segunda-feira, 18 de março de 2013

P-057 - O Atentado - Kurt Mahr[parte 2]

Está pronto, Mullon?
Nos poucos dias de prisão, Mullon já se acostumara ao fato de que os guardas julgavam o Mister um acréscimo supérfluo a seu nome.
Comprimiu pela última vez a fechadura da malinha que lhe haviam entregue para guardar seus reduzidos haveres. Fez um gesto afirmativo.
Venha comigo.
O caminho levou-os por corredores profusamente iluminados, mas sem janelas, por uma grade eletrônica e por um elevador antigravitacional que conduzia à rua.
Dos outros corredores vinham guardas com levas de prisioneiros. Mullon conhecia aqueles que pertenciam à Associação dos Democratas Autênticos. Não se cumprimentaram.
Na rua, os veículos-planadores se enfileiravam. Em cada um deles cabiam cinqüenta prisioneiros e um guarda. A deportação estava em pleno andamento.
A viagem ao espaçoporto durou apenas alguns minutos. Os prisioneiros demonstraram certo interesse diante da esfera de mil metros de altura, que os levaria ao destino longínquo.
O nome da nave era Adventurous.
Uma larga fita rolante levava do chão até uma enorme escotilha que se abria na parte inferior da nave. Os prisioneiros desapareciam aos grupos no interior dela.
Alguém se dirigiu a Mullon:
Este grupo seguirá para a direita. Subam pelo elevador antigravitacional até o convés E. Quando chegarem lá, alguém lhes indicará o caminho.
Mullon obedeceu. Sentia-se apático.
Por que se lembrava de Fraudy justamente neste momento? Por que martirizar-se justamente quando a porta da Terra se fechava definitivamente para ele?
Nos cinco dias em que se encontrara na cela, depois da prolação da sentença, Fraudy tentara visitá-lo cinco vezes. Sempre se recusara a sair da cela. Não queria trocar uma única palavra com Fraudy.
Teria agido corretamente?”, pensou indagando-se.
Preste atenção, homem! — gritou alguém para ele. — Nessa direção.
Mullon voltou-se na direção que lhe fora indicada. Caminhando no fim do grupo, caminhava por um corredor largo, comprido e bem iluminado.
O grupo dividiu-se várias vezes. Por fim havia apenas cinco pessoas além de Mullon. Todos eram democratas autênticos.
Um homem uniformizado lia os nomes e, assim que a pessoa respondesse, indicava um número.
Mullon.
Pronto!
Dois mil, cento e trinta e sete. É ali. O camarote 2.137 era o último, antes do cruzamento de dois corredores. A porta estava trancada, mas Mullon fora informado sobre a maneira de abri-la. Colocou-se bem em frente desta e aguardou até que o dispositivo automático refletisse sua imagem e a fizesse deslizar.
Atrás da porta havia um pequeno recinto guarnecido apenas com os móveis essenciais. Uma cama de dobrar, uma pia, uma mesa, duas cadeiras, um pequeno armário.
Tudo isso estava sendo iluminado por um tubo de luz fluorescente que corria na junção formada pelo teto e pela parede. Alguém havia ligado a luz antes que Mullon entrasse.
Este alguém estava sentado numa cadeira e fitava Mullon com uma expressão insegura e assustada. Havia um sorriso débil em seus lábios.
Fraudy!
Mullon ficou rígido de surpresa.
Fraudy levantou-se.
A coisa é muito simples — disse com um desembaraço do qual logo se notava que era forçado. — Fui eu que o meti nisso, e por isso quero passar pela mesma coisa que você. Em poucas palavras, ficarei a bordo e irei com vocês para Rigel III. Já não posso voltar. Ninguém mais pode sair da nave. Só resta saber se você quer ficar comigo. Se não, terei que alojar-me em outro lugar.
Demorou algum tempo até que Mullon conseguisse controlar-se o suficiente para poder dizer qualquer coisa. E as palavras que proferiu não pareciam muito lógicas nem refletidas.
Sua teimosa encantadora!
Por estranho que possa parecer, a permanência de Fraudy a bordo da Adventurous não exigiu outras formalidades. Até parecia que ela conseguira junto a uma autoridade muito importante a licença para acompanhar os condenados. Este fato provava que suas intenções eram sérias.
A Adventurous decolou assim que foi concluído o embarque dos condenados, que demorou um dia e meio.
Depois que Fraudy aparecera diante dele, Mullon parecia transformado. Subitamente compreendeu que as responsabilidades que lhe cabiam como chefe dos democratas autênticos não haviam terminado com a condenação. Era bem verdade que os democratas autênticos não existiam mais; mas havia quatro mil seres humanos que viam em Mullon a autoridade suprema.
Mullon conhecia Hollander e a ambição de que o mesmo era possuído. Sabia que o filósofo da natureza tentaria assumir o comando dos oito mil homens. E os democratas autênticos logo se deixariam dominar, se Mullon não se interessasse por eles.
Ao que parecia, a manutenção da ordem existente correspondia aos desejos dos juizes e dos funcionários incumbidos da execução da sentença. Tanto era assim que, quando Mullon pediu que lhe cedessem a grande cantina dos tripulantes, para realizar uma reunião, logo atenderam a seu pedido.
Convidou também os filósofos da natureza, nas Hollander mandou dizer que seus homens ainda não se haviam instalado convenientemente. A desculpa era tão esfarrapada que qualquer um perceberia imediatamente que os filósofos da natureza nem pensavam em renunciar a seu papel de grupo distinto.
Na reunião, Mullon aludiu a esta circunstância. Sem preocupar-se com os espiões dos filósofos da natureza que deviam estar infiltrados em seu grupo, recomendou o máximo de vigilância. Referiu-se a Hollander, dizendo que o mesmo era um homem que se encontrava sob a suspeita de não ter reconhecido a lei suprema que devia guiá-los naquela hora — a da estreita cooperação — por não querer desistir das pequeninas intrigas.
Mullon sugeriu que se elegesse uma comissão incumbida de elaborar um projeto de constituição. A proposta mereceu a aprovação dos presentes. Ainda propôs a criação de uma força policial, que durante o vôo cuidaria dos filósofos da natureza e, depois do pouso, tanto destes como do primeiro acampamento dos banidos. Esta proposta também foi aceita.
Finalmente Mullon procurou um sacerdote e um oficial do registro civil que estivesse entre os condenados. Não escondeu o fato de que agia assim movido por interesse particular. Antes de encerrar a reunião, celebrou seu casamento com Fraudy Nicholson.
O mais estranho era que os democratas autênticos, embora soubessem do papel desempenhado por Fraudy, desde logo a aceitaram como esposa de Mullon. Este não teve necessidade de lançar mão da autoridade de que se achava investido. Os boateiros já haviam espalhado entre os ocupantes da nave que Fraudy escolhera este destino para redimir-se da traição cometida contra Mullon.

* * *

Quando Mullon e Fraudy voltavam ao camarote, depois da reunião, um homem que ele nunca havia visto os esperava. Parado diante da porta fechada, segurava um envelope fechado.
É Mr. Mullon? — perguntou.
Mullon fez um gesto afirmativo.
Sou. E o senhor?
Isto não interessa. Mr. Hollander me mandou para que lhe entregasse esta carta.
Deu o envelope a Mullon e retirou-se.
Mergulhado em pensamentos, Mullon entrou no camarote atrás de Fraudy, enquanto abria a carta. Tirou a folha de papel dobrada três vezes e começou a ler. Fraudy viu que a expressão do rosto se alterava. Primeiro parecia perturbado, depois zangado, e finalmente contorceu-se num sorriso malévolo. Ao largar a carta, soltou uma gargalhada.
Hollander quer sua extradição — exclamou.
Minha extradição? — perguntou Fraudy em tom de espanto.
Aqui. Leia!
Fraudy pegou a carta e leu:

O Conselho dos Colonos Associados Livres (ao que parecia Hollander gostava tanto deste nome que continuava a usá-lo para designar os oito mil condenados) decidiu o seguinte: Miss Fraudy Nicholson, agente secreto do ditador Rhodan, deve comparecer perante um tribunal para ser julgada por traição à causa dos democratas autênticos e dos filósofos da natureza.
O Conselho dos Colonos Associados Livres intima aqueles que adotam o comportamento estranhável de abrigar essa mulher, a entregá-la imediatamente.
Ass. Hollander, Presidente do Conselho dos Colonos Associados Livres.

O que pretende fazer? — perguntou Fraudy assustada.
Mullon riu.
Vou dizer a Hollander que vá para o inferno juntamente com seu conselho associado. Pelo que conheço dos meus homens, todos concordarão comigo.
Mullon escreveu às pressas uma carta-resposta. Não usou palavras tão duras e terminantes como pretendera. Perguntou se Hollander não achava que para Fraudy seria castigo suficiente deixar-se deportar da Terra como todos os condenados, e se em sua opinião valia a pena que a união, tão necessária numa hora como esta, fosse minada por uma questão dessa natureza.
Meia hora depois da chegada da mensagem de Hollander, a carta foi enviada por um mensageiro especial. Este mensageiro recebeu instruções para aguardar a resposta de Mullon.
A resposta veio prontamente e foi do seguinte teor:

O Conselho dos Colonos Associados Livres tomou conhecimento de que Horace O. Mullon, antigo chefe dos democratas autênticos, desposou a agente secreto Nicholson, que está sendo acusada pelo Conselho. Face a isso o Conselho conclui que Horace O. Mullon se distanciou dos objetivos pelos quais se empenham tanto os filósofos da natureza como os democratas autênticos. Deve ser considerado inimigo da causa comum. O Conselho exige que também seja extraditado para ser julgado por um tribunal dos colonos.

Mullon sentiu-se perplexo.
Hollander quer briga — disse em tom pensativo. — Bem que gostaria de saber quais são suas intenções.

* * *

Mullon convocou cerca de cem dos democratas autênticos para deliberar face às duas cartas recebidas de Hollander. Conforme esperava, os homens ficaram de seu lado. Mas também não conseguiram adivinhar o que Hollander pretendia fazer.

* * *

O comandante Flagellan resolveu efetuar duas transições para vencer a distância enorme que separava a Terra de Rigel. Na altura da órbita de Urano, a Adventurous penetrou no hiperespaço, para emergir a meio caminho entre a Terra e Rigel.
Flagellan deixou passar vinte horas entre uma transição e outra. Queria ter certeza de que os geradores da nave tivessem restaurado o suprimento de energia antes de executar o segundo salto pelo hiperespaço. Flagellan era um comandante cuidadoso e responsável. Não poderia imaginar que justamente esse cuidado seria a causa do desastre.

* * *

A primeira redação do projeto de constituição, elaborado pela comissão especial, foi apresentada à assembléia. Mullon ficou satisfeito ao notar que mais de três mil e quinhentos, dos quatro mil democratas autênticos, haviam comparecido para assistir à leitura do projeto, participar dos debates e exercer o direito de voto. O interesse político estava bem vivo, o que para Mullon era um bom sinal.
Depois de uma hora de debates aprovou-se uma constituição provisória. Sabia-se perfeitamente que não valeria a pena fazer um trabalho definitivo, já que os filósofos da natureza insistiam em trilhar seu próprio caminho. Teriam de aguardar se, uma vez chegado a Rigel III, Hollander fundaria um Estado próprio ou não.
Segundo a constituição provisória, os destinos dos democratas autênticos seriam decididos por uma assembléia, composta de cem representantes eleitos por voto livre, universal e secreto. O presidente da assembléia, eleito por esta, exerceria as funções de chefe de Estado. Conforme ressaltou Mullon numa breve alocução final, esta decisão ainda apresentava certa conotação ridícula, mas depois de chegarem à nova pátria isso mudaria.
Fraudy não participou da reunião. Mullon recomendou-lhe que ficasse no camarote e não deixasse entrar ninguém.
Alguns homens, cujos camarotes ficavam na mesma área que o de Mullon, acompanharam-no. Conversavam sobre os resultados da votação. Todos — com exceção de Mullon — tiveram certeza de que este seria o primeiro presidente da assembléia.
Mullon repeliu a idéia com uma risada e esteve a ponto de enumerar os motivos pelos quais, na sua opinião, estava automaticamente excluído, quando viu a sombra de um homem que desaparecia na curva do corredor que ficava junto ao seu camarote.
É gente de Hollander!”, foi este o primeiro pensamento que lhe acudiu.
Sem dar a menor atenção aos companheiros espantados, correu em direção a seu camarote e aguardou impaciente até que a porta se abrisse. A visão que se lhe ofereceu foi terrível.
Fraudy havia desaparecido. Ao que parecia, defendera-se com todas as forças antes de ser seqüestrada.
Os homens de Hollander estiveram aqui! — gritou Mullon para seus acompanhantes. — Ainda cheguei a ver o último deles; foi para este lado. Levaram Fraudy!
O’Bannon, um dos colaboradores mais chegados de Mullon, foi quem compreendeu primeiro.
Vamos trazê-la de volta, Horace! — gritou. — Venham. O alojamento de Hollander fica no setor cinco. Cortaremos caminho. Este corredor leva diretamente para lá, enquanto os filósofos terão de descrever um círculo.
Ninguém hesitou. Correram pela galeria principal, até chegar à bifurcação à qual O’Bannon acabara de aludir.
O’Bannon não a atravessou. Parou num cruzamento, depois de ter percorrido cerca de três quartas partes do caminho.
Sua mulher deverá causar-lhes certas dificuldades — gritou com a voz ofegante. — Por isso não conseguirão avançar tão depressa como nós. Seria uma tolice se fôssemos parar diante da porta de Hollander. Dobraremos à direita aqui mesmo e com alguns passos estaremos no corredor principal, onde esperaremos por eles.
A sugestão foi aceita. Dali a dois minutos, chegaram ao lugar em que os dois corredores se encontravam num cruzamento profusamente iluminado. Os dois corredores estavam vazios. Por enquanto não se via o menor vestígio dos homens de Hollander.
Mullon contou suas forças. Eram apenas sete homens.
Estão chegando! — cochichou O’Bannon e retirou-se para o corredor lateral.
Deitado no chão, esticou a cabeça e observou. Depois espalmou por três vezes a mão direita para os que estavam atrás dele e mostrou mais dois dedos.
Mullon compreendeu. Eram dezessete pessoas. Seria uma luta difícil.
Mas as coisas nem ficaram tão ruins, graças à fúria de O’Bannon. Este ia levantando-se à medida que os homens de Hollander se aproximavam. Encolheu lentamente os joelhos e ficou de pé.
Levantou o braço e saiu em disparada para o corredor, gritando:
Vamos, rapazes!
Com a violência de um foguete, abriu um caminho de cinco metros nas fileiras dos inimigos totalmente perplexos.
Mullon e os outros logo o seguiram. Ouviam-se gritos estridentes sempre que os punhos terríveis de O’Bannon atingiam o alvo.
Antes que Mullon e os outros homens conseguissem entrar em ação, O’Bannon derrubou seis dos inimigos.
Os onze restantes, ainda dominados pelo susto, foram facilmente vencidos pelos homens de Mullon.
Libertada da brutalidade dos seqüestradores, Fraudy estava encostada à parede, chorando. Mullon abraçou-a e procurou consolá-la.
Sabia que vocês viriam — disse Fraudy. — Vocês são formidáveis. Obrigado, O’Bannon.
Um sorriso cobria o rosto largo de O’Bannon.
Dos homens de Hollander, que estavam mais ou menos conscientes, três, que ainda se conseguiam manter sobre as pernas, foram levados por Mullon.
Mullon achou que os três homens lhe poderiam servir de reféns. Além disso, queria apresentá-los a Flagellan, para provar que era Hollander quem vinha perturbando a ordem.
Mandou que um dos seus homens, chamado Wolley, fosse ao convés C para avisar Flagellan. O’Bannon disse:
Provavelmente o distinto cavalheiro nem se interessará por isto.

* * *

Os três prisioneiros foram trancados numa das salas destinadas às atividades comuns e mantidos sob estrita vigilância.
Wolley demorou a voltar. Quando finalmente apareceu, veio em companhia de dois homens pesadamente armados. Parecia abatido.
O senhor é Mullon? — perguntou um dos soldados em tom sombrio.
Sim. O que houve?
O senhor logo vai descobrir. O comandante Flagellan quer que o senhor compareça à sala de comando.
Mullon sentiu-se um tanto intrigado; olhou para Wolley.
O que houve, Wolley?
Wolley fez um gesto de recusa.
Hollander inventou um truque miserável, chefe. Acompanhe os homens. Flagellan explicará.
Mullon olhou em torno. Fitou O’Bannon, que se encontrava próximo a ele e acompanhara a conversa. Parecia que adivinhava as preocupações de Mullon.
Não se preocupe, Horace — disse. — Ficarei de guarda à frente da porta de Fraudy e cuidarei para que ninguém a leve.

* * *

Mullon nunca havia visto a sala de comando de uma nave espacial, mas imaginava que normalmente não estaria tão repleta de gente armada como desta vez.
Flagellan aproximou-se em atitude ameaçadora e disse em tom furioso:
Então é o senhor que pretende apoderar-se da nave à força para escapar à execução da pena! Fez um plano para dominar a tripulação e assumir o comando da Adventurous!
Por mais que a acusação o surpreendesse, Mullon manteve-se tranqüilo. Sacudiu a cabeça e, quando Flagellan fez uma pausa, disse:
Não sei quem lhe contou isso; apenas sei que é mentira. Ninguém de nós jamais concebeu uma idéia destas.
Sem tirar os olhos de Mullon, Flagellan fez um gesto e disse:
Tragam os prisioneiros!
Mullon viu uma porta abrir-se. Quatro homens algemados foram empurrados pela mesma.
Conhece estes homens? — perguntou Flagellan.
Mullon nunca os havia visto.
Não — respondeu.
Ah, é? — disse Flagellan, respirando com dificuldade. — Como é que estes homens o conhecem tão bem?
Isto não quer dizer nada — respondeu Mullon em tom seco. — Qualquer tripulante desta nave conhece o senhor, mas nem por isso o senhor conhece todos os tripulantes.
Por um instante Flagellan ficou sem fala.
Voltou-se para os homens algemados.
A que grupo pertencem vocês? — perguntou. — São democratas autênticos ou filósofos da natureza?
Somos democratas autênticos — responderam os quatro a uma voz.
E por que andaram espionando perto da sala de comando?
Um dos homens respondeu:
Queríamos descobrir quantos homens costumam permanecer na sala de comando, quando é feito o revezamento e de que lado é mais fácil penetrar na sala.
Por que estavam interessados em descobrir isso?
Porque Mullon elaborou um plano para apoderar-se da nave.
Flagellan voltou a dirigir-se a Mullon. Falou em tom exultante:
Então, o que me diz?
Que isto não passa de uma palhaçada — respondeu Mullon tranqüilamente. — Mande interrogar meus homens. Eles lhe dirão que estes prisioneiros não são democratas autênticos.
É claro! — disse Flagellan em tom de escárnio. — Seus homens foram preparados.
Mullon reprimiu a cólera.
Sinto muito que o senhor não tenha acompanhado atentamente o processo que resultou em nossa condenação — disse. — Do contrário saberia qual das duas entidades é a mais perigosa. Desde o início, os filósofos da natureza procuraram enganar os democratas e, ao que parece, encontraram um homem que os ajudará a fazê-lo: o senhor.
Vejo-me obrigado a detê-lo, Mr. Mullon — disse Flagellan em tom rígido. — Garanto-lhe que farei tudo para que haja justiça. O caso será examinado e, se apurarmos que o senhor sofreu uma injustiça, pedirei desculpas. O senhor há de compreender que, como responsável pela segurança da nave, tenho que certificar-me de que o senhor não nos causará problemas.
Mullon fez um gesto afirmativo.
Se acha que deve fazer isso, fique à vontade — murmurou.
Mullon foi levado ao camarote que se parecia muito com aquele que ocupava juntamente com Fraudy.
Milligan trancou Mullon e postou-se diante da porta.
Se precisar de alguma coisa, bata — disse. — Se puder, arranjarei.
Mullon agradeceu. A porta fechou-se e o prisioneiro viu-se a sós. Resolveu refletir sobre os estranhos truques de Hollander e sobre a finalidade dos mesmos.
6



Mullon passou algumas horas monótonas, preenchidas apenas com reflexões estéreis.
Começou a interessar-se em saber quando Flagellan iniciaria a investigação contra ele. Estava prestes a bater à porta para chamar Milligan quando ouviu um estranho ruído, vindo do lado de fora.
Mullon, que nunca havia visto uma nave espacial do lado de dentro, não sabia que as paredes e as portas dos camarotes absorviam perfeitamente o som, e que aquilo que estava ouvindo era o uivo estonteante das sereias de alarma.
Só o percebeu quando a porta se abriu.
Venha comigo! — gritou Milligan, superando o ruído das sereias. — Alguma coisa está sendo tramada na sala de comando. Tenho de ir até lá.
Mullon obedeceu; correu atrás de seu guarda.
O corredor percorrido terminava numa pequena alameda. Havia ali uma série de portas que davam para a sala de comando. Essas portas estavam escancaradas, e via-se ao primeiro relance o que estava acontecendo lá dentro.
O corredor e a sala de comando achavam-se repletos. Segundo as normas prevalentes na nave, aquelas pessoas nada tinham que fazer por ali. Na parte dos fundos da sala de comando estava sendo travada uma luta. Mullon percebeu os raios ofuscantes saídos das armas térmicas e os gritos dos feridos.
Ao que parecia, Milligan não pretendia outra coisa senão entrar na confusão. No momento em que saiu de trás da parede, de onde ele e o prisioneiro haviam observado o interior da sala de comando, Mullon segurou-o pelo braço.
Fique aqui, seu idiota! — chiou. — Não vê que está chegando tarde?
Milligan mexeu furiosamente na arma de radiações.
Esta gente é de seu grupo? — perguntou com a voz zangada.
Mullon sacudiu a cabeça.
Não; são os filósofos da natureza. E, pelo que vejo, praticamente já conquistaram a sala de comando.
Milligan praguejou e voltou a abrigar-se atrás da parede.
Mullon procurou calcular o número dos filósofos da natureza que participavam do ataque. Deviam ser cerca de quinhentos.
A tripulação da nave era composta de cento e cinqüenta homens, três quartos dos quais ocupavam algum posto fora da sala de comando. Hollander devia ter conseguido chegar com toda sua tropa à sala de comando sem que ninguém o percebesse. Depois não houve mais nenhuma dificuldade.
Mullon viu um grupo de cerca de cem filósofos da natureza sair da sala de comando com as armas de que se haviam apoderado e penetrar num dos corredores principais, que saíam pelo lado esquerdo da alameda.
Os outros iniciaram a limpeza da sala de comando. Mais precisamente, arrastaram os feridos para fora e colocaram-nos na alameda. Mullon notou que para cada homem uniformizado havia cerca de quatro filósofos da natureza feridos. Ao que tudo indicava, os homens de Flagellan se haviam defendido valentemente.
Por estranho que parecesse, não havia mortos. Talvez o ataque não tivesse acarretado perda de vidas — o que Mullon não acreditava — ou então, os filósofos da natureza estavam retirando os mortos por outra porte, para não mostrar tão abertamente a infâmia que haviam cometido.
De qualquer maneira, haviam conseguido o que queriam: a sala de comando encontrava-se nas mãos deles.
Mullon achou que estava na hora de retirar-se. Bateu levemente no ombro de Milligan e cochichou:
Vamos dar o fora! Aqui não podemos fazer mais nada.
Milligan, que até então se mantivera agachado, levantou-se e saiu andando na frente de Mullon. Os dois homens atingiram o corredor mais próximo sem que ninguém os perturbasse e, ao chegarem junto ao elevador gravitacional, confabularam sobre o destino que deveriam tomar.
Fique conosco — sugeriu Mullon. — Será o mais seguro.
Milligan concordou. Subiram pelo poço lado a lado.
Mullon procurou reconstituir mentalmente a idéia que servira de ponto de partida aos filósofos da natureza:
Hollander talvez tivesse mandado que quatro dos seus homens fossem até a sala de comando, instruindo-os a fazerem tudo para despertar a atenção. Os quatro logo foram presos. Ao serem interrogados, provavelmente depois de muita ‘relutância’, confessaram que eram democratas autênticos e pretendiam descobrir a maneira mais fácil de entrar na sala de comando. Flagellan não encontrou nenhum motivo para desconfiar das declarações deles. Mandou chamar-me e prendeu-me.”
Era nisso que consistia o estratagema psicológico de Hollander. A partir do momento em que Mullon estava preso, Flagellan pensou que o complô fora desmantelado e que nenhum perigo ameaçava a sala de comando.
A vigilância foi reduzida e Hollander atacou. Empregou quinhentos homens na operação. Só mais tarde saberia como Hollander conseguira levar quinhentos homens à sala de comando sem que ninguém o percebesse. Não havia a menor dúvida de que havia conseguido; e ainda não havia dúvida de que, a essa hora, os filósofos da natureza comandavam todos os mecanismos que serviam para controlar a nave.
Mullon lamentou-se porque a idéia não lhe havia ocorrido antes.
Convocou uma assembléia geral. Receava que os homens demorassem demais em comparecer, por isso chamou desde logo os elementos mais importantes, em número de quinze, e conferenciou sobre a situação.
Na minha opinião — disse, resumindo suas impressões — no momento não podemos fazer muita coisa. Por enquanto o mais importante é avaliarmos a situação. Conheço “nosso amigo” Hollander e sei que dentro em breve teremos notícias dele. Não é um homem que gosta de esconder seus trunfos.
Talvez você tenha razão — admitiu O’Bannon. — Mas o que será feito da nave? Acho que Milligan nos poderá esclarecer: uma pessoa que controla a sala de comando controla automaticamente toda a nave?
Milligan sacudiu a cabeça.
Não. O caso é o seguinte: todas as operações da nave são reguladas a partir da sala de comando. Se o comandante aperta um botão, uma máquina começa a funcionar na sala de máquinas. A sala de máquinas e a sala de comando dependem uma da outra. Uma não pode fazer nada sem a outra. Acontece...
O’Bannon interrompeu-o com um gesto.
Acontece — completou — que em sua opinião Hollander também sabe disso e neste meio tempo já fez das suas na sala de máquinas. Não é isso?
Exatamente — confirmou Milligan.
Mullon soltou um gemido.
Meu Deus, Milligan! Está lembrado do grupo de cerca de cem homens armados que saiu da sala de comando?
Milligan lembrava-se.
Aposto qualquer coisa que Hollander os mandou à sala de máquinas. Quantos homens costumam ficar por lá?
Cerca de cinqüenta.
Então o trabalho desses cem homens foi fácil.
Milligan confirmou com um gesto triste. Mas, ao que parecia, Mullon acabara de recuperar a coragem.
Neste caso, sabemos perfeitamente o que devemos fazer. Temos de conformar-nos com o fato de que Hollander conseguiu dominar a nave. Por enquanto não sabemos se entre seus homens existe algum piloto, ou se capturou prisioneiros que possam ser obrigados a conduzir a nave ao lugar desejado por ele. Não demoraremos em descobrir. Mas há uma coisa que já sabemos: Hollander tem armas. E é um sujeito sem escrúpulos. Tentará subjugar-nos. Portanto, também devemos arranjar armas.
Olhou em torno. A lógica do argumento convencera todo mundo; mas pelos rostos dos circunstantes percebeu que ninguém achava que apenas a lógica seria uma receita para a situação.
E onde vamos arranjá-las? — perguntou O’Bannon.
Não acredito que Hollander tenha conseguido dominar todos os tripulantes. Precisamos descobrir os homens que ainda estão livres e traze-los para cá, juntamente com suas armas.
Subitamente Milligan teve uma idéia.
No convés K existe um observatório astronômico. É guarnecido por quatro pessoas. Via de regra os leigos não sabem de sua existência. É bem possível que tenha passado despercebido a Hollander.
Será que o senhor poderia ir até lá com alguns homens? — perguntou Mullon.
Milligan confirmou com um gesto entusiástico.
É claro que sim. Se formos pelo elevador central, não demoraremos em chegar lá.
Vários homens estavam dispostos a acompanhar Milligan. Escolheu O’Bannon e Wolley.
Mullon ficou para trás e tomou suas providências. Seus primeiros cuidados foram dedicados às mulheres. Deviam ser transferidas para setores que ficavam fora das prováveis linhas de ataque de Hollander e o mais longe possível dos alojamentos dos filósofos da natureza.
Aproximadamente a metade dos democratas autênticos era formada de mulheres, a maior parte na faixa dos vinte aos trinta anos. Mullon pediu a Fraudy que informasse as mulheres e formasse um comitê que organizasse a mudança. Os homens não poderiam ser desviados para essa tarefa, pois o ataque de Hollander poderia ser desfechado a qualquer momento.
A assembléia geral reuniu-se. Mullon relatou em palavras lacônicas o que havia acontecido.
Numa resolução enérgica a assembléia desaprovou os atos de Hollander, manifestou seu apoio ao comandante, do qual ninguém sabia se ainda estava vivo, e intimou Hollander a devolver a Flagellan o comando da nave.
Ninguém achou que a resolução resolveria muita coisa. Mullon pediu ao mensageiro que não se dirigisse ao acampamento de Hollander. A resolução deveria ser entregue ao primeiro filósofo da natureza com que se encontrasse. Afinal, havia três membros da seita que se encontravam em poder dos democratas autênticos, e Hollander não teria escrúpulos em transformar um simples mensageiro num refém.
Mas nem houve tempo para tomar essas providências. No mesmo instante em que o mensageiro pretendia pôr-se a caminho, os homens que montavam guarda do lado de fora introduziram no recinto um filósofo da natureza, que trazia uma mensagem de Hollander. Conforme correspondia ao gênio de Hollander, o mensageiro recebera ordens para não esperar resposta. Mullon limitou-se a entregar-lhe o texto da resolução.
A carta de Hollander foi lida perante a assembléia. Seu texto correspondia exatamente ao que se esperava face ao relato de Mullon:

Um grupo de combate dos filósofos da natureza conseguiu eliminar a tripulação da Adventurous. Ocupamos agora a sala de comando e de máquinas.
O Conselho dos Colonos Associados Livres nomeou Walter S. Hollander comandante da nave. O comandante declara que a partir deste momento a nave se encontra em estado de emergência. As ordens serão dadas única e exclusivamente pelo comandante, e qualquer desobediência às mesmas será considerada como motim.

Mullon colocou a carta sobre a mesa e olhou os presentes.
Então já sabemos a quantas andamos — disse em tom tranqüilo. — Hollander quer submeter-nos ao poder de sua chibata. A próxima mensagem, que receberemos dele, deverá consistir numa série de ordens que em hipótese alguma poderemos cumprir. Depois invocará o estado de emergência e nos prenderá.
Se até lá não tivermos arranjado armas, teremos de esconder-nos. Mas espero que nesse meio tempo os remanescentes da tripulação oficial se juntem a nós. Depois faremos o possível para perturbar os desígnios de Hollander.
Ao se retirarem, os homens pareciam pensativos. Naquele mesmo instante foram formados vários grupos de combate que, segundo a opinião de Mullon, deviam operar quase independentemente um do outro.
Milligan só voltou dali a cinco horas. Em sua companhia vinha O’Bannon, que trazia um olho roxo, Wolley, com uns fortes arranhões no rosto, e os quatro homens do observatório astronômico.
O’Bannon estava num excelente humor.
Mostramos uma coisa a eles! — exclamou. — Alguns dos homens de Hollander procuraram deter-nos no momento em que pretendíamos entrar no elevador central. Apenas um deles carregava uma arma, e este sentiu a força de meu punho antes que pudesse puxar o gatilho. Vejam só que linda arma consegui!
Tirou a arma do bolso e levantou-a. Era um microrradiador do tipo usado pelos oficiais.
Milligan apresentou seu relatório a Mullon.
Nos conveses E, F e G, o movimento é grande. Mais em cima reina calma. Por lá ficam os depósitos, e provavelmente Hollander não está interessado nos mesmos. Foi como disse: não se lembrou do observatório. Os homens, que acabo de trazer, ficaram um tanto confusos quando lhes contei o que aconteceu. Tive muito trabalho em convencê-los.
Encontrou algum homem de Hollander enquanto vinha para cá?
Milligan sacudiu a cabeça.
Não. Por enquanto só avançaram até o setor três. Mas descobri outra coisa.
O que foi?
Mais sete tripulantes. Estavam nos depósitos, onde realizavam a inspeção de rotina. Explicamos-lhes o que aconteceu, e eles logo se mostraram dispostos a descer conosco. Mas O’Bannon foi de opinião que devíamos voltar separados, pois um grupo grande sempre chama mais a atenção do que um grupo pequeno. Devem chegar a qualquer momento.
São doze armas ao todo — disse Mullon em tom exultante. — O suficiente para atrapalhar a vida de Hollander. Descobriu o que aconteceu com os outros tripulantes?
Milligan fez um gesto afirmativo. Subitamente uma expressão sombria surgiu em seu rosto.
Pergunte a O’Bannon. Ele poderá informar.
Mullon lançou um olhar espantado para O’Bannon.
Diga logo!
Bem, foi o seguinte — principiou O’Bannon. — Procuraram deter-nos no momento em que pretendíamos entrar no elevador central. Como já disse, só um deles carregava uma arma, e este colocou-se ao alcance dos meus punhos.
Conversei um pouco com ele. No princípio não quis falar, mas afinal, temos nosso sistema... Em resumo: Flagellan e três oficiais da equipe técnica estão mortos. Aconteceu na sala de comando. Não quiseram entregar-se enquanto tinham uma arma na mão. E Hollander não perdeu tempo.
De resto, correu muito pouco sangue, por causa de um truque de que Hollander se valeu. No momento do assalto havia vinte homens na sala de comando, uns cinqüenta na sala de máquinas e cerca de dez em outros pontos da nave. Logo, sobravam setenta, que se encontravam nos alojamentos. No momento em que ouviram o alarma, não obtiveram outras instruções. Por isso correram para a sala de comando.
Hollander sabia qual era o corredor pelo qual procurariam atingir a sala de comando e ali postou alguns homens que facilmente conseguiram controlá-los com as armas. O grupo teve de recuar e procurou atingir a sala de comando por outro lado. Escolheram o caminho mais curto: a mapoteca. Hollander mandou trancar uma das escotilhas e postou seus filósofos atrás das armações dos mapas e microfilmes. Assim que os homens haviam entrado na armadilha, a outra escotilha também foi fechada. Depois não tiveram outra alternativa senão entregar-se.
Na sala de máquinas foi travada uma luta violenta, mas só houve dois feridos graves. Os outros renderam-se quando viram que não receberiam auxílio e a situação se tornou desesperadora. É só.”
Naquele momento houve certo tumulto entre os homens. Estes abriram alas e deixaram passar sete homens uniformizados, que pararam à frente de Mullon e olharam em torno um tanto perplexos. Só pareciam mais aliviados quando viram Milligan e os quatro homens do observatório.
Não se preocupem — disse Mullon. — Não queremos enganá-los. Oferecemos-lhes refúgio. Hollander anda atrás de qualquer pessoa que use uniforme. Querem ficar conosco?
Um dos homens, um sargento, foi o porta-voz dos demais.
Conheço Milligan — disse. — Se ele diz que viu Hollander atacar a sala de comando, então é verdade. Milligan ainda diz que os democratas são inimigos dos filósofos da natureza. Por isso teremos o maior prazer eu ficar aqui e fazer o que pudermos.
Mullon sentiu-se satisfeito.
Está bem. Acho que precisaremos dos senhores. Em primeiro lugar, porque conhecem a nave, suas instalações e sua carga. Depois, precisamos de armas. Quero pedir-lhes que respondam a uma pergunta. Querem colocar suas armas à disposição da comunidade, para dar-nos apoio contra Hollander, ou preferem ficar com elas?
O sargento ergueu os ombros.
Se acredita que seus homens sabem lidar com as armas, teremos o maior prazer em entregá-las.
Obrigado. Encontraram-se com gente de Hollander enquanto vinham para cá?
Vimos alguns de longe. Mas, como Milligan nos preveniu, tivemos cuidado. Não acredito que nos tenham visto.
Onde foi?
No convés F, setor um. Mullon soltou um assobio.
É bem em cima de nós. Não viu o que estavam fazendo?
Não senhor.
Posso imaginar — interveio Milligan. — Um deles descobriu que os condutos de ventilação permitem a passagem de um homem não muito corpulento. Provavelmente querem descer por lá e atacar-nos pelas costas.
Mullon exaltou-se.
Onde viu aqueles homens?
O sargento não se lembrou do lugar exato, mas um dos homens sabia:
No setor F-l-XIV, seção g.
Essa designação correspondia à décima quarta parcela do convés F, que ficava a cerca de dois terços da distância do centro da nave à periferia.
Não acredito que Hollander nos ataque antes que tenha um motivo para isso — disse Mullon. — Provavelmente não demorará em obrigar-nos a dar-lhe esse motivo. Quando isso acontecer, bastará que seus homens desçam pelos condutos de ventilação para que fiquemos entre dois fogos.
O’Bannon sugeriu que subissem ao convés F e caíssem nas costas dos homens de Hollander. Mas Mullon recusou. Não queria dar início às hostilidades.
Dali a pouco chegou outro mensageiro dos filósofos da natureza, que trouxe um escrito lacônico no qual se exigia a entrega imediata dos três prisioneiros, de Fraudy e principalmente de Horace O. Mullon, que era o instigador do tumulto, na expressão de Hollander.
O mensageiro teve de ouvir uma risada de escárnio e foi mandado de volta.
Milligan observou o mensageiro que se afastava rapidamente como se fosse um animal pré-histórico.

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