segunda-feira, 11 de março de 2013

P-052 - O Pseudo - Clark Darlton [parte 3]

Glogol sentiu escapar-lhe a perspectiva de um prazer e reconheceu o perigo em potencial representado por um falso inspetor. Não havia tempo para brincadeiras. Precisava agir.
O inspetor Tristol é um impostor — disse em tom frio. — Prenda-o. Pousarei imediatamente. As formalidades ficarão para depois. Enquanto isso enviarei uma consulta ao regente robotizado.
Isso já foi providenciado. Esperamos a resposta ainda hoje. De qualquer maneira, seria conveniente formular outra consulta, para termos certeza absoluta.
Glogol sentiu a desconfiança. Empalideceu. Soltou uma praga, levantou-se e voltou ao seu gabinete. Pensou:
Malditos médicos! Não acreditam que eu seja o verdadeiro inspetor. Bem, hão de pagar por isso!”
Mas, por outro lado, não pôde deixar de reconhecer que a desconfiança ainda era preferível à credulidade e à leviandade.
Nunca ouvira falar em Tristol, embora o Império só tivesse dez inspetores. E ele os conhecia todos.
Deu o alarma. Os dois cruzadores que comboiavam sua nave entraram em regime de prontidão de combate e penetraram na atmosfera de Tolimon juntamente com o iate de Glogol.
Quase no mesmo instante, chegou a Trulan a resposta expedida por Árcon.
Não existia nenhum inspetor chamado Tristol.

* * *

Rhodan e Gucky saíram do táxi aéreo e olharam em torno.
O parque era formado principalmente por um extenso gramado no qual se viam alguns arbustos. Só na periferia as árvores isolavam a área do mundo exterior. A mansão ficava numa rua tranqüila da zona periférica norte de Trulan.
O piloto inclinou o corpo, para fora da cabine.
Quer que espere pelo senhor, inspetor?
Você virá conosco — anunciou Rhodan. — Quero ter certeza de que não terei de voltar a pé.
Mas, senhor... — principiou o piloto em tom de recriminação, mas logo se viu interrompido por Gucky.
Desça logo! Quando meu senhor dá uma ordem, deve-se obedecer sem discutir. Já ouviu falar no centro de experiências do zoológico? Está com vontade de terminar seus dias por lá?
O piloto tremeu por todo o corpo e com um salto arriscado caiu no capim.
Rhodan caminhava à frente dos outros. Nada se movia na casa, que parecia deserta. Os impulsos mentais de Marshall puderam ser captados com toda nitidez.
Estamos saindo, chefe. Os saltadores estão desconfiados e resolveram ir conosco.
Saberão respeitar um inspetor — respondeu Rhodan.
Quando se encontravam a vinte metros da casa, a porta abriu-se e um homem barbudo veio ao seu encontro. Pelo aspecto exterior, poderia ter cerca de sessenta anos, mas isso não significava nada. Fez um sinal para trás, como se quisesse evitar que alguém o seguisse. Sozinho e armado somente com o costumeiro radiador manual preso no coldre, veio ao encontro do grupo de Rhodan. Por alguns segundos, pousou um olhar pensativo e espantado sobre Gucky, mas logo voltou a dedicar sua atenção a Rhodan.
Inspetor de Árcon — resmungou. — Vejo que nossos amigos não mentiram.
Meu nome é Tristol — disse Rhodan, usando um pouco menos de arrogância que em outras oportunidades. — O senhor prestou auxílio aos meus homens e está exigindo uma paga adequada. O senhor receberá a recompensa assim que estejamos fora de perigo. Acredita em mim?
O barbudo acenou a cabeça de forma quase imperceptível.
Meu nome é Berzan, inspetor. Uma pergunta: o senhor realmente é um inspetor?
Rhodan leu a desconfiança no rosto do saltador. Não compreendia a ligação que poderia existir entre os prisioneiros e aquele arcônida.
O senhor tem alguma dúvida? — perguntou Rhodan, fingindo-se de espantado. — Os espiões de Árcon estão em toda parte. Meus homens agiram por ordem do regente robotizado. Há alguma coisa de extraordinário nisso?
Como por acaso, Berzan colocou a mão sobre a arma, embora não tivesse a intenção de sacá-la. Gucky logo percebeu o movimento, mas não fez nada. Porém estava alertado.
De fato tudo isso é muito estranho, senhor. Há menos de duas horas, a polícia de segurança de Trulan deu o alarma. Árcon respondeu à consulta formulada por Tolimon. Não existe nenhum inspetor chamado Tristol. Logo, trata-se de um impostor que está sendo procurado. E não demorará muito até que a polícia encontre a pista que conduz a esta casa.
Rhodan reagiu imediatamente à nova situação. Viu o espanto no rosto do piloto de táxi, mas não se preocupou. Sorriu.
É verdade, Berzan. Não sou nenhum inspetor dos arcônidas. Acontece que o senhor não gosta deles, Berzan. Sei disso. Logo, não tem nenhum motivo para entregar-me. Os arcônidas e os aras não são nossos inimigos comuns?
Berzan não se interessou por esse tipo de conversa.
Faço o contrabando de medicamentos; meu negócio é este. O chefe do clã é Rohun, comandante dos saltadores. Não gosto dos arcônidas, mas reconheço seu Império. O senhor é um inimigo do Império, e não posso continuar a colaborar com o senhor ou com seus amigos. Para usar de franqueza, isso é muito perigoso para mim. Pague sua dívida, pegue seu pessoal e dê o fora.
Rhodan ficou surpreso com a sinceridade daquele saltador barbudo, que não lhe era antipático. Sabia que seria inútil tentar convencê-lo a adotar outra atitude.
Muito bem. O senhor receberá o pagamento a que faz jus. Onde está meu pessoal?
Berzan virou-se e fez um sinal em direção à casa.
Faran, traga os estranhos; estão livres.
Rhodan pegou uma sacola com moedas e entregou-a ao velho. Este examinou-a ligeiramente e soltou um assobio. Estava mais que satisfeito com a recompensa.
Faran saiu da casa, seguido por Marshall, Laury e pelo conde.
Berzan puxou Faran para o lado e falou com ele em voz baixa. Rhodan não teve tempo para ocupar-se com ele. Sabia que naquele instante não tinha receio de qualquer traição, se é que em algum momento esta pudesse ocorrer. Marshall aproximou-se de Rhodan e, muito satisfeito, apertou-lhe a mão.
Já estava chegando ao fim, chefe. Não sei por quanto tempo estaríamos seguros por aqui. Os saltadores já não tinham vontade de queimar os dedos. Desculpe, Laury deseja cumprimentá-lo. Além disso, quero apresentar-lhe o conde Rodrigo de Berceo...
Laury enrubesceu, pois sabia perfeitamente que Rhodan estava informado de sua paixão pelo conde. Com um gesto hesitante estendeu-lhe a mão, que Rhodan pegou com um ligeiro sorriso, retribuindo a pressão dos dedos.
Só depois, dedicou sua atenção ao conde.
Rodrigo tirara o chapéu de aba larga e o sacudia com uma mesura impecável, que teria honrado qualquer nobre do século XVII. Depois adiantou-se e, fazendo outra mesura, declinou seu nome e o de seus nobres. Asseverou:
Sinto-me muito satisfeito em conhecer o grande amigo de minha companheira, e fico honrado em saber que o senhor, Rho...
Nada de nomes! — advertiu Rhodan em tom áspero. — Sou o chefe; apenas isso.
Rodrigo ficou corado, mas soube dominar-se muito bem.
Perdão, chefe. Quase me esqueço das cautelas que devemos tomar.
Lançou os olhos em torno, como se estivesse procurando alguma coisa, fitou ligeiramente o rato-castor e dirigiu-se a Marshall.
Onde está esse legendário herói e sedutor de mulheres de que você me falou? Não o vejo.
Gucky?
Sim, acho que o nome é este. Gostaria de dizer-lhe o que penso dele.
Ora, Rod, basta abrir os olhos. Gucky está na sua frente.
Laury abaixara-se para acariciar o pequeno rato-castor.
Como vai, meu amiguinho? — perguntou com o mais gentil dos sorrisos. — Você seria capaz de imaginar que Rod tem ciúmes de você?
Gucky não respondeu.
Continuava perplexo, fitando o conde, que por sua vez arregalava os olhos, contemplando o rato-castor com uma expressão de incredulidade.
Ui! — piou o rato-castor, respirando com dificuldade. — Onde é o baile de carnaval que esse titio esquisito pretende ir?
O “titio esquisito” compreendeu imediatamente. Recuou dois passos.
Este é o tal do Gucky? — perguntou, dirigindo-se a Marshall.
Quem poderia ser senão ele?
Rodrigo estreitou os olhos e voltou a dedicar sua atenção ao rato-castor, que começava a recuperar-se do espanto.
Você é Gucky? — voltou a perguntar Rodrigo, apontando para Gucky.
O rato-castor descansou o corpo sobre o largo traseiro.
Alguma objeção? — perguntou em tom gentil. — Se eu fosse como você, não andaria fazendo perguntas idiotas. Isso reforça a impressão que a gente tem ao ver você pela primeira vez.
Num movimento instantâneo, Rodrigo sacou a espada e recuou dois passos.
Defenda-se ou eu o mato ignominiosamente!
Laury soltou um grito estridente e colocou-se entre os contendores. Rhodan lançou um olhar para os saltadores. Estes examinaram o conteúdo da bolsa com o dinheiro e pareciam não estar interessados no que se passava no parque. Faziam de conta que tinham esquecido tudo que se passava pelo mundo.
Gucky começou a gritar de alegria. Saltitava alegremente sobre as perninhas curtas. O dente roedor solitário brilhava aos raios do sol.
Entre nós só as velhas usam agulhas de crochê desse tamanho! — disse Gucky com um assobio desafinado. — Eu lhe imporei respeito com a pata esquerda.
Rodrigo esqueceu a boa educação.
Com um grito furioso, saltou sobre o rato-castor, que se limitou a endireitar ligeiramente o corpo e fitá-lo. No momento em que o conde pretendia golpeá-lo, sentiu uma pancada no pulso. A dor foi tão violenta que deixou cair a espada. Para seu espanto, a arma adquiriu a independência, descreveu uma curva e foi fincar-se numa árvore, onde ficou tremendo depois de ter penetrado mais de vinte centímetros.
Rodrigo ficou perplexo. Fitou ora Gucky, ora a espada que continuava a balançar.
Gucky fez um gesto de triunfo e saltitou em direção a Laury, segurando sua mão.
Diga a verdade — disse com um chiado carinhoso. — Você não pode estar apaixonada por esse palhaço, não é?
Mas Laury soltou-se da mão dele.
Você é um sujeito horrível, Gucky! — disse entre soluços e foi para junto do homem amado, colocando a mão sobre o ombro do mesmo. — Não se exalte, Rod. Gucky não tem a intenção de ofendê-lo. Apenas gosta dessas brincadeiras estúpidas. Perdoe-lhe, se puder.
O conde Rodrigo provou que sabia ser generoso. Acariciou o braço de Laury e dirigiu-se ao rato-castor.
Esse feitiço foi uma brincadeira deliciosa, Gucky. Quero que oportunamente você me ensine o truque. Vamos fazer as pazes.
Gucky segurou a mão do conde entre as patas.
De acordo. Quanto ao truque...
Ninguém dera a menor atenção ao piloto do táxi aéreo, que por ocasião dos cumprimentos de Berzan soubera da falsa identidade do inspetor. O ara recuara e, aproveitando-se da confusão geral, entrou na cabine de seu veículo. Antes que alguém pudesse impedi-lo, subiu na vertical.
Rhodan foi o primeiro a perceber. Gucky, o segundo.
Trarei o sujeito para cá — sugeriu e começou a concentrar-se sobre o ligeiro salto. Rhodan, porém, sacudiu a cabeça.
Deixe para lá, Gucky. Deixe que ele alarme os habitantes de Trulan. Vamos dar o fora. Quando aparecerem por aqui, verão que estão procurando no lugar errado.
Calou-se. Um terceiro saltador saiu da casa. Era um homem de cabelos ruivos que usava uma barba enorme e tinha o corpo de campeão de luta livre. Lançou um olhar perscrutador sobre Rhodan e aproximou-se do grupo.
Então o senhor é o falso inspetor? — disse, olhando para o uniforme de Rhodan como quem contempla um animal raro.
Rhodan leu os pensamentos de seu interlocutor e ficou assustado.
Não era nenhuma novidade. Mas soube controlar-se.
Alguma objeção, amigo?
Pelo contrário — disse o ruivo com uma gostosa gargalhada. — Não tenho nada a ver com a armadilha em que o senhor se meteu — esperou até que os outros prestassem atenção às suas palavras. Aquilo que tinha a dizer interessava a todos. — Sugiro que procure outro esconderijo, e muito depressa. Há poucos minutos pousou no espaçoporto de Trulan um iate de luxo acompanhado de dois cruzadores pesados do Império. O inspetor Glogol terá muito prazer em encontrar seu colega em Tolimon.
Rhodan sorriu amavelmente para o ruivo.
Obrigado pelo conselho, amigo. Acho que chegou a hora da despedida. Tem mais algum desejo?
Não — disse Tulin em tom áspero. — O único desejo que tenho é que o senhor dê o fora quanto antes. A polícia não demorará em saber que um táxi o trouxe até aqui. E não quero que encontrem ninguém quando aparecerem por aqui. Entendido?
O senhor não é muito gentil, mas em compensação apresenta uma sinceridade reconfortadora — elogiou-o Rhodan e fez um sinal ao seu grupo. — Venham, meus amigos. Conde, não se esqueça de tirar a espada da árvore. Temos um longo passeio diante de nós. Portanto, devemos apressar-nos — cumprimentou os saltadores com um gesto. — Mais uma vez, muito obrigado pelo auxílio que nos têm prestado. Não podemos exigir mais que isso. Passem bem.
Um tanto desorientados, Laury e Rodrigo seguiram Rhodan, que caminhava à sua frente. Gucky fechava o grupo com seu andar arrastado. Pelos impulsos mentais que desabavam sobre ele percebeu nitidamente que Trulan parecia um ninho de marimbondos espantados.
A caçada já fora iniciada.

* * *

Quando os tolimonenses souberam que haviam caído nas malhas de um impostor atrevido, a vergonha pela humilhação misturou-se à raiva dos enganados. Os serviços de segurança e de controle de estrangeiros lançaram mãos de todas as forças disponíveis para capturar o inspetor, embora não soubessem com que finalidade poderia ter agido esse personagem desaparecido.
Glogol contribuiu com suas medidas. Expediu uma mensagem de alarma destinada ao regente de Árcon. A resposta consistiu no envio de uma frota de guerra. O espaço em torno de Tolimon foi fechado estrategicamente.
Fortes unidades militares dirigiram-se ao espaçoporto e, por não conseguirem penetrar no iate de luxo do falso inspetor, cercaram-no. Preferiram não destruir a valiosa nave. Nem havia necessidade disso, pois não havia nenhum tripulante a bordo.
Evidentemente estavam cometendo um engano, mas isso não fazia a menor diferença.
A cidade foi revistada pelos quatro cantos. A polícia iniciou as buscas na área central e foi avançando lentamente em direção aos distritos periféricos. Quando chegou à mansão dos saltadores, não encontrou nada de suspeito. Até mesmo o piloto do táxi, trazido às pressas, ficou perplexo ao ver-se diante de um funcionário aposentado da administração do zoológico, que se sentia indignado porque o haviam importunado e disse que iria queixar-se ao governo.
Foram adiante sem terem conseguido nada.

* * *

Os fugitivos atravessaram os primeiros campos cultivados dos subúrbios e atingiram a proteção de uma pequena floresta, onde fizeram uma pausa.
O conde Rodrigo fungava de raiva.
Por que temos de nos esconder que nem índios amedrontados? Não dispomos de armas suficientes para colocá-los em fuga?
Dispomos — confirmou Rhodan em tom tranqüilo. — Mas o que adiantaria isso? Não podemos lutar contra um planeta, e nem estamos interessados nisso. Já provocamos muitas suspeitas. Temos de dar o fora sem deixar vestígio. Um dia voltaremos para buscar a fórmula do elixir da vida, se for necessário. Temos uma amostra do soro; talvez esta seja suficiente.
E como vamos dar o fora daqui? — perguntou Marshall, que conhecia perfeitamente as condições reinantes em Tolimon. Lembrava-se dos terríveis froghs e da velocidade com que estes se deslocavam. — Nossa única possibilidade de fuga está estacionada no espaçoporto.
É isso mesmo! — confirmou Rhodan. — Gucky vai até lá para dar uma olhada e verificar se podemos buscar a nave. Se a tele-direção ainda estiver funcionando, não haverá problema. Mas preciso saber se o iate não está preso ao solo. Nesse caso, a decolagem poderia provocar avarias graves no casco. Gucky terá de soltar as amarras antes que eu possa trazer a nave.
O rato-castor apontou as orelhas. Outra missão?
Irei imediatamente, chefe.
Rhodan confirmou com um aceno de cabeça.
Tenha cuidado, meu velho. A cidade está cheia de policiais. E também estão atrás de você. Em hipótese alguma poderá aparecer. Dificilmente conseguirá vencer a distância num único salto, pois não conhecemos a distância exata.
Basta concentrar-me na nave. Descreva a sala de comando, Perry. Não tenho a menor dúvida de que assim...
Rhodan fechou os olhos. Não teve a menor dificuldade em rememorar o interior da nave. É claro que Gucky também não tinha a menor dificuldade. Porém achava que era preferível andar seguro.
O painel de instrumentos forma um pequeno semicírculo e, por cima dele, há cinco telas equipadas com os necessários controles em forma de botões giratórios. As duas poltronas encontram-se na frente desse painel, enquanto à direita ficam as instalações de rádio...
Já foi embora — disse Marshall, enquanto o conde Rodrigo soltou um grito de espanto e murmurou alguma coisa que soava como bruxaria. Nunca vira um teleportador. Laury manteve-se em silêncio. Estava sentada no chão macio, junto ao conde. Encontravam-se cercados por moitas espessas e árvores frondosas. Só se enxergava o céu. O sol já se aproximava da linha do horizonte. Até parecia que teriam de passar a noite ao ar livre.
Rhodan abriu os olhos e observou:
Tomara que não erre o salto, aterrissando em meio a um destacamento policial. Não poderão fazer-lhe nada, mas seria preferível que não o vissem.
Voltou a fechar os olhos.
Gucky, onde está você? — pensou intensamente.
Marshall também captou a resposta telepática do rato-castor.
O segundo salto levou-me ao interior da nave. O espaçoporto até parece um formigueiro; está cheio de soldados e policiais. Neste instante, o verdadeiro inspetor está aparecendo aqui para examinar a Koos-Nor. O que devo fazer?
A nave está ancorada ou presa de outra forma?
Nada disso. Eles nem desconfiam de que temos a tele-direção.
Excelente — transmitiu Rhodan muito satisfeito. — Volte imediatamente.
Gucky não se apressou.
Encontrava-se na pequena sala de comando e, pelo periscópio, acompanhava os acontecimentos que se desenrolavam no campo de pouso. Sentia-se absolutamente seguro no interior da nave, mas talvez fosse conveniente que pudesse levar algumas informações a Rhodan.
Penetrou cautelosamente nos pensamentos do inspetor, que passeava no seu uniforme colorido em torno da Koos-Nor, especulando sobre a maneira pela qual o impostor se poderia ter apoderado desse artefato especial. Os iates de luxo desse tipo estavam reservados exclusivamente aos inspetores do Império e às pessoas mais ricas da classe dominante. Um deles devia ter usado um nome falso. Quem poderia ter sido?
É claro que Glogol não encontrou resposta às suas indagações, pois, por nenhum instante, lhe ocorreu a possibilidade de que o impostor pudesse ser uma criatura que não pertencesse à raça dos arcônidas. Com um gesto arrogante, dirigiu-se ao Ministro da Segurança de Tolimon, que se encontrava a seu lado.
Já prenderam o impostor?
O homem ao qual foram dirigidas essas palavras encolheu-se de susto.
Ainda não, senhor inspetor, mas nossos homens estão vasculhando toda a cidade de Trulan. Ninguém conseguirá escapar. O criminoso deve ter seus cúmplices em nosso mundo, e nós os encontraremos.
Não estou interessado nos cúmplices! — berrou Glogol para o homem, que parecia petrificado. — Quero desmascarar o patife que se atreveu a enganar o regente robotizado.
Naturalmente, inspetor — o ministro inclinou o corpo. — Já dei as respectivas instruções. Ele morrerá e...
Eu o quero vivo — berrou Glogol fora de si. — Pelas fontes do planeta do inferno de Hradchir! O que poderei fazer com um impostor morto? Ele não nos poderia dar nenhuma informação.
O ministro saiu solícito, animado principalmente pelo desejo de afastar-se do inspetor. Glogol seguiu-o com os olhos e pensou várias coisas que Gucky absorveu com o maior prazer.
Esse sujeito arrogante é o tipo do arcônida”, pensou. “Se bem que é totalmente diferente de Crest e Thora.
Gucky pigarreou e viu que Glogol chamou alguns tolimonenses e falou com eles. Apontou várias vezes para a Koos-Nor.
De repente, o rato-castor começou a tremer de raiva, pois sua consciência percebeu as ordens dadas pelo inspetor.
Queria que técnicos especializados abrissem o casco do iate a maçarico. Glogol esperava que, no interior da mesma, pudesse encontrar algumas indicações sobre a identidade de seu possuidor.
Teria sido simples para Gucky saltar de volta para Rhodan, que acionaria imediatamente a tele-direção. Mas geralmente Gucky não aceitava as soluções simples. Preferia complicar as situações, dando um curso todo especial aos acontecimentos.
Não gostava do tal do Glogol. Precisava de uma lição, mas era necessário não despertar suspeitas. O melhor seria expor o inspetor ao ridículo, pois nesse caso ninguém se preocuparia seriamente com as causas do incidente.
Gucky sorriu no momento em que se concentrou e dirigiu suas energias telecinéticas para o arcônida.
Glogol ainda estava falando aos técnicos quando subitamente sentiu uma pressão estranha na altura do estômago. Teve a impressão de que alguém puxava suas calças de almirante, listradas em cores vivas. Perplexo, lançou os olhos corpo abaixo, mas não descobriu ninguém que tivesse tido o atrevimento de despertar sua atenção por essa forma.
Mas a força que lhe puxava as calças tornava-se cada vez mais intensa. Com um estalo, o cinto bordado de ouro rompeu-se, caindo ao chão juntamente com o coldre da pistola. A arma engatilhada disparou com um chiado e a força do recuo arremessou-a muito além da beira do campo de pouso.
Enquanto isso, a calça de Glogol escorregou e adquiriu sua independência de uma forma bastante estranha. Descrevendo uma curva graciosa, desapareceu na direção do complexo de edifícios.
Glogol usava ceroulas compridas. E um arcônida arrogante de ceroulas é uma figura ainda mais ridícula que um terrano que use a mesma vestimenta. A dignidade do inspetor se desvanecera. Arregalando os olhos e tremendo que nem vara verde, Glogol acompanhou com os olhos a calça que se afastava pelos ares, calça esta da qual saíra de forma tão surpreendente, sem que tivesse colaborado no fenômeno. Os tolimonenses que o cercavam compreendiam tanto — ou tão pouco — quanto ele, mas confiavam no que viam. E aquilo que tinham diante dos olhos em nada lembrava um inspetor arcônida. Apenas viam uma figura ridícula com ceroulas cor-de-rosa e meias furadas. Apenas a túnica cheia de condecorações lembrava o esplendor da figura de inspetor.
Alguns dos policiais soltaram estrondosas gargalhadas.
De início Glogol não ouviu, mas logo seu rosto se tornou vermelho de raiva. Virou-se furioso e gritou para o grupamento. O resultado foi bem o contrário do que esperava.
Os soldados e oficiais, bem como o Ministro da Segurança, que regressara ao local, e outros representantes do governo, deixaram cair o medo e as reservas. Um inspetor de ceroulas não os atemorizava nem lhes inspirava respeito. Era um homem como eles, e um homem muito esquisito. Tirava as calças sem mais aquela em pleno campo espacial!
Glogol cambaleou quando se sentiu atingido pelas gargalhadas. Procurou apoio e segurou-se num dos criados que constantemente ficavam a seu lado.
Vocês pagarão por isso! — gritou com a voz rouca. — Estão ofendendo o Império. O regente robotizado não deixará que essa vergonha passe em brancas nuvens. Tomarei todas as providências para que isso não aconteça.
De uma hora para outra, transformou-se num homem frio e tranqüilo. A voz recuperou o tom habitual, embora o tom de arrogância da mesma não convencesse mais ninguém. Dirigindo-se aos técnicos que se contorciam de tanto rir, disse:
Vamos logo! Ponham-se a trabalhar. Dentro de dez minutos, quero entrar na nave.
Depois, ordenou ao criado que tirasse as calças.

* * *

Gucky ainda estava sorrindo quando, dez minutos depois da ordem de Rhodan, voltou a materializar-se no esconderijo situado na floresta. Mal seu vulto adquiriu os contornos definitivos, caiu no chão de folhas macias, completamente exausto e quase estourando de tanto rir. Rhodan, que acompanhara os acontecimentos por via telepática, um tanto contrafeito, só não interveio nestes porque repentinamente se dera conta de que poderiam ter conseqüências de grande alcance. Uma vez abalado o prestígio do inspetor, a fuga de Tolimon se tornaria muito mais fácil.
Marshall e Laury também estavam informados sobre os acontecimentos. Apenas o conde Rodrigo levou um susto quase mortal quando Gucky surgiu repentinamente em meio ao grupo. O que menos compreendia eram os sorrisos dos dois homens, de Gucky e da moça.
O que aconteceu? — indagou.
Rhodan explicou. O rosto do nobre também se cobriu com um sorriso alegre. Ao que tudo indicava, sabia imaginar perfeitamente como devia ser um conde de cuecas e, face à sua reação, parecia que nem mesmo um homem terreno do século XVII infundiria muito respeito se usasse esse tipo de vestimenta.
Bem feito, meu pajem — disse, inclinando-se para Gucky e acariciando-o.
Os homens de Trulan ficarão tão alegres que se esquecerão de procurar-nos.
Mas não se esquecerão de nossa nave — disse Rhodan com espírito mais realista e pegou o aparelho de tele-direção.
Está na hora de pensarmos em nossa segurança. Se dermos oportunidade para Glogol, ele impedirá nossa fuga, apesar da vergonha pela qual passou. Aliás, neste instante está usando as calças de um dos seus criados, segundo deduzo através dos pensamentos de alguns dos circunstantes. Coitado!
Quem? O criado? — procurou certificar-se o conde Rodrigo.
Tolice! Só pode ser Glogol. As calças que está usando não são listradas — Marshall sorriu enquanto proferia estas palavras.
Rhodan girou algumas rodinhas e ponteiros, apontou a antena fininha na direção do espaçoporto e puxou uma pequena chave, que se movia facilmente para todos os lados.
A pequena tela de orientação não se acendeu, pois não se prestava ao controle numa distância tão reduzida.
Será que a nave não será perseguida se decolar de repente? — perguntou Marshall em tom preocupado. — Nunca conseguiremos embarcar com a mesma rapidez com que cairão em cima de nós.
Rhodan dirigiu-se para Laury.
Entregue-me a ampola com o soro, Laury. Teremos que apressar-nos, e eu não quero que a senhora a perca.
Pegou o frasquinho, contemplou-o atentamente por um instante e enfiou-o no bolso. Só depois disso respondeu à pergunta de Marshall.
É verdade, John. Assim que nossa nave pousar, temos que embarcar e decolar quanto antes. A polícia a seguirá até aqui. Talvez seria conveniente se realizássemos uma manobra de despistamento. Aguardemos para ver o que vai acontecer.
A Koos-Nor surgiu na periferia da cidade e passou a pouca velocidade pouco acima das últimas mansões. Dirigia-se diretamente para a floresta.
Rhodan viu perfeitamente os três ou quatro pontos reluzentes que se aproximavam dos lados e procuraram atacar a nave.
Era o que eu imaginava — disse. — Gucky, salte para dentro da Koos-Nor e informe o que puder ver. Dirigirei a nave de acordo com as indicações que você me fornecer. Entendido?
Perfeitamente! — disse o rato-castor e desmaterializou-se.
Perplexo, o conde Rodrigo fitou o lugar vazio deixado por Gucky e achegou-se a Laury. Para ele, a telepatia e a teleportação continuavam a ser uma bruxaria inconcebível, por mais que tentassem explicar-lhe os segredos desses dons.
Estou na sala de comando. Ativei os campos defensivos. Os aras estão atacando — Gucky fez uma ligeira pausa. Depois prosseguiu no seu relato: — Também liguei o receptor. O inspetor mandou que seus cruzadores entrassem em ação. Querem destruir a Koos-Nor. O que devo fazer?
Rhodan moveu a chave do aparelho de tele-direção. Marshall e Laury viram a nave descrever uma curva fechada e afastar-se em direção ao sol que já se encontrava no ocaso.
Avise assim que avistar o mar, Gucky. Continue na nave, aconteça o que acontecer. Para você, não haverá o menor perigo.
Sem que o quisesse, Rhodan falara alto, o que o conde, como não-telepata que era, apreciou muito. A resposta de Gucky, porém, veio em silêncio, tornando-se compreensível apenas para Rhodan, Marshall e Laury:
Perigo? O que vem a ser isso?
Rhodan sorriu, mas logo voltou a assumir um ar sério. Seguiu com os olhos as naves dos aras, que também corriam em direção ao sol. Uma surpresa estava reservada para estas.
Dali a menos de dois minutos, Gucky anunciou:
O mar está embaixo de mim.
Muito bem — respondeu Rhodan. — Você descreverá uma curva elegante e cairá para desaparecer sob a água. Amarre-se, para que nada lhe aconteça. Será exatamente dentro de dez segundos.
Gucky não deu resposta direta, mas Rhodan acompanhou seus pensamentos e ficou sabendo que o rato-castor havia compreendido e seguia suas instruções. Mais uma vez, a chave do aparelho de tele-direção foi acionada. A Koos-Nor, que se encontrava a mais de duzentos quilômetros de Perry, reagia a qualquer impulso, por mais ligeiro que fosse. Subiu quase na vertical, ficou parada por um instante e caiu que nem uma pedra.
Qualquer observador teria a impressão de que o mecanismo de propulsão e de direção havia falhado. E vários pares de olhos seguiram os acontecimentos com um máximo de atenção. Trinta segundos depois, Glogol ficou sabendo que o iate caíra ao mar juntamente com o piloto. Com isso, a fuga do falso inspetor fora cortada. Encontrava-se em algum lugar dentro da cidade.
Trulan foi fechada estrategicamente. Ninguém podia sair da cidade.
Outra busca foi iniciada, mais rigorosa que a anterior.
Os agentes e os contrabandistas que trabalhavam para os mercadores galácticos passariam daqui para frente por maus momentos.
5



Quando a Koos-Nor começou a cair, o corpo de Gucky perdeu o peso.
O rato-castor estava bem seguro no assento do piloto. O método de mergulhar uma nave espacial nas águas do mar não era novo. Para os ocupantes não representava nenhum perigo, desde que o casco não vazasse.
A nave bateu na superfície da água. Os campos de absorção reduziram a pressão do impacto a zero no interior da nave.
A nave está afundando! — transmitiu Gucky para Rhodan. Examinou as telas iluminadas, nas quais o verde foi assumindo tonalidades cada vez mais escuras. Depois de algum tempo, a tela tornou-se negra. — Já devo estar bem fundo.
Vou deter a nave — respondeu Rhodan — para que a pressão não se torne muito intensa. As naves que estavam atrás de você desapareceram. Se quiser pode voltar para junto de nós.
Não poderia ficar mais um pouco? Aí na floresta estamos completamente isolados do mundo exterior, mas aqui disponho do receptor. Posso ouvir as instruções de Glogol. Dessa forma saberemos que medidas pretendem tomar contra nós.
Rhodan hesitou um pouco, mas logo pensou:
Está bem. Mas dentro de exatamente trinta minutos você deverá estar aqui.
Gucky deixou o campo livre e bloqueou seu cérebro. Desatou os cintos e saltitou alegremente pelo corredor, dirigindo-se à despensa.
Até mesmo o estômago de um rato-castor vez por outra precisa de um reforço.
O rádio estava funcionando a todo volume. Os avisos dos grupos de busca chegavam ininterruptamente. Conseguiram localizar um esconderijo de contrabandistas, mas os criminosos lograram fugir sem serem reconhecidos. Alguém confirmou que Árcon havia enviado certo número de couraçados que bloqueavam Tolimon. Essa medida parecia superada, já que a nave do falso inspetor caíra ao mar. Todavia, sabia-se que o impostor não se encontrava no interior do iate. Ainda devia encontrar-se em Trulan juntamente com seu estranho criado.
Gucky cresceu uns cinco centímetros quando ouviu que também estava sendo citado nos comunicados oficiais.
Subitamente teve uma idéia.
Por que não iria deixar os tolimonenses e o tal do Glogol absolutamente seguros de que ele e Rhodan ainda se encontravam na cidade? Dessa forma as operações de busca se concentrariam ainda mais em Trulan, limitando-se a uma área restrita. Dessa forma Rhodan poderia aguardar calmamente em seu esconderijo até que chegasse a escuridão.
Não julgou necessário informar Rhodan sobre a decisão que acabara de tomar. Efetuou um salto cego em direção a Trulan. O fato de que havia quase quinhentos metros de água acima dele não o incomodava nem um pouco.
Gucky rematerializou-se no seu antigo alojamento situado na área dos cortiços, pois era o lugar que melhor podia evocar em sua lembrança. Nada havia mudado. Ao que parecia, o frogh que fora morto era a única criatura que conhecia o esconderijo.
O rato-castor foi até a janela e olhou para a rua. O lugar parecia abandonado. Havia apenas viaturas policiais correndo de um lado para outro, cuspindo verdadeiras legiões de policiais uniformizados, que penetravam rapidamente nas casas. Era de supor que nem mesmo um rato lhes poderia escapar.
Gucky concentrou-se sobre a Praça do Grande Mo, que ficava a cerca de um quilômetro de distância, e saltou.
A teleportação era uma capacidade estranha e excelente. Bastava pensar no ponto de destino, concentrar-se sobre o mesmo e desmaterializar-se, para vencer a distância sem a menor perda de tempo. Uma vez no destino, a gente voltava a rematerializar-se.
Foi o que Gucky fez.
Naturalmente o salto envolvia um grande risco. Era bem verdade que não havia o perigo de materializar-se no interior de outra porção de matéria. Mas se a gente voltasse ao espaço normal no meio de um grupo de inimigos, e se estes reagissem com suficiente rapidez...
Felizmente para Gucky, não o fizeram.
O rato-castor surgiu quase no centro da praça e viu-se rodeado por uma multidão de paisanos, olhando todos na mesma direção. O exército patrulhava a área, com as armas engatilhadas nas mãos. Tangendo os transeuntes para o interior das casas, as viaturas policiais corriam, com as sereias ligadas, pela larga via principal.
Gucky espreitou em torno. Encontrou olhares espantados, nos quais a compreensão começou a despontar aos poucos. Seu retrato devia ter sido espalhado por todos os cantos juntamente com o do arcônida.
Quando os primeiros dedos apontaram-no, Gucky começou a correr.
Logo o inferno ficou às soltas.
As pessoas corriam atrás dele, balbuciavam palavras desconexas e caíam por cima de obstáculos surgidos não se sabe de onde. Para Gucky não foi nada fácil livrar-se dos perseguidores com suas pernas curtas, ainda mais que a polícia já notara algo de estranho e quis saber a causa do tumulto.
É o criado do falso inspetor! — gritou alguém com a voz rouca e na corrida derrubou um policial. Por isso outro policial o segurou, impedindo-o de agarrar o fugitivo. Quando o engano foi esclarecido, Gucky já se encontrava na extremidade da praça.
O grito do paisano propagou-se pela multidão. As forças armadas começaram a agir imediatamente. O bairro foi bloqueado e uma busca geral foi iniciada.
Gucky preferiu não desaparecer pura e simplesmente diante das vistas dos tolimonenses. Deviam ter a impressão de que se escondera no interior da casa. Alguns saltos curtos não chamavam a atenção de ninguém, e valia a pena executá-los, mesmo que só o fizessem avançar alguns metros de cada vez.
Encontrou um espaço livre e atravessou a rua correndo, passando entre os veículos em movimento e os policiais exaltados. Antes que alguém compreendesse o que estava acontecendo, chegou até a frente dos prédios.
Agora tinha tempo.
Foi caminhando tranqüilamente, balançando o corpo, como se nada tivesse que ver com aquela caçada. Menos de dez segundos depois, voltaram a descobri-lo. Armas foram levantadas, gritos soaram, comandos foram berrados. Um oficial aproximou-se correndo.
Gucky descreveu uma curva elegante para a esquerda e desapareceu numa ampla porta. Quando viu que não havia mais ninguém por perto, teleportou-se para o telhado do edifício. Dali observou o resultado de sua ação por meio da telepatia. Avançou cautelosamente até a beira do telhado e olhou para baixo.
A área que se estendia diante da entrada do prédio parecia um campo de treinamento militar.
A notícia de sua aparição devia ter corrido com a velocidade do vento, pois naquele instante um carro aberto, vindo da praça, aproximou-se velozmente. Os freios chiaram e o inspetor desceu.
Glogol trouxera uma calça de reserva, pois mais uma vez os circunstantes contemplaram a figura colorida do almirante da frota espacial dos arcônidas. Brandindo o radiador, abriu caminho e viu-se diante do oficial que comandava as buscas.
Gucky “ouviu” cada palavra trocada lá embaixo.
Estava se referindo ao criado do falso inspetor? Onde está ele?
Fugiu para dentro deste prédio. Meus soldados estão à sua procura.
O prédio tem alguma saída pelos fundos?
Todas as saídas estão sendo vigiadas.
Glogol pigarreou.
Avise assim que consiga pôr as mãos no sujeito. Quero interrogá-lo pessoalmente.
Nós o prenderemos. Não pode estar longe. As pessoas que o viram dizem que se desloca com muita dificuldade. Trata-se de um animal de reduzido grau de inteligência, que devia estar no zoológico e não...
O oficial não conseguiu prosseguir.
Seu boné parecia ter sido agarrado por alguma mão mágica: desceu e cobriu-lhe o rosto. Subitamente viu-se no escuro. Glogol, que não compreendia mais nada, contemplou a feitiçaria, que naquele instante não poderia deixar de provocar seu espanto. Mas logo lembrou-se do que acontecera com sua calça. Olhou cautelosamente para todos os lados, guardou a pistola e usou ambas as mãos para segurar essa peça de sua vestimenta.
Parecia que tudo era possível naquele planeta maluco.
Deixe de tolices e procure aquele gatuno! — disse com uma calma surpreendente e voltou ao carro, deixando-se cair no assento com uma atitude de alivio. Nada mais lhe poderia acontecer. — E não se esqueça: eu o quero vivo.
O carro afastou-se.
O oficial pôs o boné em ordem, contemplou-o por alguns segundos, sacudiu a cabeça e voltou a colocá-lo. Correu para dentro do prédio suspeito, a fim de animar seus homens a trabalharem com maior disposição.
Uma coisa era certa: as pessoas que estavam procurando deviam estar por aqui.
E seriam encontradas!

* * *

Rhodan olhou para o relógio e franziu a testa.
Gucky já devia ter chegado. Os trinta minutos já passaram. Daqui a duas horas, começará a ficar escuro.
Deve estar ouvindo rádio — conjeturou Marshall. — Por isso, não é de admirar que bloqueie os pensamentos e se esqueça do tempo.
Tudo estava em silêncio em torno deles. Nos campos e nos prados, não havia uma única pessoa. As patrulhas policiais que andavam por entre as mansões de repente desapareceram em direção ao centro da cidade. Procediam sistematicamente, mas não se interessavam pela floresta.
Ao que parece, realmente acreditam que estamos em Trulan — disse Rhodan aliviado.
Marshall fechou os olhos e ficou “em recepção”. Não foi fácil cristalizar alguns impulsos definitivos em meio aos pensamentos que o atingiam e entendê-los. Mas conseguiu.
Novas diretivas! — cochichou como que para si mesmo. — Uma das pessoas procuradas foi vista na Praça do Grande Mo — de repente, abriu os olhos e fitou Rhodan com uma impressão de espanto. — Foi o criado do falso inspetor!
Rhodan suspirou.
É Gucky! Só pode ser ele. Seu aspecto é singular; não pode ser confundido com ninguém.
A não ser com outro rato-castor — obtemperou Marshall.
O único rato-castor que existe fora de Vagabundo, o planeta do sol moribundo, é Gucky. Só pode ter sido ele. Saiu da Koos-Nor e andou fazendo das suas — Rhodan ficou muito sério. — Esperem até que ele volte, que eu lhe digo o que acho do seu procedimento. É uma...
Pois não — piou Gucky com a consciência não muito tranqüila e recuou quando Rhodan se virou abruptamente em sua direção. — Apenas quis...
O que foi que você quis, Guck? — quando Rhodan omitia o y, isso era mau sinal. — Vamos logo, fale! Por que não seguiu minhas instruções?
Você mesmo disse em certa ocasião que, se eu conseguir alguma coisa boa com um procedimento arbitrário, sempre me perdoará.
Ah, é? E daí? Isso modifica alguma coisa no fato de você aparecer bem no centro de Trulan e tocar a polícia para cima de nós?
Pelo contrário, chefe, eu a toquei para um lugar em que não estamos. Para a Praça do Grande Mo...
Está bem, está bem! — disse Rhodan para encerrar o debate, pois já compreendera tudo. — Mas quero que no futuro você me informe sobre os trabalhos autônomos que pretende realizar. Qual foi o resultado dos seus esforços?
Fui visto no centro da cidade, onde estão revistando casa por casa. Ninguém pensa nesta floresta.
Rhodan olhou para a cidade. Não se via mais ninguém na zona periférica. Os comandos deviam estar a caminho das zonas centrais.
Voltou a dirigir-se a Gucky.
Está bem, meu caro. Vamos fechar um olho.
Por que não fecha os dois? — sugeriu Gucky.
Rhodan sorriu e voltou a sentar.
Vamos esperar até que escureça.

* * *

Depois do pôr do sol, o tráfego aeroespacial diminuía consideravelmente. Só vez por outra, uma unidade menor sobrevoava as zonas periféricas de Trulan e iluminava a área com seus holofotes.
Mesmo nas altitudes maiores, viam-se de quando em quando as luzes dos veículos atmosféricos. A frota do Império devia estar estacionada numa região mais afastada do espaço, a fim de capturar qualquer fugitivo que conseguisse romper o primeiro anel.
Rhodan contava com essa possibilidade quando, pela meia-noite, pegou o aparelho de tele-direção e ligou-o.
O conde Rodrigo estava dormindo. Laury, que estava deitada a seu lado, também dormia.
Aquelas duas criaturas parecem feitas uma para a outra”, pensou Rhodan, “mas várias eras os separam.
O que diria Rodrigo da Terra do século vinte e um? Conseguiria adaptar-se a ela?
Marshall se mexeu. Estava recostado no tronco de uma árvore. Gucky, que estava deitado no seu colo, cochilava e murmurava coisas incompreensíveis. Num momento assobiou baixinho e voltou a encolher-se.
Rhodan sorriu. Seus olhos já se haviam acostumado à escuridão. Percebia todos os detalhes. Os controles do aparelho de tele-direção emitiam um brilho suave. Lá estava ele com seu grupo, num planeta estranho e em meio a uma verdadeira malta de habitantes hostis, praticamente sem armas e contando apenas com a nave de luxo submersa.
Mas possuía aliados cujo valor excedia qualquer arma. Podia contar com Gucky, o mutante de três dons, e Marshall, o telepata, seu grande amigo. Quanto a Laury... bem, no momento não poderia contar muito com ela, mas afinal ela lhe conseguira o soro. E ainda havia o conde Rodrigo de Berceo, um homem muito hábil no manejo da espada.
Sem fazer o menor ruído, o iate de luxo desceu sobre a folhagem e pousou suavemente na pequena clareira.
Rhodan aguçou o ouvido para todos os lados e procurou estabelecer contato com qualquer cérebro que se achasse nas proximidades. Mas, por mais que se esforçasse, não encontrou nada. Ninguém percebera o fenômeno.
Deixou que seus companheiros dormissem e dirigiu-se à pequena nave que, naquela clareira, tinha o aspecto de uma gigantesca baleia. O envoltório prateado reluzia sob a luz das estrelas distantes. Estava molhado com a água do mar.
Rhodan abriu a escotilha externa. Só após isso, foi acordar os amigos.
Menos de cinco minutos depois, o planeta mergulhou no espaço e penetrou no dia eterno do infinito. Tolimon transformou-se numa foice prateada. Trulan era perfeitamente visível sob a forma de um diadema cintilante cravado na face noturna do planeta. Ainda continuavam a procurar o falso inspetor e seu estranho criado.
Rhodan fixou os controles e virou-se.
Rodrigo, a esta hora o senhor não pode fazer nada. Laury lhe mostrará seu camarote. Procure dormir. Não sabemos o que nos aguarda, e, por isso mesmo, é preferível que o senhor esteja descansado. Laury também pode ir para a cama.
Esperou que os dois se afastassem, acompanhados por um sorriso de Gucky. Marshall lançou um olhar indagador para Rhodan.
E nós?
Quero que fiquem aqui até que realizemos a primeira transição. Para isso precisamos desenvolver a velocidade da luz, que só será atingida dentro de dez minutos. Esses dez minutos representam a fase mais crítica do empreendimento. Marshall, ocupe os controles do desintegrador pesado e destrua qualquer atacante que se aproxime demais. Desde logo lhe dou permissão para abrir fogo.
Marshall confirmou com um gesto e dirigiu-se à cabine apertada do comando de fogo. Gucky seguiu-o com um olhar pensativo.
E eu? — lamentou-se. — O que é que eu vou fazer?
Deite e aguarde. Observe as telas. Manipule os controles de radar. Vendo qualquer nave se aproximar, avise-me. Como vê, há muita coisa a fazer. Se não estou enganado, daqui a pouco vai acontecer muita coisa.
Rhodan não estava enganado.
Na tela de radar, surgiu uma mancha verde e oval, que se aproximava obliqua-mente à linha de sua trajetória. Os algarismos desfilavam sobre os quadros luminosos retangulares, fornecendo indicações sobre a distância, a velocidade e as dimensões do objeto.
Rhodan parecia pensativo; fez “hum” e disse:
E um cruzador pesado. Será preferível darmos o fora quanto antes. No momento nossa velocidade é pouco inferior a 0,8 luz. Vai demorar mais um pouco. Que pena!
Marshall pode dar cabo dele — resmungou Gucky.
Rhodan sacudiu a cabeça.
Muitas missões já falharam porque os homens que as executavam superestimaram suas forças e habilidades. Não estou disposto a assumir este risco. Não estamos em condições de enfrentar um cruzador pesado. Teremos sorte se nosso campo repulsor agüentar, isto é, se o cruzador não o estourar na primeira tentativa.
Não quero ser estourado. Afinal, não sou nenhuma bolha de sabão — disse Gucky.
Não é mesmo — confirmou Rhodan com o rosto mais sério do mundo. Examinou os controles. — A velocidade é de 0,89 luz. Daqui a pouco estará na hora — pegou o microfone do intercomunicador. — Marshall, espere até que o inimigo abra fogo. Quando isso acontecer, responda imediatamente.
Combinado, chefe — respondeu Marshall tranqüilamente.
A nave também se tornou perceptível nas telas visuais. Era um dos veículos esféricos de duzentos metros de diâmetro que Rhodan incluíra nas unidades da classe Terra.
Rhodan não tinha o menor interesse em destruir uma nave do Império Arcônida, que já fora seu aliado e provavelmente voltaria a sê-lo.
0,94 da velocidade da luz. Faltavam poucos segundos.
Gucky já ligara o receptor. Girou os controles. Subitamente uma voz potente abafou todos os ruídos. Estava sendo transmitida em todas as faixas e era evidente que vinha da outra nave, que descrevia uma curva para adaptar sua rota à do iate.
O cruzador pesado e a Koos-Nor atravessavam o espaço lado a lado. De ambos os lados, as peças de artilharia estavam em posição de disparo, mas o gigante espacial ainda hesitava em partir para o ataque.
A voz tornou-se mais nítida.
...em nome do Império intimamos o senhor a fazer cessar imediatamente a aceleração. Renda-se, pois do contrário abriremos fogo. O regente do Império quer falar com o senhor. Responda!
Rhodan fez um sinal para Gucky. O rato-castor confirmou com um gesto e ligou o transmissor para a faixa adequada.
Então o cérebro robotizado de Árcon estava interessado em conhecer o arcônida que se atrevera a desempenhar o papel de inspetor. Rhodan sorriu, pois compreendia as razões que animavam a lógica do robô positrônico que controlava um império estelar. Para dar conta da tarefa quase impossível, a máquina precisava de recursos humanos, especialmente da iniciativa humana. Um arcônida que conseguisse enganar todo um mundo para passar por inspetor também seria capaz de executar tarefas positivas.
Por isso, o cérebro robotizado dera ordem para que o malfeitor não fosse morto. Rhodan poderia ficar tranqüilo. Em hipótese alguma o cruzador pesado abriria fogo.
Assim, sentiu-se bem mais calmo quando falou ao microfone:
Mensagem entendida. Quem é o senhor?
Fazia questão de ganhar tempo. No momento em que penetrasse no hiperespaço, estaria irremediavelmente fora do alcance de seus perseguidores. O compensador já havia sido ligado. Ninguém notaria o menor abalo do complexo espaço-temporal, portanto não seria possível localizá-los. O iate de luxo desapareceria nas profundezas do espaço intergaláctico sem deixar o menor vestígio.
Aqui fala RO-867, representante do regente. Renda-se!
Então era um robô! O cruzador pesado estava sendo dirigido por um robô de combate dos arcônidas. Isso tornava a situação muito mais fácil, pois um robô em hipótese alguma poderia afastar-se das diretivas fornecidas pelo regente. No homem, sempre havia o elemento da capacidade de decisão, que poderia proporcionar surpresas. Com um robô, as coisas eram diferentes. Depois de ter reconhecido os motivos que animavam o regente robotizado, Rhodan percebeu que sua vida não corria o menor perigo. O robô recebera instruções para capturá-lo vivo, e ele se ateria rigidamente a essas instruções, mesmo que dessa forma a presa lhe escapasse.
Preciso ter certeza de que o senhor não está blefando, RO-867. Forneça sua sigla de identificação.
O estratagema não era muito convincente, pois o velocímetro já indicava 0,98 luz. Faltavam apenas dez segundos.
Dou-lhe mais cinco segundos — disse o alto-falante.
No mesmo instante, vários relampejos surgiram na zona equatorial da outra nave.
Os feixes de raios ofuscantes cruzaram a trajetória da Koos-Nor, mas não produziram o menor efeito. Rhodan já não tinha tanta certeza: não sabia se aquilo eram disparos de advertência, ou se era um fogo mal dirigido.
Colocou a mão sobre a chave do dispositivo de hipersalto.
Faltavam dois segundos. Executariam um salto às cegas para outra dimensão. Voltariam a materializar-se em algum lugar, num raio de cem a duzentos anos-luz.
É tarde, RO-867! — disse com a voz tranqüila e puxou a chave.
O gigantesco veículo esférico desapareceu. No mesmo segundo, o lugar em que se encontrava foi ocupado por estranhas constelações, que antes não se encontravam lá.
Rhodan examinou uma escala.
Cento e vinte e três anos-luz — murmurou. — Conseguimos.
Gucky escorregou do sofá para o chão. Estava radiante.
Pois vamos para a Terra, chefe. Tenho que resolver um assunto com Bell. Foi por causa dele que em Vênus alguns colonos miseráveis...
Por enquanto nem pense na Terra — disse Rhodan, sacudindo a cabeça. — Temos que esperar mais um pouco. Você sabe o que aconteceu nos últimos seis decênios? Quem sabe se não estão em condições de determinar a localização dos saltos, mesmo que o compensador esteja ligado? Pois então! Se isso acontecesse, eles nos seguiriam e encontrariam a Terra. Vamos passar algumas semanas no espaço. Andaremos por aí e procuraremos um planeta isolado. De lá ficaremos captando os sons do Universo e esperaremos até que a situação fique mais tranqüila. O procedimento que adotamos em Tolimon deve despertar algumas lembranças nos bancos de dados do regente robotizado. Mais dia menos dia, o cérebro se lembrará de Rhodan.
Um mundo isolado? — Gucky contorceu a boca e fez desaparecer o dente roedor. — Onde será isso?
Em qualquer lugar — disse Rhodan e partiu para a segunda transição.

* * *

Depois de quatro transições executadas a esmo, a Koos-Nor materializou-se diante de um estranho sistema solar.
Uma gigantesca estrela vermelha estava acompanhada de um anão azulado que possuía um planeta próprio. A estrela principal tinha dois.
Um sistema solar geminado, cujos sóis só distavam poucos minutos-luz um do outro.
O receptor de rádio permaneceu mudo. Era quase certo que nessa parte do Universo não havia seres inteligentes. Por isso, era de supor que os três planetas não fossem habitados. Por enquanto não se poderia saber se o ser humano poderia sobreviver em algum deles.
Gucky lançou um olhar desconfiado para os dois sóis.
Rhodan leu seus pensamentos. Um sorriso amargo esboçou-se em seu rosto.
É isso mesmo, Gucky! Se qualquer desses planetas tiver um ambiente apropriado, passaremos por aqui nossas férias. Ninguém nos procurará nesta área. Assim que o ambiente estiver mais tranqüilo na Via Láctea, rastejaremos de volta à Terra.
O rosto de Gucky era um modelo de decepção.
Férias? Lá embaixo não deve haver cinema, nenhum Bell para chatear, nenhuma moça...
Não diga tolices! — Rhodan parecia contrariado. Ligou o aparelho de análises espectrais para examinar os três planetas. — Acorde o pessoal.
Gucky arrastou-se em direção à porta, olhou para o relógio e virou-se.
Por que vamos acordá-los? Nem tiveram tempo para dormir. Ao menos, Laury e o titio espadachim não tiveram.
Rhodan levantou a cabeça e lançou um olhar prolongado para o rato-castor.
Bloqueie sua mente quando quiser pensar uma coisa dessas, Gucky — disse em tom sério. — Laury é uma moça decente e o conde também...
Sim — disse Gucky e teve a cautela de ir até a porta, abri-la e sair ao corredor antes de prosseguir. — É uma moça decente, mas também é uma moça apaixonada.
Depois de dizer estas palavras, desapareceu.
Rhodan olhou para a porta fechada e aguardou pacientemente os resultados das análises espectrais automáticas dos três planetas.
Quando Marshall entrou na sala de comando, ainda sonolento, a decisão já havia sido tomada.
A Koos-Nor deslocava-se à velocidade da luz em direção ao planeta solitário do sol azul.
Gucky falou em férias — disse Marshall. — Será que o senhor estava falando sério?
É mais ou menos isso, John. Serão férias pagas. Ainda não sabemos quem vai pagar a conta. Faço votos de que não seja eu.
A porta voltou a abrir-se. Gucky entrou, segurando cautelosamente a espada do conde. Saltou para o sofá e colocou a arma assassina ao seu lado.
Atirou-a contra mim — murmurou com a voz preocupada. — Este conde é um homem muito esquentado. Afinal, eu não poderia saber...
Você não é telepata? — disse Rhodan com uma recriminação bem perceptível na voz.
Marshall disse em tom sarcástico:
Seu invejoso de uma figa!
Hum — chilreou Gucky e passou a dedicar um interesse surpreendente ao planeta que se aproximava.


* * *
* *
*






O acaso pode estragar o melhor dos planos.
Foi o que aconteceu em Tolimon, um dos mundos dos aras, onde Perry Rhodan, o pretenso inspetor de Árcon, subitamente se confronta com um fato novo: a existência do inspetor verdadeiro. Perry Rhodan e seus companheiros conseguiram deixar o perigoso planeta. Acontece que o mundo em que foram abrigar-se não é menos perigoso que este. Em Os Condenados de Isan, Perry volta a correr novos riscos.

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