Autor
CLARK
DARLTON
Tradução
RICHARD
PAUL NETO
Digitalização
PESCADO
NA NET
Revisão
ARLINDO_SAN
Finalmente chegou a grande hora do
pequeno Gucky
— e o sargento Harnahan descobre
uma coisa inacreditável.
Estamos
no ano de 1.983. O conflito entre a Terceira Potência e os
mercadores galácticos deslocou-se para o planeta de Goszul, um mundo
que se faz de louco para expulsar de vez a frota dos mercadores...
A
história da Terceira Potência em poucas palavras:
— 1.971
— O foguete Stardust chega à Lua, e Perry Rhodan descobre a nave
exploradora dos arcônidas, que lá realizou um pouso de emergência.
— 1.972
— A Terceira Potência é instalada apesar da resistência
conjugada das grandes potências da Terra e repele tentativas de
invasão extraterrena.
— 1.975
— Primeira intervenção da Terceira Potência nos acontecimentos
galácticos. Perry Rhodan se defronta com os tópsidas no setor de
Vega e procura solucionar o mistério galático.
— 1.976
— Perry Rhodan chega ao planeta Peregrino a bordo da Stardust-III,
e juntamente com Bell alcança a imortalidade relativa — mas perde
mais de quatro anos.
— 1.980
— Perry Rhodan regressa à Terra e luta pela posse de Vênus.
— 1.981
— O ataque do Supercrânio representa a provação mais difícil
que a Terceira Potência já experimentou.
— 1.982
— Os mercadores galácticos descobrem a Terra...
=
= = = = = = = Personagens Principais:...= = = = = = =
Perry
Rhodan
— Comandante da Stardust e administrador da Terra.
Reginald
Bell
— Amigo e confidente de Perry Rhodan.
Sargento
Harnahan
— Que tem na solidão do espaço um encontro marcado pelo destino.
Borator
— Que vê cair em mãos estranhas a obra de sua vida.
Topthor
— Patriarca dos “superpesados”.
Tako
Kakuta,
Kitai
Ishibashi,
Tama
Yokida
e John
Marshall
— Um comando que terá muito trabalho, mesmo depois da libertação
do planeta.
1
Os raios
de sol que penetravam pelas janelas amplas da grande sala eram
refletidos pela superfície da mesa comprida em torno da qual estavam
sentados treze homens. Esses homens tinham várias coisas em comum,
que revelavam pertencerem eles ao mesmo grupo.
Todos
tinham barba espessa, que cobria metade do rosto. Sob as sobrancelhas
hirsutas via-se um par de olhos em que havia uma expressão de
austeridade misturada com um ligeiro abatimento, e que emitiam um
brilho de orgulho disfarçado, que talvez chegasse à presunção.
Ainda tinham em comum o grande nariz e os lábios estreitos que se
estendiam por cima de um queixo barbudo.
As enormes
cabeças assentavam sobre corpos que naquele instante pareciam
encolhidos, não revelando a força que costumavam encerrar. Os
punhos robustos descansados sobre a mesa pareciam ter perdido a
energia que lhes era peculiar.
Eram os
antigos donos do mundo que, derrotados, aguardavam o homem que os
subjugara.
O
patriarca Ragor, que ainda continuava a ser o governador do planeta
de Goszul, estava sentado no centro do grupo de treze homens. Tal
qual os outros, fugira para o interior do edifício abandonado do
governo, quando o flagelo do esquecimento fez com que os nativos se
rebelassem, e os comandantes das naves da frota dos saltadores
fugissem em pânico, submetendo o planeta de Goszul a uma quarentena
de cinqüenta anos.
Ao que
tudo indicava, os saltadores, também conhecidos como mercadores
galácticos, haviam perdido uma base importante.
Ragor
pigarreou.
— Eles
nos fazem esperar muito — observou em tom sombrio, procurando
disfarçar a impaciência através de uma fingida calma exterior.
— É o
direito do vencedor — disse seu vizinho, um gigante de cabelos
escuros e maxilares salientes. — Não podemos sair do edifício;
temos de esperar. Não nos deixam outra alternativa.
— Em
compensação temos tempo para pensar — resmungou Ragor, cerrando
os punhos. — Ocuparam o posto de comando de nossos robôs; isso nos
deixa indefesos. Somos apenas treze e temos um mundo contra nós.
— Um
mundo que dominávamos — murmurou um gigante de cabelos escuros em
tom profético. — Que condições nos serão impostas pelos
goszuls?
Ninguém
respondeu. No corredor ouviram-se passos. A porta foi aberta e três
homens entraram na sala, acompanhados por um robô de mais de dois
metros de altura que, sem receber qualquer ordem nesse sentido,
assumiu seu posto junto à porta.
Os
recém-vindos eram muito diferentes dos treze homens que se mantinham
à espera. Eram homens como eles, mas distinguiam-se pela pele
vermelha. Além disso, faltava neles a barba e o aspecto grosseiro do
corpo. Eram esbeltos, quase delicados, embora fossem do mesmo tamanho
dos saltadores. Até então pertenciam a uma raça desprezada, a dos
nativos daquele mundo, mas de uma hora para outra viram-se
transformados nos senhores e pela primeira vez defrontavam-se com os
antigos governantes na qualidade de vencedores. Seus rostos eram
francos e simpáticos. A alegria pela liberdade recém-conquistada
sobrepujava o orgulho da vitória. Os trajes simples davam mostras do
estado primitivo de sua civilização, para cujo rebaixamento os
antigos dominadores haviam contribuído bastante. Com o auxílio de
um exército de robôs submissos os saltadores subjugaram e
exploraram o planeta de Goszul, até que um dia surgiu a epidemia que
atacou sete dos governantes, colocando-os fora de ação. Os doentes
continuavam no hospital, com o rosto coberto de manchas coloridas e a
memória apagada. O medo da contaminação fizera com que os demais
governantes se reunissem. Mas no momento em que quatro naves
estranhas pousaram no planeta e colocaram fora de ação o exército
de robôs, não lhes restou outra alternativa senão a capitulação.
As quatro
naves continuavam no grande campo de pouso espacial. Eram naves de um
tipo que nunca antes havia pousado naquele mundo. Tratava-se de
gigantescas esferas com oitocentos e duzentos metros de diâmetro.
Foram elas que intervieram na luta.
Ragor
fitou os três homens com os olhos semicerrados e não fez menção
de levantar-se. Com um movimento indiferente apontou para as cadeiras
livres que se encontravam do outro lado da mesa. Sabia que os goszuls
eram os vencedores, mas não aceitava a idéia de que os mesmos o
tivessem subjugado pessoalmente.
Estava
redondamente enganado.
Os três
homens continuaram de pé. O velho telepata Enzally, que se
encontrava no centro do grupo, investigou os pensamentos dos
governantes. Ao lado da resignação encontrou sinais de resistência
e de esperança secreta. No momento não pôde constatar no que se
baseava essa esperança.
Por
enquanto Ralv, chefe da rebelião contra os saltadores e futuro chefe
do governo do planeta unido, mantinha-se em atitude de expectativa.
Deixou as primeiras palavras por conta de Enzally.
O terceiro
homem do grupo não era goszul.
Tinha pele
morena, e a altura de sua figura magra excedia a de Enzally e Ralv
por mais de dez centímetros. Nos seus olhos não havia o brilho
mortiço produzido pelos anos de medo e escravidão; bem ao
contrário, os mesmos fulguravam com a consciência da força e do
poder e a certeza de uma imensa superioridade mental. Os treze
governantes não conheciam o uniforme simples que aquele homem
trajava. Nunca o haviam visto naquele planeta.
Só havia
uma explicação: aquele homem não era um nativo. Viera numa das
quatro naves, pertencendo à raça que havia infligido a derrota aos
saltadores.
Ragor
chegou à mesma conclusão, que não o deixou muito feliz.
Sentir-se-ia
ainda menos feliz se soubesse que se encontrava diante de Perry
Rhodan, que tinha bons motivos para não revelar sua identidade. Nem
todas as tarefas a serem cumpridas no planeta de Goszul estavam
concluídas. Muito embora, ao que tudo indicava, os treze governantes
não mantivessem qualquer espécie de contato com os companheiros de
raça que haviam fugido para o espaço, preferiu não assumir riscos.
Fez um
sinal para Enzally, que se mantinha na expectativa.
— Obrigado;
preferimos ficar de pé — disse o telepata, que era o único jamais
nascido naquele mundo. — Se aceitarem nossas condições, não
demoraremos em chegar a um acordo. Os senhores perderam e estão
indefesos. Nem mesmo os robôs lhes prestarão obediência, pois
foram reprogramados. Sabem perfeitamente o que isso significa. Daqui
em diante obedecerão às nossas ordens, e trabalharão para nós. O
resto dos saltadores fugiu com suas naves, deixando-os desamparados.
Não pretendemos matá-los, mas vamos isolá-los. Pensamos numa ilha
do oceano ocidental, onde passem bastante tempo em um clima saudável.
Ali poderão passar o resto dos seus dias num ambiente de paz e
tranqüilidade. O regresso ao seu mundo não é possível, já que
não possuem nenhuma nave.
Enzally
calou-se e olhou para Ragor. Sem que os ex-governantes soubessem,
seus pensamentos estavam sendo estudados até as profundezas do
subconsciente. Nada ficava oculto ao telepata.
Os treze
homens cochicharam entre si. Alguns deles falaram, mas a um gesto de
Ragor calaram-se.
— O que
será feito dos sete governantes que foram atacados pelo flagelo do
esquecimento? — perguntou. — Devemos deixá-los para trás?
— Irão
para a ilha com vocês.
— Querem
que eles nos contaminem? — disse Ragor indignado. — Se é que a
epidemia ainda não chegou à tal da ilha, isso não demorará muito.
Perry
Rhodan fez um sinal para Enzally e tomou a palavra.
— Trouxemos
um soro, Ragor. A epidemia foi rebaixada ao nível de uma doença
inofensiva. Ainda bem que isso só aconteceu depois da fuga dos
comandantes dos saltadores. Aplicaremos uma injeção em vocês, e
nunca adoecerão. Os sete governantes que encontramos no hospital já
sararam. Irão à ilha com vocês.
Ragor
lançou um olhar atento para Rhodan.
— Vocês
não são deste mundo, não é?
— Não.
Meu planeta fica a mais de mil anos-luz daqui.
— Por
que intervieram no conflito?
— Porque
estamos interessados em que os povos oprimidos alcancem o auto
governo. Ou, em outras palavras, ajudamos os goszuls a libertar-se do
colonialismo.
— Será
que não terão nenhum lucro com isso?
— Teremos,
sim, Ragor. Mas não há de pensar que eu lhes conte tudo. O que têm
de fazer é apenas responder a uma pergunta: querem submeter-se
voluntariamente à decisão do novo governo deste mundo, que lhes
concede o exílio?
Antes de
responder, Ragor lançou um rápido olhar para os companheiros:
— Se
possuíssemos uma nave, poderíamos sair do planeta de Goszul?
Rhodan
confirmou com um gesto.
— Se
possuíssem, sim; acontece que não possuem.
Mais uma
vez Ragor hesitou; mas já era tarde.
Subitamente
Enzally sorriu e, dirigindo-se a Rhodan, disse:
— Já
sei onde está a nave, senhor. Podemos encerrar a palestra.
Ragor
lançou um olhar de perplexidade para o telepata, que sem mais aquela
revelava o mais precioso dos seus segredos. Parecia que o mundo
acabara de desabar, soterrando suas esperanças. Pretendia conseguir
uma pausa, e possivelmente alguns robôs de serviço. Com isso dentro
de poucos dias o enorme couraçado que se encontrava no estaleiro
escondido nas montanhas poderia decolar. Nesse caso executaria uma
operação de retaliação e fugiria para o espaço juntamente com
seus companheiros de raça.
E agora...
Enzally
parou de sorrir. Com a voz fria disse:
— Obrigado,
Ragor, já basta. Estou vendo que nossas intenções foram boas
demais. Serão levados à ilha ainda hoje. — Dirigindo-se a Rhodan,
prosseguiu: — Pretendiam apoderar-se de um couraçado dos
saltadores, destruir o planeta de Goszul e voltar para o setor da Via
Láctea de onde vieram. São umas criaturas adoráveis.
— A
mentalidade deles não sabe conformar-se com a idéia da derrota, por
isso as idéias de Ragor não podem servir de padrão para toda a
raça dos saltadores. Tenho certeza de que um dia chegaremos a um
acordo com eles. Não será aqui, nem será com estes governantes,
mas com outros de sua raça. É preferível encerrarmos este
capítulo. Ralv, cumpra sua tarefa. Enzally, vamos embora. Não temos
mais nada com o que acontecerá daqui em diante. Com passos firmes
Rhodan e Enzally saíram da sala.
Passaram
pelo robô imóvel, cujas lentes de cristal estavam rigidamente
fixadas sobre os treze saltadores aos quais já obedecera.
E agora os
levaria para o exílio.
O planeta
de Goszul era o segundo dos sete mundos que gravitavam em torno da
estrela 221-Tatlira. Era o nome sob o qual constava nos mapas
estelares dos saltadores. Distava 1.012 anos-luz da Terra, sendo
desconhecido dos astrônomos do planeta.
Numa ação
incruenta, o Exército de Mutantes de Perry Rhodan conseguira
reconquistar aquele mundo transformado numa base dos saltadores,
devolvendo-o aos seus donos. Os quatro mutantes dirigidos por John
Marshall, o telepata, fizeram irromper uma epidemia artificial, que
no primeiro estágio fazia surgir manchas na pele e posteriormente
parecia atacar o cérebro. As pessoas atacadas pela moléstia perdiam
a memória. Naturalmente havia um soro contra a doença, mas os
saltadores não sabiam disso.
Dominados
de pavor, puseram-se em fuga e deixaram os vinte governantes
entregues ao seu destino.
Algumas
semanas depois do início da epidemia, seus efeitos cessaram. As
pessoas atacadas recuperaram a memória, e o cérebro passou a
funcionar melhor que antes. As manchas na pele desapareceram. Mesmo
as pessoas que não recebiam a injeção de soro recuperavam a saúde,
embora isso demorasse algumas semanas.
Os
saltadores que haviam fugido não deixariam de notar isso; Rhodan
sabia disso. Mas também sabia do estado de pânico que devia
apoderar-se daquela raça tão evoluída no terreno da medicina.
Acreditariam que o restabelecimento não passava de um simples acaso,
e por algum tempo prefeririam não pisar no planeta de Goszul.
Nesse
ponto Rhodan estava enganado, mas soube disso em tempo. No momento
estava tão ocupado com os problemas do presente que não tinha tempo
para pensar no futuro.
Em algum
lugar nas montanhas ficava o estaleiro secreto dos saltadores, onde
os robôs de serviço estavam dando os últimos retoques num gigante
do espaço como nunca fora construído igual. Pelo que Enzally lera
nos pensamentos de Ragor, essa nave, construída segundo os projetos
mais recentes dos engenheiros mais capazes dos saltadores, deixava
para trás até mesmo as conquistas dos arcônidas.
Rhodan
tinha que apossar-se dessa nave.
Só por
isso ainda não saíra daquele mundo para retornar à Terra, onde
tarefas muito importantes o aguardavam.
*
* *
A
conferência de campanha foi realizada na ampla sala de comando da
Stardust. A gigantesca esfera espacial de oitocentos metros de
diâmetro, cercada pelos cruzadores Terra, Solar System e Centauro,
encontrava-se no campo de pouso da Terra dos Deuses, nome que os
nativos davam ao continente em que os saltadores haviam instalado
suas bases.
Reginald
Bell estava sentado ao lado de Perry Rhodan. Seus rebeldes cabelos
ruivos cortados à escovinha estavam deitados para trás, mas
revelavam uma tendência irresistível de assumir a posição
vertical.
Os
mutantes John Marshall, Tako Kakuta, Kitai Ishibashi e Tama Yokida
estavam um pouco mais afastados, sentados em dois sofás. À sua
frente encontravam-se os representantes do governo do planeta de
Goszul. Ralv, o chefe da rebelião contra os saltadores, já
desempenhava as funções de chefe do governo do mundo
recém-libertado. Ao lado dele encontrava-se, quieto e humilde como
sempre, o telepata Enzally, um goszul de certa idade. Era o único
mutante que o planeta havia produzido. O terceiro representante dos
nativos era Geragk, um dos subchefes dos grupos de resistência que
se opunham ao domínio dos saltadores e eram dirigidos por Ralv.
Ainda
estavam presentes os comandantes dos três cruzadores, que com seus
duzentos metros de diâmetro pareciam anões perto da Stardust, mas
eram construções de uma perfeição técnica quase inconcebível.
Sentado entre o major Nyssen e o major Deringhouse, o capitão
MacClears nem se parecia dar conta de sua patente inferior.
— Os
vinte governantes já se encontram na ilha e com isso devem estar
fora de jogo — principiou Rhodan, lançando um ligeiro olhar para
Ralv. — Espero que ninguém os ajude a fugir, nem procure praticar
qualquer ato de vingança contra eles. Com isso o planeta de Goszul
está livre e encontra-se nas mãos de seus legítimos donos. Espero
que saibam transformá-lo num belo mundo.
Ralv
sentiu que essas palavras eram dirigidas a ele. Com um gesto de
autoconfiança disse:
— Confie
em nós. Saberemos ser gratos, restituindo a liberdade ao nosso povo.
E não temos nada a opor a que instalem uma base neste planeta e
negociem conosco.
— Nesse
caso poderíamos despedir-nos — disse Bell com um gesto grandioso.
— Apenas aquela nave enorme dos saltadores...
— Apenas?
— interrompeu-o Rhodan em tom enfático. — Essa nave me preocupa
bastante. Enzally vigiou os governantes e descobriu que o estaleiro
fica nas montanhas, a uns cinqüenta quilômetros daqui. Cerca de
trinta robôs e especialistas em robôs trabalham no mesmo. Gozam de
independência total, não dependendo de nenhum organismo de
controle. O estaleiro é protegido por um contingente de cem robôs
de combate, que foram programados, para atacar qualquer coisa que não
se pareça com um saltador. Por isso não existe a menor
possibilidade de colocá-los fora de ação por meio da desativação
de algum posto central. Devem ser dominados e desativados um por um.
É um trabalho e tanto.
— Por
que faz tanta questão de apoderar-se dessa nave dos saltadores? —
perguntou Bell.
— É
simples, Bell. Sabemos que é a nave mais moderna que já foi
construída. Suas instalações e sua sofisticação técnica
ultrapassa qualquer coisa que possamos imaginar. Para nós a
civilização arcônida é o padrão que nos serve de guia, mas não
se esqueça de que os arcônidas dormiram durante oito mil anos. Isso
não aconteceu com os saltadores, que se separaram de seu império.
Continuaram a desenvolver sua tecnologia e sob certos aspectos
alcançaram uma nítida superioridade sobre os arcônidas. Tenho
certeza absoluta de que essa nave representará uma surpresa para
todos. Estou curioso; é só isso.
Bell
sorriu.
— Será
que realmente está apenas curioso?
Rhodan
sorriu de volta, mas logo voltou a tornar-se sério.
— Vê-se,
portanto, que precisamos dessa nave, nem que seja apenas para
examiná-la. Não podemos recorrer à força, pois isso levaria os
robôs a destruir a nave quando não tivessem mais nenhuma saída.
Não tenho a menor dúvida de que sua programação inclui instruções
nesse sentido.
— Como
poderemos impedir que ajam assim?
— Devemos
usar a surpresa e blefar. Ainda não sei como faremos isso. Antes de
mais nada precisamos saber a quantas andamos. Gucky nos dará algumas
informações. Está no estaleiro desde hoje de manhã.
As
palavras de Rhodan provocaram certa surpresa, pois nenhum dos
presentes sabia que o rato-castor havia recebido esse tipo de
incumbência.
— Gucky?
— gemeu Bell. — Gucky está no estaleiro?
Rhodan fez
que sim.
— Quem
melhor que nosso amiguinho para executar uma tarefa desse tipo?
Primeiro, é o mutante mais perfeito que conhecemos. Além da
telepatia domina a telecinésia e a teleportação. Saberá
defender-se e colocar-se num lugar seguro sempre que a situação se
torne crítica. Além disso, não se parece com um homem; tem o
aspecto de um rato superdimensionado. É bem possível que os robôs
acreditem terem diante de si um animal inofensivo e nem se interessem
por ele.
— Pelo
que conheço de Gucky — disse Bell — ele ficará furioso se os
robôs o ignorarem.
— Acho
que é muito inteligente para tomar uma atitude dessas — objetou
Rhodan. — Seja como for, aguardo Gucky de um momento para outro.
Sabe que estamos aqui na Stardust, aguardando as informações que
ele nos trará.
Um dos
oficiais que se encontrava num ponto mais afastado pigarreou.
— Pois
não — disse Rhodan, convidando-o a dar sua opinião.
O major
Deringhouse, que comandava o cruzador recém-construído Centauro e o
número reduzido de caças capazes de desenvolver a velocidade da luz
que se encontravam nos seus hangares deu um sorriso um tanto
matreiro.
— Permite
uma sugestão? Não vejo por que complicar as coisas. A qualquer
momento posso colocar os robôs fora de ação, atacando o estaleiro
com cinqüenta caças espaciais.
Rhodan
sacudiu a cabeça.
— Isso
seria um procedimento puramente militarista e pouco inteligente. Um
único robô seria suficiente para detonar a carga explosiva que
talvez já tenha sido preparada, mandando para os ares o estaleiro e
a nave. Precisamos de um estratagema. E o senhor há de reconhecer
que nesse terreno conseguimos acumular alguma experiência.
Deringhouse
esteve a ponto de responder, mas o sorriso zombeteiro de Bell fez com
que preferisse ficar calado. Mais uma vez aquele sujeito ruivo que se
encontrava ao lado de Bell parecia saber alguma coisa que não queria
contar.
— Quando
Gucky deverá voltar? — perguntou John Marshall, o telepata do
pequeno grupo de mutantes que já havia atuado no planeta de Goszul.
Rhodan deu de ombros.
— Aguardo-o
a qualquer momento, mas uma porção de acontecimentos pode retardar
seu regresso. Se for necessário, Tako também terá que arriscar o
salto para ver por onde anda.
O japonês
Tako também era um teleportador. Bastava a força de sua vontade
para que se desmaterializasse e voltasse a transformar-se em matéria
no local em que escolhesse. Isso acontecia numa fração de tempo,
motivo por que Tako podia vencer instantaneamente qualquer distância.
Exibiu seu sorriso tranqüilo e humilde e respondeu:
— Se for
necessário, poderei ir imediatamente. Quem sabe se Gucky não caiu
em alguma armadilha e está precisando de auxílio?
— Vamos
esperar mais trinta minutos, Tako — disse Rhodan, sacudindo a
cabeça. — Só depois disso terminará o prazo que Gucky e eu
combinamos. Até lá teremos que dar-lhe uma chance.
Bell
lançou um olhar pensativo para as telas apagadas dos aparelhos de
controle. Ao que parecia sua mente estava ocupada com um problema e
procurava a resposta. Finalmente falou, saindo por completo do tema
até então tratado:
— Não
sei por que tanto mistério. Bem que poderiam saber quem lhes
infligiu a derrota.
— Há
vários motivos para que não saibam. Como sabemos, o clã do
patriarca Etztak faz muita questão de presentear-nos com seu regime
colonial. Uma vez já conseguimos expulsá-lo do sistema solar. Não
pense que com isso o assunto está liquidado. Um belo dia voltará, e
estou interessado em adiar esse fato o mais que posso. Se acreditar
que neste sistema tem diante de si outro inimigo, também muito
poderoso, isso lhe dará o que pensar. Dois inimigos num espaço
relativamente reduzido representam uma situação bastante crítica.
Quando souber que também aqui foi a Terra que lhe estragou os
planos, não contará tempo para mobilizar todo o poderio dos
saltadores a fim de destruir nosso planeta.
— É
verdade — respondeu Bell, captando um olhar encorajador do major
Deringhouse que, segundo parecia, também gostaria de conhecer os
motivos da atitude de Rhodan. — Mas será que temos motivos para
temer os saltadores?
Rhodan
esboçou um sorriso frio.
— A
superioridade numérica nos esmagaria. Além disso, sempre acho
preferível realizar negociações com um inimigo que um dia poderá
conduzir a um acordo que assumir a responsabilidade por milhões de
mortes. No momento não podemos concretizar nenhuma dessas
alternativas, já que Etztak e seus amigos fugiram da terrível
epidemia que nem existe. Levará muito tempo para descobrir que a
doença não é perigosa.
— E os
outros saltadores? — perguntou John Marshall. — Há muitos clãs
e todos eles mantêm contato entre si, embora não possuam uma pátria
propriamente dita além de suas naves. Será que não voltarão para
salvar as instalações técnicas aqui existentes?
— O
senhor se esquece da quarentena a que o planeta está submetido —
lembrou Rhodan. — Ninguém tem permissão para pousar no planeta de
Goszul. Ao menos nenhum saltador. — Seu sorriso aprofundou-se. —
Além disso, não acredito que qualquer saltador teria coragem de
enfrentar uma doença desconhecida apenas para resgatar alguns robôs,
muito embora estes representem um elevado valor material.
— E a
nave? — lembrou Bell.
Naquele
momento ninguém desconfiava de que Rhodan se esquecera de muita
coisa além da nave. Só saberiam disso bem mais tarde...
*
* *
Gucky teve
bastante inteligência para pousar a uma boa distância do misterioso
estaleiro espacial, em meio à selva montanhosa.
Teve
sorte. O salto para o desconhecido levou-o para um planalto pedregoso
em que cresciam algumas árvores raquíticas, que lhe proporcionariam
abrigo se aparecesse alguém. Pelos seus cálculos o estaleiro não
devia ficar a mais de dois ou três quilômetros. Como tivesse
preguiça de andar, pretendia vencer essa distância com alguns
saltos bem calculados. Quem visse Gucky compreenderia por que não
fazia muita questão de andar. Parecia um gigantesco rato com o rabo
achatado de um castor.
As grandes
orelhas afinavam nas pontas e geralmente se mantinham de pé. O pêlo
ruivo era liso e flexível. As perninhas do animal, que tinha mais de
um metro de altura, pareciam desajeitadas. Sua inteligência era
muito superior à de um homem normal.
Em seu
mundo frio, que girava em torno de um sol solitário, era considerado
um fenômeno, pois os indivíduos de sua raça possuíam apenas o dom
da telecinésia, enquanto Gucky ainda era um telepata e sabia
deslocar-se por meio da teleportação.
Agachado
sobre as patas traseiras, o rato-castor deixou que seus olhos
penetrantes corressem para todos os lados, examinando os detalhes do
terreno que oferecia pouca visibilidade. Não captou nenhum
pensamento, e isso nem era possível. Um robô não pensa como um ser
orgânico. Seus impulsos não podem ser captados, ao menos por um
cérebro telepático.
Os raios
de sol dardejavam sobre a superfície rochosa. Gucky, que apreciava o
frio, começou a transpirar. Para enxergar melhor, subiu e, depois de
ter atingido a altura de vinte metros, parou no ar. Ali em cima era
mais fresco. O estaleiro devia ficar ao norte. Gucky não viu outra
coisa senão encostas rochosas íngremes e grotas entrecortadas. Por
que os saltadores haviam escolhido um local desolado como este para
construir uma nave? Provavelmente se sentiam seguros por aqui.
Subitamente
um relampejo atingiu seus olhos, vindo de longe. Parecia o reflexo de
um raio de sol sobre uma superfície de metal polido.
Gucky
forçou a vista e reconheceu um robô que a menos de mil metros de
distância patrulhava lentamente o terreno. Encontrava-se exatamente
na entrada de um dos numerosos vales.
Não era
nenhuma coincidência!
O
rato-castor fixou a direção e deixou-se descer ao solo.
Concentrou-se cuidadosamente sobre uma rocha pontuda que ficava a
pequena distância da entrada do vale... e saltou.
No mesmo
instante rematerializou-se atrás da rocha, respirou profundamente e
saiu a passos balouçantes, como se fosse um coelho gigante radicado
nessa área que estivesse à procura de comida. O procedimento não
tinha nada de estranhável. Era quase certo que os robôs haviam sido
programados no sentido de verem seus inimigos apenas nos goszuls
nativos.
O monstro
metálico prosseguiu no patrulhamento da entrada do vale que media
menos de cinqüenta metros de largura, sem interessar-se por Gucky,
para quem o espetáculo representava uma experiência vital. Se o
robô não reagisse à sua aproximação, poderia deslocar-se
livremente. Era bem verdade que a idéia de não ser levado a sério
não era nada agradável, mas em outra oportunidade ele se vingaria.
A menos de
trinta metros do robô Gucky ficou sentado, estudando atentamente o
inimigo. Os braços angulosos terminavam nos canos em espiral dos
mortíferos radiadores energéticos. O rato-castor sabia
perfeitamente que os mesmos o volatilizariam numa questão de
segundos, se o cérebro positrônico do gigante de mais de dois
metros o considerasse como inimigo. Felizmente isso não acontecia. O
robô nem sabia o que era um rato-castor. Enquanto Gucky mantivesse
uma atitude pacífica, nunca seria identificado como possível
inimigo.
A antena
encolhida do robô indicava que ele não estava em contato com
qualquer central de comando, mas era dirigido por meio de comandos
individuais armazenados em seu cérebro. Bastaria aproximar-se dele
para desativá-lo e paralisá-lo. Mas isso não era tão simples
assim, pois assim que o robô constatasse a presença de inteligência
num ser que não se parecesse com um saltador, esboçaria uma reação
hostil. Gucky não soube lidar com o problema. Resolveu verificar se
o cérebro positrônico o registraria como ser não dotado de
inteligência.
Pôs os
quatro pés no chão e foi saltitando diretamente para o vigilante
silencioso, que prosseguiu na sua ronda. Manteve-se preparado para um
salto de teleportação, a fim de poder colocar-se em segurança
assim que isso se tornasse necessário.
Se Bell
visse seu amiguinho nessa situação, teria soltado uma gargalhada de
escárnio. Gucky, o mutante todo-poderoso, transformado num
supercoelho! Era uma idéia mais que esquisita. Felizmente Bell não
estava por perto e assim não pôde deleitar-se com o espetáculo,
que não despertou o menor interesse no robô.
Este
simplesmente ignorou Gucky.
O
rato-castor teve vontade de recorrer às suas energias telecinéticas
para levantá-lo a uma altura de cinqüenta metros e fazê-lo cair ao
chão, como já fizera com outros robôs. Mas tinha que ater-se à
tarefa que lhe fora confiada por Rhodan. De sua parte também ignorou
o robô e, passando junto dele, saltitou vale a dentro.
Assim que
tinha passado pelo monstro metálico foi saltitando de costas, para
não ser liquidado de surpresa. Mas a precaução revelou-se inútil.
O robô achava que se tratava dum animal inofensivo que ia procurar
comida no vale, ou se dirigia a alguma das raras fontes existentes
naquela área desolada.
O vale
logo se abriu, mas continuou seco. Apenas a vegetação mais
abundante revelava a maior umidade do solo. Gucky continuou a
saltitar até que uma curva o colocasse fora do alcance da visão do
robô.
Sentiu-se
aliviado. Pôde dedicar sua atenção ao que havia pela frente, e viu
que valia a pena.
O vale
abriu-se a ponto de se transformar numa bacia de mais de um
quilômetro de diâmetro. As encostas rochosas íngremes formavam um
obstáculo intransponível para qualquer visitante indesejado.
Ninguém poderia entrar ali e, uma vez lá dentro, não conseguiria
sair, a não ser que possuísse asas. Havia pavilhões baixos que
abrigavam as máquinas e as usinas, mas isso Gucky só percebeu em
segunda linha.
A abertura
existente na encosta de mais de quinhentos metros ocupou toda sua
atenção.
Tinha uma
altura de mais de duzentos metros e sua largura era ao menos igual à
altura. Uma luz abundante saía da escuridão da montanha, deixando
perceber o envoltório metálico reluzente da nave espacial quase
concluída, inteiramente oculta das vistas dos curiosos. Se as
informações de Rhodan fossem corretas, o túnel que penetrava na
montanha devia ter pelo menos oitocentos metros de comprimento.
Os
saltadores não poderiam ter escolhido um esconderijo melhor que
esse.
Uma
fileira de robôs de combate bloqueava a única saída da bacia.
Mantinham-se imóveis, de frente para Gucky que, agachado entre
algumas moitas, fez de conta que se deleitava com o capim escasso que
crescia entre as pedras, sem interessar-se pelos robôs ou pela nave.
Ao que
parecia, até mesmo os cérebros positrônicos acreditavam que um
vegetariano é uma criatura que não pode fazer mal a ninguém. Mais
uma vez Gucky teve de notar, cheio de ressentimento, que não era
levado a sério e ninguém via nele um intruso.
Mas de
certo modo isso o deixava satisfeito.
Era bem
verdade que não poderia recorrer à teleportação, pois os robôs
interpretariam tal atividade como um sinal de inteligência e
reagiriam de forma adequada. Por isso o rato-castor não teve outra
alternativa senão continuar a pastar e aproximar-se lentamente da
reluzente linha de defesa.
Talvez
conseguisse chegar mesmo à própria nave espacial. Quanto maior o
volume de informações que conseguisse levar a Rhodan, mais fácil
se tornaria a ação que pretendiam lançar contra o estaleiro.
Saltitou
para diante, sem sentir-se muito à vontade.
Cerca de
trinta robôs bloqueavam o vale. Como se formassem em semicírculo
dirigido para fora, a distância entre um e outro era de cerca de
cinco metros. Era um desperdício tremendo, pois o poder defensivo de
um robô é enorme. Bastava um deles para defender o vale contra um
exército que pretendesse invadi-lo.
Concluía-se
que os saltadores davam muita importância àquela nave.
Gucky não
teve muito tempo para refletir. Enojado, enfiou o feixe de capim
atrás do dente roedor, esperando poder cuspi-lo dali a pouco. Tinha
que guardar as aparências. No planeta de Goszul existia um tipo de
coelho, e teria que imitar o mesmo.
Gucky não
pôde impedir que os pêlos da nuca se arrepiassem à vista das
máquinas de guerra, agora tão próximas, que mantinham os
radiadores energéticos firmemente apontados para a frente. Era bem
possível que os robôs já estivessem há meses no mesmo lugar, mas
era evidente que não se importavam com isso. Não tinham a menor
idéia de tempo e de espaço quando incumbidos de uma tarefa de
expectativa e vigilância. Dali a mil anos ainda estariam no mesmo
lugar, se não recebessem qualquer ordem em contrário. Bem, para
Gucky tudo isso não importava, desde que não tomassem conhecimento
da sua presença. Saltitou mais alguns metros e parou junto a um
suculento feixe de capim.
O robô
mais próximo, que se encontrava a uns vinte metros de distância,
executou um movimento preguiçoso, dirigindo suas lentes cintilantes
sobre o intruso. Seus vizinhos não esboçaram qualquer reação.
Gucky teve
uma sensação esquisita no estômago, o que não foi devido apenas à
deglutição do capim. Reuniu toda a coragem que possuía e pôs-se a
devorar maiores quantidades daquela comida repugnante, para conseguir
uma semelhança ainda maior com um coelho nativo.
Quem dera
que pudesse teleportar-se! Mas com isso poderia estragar os planos de
Rhodan. Os robôs saberiam que o estaleiro fora descoberto por seres
inteligentes. Reagiriam em conformidade com esse fato, e seria bem
possível que destruíssem a nave, se não tivessem outra saída.
Gucky tinha certeza de que já tinham conhecimento da fuga dos
comandantes dos saltadores.
O sabor do
capim era horrível.
O feixe
mais próximo encontrava-se exatamente entre os dois robôs postados
diante de Gucky. O rato-castor reuniu as últimas energias e foi
saltitando em direção ao mesmo. Conteve a respiração, para poder
se desmaterializar a qualquer momento. Mas essa medida extrema de
salvação teria de ser evitada enquanto isso fosse possível.
O robô
mais próximo girou lentamente em sua direção. O braço esquerdo
fechou-se num ângulo e apontou exatamente na direção de Gucky, que
ainda não se atreveu a respirar e continuou a saltitar em movimentos
seguros, procurando atingir a moita de capim que subitamente parecia
bastante apetitosa.
Eram
segundos de tensão quase insuportável. Será que o robô julgaria
conveniente destruir o animal aparentemente inofensivo? Se fosse
assim, ele não o faria para matar o tempo, pois um robô não
conhece o tédio. Nesse caso a programação incluiria uma proibição
de entrar no vale que abrangia todo e qualquer ser vivo.
Mas, por
que o robô postado na entrada não agira dessa forma?
O gosto
não melhorara nem um pouco, mas Gucky teve a impressão de nunca ter
comido nada que fosse mais saboroso. Essa impressão só durou até o
momento em que o dente-roedor iniciou sua tentativa inútil de
triturar o capim.
O robô
dedicou um interesse visível à pastagem de Gucky. Seu braço armado
manteve-se estendido, pronto para disparar, mas se tivesse a intenção
de destruir o pequeno roedor, já o teria feito. Não havia nenhum
fundamento lógico para a demora.
O
raciocínio ágil de Gucky logo compreendeu isso. Num gesto heróico
engoliu o capim sem mastigar. Seu estômago quis revoltar-se, mas
isso não durou muito. Estremecendo por dentro, ignorou o robô que
continuava vigilante e continuou a comer.
O cérebro
positrônico do guarda metálico registrou o fato: era um ser vivo
que não se parecia com um saltador, mas também não se parecia com
um goszul ou qualquer outro ser inteligente. Era um animal que não
possuía inteligência, pois de outra forma evitaria a vizinhança
das máquinas de combate. Não pensa; logo, não é perigoso. Ainda
acontece que come capim; logo, é um ser nativo deste mundo. E, como
os goszuls são os únicos inimigos que os saltadores têm neste
planeta...
A
conclusão era evidente: o herbívoro era um ser inofensivo.
Aliviado,
Gucky notou que o braço armado se abaixou e o robô voltou a dirigir
seu olhar para a entrada do vale. O pior, que era a experiência para
valer, havia sido vencido.
Agora não
devia precipitar nada.
Guiando-se
por essa regra, continuou a pastar tranqüilamente e quase chegou a
estourar o estômago. Saltitou em direção ao edifício mais
próximo.Sentiu um estranho calafrio nas costas, mas resistiu à
tentação de olhar para trás. O que aconteceria se o robô
colocasse em funcionamento outro circuito de seu mecanismo e tomasse
uma decisão diferente? O rato-castor não se tranqüilizou muito com
a idéia de que não sentiria sua morte repentina.
Ignorou a
moita de capim mais próxima e continuou a saltar. Com um alívio
indescritível dobrou pela quina do edifício alongado, colocando-se
fora das vistas do robô.
Soltou um
suspiro de alívio.
A entrada
do estaleiro escavado na rocha ficava a uns duzentos metros do lugar
em que se encontrava. Nesse trecho havia vários pavilhões e objetos
empilhados ao ar livre. Eram armações metálicas, peças reluzentes
do casco, pequenos andaimes e caixas enormes. Robôs de trabalho com
uma programação especial predeterminada moviam-se entre os
pavilhões, executando suas tarefas. Do túnel saíam ruídos dos
mais diversos tipos, que não permitiam a menor dúvida de que ainda
se estava trabalhando na construção da nave.
Os robôs
não haviam recebido contra-ordem; por isso concluiriam o trabalho.
Ninguém
sabia o que aconteceria depois.
Rhodan não
podia assumir o risco de permitir que os robôs saíssem para o
espaço com a nave recém-concluída, dirigindo-se para um local de
encontro predeterminado.
Gucky
sabia disso. Precisava descobrir quando começaria o estágio
crítico.
Dez metros
à esquerda abriu-se uma porta e um robô de trabalho saiu de um
pavilhão. Segurava alguns desenhos, que deviam reproduzir a nave
concluída. Não trazia armas como os robôs de combate, que Gucky
via em todos os cantos. Mas nem por isso era menos perigoso.
Sentado
sobre as patas traseiras, Gucky mastigava uma folha de capim, que
parecia representar a própria imagem da bem-aventurança. Os
estaleiros, os depósitos, os pavilhões e os robôs — tudo isso
não o interessava nem um pouco. Para ele só existia o delicioso
capim que encontrara naquele vale.
O robô
devia ter chegado à mesma conclusão. Sem tomar conhecimento da
presença de Gucky, deslocou-se numa série de movimentos abruptos em
direção ao túnel, onde se encontrou com outros robôs, com os
quais encetou uma palestra.
“Ainda
bem”,
pensou Gucky, cuspindo o capim com uma sensação de alívio. Pelo
menos desta vez não teve de engoli-lo. Enquanto isso não tirou os
olhos do trecho que ia até a entrada do túnel. Infelizmente isso
fez com que não prestasse atenção ao que se passava atrás
dele.Ouviu passos, mas antes que tivesse tempo de virar-se, uma ponta
de bota atingiu-o pelo lado e atirou-o alguns metros para cima. Por
um instante Gucky pensou ter quebrado todos os ossos do corpo,
especialmente quando aterrizou no chão de rocha e ficou deitado,
quase sem fôlego. Estava tão surpreso que nesse momento de perigo
não conseguiu teleportar-se para um lugar seguro. Além disso,
conseguiu ver quem lhe dera o pontapé.
Era um
saltador.
A barba
ruiva constituía indício seguro de que não se tratava de um
goszul. E o corpo maciço também revelava que pertencia à classe
dos mercadores que já dominaram o planeta. Usava botas pretas e
calça apertada. Pela capa branca concluía-se que era um cientista.
Uma cabeleira desgrenhada cobria sua cabeça.
Murmurou
algumas palavras num dialeto que Gucky não entendeu e continuou a
andar tranqüilamente, sem interessar-se por sua vítima. Finalmente
o rato-castor teve oportunidade de usar suas capacidades telepáticas,
que há poucos segundos negligenciara tanto. Se não tivesse
procedido assim, teria notado a aproximação do saltador.
— Era só
o que faltava, esses bichos andarem pelo vale. — Foi o que o
saltador disse em sua língua desconhecida. Falando em intercosmo,
acrescentou: — Terei que dar outras instruções aos robôs, senão
acabamos tropeçando sobre esses comedores de capim.
Enquanto
prosseguia na sua caminhada, Gucky acompanhou seus pensamentos e
descobriu que o nome do saltador era Borator e que exercia as funções
de diretor-técnico do projeto, sendo o único saltador que se
encontrava no local.
Isso tinha
suas vantagens. Agora, que passou a prestar atenção aos pensamentos
do saltador, não teve a menor dificuldade em seguir e captar os
pensamentos do saltador, pois não havia necessidade de classificar e
interpretar um fluxo de impulsos. Em todo o vale só havia os
pensamentos daquele saltador; o resto era silêncio. Tinha que
procurar um esconderijo onde ninguém o perturbasse e pudesse
perceber os pensamentos do saltador.
Levantou
devagar. Ainda sentia dores no lado. Teve de controlar-se para não
vingar-se logo do grosseirão, mas este não perderia por esperar.
Aquele saltador ainda se arrependeria amargamente da sua crueldade,
foi o que Gucky prometeu a si mesmo para acalmar seu gênio. Faria
esse Borator subir para o ar cinqüenta metros e o deixaria pendurado
lá um dia inteiro. E depois...
Suas
visões de futuro e de vingança foram interrompidas por novos
passos. Um robô de trabalho passou junto dele com o olhar estúpido,
sem dar-lhe a menor atenção. Aí está, pensou o rato-castor
amargurado. Os robôs são mais humanos que os seres inteligentes. Ao
menos deixavam-no em paz.
Gucky
encontrou um esconderijo seguro atrás de uma pilha de caixas. Ali
não teria que temer qualquer surpresa, pois antes que pudessem
encontrá-lo teriam de remover a maior parte das caixas, e ele não
deixaria de perceber isso, mesmo que estivesse dormindo.
Finalmente
teve tempo e tranqüilidade para cuidar do tal do Borator. Com a
maior capacidade captou os pensamentos do mesmo, e assim conseguiu
“ouvir”
o que dizia aos robôs. Não entendia as respostas destes, pois sem
um receptor especial Gucky não poderia perceber os impulsos
positrônicos emitidos pelos mesmos. Assim mesmo conseguiu descobrir
coisas que eram muito importantes para os planos de Rhodan.
Soube,
principalmente, que dali a seis dias o gigantesco cruzador espacial
guardado no túnel devia estar pronto e em condições de decolar.
Em
condições de decolar?
Seria no
dia 25 de maio de 1.984 do calendário terrestre. Era um lapso
extremamente curto, pois havia muito que fazer. Não podia perder um
minuto. Gucky não perdeu tempo. Concentrou-se para a Stardust, que
se encontrava a cinqüenta quilômetros dali... e saltou.
Materializou-se
bem no colo de Bell.
2
Exatamente
vinte horas-luz da estrela 221-Tatlira, doze naves de duzentos metros
de comprimento, construídas em formato cilíndrico, saíram do
hiperespaço e retornaram ao universo normal.
Havia mais
uma nave, que se mantinha um tanto afastada. Media mais cem metros
que as outras, mas seu formato também lembrava o de um cilindro
arredondado na extremidade. No casco abriam-se vigias redondas e
iluminadas, atrás das quais se moviam sombras distorcidas, que
assumiam proporções gigantescas. Seriam apenas distorcidas?...
Topthor, o
comandante da frota, acomodara o peso de mais de meia tonelada de seu
corpo junto aos controles de comando. Seu corpo tinha mais de metro e
meio de altura, mas a circunferência do mesmo media mais de cinco
metros. Em outras palavras, a largura era igual a altura. O crânio
liso era o de um saltador, o que se via pela barba ruiva aparada.
As telas
iluminaram-se, retratando o sistema do qual a frota se aproximava à
velocidade da luz.
As mãos
pesadas de Topthor descansavam sobre uma folha de plástico coberta
de caracteres estranhos. Nessa folha estavam os motivos por que mais
uma vez teve de imiscuir-se nos problemas alheios. Afinal, era este
seu dever... e sua profissão.
É que o
clã de Topthor, geralmente conhecido como o clã dos superpesados,
assumira na comunidade dos mercadores galácticos o papel dos
bombeiros. Não negociavam com mercadorias, mas com a guerra. Sempre
que em algum lugar irrompia um incêndio, eram chamados. Além disso,
forneciam naves de comboio, mediante pagamento de quantias
predeterminadas pelos membros dos clãs interessados.
Nunca
Topthor chegara a temer um inimigo, quanto mais fugir dele — com
exceção de uma única vez. Foi quando tentou atacar um planeta
chamado Terra. Nessa oportunidade suas forças foram quase totalmente
destruídas pela nave esférica de Perry Rhodan.
Topthor
resolvera que jamais voltaria a lutar contra Perry Rhodan. Não era
covarde, mas gostava de viver.
Topthor
esboçou um sorriso feroz quando se lembrou de Perry Rhodan. O
terrano estava longe e nada tinha que ver com aquilo que estava
planejando. No planeta de Goszul se defrontaria com outro inimigo:
uma doença. Bastava precaver-se contra a infecção. O resto seria
uma tarefa de rotina. Os nativos rebeldes seriam castigados, os robôs
e o equipamento técnico contaminado seriam guardados nos porões
hermeticamente fechados da nave, e providenciaria para que a nave
superavançada fosse levada ao destino.
O planeta
de Goszul estava submetido à quarentena. Só em circunstâncias
muito especiais alguém poderia pousar nele. E a tarefa que lhe fora
confiada representava uma circunstância desse tipo.
Topthor
ainda estava sorrindo quando voltou a pegar o escrito e leu o texto
lacônico:
“Para
Topthor, comandante e patriarca do clã dos superpesados. O planeta
de Goszul está sob quarentena. Há uma epidemia que produz uma
amnésia total. É incurável. Resgatar o equipamento técnico. Os
nativos se rebelaram e devem ser punidos. Couraçado construído em
segredo, uma vez concluído, será encaminhado para as coordenadas
XXM-17. Os governantes e dirigentes do estaleiro devem ser deixados
para trás.
Em nome
de todos os clãs — Etztak.”
Topthor
colocou a folha de plástico sobre a mesa. A tela que se estendia
acima dela mostrava com toda nitidez o sol pequeno e amarelento de
Tatlira, cercado de vários pontos luminosos. Eram os planetas.
Um deles
era o planeta de GoszuL.
Inclinou-se
para a frente e, com um simples movimento, ligou o comunicador, que o
colocaria em contato com a sala de comando das outras naves. Dali a
uns trinta segundos outra tela subdividida em doze campos distintos
começou a iluminar-se.
Em cada um
desses campos surgiu um rosto que o fitava numa atitude de
expectativa.
Todos eram
saltadores superpesados. Há muitos milênios, quando os saltadores
ainda viviam em planetas, não em naves, o clã dos superpesados
escolhera um mundo em que a gravitação era muito elevada. Em
virtude disso, no curso das gerações surgiram alterações físicas,
que facilitavam a adaptação às condições reinantes no novo
mundo. Foi assim que surgiu o clã dos superpesados.
Os doze
saltadores cujos rostos surgiram na tela usavam barbas aparadas e
tinham olhos inteligentes, mas frios e perscrutadores. Os lábios
cerrados pareciam traços vermelhos. As centenas de quilos de seus
corpos não eram retratadas na tela.
Topthor
não pôde reprimir um ligeiro sorriso quando fitou os rostos de seus
comandantes. Sabia que não temiam a morte nem o diabo, mas tinham um
medo terrível de uma doença incurável. Mas, para falar com
franqueza, ele mesmo também não se sentia muito bem. Mas nunca
confessaria uma coisa dessas.
— O
objetivo está à nossa frente — disse com sua voz retumbante, que
já fizera com que muitos patriarcas aumentassem espontaneamente a
oferta para a proteção aos seus comboios. — Vocês conhecem a
tarefa e sabem que a mesma não é fácil. Antes de mais nada temos
de ocupar o estaleiro espacial, para evitar que ele seja atacado ou
mesmo destruído pelos nativos. Não sei como esses habitantes
primitivos de Goszul poderiam enfrentar cem robôs de combate, mas
alguém preveniu Etztak para que não os subestimasse. Só depois de
cumprida essa parte poderemos cuidar do resgate do equipamento
técnico e dos robôs. — Esboçou um sorriso preguiçoso. — Acho
estranho que Etztak não faça muita questão do lucro material. Isso
me dá o que pensar.
Um dos
doze saltadores gesticulou violentamente, mostrando que apoiava as
palavras de Topthor. Realmente a atitude de Etztak era suspeita e
dava o que pensar. Topthor fez um sinal ao comandante.
— Pois
não, Rangol. O que houve?
— Será
que subestimamos os goszuls? Em nossos fichários constam como
subdesenvolvidos pacíficos e sem ambições. Sua tecnologia é
antiquada e muitíssimo inferior à nossa. Não compreendo por que
Etztak teve que fugir...
— Esqueceu-se
da epidemia? — lembrou Topthor. — Quando me lembro dela, também
não me sinto muito feliz. Pode-se perder a memória.
— Assim
mesmo vamos pousar lá? — perguntou outro.
— Recebemos
licença especial do conselho do clã. Nossos trajes especiais nos
protegerão contra a contaminação. E por enquanto deixaremos sair
exclusivamente os robôs, que farão o trabalho mais pesado. Ainda
teremos que providenciar para que ninguém consiga sair do sistema.
— Sempre
pensei que os goszuls não possuíssem naves espaciais.— E não
possuem mesmo. Mas ordens são ordens. Deve haver outras naves, além
daquela que vamos buscar. Seja como for, vamos bloquear o sistema e
manteremos contato entre nós. Apenas duas das nossas naves pousarão.
A de Rangol e a minha.
Rangol não
parecia muito satisfeito. A distinção com que fora agraciado não
parecia deixá-lo muito alegre, mas manteve-se calado. Era preferível
não irritar Topthor.
— Mais
alguma pergunta?
Ninguém
teve perguntas.
— Muito
bem — disse Topthor. — Meu navegador lhes fornecerá as
coordenadas que calculou. Daqui a quatro horas nos separaremos. As
estações de rádio ficarão permanentemente em recepção. Fim.
A tela de
doze campos apagou-se no mesmo instante em que a comunicação foi
interrompida. O restante da palestra foi conduzida pelo navegador que
se encontrava na sala de telegrafia.
Topthor
reclinou-se na poltrona e com os olhos semicerrados contemplou o
sistema solar de Tatlira, do qual se aproximava à velocidade da luz.
Com uma
certa preocupação perguntou de si para si o que o aguardaria por
lá.
*
* *
Quando
Gucky contou que chegara a comer capim para convencer os robôs de
que era uma criatura inofensiva, Bell irrompeu numa gargalhada
homérica. Não conseguiu acalmar-se e provavelmente teria morrido
sufocado se tivesse tempo para isso. Acontece que não teve.
Subitamente
a voz de Gucky tornou-se aguda e estridente.
— Você
acha que gostei disso? Se você não parar logo de se divertir à
custa da situação miserável que tive de enfrentar, você vai ver
uma coisa, seu monstro ruivo. Então?
O “então”
estava tão carregado de expectativa que Bell logo estacou,
lembrando-se de situações semelhantes, em que levara a pior. Afinal
era um homem normal, não dotado de capacidades telecinéticas.
Respirando com dificuldade, parou de rir e disse com a voz ofegante:
— Não
tive a intenção de ofendê-lo. E depois? Os robôs caíram nessa,
acreditando que você fosse uma espécie de coelho?
Gucky
confirmou com o rosto muito sério.
— Mais
ou menos. De qualquer maneira consegui atravessar a fileira de
guardas e entrar no estaleiro. O projeto está sendo dirigido por um
certo Borator. É um saltador.
Era uma
surpresa.
— Quer
dizer que não teremos que lidar apenas com os robôs — disse
Rhodan em tom pensativo. — Isso dificulta a solução do problema,
mas não muito. Antes de mais nada teremos que reduzir esse Borator à
impotência; só depois disso poderemos pensar em colocar os cento e
trinta robôs fora de combate sem chamar a atenção. Acho que
conseguiremos isso com o novo radiador de impulsos de reprogramação.
Infelizmente a ação do aparelho é apenas individual, isto é,
temos que pegar os robôs um por um e dar-lhes outra programação.
Se os outros perceberem, e não há a menor dúvida de que
perceberão, haverá dificuldades.
— Ainda
sou de opinião que devemos lançar um ataque de surpresa com os
nossos caças e destruir os robôs — interveio o major Deringhouse.
Rhodan nem
sequer deu uma resposta.
E essa
resposta não faria o menor sentido, pois naquele instante uma
luzinha vermelha acendeu-se junto ao intercomunicador. Ouviu-se um
zumbido. E a tela iluminou-se. Nela surgiu o rosto preocupado do
tenente Fisher, que estava de plantão na sala de telegrafia.
Rhodan
apertou um botão, estabelecendo o contato.
— O que
houve, Fisher? É alguma coisa importante? Estamos em conferência
e...
— É
importante, sim senhor. Nossos rastreadores estruturais registraram
transições nas imediações do sistema. Ao que parece, os
saltadores que fugiram estão de volta.
Rhodan
ficou perplexo por dois segundos, mas logo recuperou o autocontrole.
— Acho
que isso não é possível. Fisher. Verifique as coordenadas exatas
das transições e seu número. Avise-me assim que houver alguma
novidade.
— Sim
senhor.
O contato
entre a sala de comando e a sala de telegrafia foi mantido. Ao que
tudo indicava, Rhodan não estava disposto a perder-se em
especulações vazias; por isso Gucky prosseguiu no seu relato.
Evidentemente os presentes não lhe dedicavam a mesma atenção.
Todos pensavam nas naves espaciais surgidas tão de repente, e que se
aproximavam do planeta de Goszul.
Quem
seriam? O que queriam?
O tenente
Fisher não os deixou na incerteza por muito tempo.
— São
treze naves. Comprimento de cerca de duzentos metros e o formato
típico das unidades dos saltadores. Saíram do hiperespaço a uma
distância aproximada de um dia-luz. Pela intensidade dos abalos
conclui-se que executaram um salto de mais de três mil anos-luz.
Aproximam-se em formação compacta e à velocidade da luz. Voltarei
a entrar em contato com o senhor.
Rhodan
fitou os presentes.
— Então
são os saltadores! Não compreendo. Será que são os mesmos?
— Não
devem ser — disse Bell em tom convicto. — O pessoal de Etztak
deve estar farto da lição; não voltará. Além disso, pegaram a
doença e não se lembram de nada.
— Acontece
que já tiveram tempo de mandar algumas naves de guerra. Mas acredito
que ainda não saibam com quem estão lidando. Gostaria de saber o
que querem por aqui.
Subitamente
Gucky interveio com a voz nervosa e estridente:
— Querem
a nave que está para ser concluída. É claro que vem buscar a nave.
Rhodan não
conseguiu disfarçar a surpresa.

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