uma causa sem efeito. Verifica-se que o excesso da velocidade do objeto sobre a maior velocidade permissível, que é a da luz, constitui a medida da falta de causalidade e do fenômeno colateral. Com base nas velocidades com que a K-238 se deslocou ao ser levada do primeiro ao segundo local de pouso, pude calcular o momento em que voltaria a aparecer aqui para o observador que se encontrasse na dimensão temporal de Solitude. É claro que isso não passou de uma experiência. Mas, conforme vê, esta foi bem sucedida.”
O que faria Bell depois disso? Cocaria a cabeça, e, fazendo pouco do espírito científico, formularia a pergunta que nunca deveria ser formulada:
Caramba! O que aconteceu com a K-238 que foi roubada pelos druufs?
A resposta a esta pergunta palpável, que girava em torno de coisas materiais, seria a seguinte:
Isso depende do ponto de vista sob o qual se queira encarar o acontecimento. Para o observador que se encontre no espaço de Solitude os robôs dos druufs não poderiam ter roubado a K-238, pois esta acaba de aparecer aqui.
Mas o que se verificou no nosso espaço foi que os robôs rápidos dos druufs retornaram automaticamente e sem qualquer interferência estranha à sua dimensão temporal, no momento em que a K-238 se tornou visível no espaço de Solitude. E, quando foram transferidos para a dimensão temporal mais lenta, a nave desapareceu para eles.
Seria a apresentação de um modelo. Quem quisesse fazer a representação figurada de um fenômeno não palpável teria de contentar-se com o modelo, e via de regra este só coincide com a realidade em poucos pontos, enquanto em outros dá origem a concepções errôneas.”
Bell sabia disso e não prosseguiria nas perguntas. Talvez ainda fizesse uma observação como esta:
Parece que você penetrou profundamente no assunto. Face às suas conclusões poderíamos supor que você já traz a teoria das duas dimensões temporais na ponta da língua. É verdade?
Então responderia:
Não. Apenas tenho algumas idéias que poderão facilitar o trabalho dos matemáticos.
Bell saberia que essa apreciação era demasiadamente modesta, mas se daria por satisfeito. Com isso, teria chegado ao fim da pesada tarefa de explicar a Bell uma coisa impalpável cuja compreensão ele nunca poderia alcançar por iniciativa própria.

* * *

Dali a cinco horas, notou-se pela primeira vez que o Capitão Gorlat se movia. Mais um tanto de sua cabeça já saíra do buraco.
Nesse meio tempo, Rhodan não vira nenhum robô rápido ou lento dos druufs nas proximidades da nave. Segundo sua teoria, os robôs rápidos já não poderiam existir depois do reaparecimento da K-238. O fato de Rhodan não ver nenhum não provava a exatidão de sua teoria, mas proporcionava certo apoio à mesma.
Depois de oito horas, Perry ficou sabendo como acelerar o retorno de Gorlat para a dimensão temporal terrana. Esperou até que Gorlat tivesse saltado de vez para fora do buraco e parecia pairar imóvel no ar. Pegou uma vara comprida de plástico, saiu da nave e, segurando o colarinho do uniforme de Gorlat com o gancho, que havia na ponta da vara, puxou-o através do círculo formado pelo campo de refração. Teve o cuidado de fazer com que Gorlat não entrasse em contato com o solo ou com as bordas do campo de refração. Face à velocidade enorme com que o movimento foi executado na dimensão temporal mais lenta, qualquer tipo de contato teria produzido sérios ferimentos.
Assim que acabou de passar pelo círculo, Gorlat caiu no chão e olhou em torno, perplexo. Levantou-se e disse:
Obrigado; estou contente porque este maldito calor acabou.

* * *

O resto foi fácil. Uma vez fechado o buraco na escotilha interna da comporta da K-238, esta seguiu o veículo em que estavam Bell, Atlan, Tompetch e os dois fantasmas. A seguir, arrastou seus ocupantes, com exceção dos fantasmas, através do campo de refração, trazendo-os de volta para a dimensão temporal que lhes era própria.
Os dois fantasmas voltaram para as respectivas metades da inteligência de Solitude, e a K-238 voltou a pousar junto à depressão, perto dos quatro buracos no solo. O ser de Solitude levou algumas horas para recuperar o formato primitivo de seu corpo. Depois também foi adaptado à dimensão temporal terrana, por meio do campo de refração.
Rhodan ficou refletindo sobre se valeria a pena procurar localizar mais uma caverna de Solitude, retirar o hipertransmissor e verificar-lhe a regulagem direcional. Chegou à conclusão de que agora, que a teoria das duas dimensões temporais já era conhecida e provavelmente os matemáticos saberiam fazer muita coisa com a mesma, não havia mais nada que impedisse que as naves terranas passassem à vontade de um plano temporal a outro. A tarefa mais urgente seria a partir desse momento encontrar o planeta Peregrino. A posição do mundo dos druufs poderia ser determinada em outra oportunidade.
Quanto ao mais, Reginald Bell formulou exatamente as perguntas que Rhodan esperara. E deu-se por satisfeito e parou de perguntar exatamente no ponto em que Rhodan esperara que isso acontecesse. Apenas fizera mais uma observação:
Acho que está na hora de aposentar-me. Há setenta e cinco anos ainda me sentia satisfeito por saber calcular de cabeça quanto eram dezessete vezes dezoito, e hoje tenho que me martirizar com teorias como a das duas dimensões temporais. Para mim é demais.
A inteligência de Solitude não tinha vontade de permanecer em seu mundo natal. Temia as perseguições dos robôs. De bom grado concordou com a proposta de Rhodan, que pretendia levá-la à Drusus e posteriormente à Terra.
Finalmente a K-238 decolou e iniciou o vôo de regresso, sem preocupar-se com os robôs inimigos, que se haviam espalhado por toda a área, à procura do inimigo desaparecido.
No hangar da K-238, estava guardado o robô aprisionado, condenado à imobilidade em virtude de sua dimensão temporal mais lenta. Só a bordo da Drusus lhe seria proporcionada a transferência para a dimensão temporal terrana, a fim de que os técnicos em eletrônica pudessem desmontá-lo e investigar o conteúdo de sua memória.
Rhodan teve a impressão de que não havia por que preocupar-se com o planeta Solitude. Este era um posto avançado tão importante para os druufs, que os mesmos não deixariam de fazer tudo para recolocá-lo numa órbita estável.
Poucas horas após a decolagem, a K-238 atingiu o ponto do Universo purpúreo em que o campo de refração projetado pela Drusus formava uma superfície elíptica e brilhante. A nave atravessou-a e passou imediatamente a um Universo cujo fundo era de uma agradável negritude e cujas estrelas emitiam uma luz branca, com exceção de algumas que brilhavam em outras cores.
Conseguiram voltar. Restava saber quanto tempo durara a missão segundo o calendário terrano.

* * *

Por ocasião do regresso, o calendário marcava o dia 21 de abril de 2.042. Rhodan teve de dar-se por satisfeito com isso — e realmente ficou satisfeito — pois se o fator de distorção temporal fosse aquele que no outro universo fazia com que tudo corresse setenta e duas mil vezes mais devagar que no Universo normal, a K-238 só teria regressado depois de milhares de anos.
De qualquer maneira, o tempo era escasso. O prazo de que dispunha para visitar o planeta Peregrino terminaria no dia 1o de maio. Rhodan convocou uma equipe de dez especialistas para examinar o robô dos druufs. Disse preferir que o resultado lhe fosse fornecido no mesmo dia.
Isso era impossível, e ele mesmo sabia disso. A equipe fez o que estava a seu alcance e o exame foi concluído nas primeiras horas da manhã do dia 23 de abril.
E esse resultado foi mais elucidativo do que Rhodan esperava. Removeu os últimos obstáculos que ainda se opunham à localização do planeta Peregrino. No robô, estavam armazenadas informações não só sobre a causa da perturbação do campo gravitacional, que atirara Solitude para fora de sua órbita, mas também sobre a direção que o planeta Peregrino tomara depois de sua passagem por Solitude. E, mais do que isso, sabia de uma coisa que deixou Rhodan perplexo e parecia provar que o ser coletivo de Peregrino não ficara tão indefeso diante da superposição dos planos temporais como de início se supusera.
Naquele momento, Peregrino já abandonara o universo dos druufs em outro ponto. Os druufs não puderam fazer nada para evitar que isso acontecesse. Procuraram conservar o mundo artificial em seu Universo, mas evidentemente o poder do ser coletivo de Peregrino fora maior que o deles.
Depois de um breve vôo pelo espaço purpúreo, Peregrino voltara a seu Universo. A trajetória que havia percorrido era conhecida. E essa trajetória permitiu a Rhodan calcular o ponto em que, a essa hora, se encontrava o planeta. Esse ponto ficava na órbita primitiva, mas num local que, em condições normais, o planeta só teria atingido dali a dezoito mil anos.
O exame do robô trouxe uma série de outras informações da maior importância. O produto dos druufs apresentava vestígios inconfundíveis da tecnologia druufiniana; era de esperar que, dentro em breve, se saberia em que estágio do desenvolvimento tecnológico se encontrava o inimigo.
Mas, no momento, Rhodan não se interessava por essas coisas. Mandou preparar a Drusus para a decolagem. O ponto da órbita em que Peregrino se encontrava naquele momento ficava a 9,5 anos-luz da posição atual da Drusus. Seria fácil vencer esse trecho numa única transição.
A decolagem foi marcada para o dia 23 de abril de 2.042, às 20 horas, tempo de bordo. Dali a oito dias, a imortalidade de Perry Rhodan chegaria ao fim. Mas, a essa hora, talvez já tivesse certeza de que poderia cumprir o prazo...



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Rhodan e sua equipe conseguiram um êxito provisório contra os druufs. Entretanto ainda não alcançaram o planeta Peregrino.
Em A Morte Espera no Semi-Espaço, título do próximo livro, vão desenrolar-se lances de grande emoção.

Quem sou eu

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Carlos Eduardo gosta de tecnologia,estrategia,ficção cientifica e tem como hobby leitura e games. http://deserto-de-gobi.blogspot.com/2012/10/ciclos.html