Autor
KURT
MAHR
Tradução
RICHARD
PAUL NETO
Digitalização
PESCADO
NA NET
Revisão
ARLINDO_SAN
Esperavam uma recepção amistosa,
mas
foram tratados como mendigos...
História
da Terceira Potência em poucas palavras:
1.971 —
O foguete Stardust chega à Lua, e Perry Rhodan encontra o cruzador
dos arcônidas que realizou um pouso de emergência.
1.972 —
Instalação da Terceira Potência, que enfrenta a resistência das
potências terrenas unidas e a invasão de seres extraterrenos.
1.975 —
Primeira intervenção da Terceira Potência nos acontecimentos
galácticos. Perry Rhodan encontra os tópsidas no sistema de Vega e
procura solucionar o mistério galáctico.
1.976 —
Perry Rhodan atinge, a bordo da Stardust-III, o planeta Peregrino, e
juntamente com Bell consegue a imortalidade relativa, mas perde mais
de quatro anos.
1.980 —
Perry Rhodan regressa à Terra e luta por Vênus.
1.981 —
O Supercrânio ataca, e a Terceira Potência defronta-se com a mais
dura das provas a que já foi submetida.
1.982/1.983
— Os mercadores galácticos procuram transformar a Terra num mundo
colonial, mas o feitiço vira contra o feiticeiro e Perry Rhodan
conquista uma das bases mais importantes dos mercadores.
Agora a
Terra se encontra no ano de 1.984, e a Ganymed é preparada para o
Avanço Para Árcon...
=
= = = = = = Personagens Principais: = = = = = = =
Perry
Rhodan
— Que acredita que não convém vestir um terno roubado quando se
pretende visitar o antigo dono desse terno.
Reginald
Bell
— Amigo íntimo e confidente de Perry Rhodan.
Crest
e Thora
— Que revêem seu mundo depois de uma ausência de treze anos.
Tako
Kakuta
— Que estraga um canteiro de flores.
Novaal
— Um ser do planeta Naat.
Sergh
— O administrador arcônida de Naat.
Ghorn
— Representante de Sergh.
1
— Esta
nave até parece um pesadelo — disse Reginald Bell em tom
compenetrado, enquanto seus cabelos ruivos se arrepiavam numa atitude
combativa, contrastante com a solenidade do olhar que lançou pelo
corpo esguio da nave acima.
A Ganymed
era a mais nova das naves gigantes da Terceira Potência. Só parecia
esguia para quem a olhasse de baixo e não a pudesse apreciar na
perspectiva correta. Na verdade era um gigantesco cilindro de
oitocentos e quarenta metros de altura por duzentos metros de
diâmetro. A proa fora reta, havia sido alongada em sessenta metros
por meio de um acréscimo arredondado, montado nos estaleiros de
Terrânia. Antes disso o comprimento total da nave chegava a
setecentos e oitenta metros. Pousada sobre quatro imensos suportes
que saíam da popa, dava a impressão de ser um colosso preso ao
solo, que ninguém julgaria capaz de jamais sair do lugar.
— A não
ser que a comparemos com a Stardust — acrescentou.
Acontece
que a Stardust se encontrava a dez quilômetros dali, e seu corpo
esférico desenhava um círculo relativamente insignificante contra o
céu violeta da noite.
— Quer
dizer que vamos à Árcon — disse Bell, mudando de assunto, sem
tirar os olhos da Ganymed. — E vamos nesta nave.
— Iremos
nesta nave — confirmou Rhodan.
— Por
que não vamos na Stardust?
— Porque
a Stardust é uma nave de tipo arconídico. Se resolvo fazer uma
visita a certo Mr. Thomson, que nunca vi, não usarei um terno que já
foi dele, dizendo simplesmente que posso ficar com ele, por tê-lo
tirado de outra pessoa. Isso seria contrário às regras da
diplomacia, não acha?
O olhar de
Bell foi descendo pela Ganymed até chegar ao solo.
— É
claro que sim! — disse em tom enfático. — Muito bem. Então
iremos à Árcon na Ganymed. Quando pousarmos lá, diremos: viemos da
Terra e estamos trazendo dois dos seus náufragos. Façam o favor de
ajudar-nos para que a Terra não caia nas mãos dos saltadores. É
isso?
Rhodan
riu.
— Bem
que gostaria de saber como sairão as coisas. Se não houver maiores
complicações, eu me lembrarei da sugestão que você acaba de
fazer.
A partida
foi marcada para o dia 10 de maio de 1.984.
Thora e
Crest, os arcônidas, foram as primeiras pessoas a ocuparem seus
aposentos a bordo da Ganymed. Até parecia que a mudança prematura
serviria para forçar o destino e impedir que a partida fosse adiada
mais uma vez.
Naqueles
dias Perry Rhodan viu uma nova Thora. Transbordando de vitalidade,
seus olhos vermelhos chamejantes transformavam-na numa deusa
estranha.
A
obstinação, que nos últimos treze anos fora o traço mais marcante
de seu caráter, não deixara Rhodan perceber que amava a arcônida.
Agora o fato saltava aos seus olhos com uma clareza penetrante.
Os
preparativos técnicos estavam a cargo de Reginald Bell. Este cuidava
deles com a ânsia do homem que não pode esperar a próxima, a
grande aventura.
Bell
providenciou para que um dos transmissores fictícios, a mais
importante das armas de que dispunham, fosse retirado da Stardust e
montado na Ganymed. Certificou-se de que o compensador estrutural, um
aparelho que já se encontrava a bordo da Ganymed no momento em que a
capturaram das mãos dos saltadores, realmente cumpria aquilo que
estava prometendo. Criava um campo protetor absorvente dos abalos da
estrutura espaço-temporal causados pela transição da nave.
Enquanto o compensador estivesse funcionando, ninguém conseguiria
localizar a Ganymed em virtude dos abalos estruturais.
Bell
mandou colocar a bordo os 27 destróieres de três tripulantes, que
foram guardados na proa recém-construída da gigantesca nave. Também
providenciou a colocação das duas naves de reconhecimento de grande
alcance, tipo gazela. Tratava-se de aparelhos achatados em forma de
disco, de corte elíptico, que mediam trinta metros de comprimento e
dezoito de largura.
O coronel
Freyt, que figurava como comandante da Ganymed, acompanhou a entrada
dos mil tripulantes, cuidando para que cada um soubesse onde era seu
lugar a bordo.Os preparativos da decolagem demoraram uma semana. Face
ao vulto e à importância da tarefa, era um curto espaço. Mas
Rhodan teve que conciliar a pressa resultante da ameaça que a raça
mercantil dos saltadores representava para a Terra com a cautela que
qualquer homem de responsabilidade deve ter no preparo de um
empreendimento desse tipo.
O dia da
partida foi mantido. Apesar da rapidez com que foram realizados os
preparativos, um controle geral levado a efeito cinco horas antes da
decolagem revelou que a bordo da nave tudo estava em boa ordem e em
perfeitas condições de funcionamento.
Árcon
ficava no grupo estelar M-13, situado a cerca de 34 mil anos-luz da
Terra.
A Ganymed
não estava em condições de vencer essa distância enorme num único
hiper-salto. Rhodan programou um total de cinco saltos; o último
devia levá-los à periferia do grupo estelar. Os primeiros quatro
saltos seriam realizados sob a proteção do compensador estrutural,
mas o quinto não. Em Árcon ninguém devia ter a impressão de que
algum inimigo procurava aproximar-se sorrateiramente do centro do
Grande Império. O último salto devia ser constatado pelos
arcônidas.
*
* *
Quatro
transições foram realizadas sem qualquer incidente. As distâncias
entre um ponto de transição e outro eram uniformes. Cada salto
aumentava em 6.800 anos-luz a distância entre a Ganymed e a Terra.
Pela hora
terrena do meridiano de Terrânia eram 22:15 h do dia 10 de maio de
1.984 quando a Ganymed iniciou a última transição. Rhodan ordenou
um estado de prontidão rigorosíssima.
A dor foi
diminuindo.
Os apitos
agudos de alarma despertaram os homens de seu estado de
inconsciência. Um grito soou. Ninguém sabia quem soltara o mesmo.
Era um grito de admiração.
— Olhem
as telas!
A grande
tela panorâmica captava todos os ângulos do espaço. Na direção
correspondente ao eixo longitudinal da nave, via-se um conglomerado
de claridade reluzente. Era um tapete de luminosidade no qual não se
distinguiam as fontes de luz, uma nuvem de estrelas maior e mais bela
do que qualquer constelação jamais vista por um olho humano.
Era M-13!
Ali estava
o núcleo do Grande Império formado por centenas de milhares de sóis
que protegiam o coração do grande complexo: Árcon.
Face a
esse esplendor, os outros segmentos da tela pareciam vazios e
desolados. A concentração estelar da Galáxia empalideceu,
transformada em escuridão diante da luminosidade daquele grupo.
Alguns
minutos se passaram. Os tripulantes da nave contemplaram sem pressa o
grande milagre que se descortinava diante deles. Quase chegaram a
esquecer a finalidade da viagem.
Subitamente
um forte estalido rompeu o silêncio e uma voz arrastada saiu do tele
comunicador:
— Alguma
coisa não está em ordem!
A reação
de Perry Rhodan foi imediata. Logo se esqueceu do milagre que se
desenhava na tela.
— O que
não está em ordem?
— Os
receptores de hipercomunicação estão dando sinal
ininterruptamente. Com perdão da palavra, temos uma verdadeira
salada de ondas no instrumento.
— Conseguiu
a localização?
— Não,
senhor. A goniometria conjugada à medição de intensidade é
impossível porque as transmissões se superpõem. E para a
goniometria de triangulação precisaríamos dum terceiro ponto de
referência.
Rhodan
confirmou com um gesto de cabeça.
— Prossiga
nas observações — ordenou ao homem do rádio.
E logo
emitiu as ordens dirigidas ao comando da nave. Eram precisas e
lacônicas.
— Parar
a nave! Campos protetores a toda potência! Postos de combate
continuarão de prontidão!
A Ganymed
imobilizou-se.
A
cinqüenta minutos-luz, quase exatamente na direção do eixo
longitudinal da nave, ficava o último dos sóis da periferia externa
do grupo. Era um gigante vermelho sem planetas.
O silêncio
tomou conta da sala de comando. Os olhos fitos na grande tela
panorâmica procuraram compreender o que se passava lá fora.
Lá fora,
num setor estranho e pavoroso do espaço.
— O
fotômetro registra reflexos débeis em Pi cento e oitenta e dois e
Teta vinte e um do espectro estelar, com ligeiro deslocamento na
faixa do azul. O reflexo aproxima-se do ponto em que nos encontramos.
Os olhares
fixaram-se no ponto indicado. Ficava “atrás”
da Ganymed, se a direção em que ficava o grupo estelar fosse
considerada a frente.Os olhos não encontraram nada. Um olho humano
não é nenhum fotômetro.
Rhodan
instruiu a sala de rádio para que todas as transmissões recebidas
fossem conduzidas para um dos receptores da sala de comando. Dali a
um instante, uma confusão de ruídos encheu o recinto. Toda a escala
dos barulhos estava presente, desde o zumbido grave e monótono até
o chiado agudo e histérico, que quase não podia ser captado pelo
ouvido humano.
Eram hiper
transmissões, codificadas e condensadas. Quem não possuísse o
código e não conhecesse o fator de condensação nunca conseguiria
decifrá-las.
A antena
direcional revelou que parte das transmissões vinha da área em que
o fotômetro acabara de registrar o reflexo débil.
Alguma
coisa aproximava-se do grupo estelar a uma velocidade considerável.
O que
seria?
Rhodan
pediu que Crest comparecesse à sala de comando. Mas o arcônida não
conseguiu descobrir o que andava lá por fora.
Uma hora
passou-se. O reflexo luminoso aproximou-se a uma distância de vinte
minutos-luz. Constatou-se que, se não modificasse a direção de
deslocamento, passaria a grande distância da Ganymed.
Rhodan
suspirou aliviado. A representação não se destinava a eles.
Subitamente
um relampejo surgiu na parte superior da tela. Foi um raio de luz que
só durou uma fração de segundo, mas era tão intenso que atraiu
todos os olhares. Do lugar do relampejo, saiu um fio esverdeado que
atravessou a tela a grande velocidade, desapareceu diante da
claridade das estrelas, voltou a surgir e finalmente provocou outro
relampejo.
Nas
proximidades do local do segundo relampejo, surgiu outro fio luminoso
e percorreu o caminho de onde viera o primeiro. Os homens prenderam a
respiração, aguardando a detonação; mas esta não veio. O fio de
luz percorreu o espaço numa extensão de milhões de quilômetros e
desapareceu diante da claridade do grupo estelar.
— Erraram
o alvo! — resmungou Reginald Bell.
Essa
observação descontraiu os homens.
Não havia
a menor dúvida: a quinta transição da Ganymed terminara em meio a
uma batalha espacial.
*
* *
— Vamos
ficar quietos — ordenou Rhodan. — Não sabemos quem está
brigando com quem; o que sabemos é que aquilo não nos diz respeito.
Era uma
situação fantasmagórica. Fios luminosos coloridos passavam pela
tela e as explosões ofuscantes se sucediam. Crest não sabia o que
fazer.
— É
claro que existem muitas raças que não concordam com a existência
do império dos arcônidas — admitiu. — Quem é poderoso têm
inimigos, e nunca neguei que nestes últimos séculos os arcônidas
não trataram os rebeldes com o necessário rigor. Mas não tenho
meios para saber o que está acontecendo lá fora. Nem posso dizer se
há naves arcônidas envolvidas na batalha.
À medida
que perdurava a incerteza, crescia o desejo de obter informações.
Rhodan sentiu o nervosismo que tomava conta dele, e sabia que a mesma
coisa acontecia aos outros.
— Bell!
Reginald
Bell levantou a cabeça num gesto abrupto. Um brilho arrojado surgiu
em seus olhos.
— Sim.
Quer que eu...
Rhodan
confirmou com um aceno de cabeça.
— Não
podemos ficar parados toda vida. Pegue a Gazela-I e procure descobrir
o que está acontecendo.
As mãos
ágeis de Bell manipularam o intercomunicador. O tenente Tifflor, que
comandava a nave auxiliar Gazela-I, foi informado de que dentro de
quinze minutos o aparelho devidamente tripulado deveria estar pronto
para sair pelas comportas da nave.
— Nada
de arbitrariedades! — advertiu Rhodan. — Apenas queremos saber o
que está acontecendo. Não queremos que atire.
— Não
se preocupe. Sou o homem mais cauteloso do mundo.
Essas
palavras provocaram um sorriso nos homens reunidos na sala de
comando, que conheciam bem o gênio esquentado de Bell.
A Gazela-I
com seus dez tripulantes possuía todas as características de uma
pequena nave espacial. Estava equipada com hiperpropulsores, podia
realizar transições de extensão limitada e suas reservas
energéticas lhe garantiam uma autonomia de cerca de quinhentos
anos-luz.
A potência
de seu armamento era tamanha que poderia travar sozinha uma guerra
contra o planeta Terra. Era bem verdade que na opinião de Bell era
duvidoso que os acontecimentos desenrolados na periferia do grupo
estelar M-13 pudessem ser medidos pelos padrões terranos.
Há poucos
minutos a Gazela-I saíra do corpo gigantesco da Ganymed. Acelerando
ao máximo, atingira 0,8 vezes a velocidade da luz. Percorria o
espaço na direção dos débeis reflexos luminosos que os fotômetros
da Ganymed continuavam a acusar, e que se deslocavam em direção ao
grupo de estrelas.
Bell
estava sentado ao lado do jovem tenente Tifflor. Este pilotava a
nave, enquanto Bell se encarregava do controle dos goniômetros.
Quando se
encontravam a uma distância de cinco minutos-luz, o localizador de
microondas começou a reagir. No início, abrangeu um objeto de
contornos indefiníveis. Quando se aproximaram mais, viram que se
tratava duma nuvem de espaçonaves que se deslocava a alta
velocidade.
— A
distância é de cem segundos-luz — informou Tifflor.
— Chegue
mais perto — resmungou Bell. — Quero vê-los na tela. Reduza a
velocidade.
Tifflor
olhou-o de lado.
— Atirarão
contra nós — ponderou.
— Será?
— resmungou Bell. — Está com medo?
Tifflor
levantou-se com um gesto tão abrupto que os cintos lhe cortaram os
ombros.
— Senhor...
Bell fez
um gesto apaziguador.
— Está
bem, desculpe. Não tive a intenção de ofendê-lo. Sei
perfeitamente que não está com medo. Reduza a velocidade.
Tifflor
obedeceu.
Na tela
surgiram sombras apagadas. Eram as naves que refletiam a luz do grupo
de estrelas. Bell inclinou-se para a frente.
— Meu
Deus! — murmurou. — O que é isso?
Graças a
um treinamento intensivo, Reginald Bell possuía todo o saber
arcônida. Conhecia os tipos de naves do Império tão bem quanto um
arcônida, talvez melhor, já que a memória humana é mais eficiente
que a arcônida.
Aquilo que
tinha diante de si ultrapassava o volume de dados que podia assimilar
em alguns segundos. Calculou que o grupo era formado por umas
trezentas naves. A maior delas devia ter aproximadamente metade do
tamanho da Ganymed, enquanto a menor não passava dum ponto luminoso.
Tinha certeza de que seu tamanho não ultrapassava o da Gazela-I.
Havia
naves de um tipo que há milênios devia ter sido moderno na
galatonáutica arcônida, e outras que Bell não conhecia,
naturalmente por não serem de construção arcônida. Não existia a
menor dúvida: as naves que se encontravam diante da Gazela-I não
eram arcônidas.
*
* *
Depois da
ligeira manobra de frenagem desenvolvida por Tifflor, a nave apenas
desenvolvia 0,07 da velocidade da luz. Levou alguns segundos para
passar longe da formação. Os desconhecidos procediam com muita
cautela. Dificultavam a pontaria do inimigo, guardando grande
intervalo entre as naves.
Não
atiraram contra a Gazela-I. Tifflor suspirou silenciosamente ao ver
que os pontos luminosos que representavam as trezentas naves se
haviam deslocado para a tela de popa. Bell olhou-o com um sorriso de
escárnio.
— Infelizmente
tenho que incomodá-lo mais uma vez — disse. — Vamos voltar.
A resposta
de Tifflor foi lacônica:
— Sim
senhor.
Iniciou as
manobras. Depois de cinco minutos inverteu a rota da Gazela-I. A uma
velocidade ainda mais reduzida que da primeira vez, passou junto à
formação bem espalhada.
Subitamente
um dos homens sentados junto a um dos nichos de artilharia gritou:
— Estão
abrindo fogo contra nós! Uma faixa larga e ofuscante atravessou a
tela. Tifflor atirou a mão para a frente, a fim de executar a
manobra desviacionista. Mas o feixe energético passou a uma
distância segura. Produziu apenas uma ligeira reação dos campos
energéticos, indo atingir em cheio uma das naves estranhas, que se
encontrava a milhares de quilômetros de distância.
O efeito
do impacto foi tremendo. Por uma fração de segundos, a nave inchou
como um balão de brinquedo inflado às pressas. Suas paredes
entraram em incandescência e o feixe de fogo explodiu, espalhando
uma chuva de fragmentos luminosos e deixando vazio o lugar em que
pouco antes se encontrara.
— Vamos
embora! — fungou Bell.
A reação
de Tifflor foi instantânea. Acelerando ao máximo e descrevendo uma
curva fechada, a Gazela-I afastou-se da área perigosa que circundava
as naves estranhas.
Novos
feixes energéticos atravessaram o espaço, cruzaram as telas e
atingiram suas vítimas entre as naves desconhecidas. Uma chuva
incessante de fagulhas espalhava-se para todos os lados, mudando de
cor, enquanto a Gazela-I, cada vez mais veloz, penetrava no campo do
efeito de duplicação.
— Pare!
— ordenou Bell.
A Gazela-I
encontrava-se a dois e meio minutos-luz da formação que estava
sendo bombardeada. O localizador de microondas revelou que os
desconhecidos começavam a mexer-se. O que restava de suas naves
modificou a velocidade e a direção, para escapar ao fogo violento.
A formação espalhou-se para todos os lados. Os feixes energéticos
reluzentes atingiam o vazio e desapareciam em meio ao negrume do
espaço. O inimigo invisível suspendeu o fogo.
— Quais
são suas ordens? — perguntou Tifflor.
— Vamos
esperar — respondeu Bell laconicamente. — Ligue o receptor para a
freqüência integral.
Tifflor
confirmou com um gesto de cabeça. As intenções de Bell eram
claras. Em toda luta há sobreviventes, mesmo numa batalha espacial.
Se algum tripulante de uma das naves destruídas tivesse sobrevivido
ao impacto e vagasse pelo espaço, indefeso, transmitiria seu pedido
de socorro pelo rádio embutido no traje espacial.
Dali a
quatro minutos a Gazela-I captou o primeiro pedido de socorro. Eram
palavras balbuciadas numa língua incompreensível, de mistura com os
chiados das interferências. O goniometrista só levou alguns
segundos para determinar o local do emissor por meio da antena
automática. A Gazela-I voltou a dar partida.
Lenta e
cautelosamente, foi-se aproximando do local da batalha
recém-terminada. Metade das guarnições de artilharia tiveram que
vigiar eventuais feixes energéticos. A grande agilidade da Gazela-I
dava-lhe boas chances de desviar-se de um bombardeio energético, já
que a maioria das radiações não ultrapassa noventa e nove por
cento da velocidade da luz.
Bell ficou
de olhos fixos na tela reflexiva do localizador de microondas. A
antena de radiações descrevia sem cessar seu movimento pendular,
desenhando faixas verdes sobre a tela.
— Ali!
Um ponto
iluminou-se na faixa verde, apagou-se quando a antena se deslocou e
voltou a iluminar-se no próximo movimento.
Tifflor
alterou a rota. Desenvolvendo a velocidade de um automóvel terreno,
a nave aproximou-se do ponto. Um débil reflexo surgiu na tela de
imagem. Tifflor, um oficial submetido a treinamento intenso na
Academia Espacial de Terrânia, dele se aproximou com a rapidez e a
segurança de um comandante experimentado.
Agora era
com ele. Bell fornecera as diretivas gerais e agora ele daria as
ordens.
— Dois
homens sairão da nave. Tragam aquela criatura.
Os
tripulantes que se encontravam mais próximos à comporta saíram do
lugar, fecharam os trajes espaciais e desapareceram no cubículo da
comporta. Dali a um minuto surgiram na tela, transformados em vultos
disformes e inchados, que voavam tranqüilamente em direção ao
reflexo.
Tifflor
manteve contato pelo rádio. Os dois soldados colocados no espaço
chamavam a intervalos regulares.
— A
distância é de duzentos metros. Já distinguimos perfeitamente o
homem.— Andem depressa! — ordenou Tifflor. Lançou um olhar
preocupado pela tela de imagem. A área era perigosa. A qualquer
momento o desconhecido distante poderia localizar a nave e abrir fogo
de novo.
— Atingimos
o local — anunciou a voz de um dos soldados.
— Tragam
o homem.
— Sim
senhor, mas...
— Mas o
quê?
Ouviu-se
uma respiração ofegante, uma tosse.
— Não...
não é nenhum homem.
— O que
é?
— É...
bem, é uma coisa.
Tifflor
enfureceu-se.
— É um
ser inteligente ou não é?
— Parece
que sim... mas é tão esquisito!
Tifflor
tinha algumas palavras violentas na ponta da língua. Mas preferiu
guardá-las para si e ordenou:
— Tragam-no.
Depressa!
A
luminosidade dos três pontos projetados na tela voltou a crescer. Os
contornos começaram a tornar-se perceptíveis. Eram dois vultos
grosseiros e disformes, mas humanos, e uma terceira figura em forma
de caixa.
O silêncio
tomou conta da nave, até que o ruído provocado pelos homens que
vinham do espaço soou na comporta. Bell observou as luzes de
controle da escotilha interna e fez um sinal para Tifflor quando viu
surgir uma série de luzes verdes.
— Vamos
voltar pelo caminho mais rápido!
Tifflor
começou a manipular os controles. No momento em que a Gazela-I
começou a pôr-se em movimento, os dois soldados vindos da comporta
entraram e descansaram cautelosamente o grande volume cujo peso os
fizera ofegar.
Bell
soltou os cintos de segurança, contornou a mesa de controle e
contemplou a coisa de todos os lados. Pelo que constatou, o
envoltório cinza-claro, que imitava o couro, não devia pertencer
àquele ser; era provável que fosse uma peça de algum traje
espacial. Contudo, não descobriu nenhum fecho. Prosseguindo no
exame, deu com o lugar em que o envoltório era substituído por uma
lâmpada quadrada de vidro flexível que media cerca de vinte e cinco
centímetros, permitindo a visão do interior.
Por baixo
dela Bell viu um vulto coberto por listras cinza-claras e
cinza-escuras. Era aquilo que os dois soldados não quiseram chamar
de homem.
Bell bateu
na lâmina, mas nada se moveu atrás dela, O ser devia estar
inconsciente ou morto.
— Ande
depressa! — disse Bell em voz baixa, dirigindo-se a Tifflor.
Este
confirmou com uma expressão obstinada no rosto.
*
* *
Rhodan já
estava informado quando a Gazela-I entrou pela comporta. Ao seu lado,
Crest acompanhava a manobra. Parecia curioso. Tifflor deu prova de
suas qualidades de piloto espacial. A manobra foi rápida e segura.
Em torno
da Ganymed a batalha espacial continuava a rugir. A dispersão da
frota desconhecida, evidentemente, não passara duma ação isolada
em meio ao grande combate.
Rhodan
dirigiu-se a Crest.
— Quer
encarregar-se da investigação? Acho que estará em boas mãos.
Crest
concordou com um gesto.
— Avise
assim que descobrir alguma coisa — pediu Rhodan.
Crest saiu
e aguardou no corredor até que dois dos tripulantes levassem o ser
disforme pelo elevador antigravitacional.
— Façam
o favor de deixá-lo no laboratório — pediu.
Enquanto o
volume era introduzido no laboratório, Crest preparou os aparelhos
de que precisaria para a pesquisa.
Sua
providência principal consistiu em encher uma das pequenas câmaras
de exame, instaladas nos fundos do laboratório, com uma atmosfera de
metano submetida a uma pressão considerável.
Conhecia a
raça a que pertencia aquele ser indefeso, coberto de listras
cinza-claras e cinza-escuras.
Abriu o
traje espacial de couro junto à câmara de exames, introduziu o
corpo flácido e disforme na pequena comporta o mais depressa que
pôde, retirou o ar da mesma e fez com que uma lufada fresca de
metano envolvesse o ser estranho.
Na câmara
havia uma série de instrumentos que captavam e registravam as
funções do corpo. Crest leu nos indicadores que de todos os órgãos
somente aquele que correspondia ao coração humano desempenhava uma
atividade significativa.
O ser
estranho estava morrendo. A temperatura de seu corpo estava abaixo do
normal. Provavelmente o aquecimento do traje espacial falhara.
Os
controles seguintes foram manipulados com um máximo de rapidez e
segurança. Um zumbido grave encheu o recinto no momento em que
começou a funcionar o aparelho de encefalografia. Este aparelho
registraria as últimas vibrações cerebrais daquele ser que vivia
no momento e as traduziria numa programação positrônica.O rumo que
tomava a batalha espacial era inconfundível. As formações de naves
se agrupavam; mais uma dezena de reflexos foi registrada pelos
fotômetros.
No centro
de todas as formações encontrava-se a Ganymed.
Ainda
estava condenada à espera. A única coisa que podia fazer era ativar
os campos energéticos ao máximo de sua potência, para que um
impacto casual de um dos potentes canhões energéticos não pudesse
causar-lhe qualquer dano.
Dali a uma
hora Crest voltou. Rhodan notou que estava mais sério que de
costume. Segurava algumas fitas de plástico coloridas, utilizadas
como portador de impulsos da calculadora positrônica, e colocou-as
diante de Rhodan.
— O que
foi? — perguntou Rhodan laconicamente.
— Foi um
motunês — respondeu Crest.
— Foi?
— Isso
mesmo — confirmou Crest. — Morreu de subesfriamento. Não pude
fazer mais nada por ele.
Rhodan
refletiu, procurando localizar na profusão de memórias armazenadas
durante o treinamento hipnótico tudo que sabia sobre os motuneses.
Era uma
raça não-humanóide que respirava metano e habitava os planetas de
um extenso sistema solar situado na periferia do grupo estelar.
Quando foram subjugados pelo Grande Império já possuíam uma
tecnologia desenvolvida e em toda a história nunca foram membros
muito submissos do Grande Império. O nível elevado de sua
civilização e a repugnância natural dos não-humanóides pelos
humanóides fizeram com que de tempos em tempos os motuneses lutassem
pela independência de seu sub império.
— Com
quem estão brigando? — perguntou Rhodan.
— Com
uma grande frota de Árcon — respondeu Crest. — Este motunês
informou que, mal a rebelião havia começado, uma enorme frota
arcônida surgiu diante do mundo principal de Motun e transformou sua
superfície num oceano de rocha derretida.
As
unidades estacionadas nos outros planetas passaram à luta. É o que
estamos vendo na tela. Não existe a menor dúvida de que a rebelião
terminará com a destruição final dos motuneses.
Rhodan
ergueu os olhos, espantado.
— Parece
que Árcon está ficando enérgico.
Crest
deixou-se cair numa poltrona. Parecia um gesto de desânimo e
resignação.
— O
senhor não entende isso tão bem como eu entendo — disse em voz
baixa. — É bem verdade que dispõe do saber arcônida. Mas não
possui as impressões emocionais que carreguei comigo ao partir de
Árcon. Se no dia em que Thora e eu partimos de Árcon na nave
exploradora os motuneses se tivessem revoltado, nenhum arcônida se
teria preocupado por isso. Motun fica a quarenta e seis anos-luz de
Árcon. Os arcônidas sabiam que pouco importaria o que os motuneses
fizessem. De qualquer maneira não conseguiriam chegar aos mundos
coloniais mais importantes, quanto mais Árcon, em virtude dos
dispositivos automáticos de segurança. Teriam ficado diante das
telas de imagens fictícias, esperando que o entusiasmo dos motuneses
acabasse por si.
— E
agora... isto aqui... essa atividade imensa...
Rhodan
deixou passar algum tempo.
— Afinal,
treze anos se passaram desde sua partida, Crest — ponderou. — Não
acredita...
— Treze
anos! — exaltou-se Crest. — Será que treze anos bastariam para
produzir uma mudança tão radical no gênio de um povo antiqüíssimo?
Rhodan
refletiu.
— Uma
evolução natural não poderia produzir esse resultado —
confessou. — Talvez tenha havido um golpe de força na história
arconídica. Quem sabe se o próprio Árcon não sofreu um ataque, e
a situação criada com isso não deixou outra alternativa aos
arcônidas senão despertar de sua letargia?
Crest
mostrou um sorriso triste e fez um gesto. Estava com a resposta na
ponta da língua. Pretendia dizer que um povo condenado ao
desaparecimento não se desvia do caminho traçado pelo destino, e
prefere sucumbir a defender-se. Mas antes que pudesse dizer uma
palavra, o inferno parecia estar às soltas.
As sereias
de alarma elevaram sua voz desagradável e irritante, enchendo a nave
por alguns segundos com um ruído martirizante. Mal as sereias
silenciaram, uma voz gritou no intercomunicador:
— Uma
grande formação de naves aproxima-se na direção exata da Ganymed.
Distância de três segundos-luz, velocidade 0,05 da luz. Contato
dentro de sessenta segundos.
2
Antes de
mais nada, Rhodan lançou um olhar sobre o indicador de desempenho do
campo protetor. O sinal luminoso tremulava na mancha vermelha: não
havia possibilidade de conduzir maior suprimento energético ao
campo.
A Ganymed
estaria protegida contra qualquer carga concebível. Mas a frota que
do nada se aproximava era formada de mais de três mil naves, e nem
mesmo o mais potente dos campos energéticos resistiria ao bombardeio
de três mil canhões.
Crest
levantou-se e recuou para os fundos da sala. Sabia que numa situação
como esta deveria deixar a iniciativa por conta dos outros.
Numa
questão de segundos, a tripulação da sala de comando se amalgamou
naquela comunhão de luta que sempre formara nos momentos de maior
perigo. Todos os oficiais estavam nos seus lugares, aguardando as
ordens de Rhodan, com um nervosismo reprimido a custo.
Apesar da
pressa, Rhodan não perdeu o sentido de coerência. O localizador de
microondas gastou dez segundos para apalpar o formato das naves que
se aproximavam vertiginosamente e constatar que a frota era de origem
arcônida.
Rhodan
consumiu mais dez segundos em expedir a mensagem codificada que na
opinião de Crest e Thora convenceria qualquer tripulação arcônida
de que tinha um irmão de raça diante de si.
Mais dois
segundos se passaram até que percebesse que as naves arcônidas não
registraram a emissão. E, menos ainda, cogitavam de desviar-se da
perigosa rota que estavam seguindo.
Vinte
segundos depois do primeiro aviso a frota arcônida abriu fogo contra
a Ganymed. Centenas de feixes energéticos concentrados correram pelo
espaço. Em parte erraram o alvo, em parte levaram os campos
energéticos à incandescência.
— Posto
de combate número um, preparar para abrir fogo! — ordenou Rhodan.
O posto de
combate número um correspondia ao transmissor fictício, que era a
arma mais eficiente da nave.
A
confirmação não demorou mais que um segundo.
— Abrir
fogo na direção Pi zero com potência média — ordenou Rhodan. —
Fogo!
Com a mão
direita empurrou o regulador de velocidade para a posição máxima.
A Ganymed pôs-se em movimento. Acelerada ao máximo, correu em
direção à gigantesca frota do inimigo, abrindo caminho por entre
as linhas inimigas por meio do misterioso transmissor fictício. O
aparelho registrava o alvo, arremessava-o pelo hiperespaço e fazia-o
ressurgir num ponto cuja distância e posição eram escolhidos em
função da quantidade e da polarização da energia empregada.
Uma
passagem larga abriu-se diante da Ganymed, enquanto os campos
energéticos continuavam a iluminar-se sob o fogo das naves
arcônidas.
Os
arcônidas logo reconheceram o perigo que se aproximava deles. A
formação desagregou-se e as naves se afastavam em todas as
direções, para dificultar a pontaria do inimigo. Os impactos sobre
o campo protetor da Ganymed tornaram-se cada vez mais raros.
Desenvolvendo o máximo de aceleração, a nave terrena precipitou-se
pela abertura. Confundiu a pontaria arcônida quando a mesma teve que
girar além do ângulo de zero graus. Menos de dois minutos depois do
primeiro alarma, encontrava-se em segurança, bem além das linhas
inimigas.
A frota
arcônida reagrupou-se e prosseguiu no seu vôo, mantendo a rota
primitiva. Poucos segundos depois observaram-se os primeiros tiros de
radiações, que provocaram explosões refulgentes nas profundezas do
espaço. O fogo dos arcônidas foi respondido. Mas a proporção dos
tiros disparados de lado a lado revelava claramente a situação
desesperadora de inferioridade em que se encontravam os motuneses.
Os três
mil couraçados, diminuídos de três, que o transmissor fictício
transferira para outro setor do espaço, passaram que nem um rolo de
fogo sobre os destroços das naves motunesas, deixando atrás de si
uma chuva incandescente de destroços, que se reuniam na tela sob a
forma de nuvens luminosas amarelo-avermelhadas.
Dali a
meia hora Rhodan decidiu prosseguir viagem. Face à rebelião que se
manifestara nas áreas exteriores do grupo estelar, achou preferível
não expor a Ganymed a outro perigo. Resolveu executar mais um
hiper-salto para vencer a distância restante de cerca de quarenta e
cinco anos-luz.
A elevada
concentração de matéria reinante na área, especialmente no centro
do grupo M-13, exigiu maior número de dados para o cálculo das
coordenadas do salto. Isto acarretou maior dispêndio de tempo.
Nesse meio
tempo a nave ficou de prontidão. Ninguém saberia prever se, depois
de ter feito uma limpeza tão rigorosa entre os motuneses, a frota
arcônida não se lembraria do inimigo anterior e procuraria
localizá-lo.
*
* *
Thora
irrompeu em meio aos preparativos da transição e aos pensamentos
graves que passavam pela mente de Rhodan. Alguma coisa parecia tê-la
excitado além da medida. Seu longo cabelo branco esvoaçava enquanto
atravessava a sala de comando a passos rápidos.
Rhodan
recebeu-a com um sorriso.
— Foram
naves arcônidas, não foram? — perguntou Thora.
“É
isso”,
pensou Rhodan. “Acompanhou
os acontecimentos na tela e agora vem me dizer o que eu deveria ter
feito.”
— Foram
— admitiu.
— Por
que não se identificou?
— Foi
exatamente o que fiz. Usei a mensagem codificada. Thora ficou
perplexa. Seus olhos chamejantes, assumiram uma expressão um pouco
mais suave.
— E
não...
— ...não
responderam? Não. Pelo contrário: começaram a atirar.
Os braços
de Thora caíram molemente junto ao corpo. Sua cólera e seu
entusiasmo haviam passado. Só ficou o desamparo.
Crest saiu
do canto em que passara os últimos trinta minutos, acompanhando os
acontecimentos que se desenrolaram lá fora. Estava pasmo e
silencioso. Thora virou-se para ele, com a grande pergunta
inexprimível nos olhos.
Crest
parou perto dela e fez um gesto grave.
— Nossa
situação não é melhor que a sua — disse em arcônida. — Não
temos a menor idéia do que pode ter acontecido.
— Mas...
— Durante
sua ausência deve ter havido uma modificação profunda no império
de Árcon — interveio Rhodan. — Ao que parece, de certo tempo
para cá, os comandantes das naves arcônidas foram instruídos a ver
um inimigo em qualquer coisa que se interponha no seu caminho. Até
os sinais codificados perderam seu valor.
— E
agora? O que pretende fazer?
O rosto
apavorado de Thora antecipou a resposta: deviam voltar, fugir, ir
para casa. Rhodan riu baixinho.
— Não
tenha medo. Pretendíamos ir a Árcon, e ainda pretendemos. Vamos
realizar a sexta transição, que nos levará ao centro do grupo
estelar. Uma coisa eu lhes digo. Ao que tudo indica, é muito mais
provável que sejamos destruídos por seus patrícios em vez de
atingirmos Árcon sãos e salvos.
— Passo
por passo, jornada após jornada o rei Salomão penetra na terra
misteriosa de Ofir e se aproxima do palácio dourado da rainha de
Sabá.
Com um
sorriso, Rhodan olhou para o lado e contemplou seu co-piloto e amigo,
que acabara de recitar pela terceira vez o verso que falava no rei
Salomão e na rainha de Sabá.
— Está
com uma veia romântica, não é? — escarneceu.
Bell não
tirou os olhos da tela.
— Isso
mesmo — respondeu em tom sério. — Até parece que estou no
cinema. Olhe isso — fez um gesto amplo, que abrangeu toda a
superfície da tela panorâmica — e ouça isso — apontou para o
receptor de telecomunicação montado diante dele que, ligado na
freqüência integral, captava a cada segundo as emissões irradiadas
por tudo quanto era emissor localizado nesse setor do espaço.
Realmente,
a visão oferecida pela tela era fabulosa. As estrelas agrupavam-se
tão densamente que em certos pontos pareciam formar paredes
luminosas compactas. Em outros lugares, formavam pontos de cruzamento
duma rede estreita cuja luminosidade era inconcebível.
Jamais um
ser terrano havia visto um céu desses.
O que saía
do hipercomunicador era a superposição de pelo menos cem mil
palestras conduzidas ao mesmo tempo. Era de supor que a maior parte
dessas palestras se realizava num raio de quinze anos-luz em torno da
Ganymed, já que é este o alcance para o qual geralmente são
regulados os emissores de hipercomunicação. E, se considerarmos que
no máximo dez por cento das naves que se encontram em viagem
estariam transmitindo ao mesmo tempo, chegaremos à conclusão de que
a esfera espacial de trinta anos-luz de diâmetro que tinha a Ganymed
por centro devia ter um “conteúdo”
de pelo menos um milhão de naves.
Era um
número impressionante.
Reginald
Bell começou a compreender o que Rhodan queria dizer quando afirmava
que, apesar da decadência e do refinamento excessivo, o Império
Arcônida era uma coisa tão poderosa e formidável que o espírito
humano não conseguiria imaginar.
Mas uma
impressão forte como esta sempre irritava Bell. Afastando
violentamente a sensação de pequenez e insignificância que
começava a surgir em sua mente, formulou uma afirmativa arrojada
sobre o verso do rei Salomão que acabara recitar:
— Ao
aproximar-se, viu que o outro não passava de latão; recuperou a
coragem, e sua vanguarda sozinha derrotou o exército gigantesco da
rainha de Sabá.
Voltando-se
para o lado, olhou Rhodan com um sorriso mordaz:
— Agora
que satisfizemos nossas necessidades mitológicas, o que vamos fazer?
Rhodan
apontou para a tela.
— Vamos
aguardar a interpretação. Pelos nossos cálculos, saímos da
transição a trinta horas-luz do sol de Árcon. O que vemos diante
de nós corresponde aos dados constantes dos velhos mapas de Crest.
Mas muita coisa mudou neste meio tempo.
Por isso
prefiro não assumir nenhum risco; mandarei conferir os mapas. Quem
sabe se os arcônidas não construíram outra fortaleza espacial?
Poderemos esbarrar com o nariz na mesma, se não nos cuidarmos.
Bell
franziu a testa.
— Aliás,
já sabemos da existência do chamado anel exterior de fortificações,
não é?
— É
verdade. Acontece que não fica aqui, mas na órbita planetária mais
distante do sistema, ou seja, perto de quinze ou vinte horas-luz da
estrela central.
Bell
examinou uma série de instrumentos.
— Estamos
desenvolvendo a velocidade de 0,2 luz — constatou. — O anel
exterior está dentro do raio de alcance de nossos transmissores.
Vamos enviar uma mensagem?
Rhodan
confirmou com um gesto.
— É
claro que vamos. Vamos enviar qualquer mensagem que os faça
compreender que nossas intenções são amistosas.
— Muito
bem. Tomara que adiante alguma coisa.
A
conferência dos mapas não revelou nada de novo. Os arcônidas não
haviam acrescentado qualquer estação espacial às já existentes.
Reconheceram
parte das cinco mil plataformas equipadas com canhões pesadíssimos,
que formavam o anel exterior de fortificações. A Ganymed
aproximava-se do círculo a sessenta por cento da velocidade da luz.
As antenas da nave expeliam incessantemente sinais codificados e
mensagens destinadas aos receptores instalados nessas plataformas.
As
plataformas deveriam responder. Ao menos, segundo afirmava Crest,
elas o fariam em condições normais. Acontece que não respondiam.
Silenciosas,
continuavam a percorrer suas órbitas, e ninguém poderia prever o
que fariam se a Ganymed procurasse romper o círculo sem o sinal
liberatório do grande emissor, buscando penetrar no coração do
Grande Império.
Uma das
gigantescas plataformas de guerra foi crescendo lentamente na tela.
Na estranha perspectiva do espaço livre, que não permitia a
avaliação de distâncias sem instrumentos, parecia que dentro de
poucos segundos a mesma se transformava de um pequeno ponto brilhante
para um monstro perto do qual a Ganymed não passava dum naviozinho
insignificante.
Por uma
fração de segundo os olhos viram as aberturas ameaçadoras das
torres de radiações.
Subitamente
o furacão de fogo irrompeu de todas as peças. Uma parede fulgurante
formada por uma massa imensa de energia concentrada precipitou-se
sobre a Ganymed. Os geradores do campo protetor uivaram, solicitados
ao máximo sob o impacto das forças terríveis, e a nave foi atirada
de um lado para outro que nem uma canoa em mar tempestuoso.
O pavor
tomou conta das mentes.
As últimas
energias que restavam nos propulsores impeliram a nave para a frente.
Um repentino golpe de aceleração fez com que os disparos
energéticos ininterruptos das torres se perdessem no vácuo por
alguns segundos, passando atrás da Ganymed. Quando o dispositivo de
pontaria automática percebeu o erro e corrigiu a posição dos
canhões de radiação, a nave terrana já se encontrava a mais de
duzentos mil quilômetros. Os campos energéticos, que mal e mal
resistiram ao primeiro impacto dos tiros disparados a pequena
distância, absorviam com a maior facilidade os tiros que agora os
perseguiam.
O balanço
cessou. Com o campo energético luminoso a Ganymed foi penetrando no
estranho sistema deixando para trás o anel mortífero de
plataformas.
— Continuaremos
em prontidão rigorosa. Devemos contar com novos ataques. Qualquer
baixa deve ser avisada imediatamente à sala de comando.
Não
houvera nenhuma baixa.
Pálido de
susto, Crest estava encolhido na sua poltrona, junto à parede
lateral da sala de comando. Rhodan virou-se para ele e exibiu um
ligeiro sorriso, para acalmar o arcônida. Crest não retribuiu. O
medo estava escrito em seu rosto.
O espaço
que se abria diante da Ganymed parecia livre. O poderoso Império
concedia uma ligeira pausa de respiração aos invasores.
Rhodan
levantou-se, passou pelos postos dos oficiais e dispensou a cada um
deles uma palavra animadora e tranqüilizadora. Parou diante de Crest
até que este, dominado pelo pavor, notasse sua presença:
— A sala
de rádio fica à disposição do senhor e de Thora. O senhor sabe
como lidar com os instrumentos. Procure falar com Árcon. Explique
àquela gente que não viemos como inimigos.
— Faça
o possível para convencê-los. Senão estaremos todos perdidos.
Crest
confirmou com um gesto. Parecia muito perturbado. Levantou-se e saiu.
Rhodan seguiu-o com os olhos. Depois chamou Thora e pediu-lhe que
ajudasse Crest.
Ao que
parecia, era Thora que mais precisava de auxílio.
Rhodan
reduziu a velocidade da nave depois que a Ganymed deixou para trás
os últimos tiros disparados a distância. Seria uma loucura penetrar
no sistema a noventa por cento da velocidade da luz.
Era
necessário agir com cautela, mesmo que esta consumisse tempo e
aumentasse o risco de novo ataque antes que a Ganymed atingisse a
órbita de Árcon.
Há vários
minutos Thora e Crest procuravam comunicar-se com seu mundo através
do hipertransmissor.
Ainda não
haviam conseguido nada. Árcon não respondia.
Rhodan
começou a suspeitar de alguma coisa. Árcon não respondia! Teria o
mundo dos arcônidas sucumbido a alguma catástrofe? Será que uma
guerra eliminara a humanidade arcônida?
“É
tolice”,
disse Rhodan de si para si, espantando seus temores. “Se
fosse assim, como se explicariam as frotas gigantescas que fizeram
uma limpeza tão radical entre os motuneses?”
E se não
fosse tolice?
Era
perfeitamente possível que as naves dirigidas por robôs tivessem
escapado à destruição, e prosseguissem com a obstinação de
máquinas insensíveis na execução das tarefas que lhes haviam sido
atribuídas, mesmo que seus senhores já não vivessem.
Será que
a Ganymed estava chegando tarde?
Rhodan
quis ter certeza. Recorreu ao pequeno programador que encontrou junto
à sua mesa para codificar a pergunta:
— As
naves de tipo arcônida que a Ganymed enfrentou nas últimas dez
horas são unidades dirigidas por robôs?
A pergunta
foi transmitida ao centro de cálculos. Rhodan pediu a resposta ao
menor prazo possível. Acreditava que o cérebro positrônico levaria
ao menos quinze minutos para chegar a um resultado inequívoco.
E nesses
quinze minutos...
*
* *
Rhodan foi
espantado de suas reflexões pelo estalo do intercomunicador. A voz
exaltada do oficial do posto de localização encheu a sala:
— Constatamos
uma transição nas imediações. Trata-se de um couraçado da classe
da Stardust. Pode ser alcançada pela visão ótica direta.
Uma sombra
negra e ameaçadora cobrira parte do tapete de estrelas. No início
parecia um pequeno furo, depois uma bola, e por fim um enorme disco
redondo, que impedia totalmente a visão da Ganymed para um dos
lados.
Rhodan
enrijeceu os músculos, como se tivesse que suportar pessoalmente o
primeiro impacto. E logo veio o feixe luminoso verde do
desintegrador. Atingiu o campo energético da Ganymed pouco acima do
leme e produziu uma luminosidade ofuscante nos campos energéticos.
Rhodan
desviou a Ganymed. Numa manobra instantânea saiu para o lado,
deixando para trás a próxima salva de desintegradores.
Mas a
gigantesca nave acompanhou a manobra. Num movimento ágil, que quase
parecia uma brincadeira, grudou-se nos calcanhares da Ganymed,
aproximou-se a uma distância de vinte quilômetros e bombardeou a
nave terrana com uma seqüência ininterrupta de salvas de todos os
canhões possíveis.
O uivo
infernal dos geradores do campo energético voltou a ser ouvido. A
Ganymed voltou a ser sacudida por fortes golpes, já que os
neutralizadores antigravitacionais não conseguiam mais absorver os
choques provocados pelos impactos. Alguns homens foram arrancados dos
assentos e atirados contra as paredes.
Rhodan
executou uma manobra após outra. Por vezes, a pressão sobre seu
braço era tamanha que movia uma chave sem que o quisesse, imprimindo
uma direção nova e totalmente inesperada à Ganymed.
Dessa
forma a nave escapou da quarta parte dos disparos. Mas os três
quartos restantes bastariam para vencer dentro de poucos minutos a
resistência dos campos energéticos.
Finalmente
Rhodan tomou uma decisão.
— Todos
os postos de combate prontos para disparar. Posto número um: cuidado
com a determinação de distâncias.
Os homens
respiraram aliviados.
Finalmente!
Finalmente estava acontecendo alguma coisa.
Finalmente
poderiam mostrar àquele colosso arcônida com quem ele se metera.
— O que
era aquilo? Uma nave-gigante?
— Bem,
para naves gigantes possuímos armas especiais. Este transmissor, por
exemplo, pode arremessar um planeta inteiro...
— O que
foi isso? Ordem revogada? Não abriremos fogo?
— Por
que será?
Foi
porque, no momento mais crítico, a voz desesperada de Thora surgira
no intercomunicador. Soava fina face ao barulho que rugia na nave,
mas era perfeitamente audível:
— Não
atirem, pelo amor de Deus! Revogue a ordem. Conseguimos estabelecer
contato com Árcon.
Um último
impacto imprimiu um movimento de rotação à Ganymed. As imagens das
estrelas desfizeram-se em faixas alongadas.
Rhodan
freou o movimento por meio de um ligeiro empuxo contrário, colocou
em ordem a imagem na tela e examinou os arredores.
Onde
estava o couraçado?
Tinha ido
embora. Desaparecera. A massa-estrela do grupo brilhava
tranqüilamente em todo esplendor. O colosso não estava mais por
perto. A visão abria-se livremente para todos os lados da Ganymed.
— Eu
sabia! — resmungou Reginald Bell. — Foi apenas um sonho.
Os homens
riram. O riso era um tanto histérico, mas era um riso de alívio.
Para a
Ganymed, começou outro período de espera. Rhodan realizou uma
ligeira correção de rumo. A série de manobras desviacionistas
voltara a aproximar a nave do anel de fortificações.
Na tela, o
sol de Árcon brilhava num esplendor fulgurante. Tornou-se necessário
cobrir os aparelhos de filtros negros, para que os olhos pudessem
suportar aquela visão.
A Ganymed
encontrava-se a nove horas-luz da órbita do planeta Árcon. Já
deixara para trás a órbita do planeta exterior do sistema.
Embora se
encontrasse próxima ao destino, ninguém sabia responder a estas
perguntas: o que acontecera em Árcon? Que tipo de influência
transformava os arcônidas duma raça decadente e apática em seres
sanguinolentos, que atiravam sem aviso contra um visitante que se
aproximava?
Thora e
Crest haviam realizado uma palestra direta com Árcon, gravando-a em
fita. Levaram o pedaço de fita da sala de rádio para a sala de
comando, para reproduzi-lo diante de Perry Rhodan.
Rhodan
contemplou-os enquanto manipulavam o aparelho de som. Crest parecia
tão confuso e apavorado como estivera meia hora antes, ao sair da
sala de comando. E as mãos de Thora tremiam. Ligou o aparelho com um
gesto furioso, que quase chegou a quebrar a chave.
Rhodan
ficou admirado.
Um
silêncio profundo reinava na sala de comando no momento em que
começaram a soar as vozes gravadas na fita. Graças ao treinamento
hipnótico, os oficiais dominavam a língua arcônida como se fosse
sua própria.
Crest:
— Aqui
fala Crest, da família de Zoltral. Sou um membro da expedição
Aetron, que partiu de Árcon há onze anos — tempo
arcônida
— juntamente com Thora, outra sobrevivente da expedição e membro
da mesma família. Encontro-me a bordo de uma nave pertencente a uma
potência estranha, que quer levar-nos de volta para Árcon.
Solicitamos permissão para pousar.
“É
uma fala bastante cautelosa”,
pensou Rhodan. “Se
Crest acreditasse que em Árcon as coisas ainda eram como no tempo em
que partira, não teria solicitado, mas exigido permissão para
pousar.”
Os Zoltral eram a família reinante.
A mensagem
de Crest foi repetida várias vezes. Depois da segunda repetição a
fita reproduziu o rugido da manobra que os desviou do couraçado
arcônida. Ouviu-se o uivo dos geradores e, outra vez, a voz de
comando de Rhodan vinda pelo intercomunicador que devia permanecer
ligado em todas as dependências da nave enquanto durasse o estado de
prontidão.
Crest
repetiu a mensagem cinco vezes antes que viesse o primeiro sinal de
resposta. Pela sua voz notava-se que quase chegara a perder as
esperanças.
Uma voz
estranha e indiferente falou:
— Árcon
para Crest da família Zoltral. O senhor não consta mais das listas
de busca. Aguarde uma nave de escolta.
Nesse
instante, Thora interveio na palestra. Pelo tom de sua voz, as
reservas de energia de que dispunha eram muito maiores que as de
Crest.
— Uma
nave de escolta! — chiou
furiosa.
— O senhor nos mandou uma nave de guerra. Se a mesma não for
retirada imediatamente, nosso comandante não terá outra alternativa
senão destruí-la.
Espantado,
Rhodan levantou a cabeça. Seus olhos procuraram os de Thora, mas
esta fitava o chão.
A voz
indiferente voltou a soar no alto-falante:
— É
impossível. Ninguém pode destruir um couraçado arcônida.
— Pois
espere para ver, seu idiota. — Nesse
instante ouviu-se ao fundo a voz de comando de Rhodan, dirigida aos
postos de combate.
— De qualquer maneira retiraremos o couraçado — prosseguiu
a voz estranha.
— Não faça nada enquanto a nave de escolta não chegar. Fim.
O resto
Rhodan já sabia. Thora pedira-lhe que revogasse a ordem de abrir
fogo. E o couraçado desapareceu.
Rhodan
olhou os arcônidas.
— Não
era o que esperavam, não é verdade? — perguntou em arcônida.
Crest não
se moveu, mas Thora levantou a cabeça, exaltada.
— Sabe
disso tão bem quanto nós — chiou indignada.
Rhodan
confirmou com um gesto de cabeça.
— Sei,
sim. Mas talvez a falta de respeito pela sua ascendência seja um bom
sinal, para toda a raça dos arcônidas. O simples fato de que alguém
nos recusa o tratamento de Vossa Alteza ou Vossa Eminência não deve
levar ninguém a conclusões sombrias.
Thora fez
um gesto de desprezo.
— O
senhor diz isso para consolar-nos — disse. — Sabe perfeitamente
que um mundo teria que desmoronar antes que um arcônida subalterno
recusasse a um membro das famílias reinantes o título que lhe
compete.
Rhodan
olhou-a pensativo.
— É
possível que um mundo tenha desmoronado — disse baixinho.
Provavelmente
essas palavras teriam provocado outra discussão, se o oficial de
observação, que não sabia nada sobre a palestra com Árcon, não
anunciasse com a voz rouca mais uma transição nas imediações da
Ganymed.
Bell
interrompeu o homem exaltado:

Nenhum comentário:
Postar um comentário