Autor
CLARK
DARLTON
Tradução
S.
PEREIRA MAGALHÃES
Digitalização
e Revisão
ARLINDO_SAN
O fim de
uma época — a Terra
mergulha
no mar do esquecimento.
História
da Terceira Potência em poucas palavras:
• O
foguete Stardust alcança a Lua e Perry Rhodan descobre a nave
exploradora dos arcônidas, que realizou um pouso de emergência
(vol. 1).
• Instalação
da Terceira Potência contra a resistência das grandes potências
terrenas e defesa contra tentativas de invasão extraterrena (vols. 2
a 9).
• Primeira
intervenção da Terceira Potência nos acontecimentos galácticos.
Perry Rhodan defronta-se com os tópsidas e procura solucionar o
enigma galático (vols. 10 a 18).
• A
Stardust-III descobre o planeta Peregrino e Perry Rhodan alcança a
imortalidade relativa (vol. 19).
• Perry
Rhodan regressa à Terra e luta por Vênus (vols. 20 a 24).
• O
Supercrânio ataca (vols. 25 a 27).
• Chegada
dos saltadores, que pretendem eliminar a concorrência potencial da
Terra no comércio galático (vols. 28 a 37).
• Primeiro
contato de Perry Rhodan com Árcon e atuação como delegado do
cérebro positrônico que exerce o governo no grupo estelar M-13
(vols. 38 a 42).
Os
saltadores planejaram a destruição da Terra. Essa destruição é
também do interesse de Rhodan. Naturalmente não a destruição da
verdadeira Terra, o planeta pátrio da Humanidade. Mas, sim, o
terceiro planeta desabitado do sistema Beta.
A
programação alterada da positrônica de bordo da nave de Topthor
levou os saltadores à falsa Terra...
E o
espetáculo da destruição da Titan deve ser assistido por todos os
seres inteligentes da Galáxia, para convencê-los realmente que a
Terra e Rhodan não existem mais...
=
= = = = = = Personagens Principais: = = = = = = =
Perry
Rhodan
— Administrador da Terra e comandante da Titan.
Major
Deringhouse
— Intrépido comandante do cruzador Centauro.
Al-Khor
— Comandante supremo das forças tópsidas no sistema Beta.
Ber-Ka
— Corajoso e pretensioso oficial tópsida que derrubou a nave de
Topthor.
Cekztel
— Quer destruir a Terra, mas confunde-a com um planeta de Beta.
Topthor
— O grande idealizador da guerra de destruição da Terra.
Gucky
— Com três poderes parapsicológicos é uma peça indispensável
da vitória.
1
Fora da
relação tempo-espaço, definida por Einstein, todas as leis da
natureza que conhecemos perdem a validade no hiperespaço. A noção
de tempo desaparece e as distâncias infinitas se reduzem a um
ridículo nada.
No
infinito do Universo, decorrera apenas fração de um segundo, quando
Perry Rhodan deu um salto de dez mil anos-luz com a sua poderosa
esfera espacial Titan, para o interior da Via Láctea.
Num piscar
de olho, o Sol se reduziu a uma minúscula estrela, que apenas os
mais sensíveis telescópios eletrônicos eram capazes de perceber,
no emaranhado imenso de corpos celestes. Mesmo o sol Beta, o olho
gigantesco vermelho, parecia quase apagado. Já estava a 9.728
anos-luz da Titan, na direção da Terra.
Diante da
supernave, porém, jazia o espaço infinito, com seus sistemas
habitados e desabitados... e com seus perigos.
Perry
Rhodan estava sentado em frente à tela panorâmica que lhe
proporcionava uma visão simultânea de todo o espaço. A seu lado,
Reginald Bell, seu melhor amigo e companheiro, passava a mão na nuca
para minorar a dor da transição. Depois ajeitou as cerdas eriçadas
de sua cabeleira vermelha e esfregou os olhos para ver melhor. A
Titan avançava para dentro do emaranhado de estrelas, porém, agora
quase que se “arrastando”
a uma velocidade que mal atingia 0,9 da velocidade da luz. Nesta
aceleração, levariam anos para atingir a próxima estrela.
— Espero
que os interessados tenham ouvido o estrondo durante a
rematerialização, Bell — disse Rhodan, acenando na direção da
porta da central de rádio. — Saberemos em breve.
“Por
toda parte, nas Galáxias, existem rastreadores estruturais, que
registram qualquer transição no hiperespaço. Nós não nos
utilizamos do compensador estrutural durante o salto, portanto devem
ter ouvido o estrondo no mesmo instante, mesmo na distância de dez
mil anos-luz.
“Agora é
que começa o quebra-cabeça das conjeturas, meu amigo. Os
comerciantes das Galáxias pensarão que somos os terranos, no que,
aliás, estão certos. Permita Deus que os tópsidas, de acordo com
os planos, também nos considerem comerciantes das Galáxias.”
— Vamos
reforçar um pouco a opinião deles — prometeu Bell, que era baixo
e meio pesadão. Mas Bell, realmente, não tinha nada de pesadão e
isto valia também não só no sentido físico. — Os sáurios de
Topsid têm de supor que nós somos saltadores, pois acreditam que
viemos do lado oposto. Com os saltadores é diferente, eles vêm das
profundezas da Via Láctea e acreditam que nossa Terra esteja no
sistema do sol Beta, onde os tópsidas tentam se estabelecer. Já que
os saltadores tencionam destruir a Terra, os habitantes do sistema
Beta vão intervir e atacá-los. Haverá então uma guerra, a que
vamos assistir de camarote, se quisermos atingir nosso grande
objetivo. Maravilhosamente engendrado, não é?
— Sim,
por Deringhouse e McClears, com os quais, finalmente, temos que
manter contato. Onde estarão agora os dois cruzadores?
Bell
Interpretou a pergunta como uma ordem indireta e se levantou.
— Está
bem, vou me informar a respeito. Rádio cifrado?
— Naturalmente
— confirmou Rhodan, e continuou olhando para o painel panorâmico,
embora não houvesse nada para ver, de maior interesse. —
Determinar a posição e pedir um relatório da situação. Eu irei
pessoalmente falar com Deringhouse. Nada, de imagens, para os
telespectadores clandestinos não pegarem nada. É bom que a Terra
permaneça um pouco no esquecimento.
— Em
compensação, metade do Universo se movimenta por causa dela —
disse Bell sorrindo, enquanto atravessava a cabina semi-esférica
para entrar na sala de rádio, que ficava ao lado. — Alô, Martin,
dormiu bem?
O cadete
Martin fez um gesto que sim, sem se virar, estava sentado diante dos
aparelhos, observando o resultado de alguns números em escalas
coloridas. Uma tela oval apresentava reflexos cintilantes que
percorriam a tela convexa, aparentemente sem sentido. Não se
compreendia nada, naquela confusão de sinais. De um alto-falante,
ouviam-se estalos.
— Salto
bem sucedido, senhor. Nenhum sinal de rádio até agora, que se
refira a nós.
— Envie
uma mensagem por hiperrádio a Deringhouse, na direção de Beta. Em
código cifrado sistema H-V trinta e três, positronicamente. Major
Deringhouse deve dar sua posição e se preparar para fazer um
relatório. O chefe quer falar diretamente com ele. Avise, assim que
conseguir contatá-lo.
— Certo,
senhor, tudo será feito.
Bell ainda
ficou olhando por uns instantes como o operador-chefe ligou a
instalação, registrou a mensagem no aparelho de decodificação e
depois a gravou em fita magnética que começou a retransmiti-la. O
texto seria repetido tantas vezes até que viesse resposta na mesma
freqüência. Isto poderia levar horas ou apenas minutos.
— A
mensagem está correndo — disse Bell a Rhodan, voltando à sua
poltrona de primeiro-oficial. — Tomara que nenhum saltador nos
localize.
— Isso é
um pouco difícil — sorriu Rhodan. — Sob certas condições,
pode-se determinar a direção das transmissões por hiper-rádio,
mas nunca o seu distanciamento. Terão que procurar muito até nos
encontrar. Está mais otimista, Bell?
O gorducho
murmurou algo ininteligível e passou a se dedicar com afinco à
observação do Universo, como se nunca tivesse visto uma estrela em
sua vida.
Na
realidade, tinha visto muito mais estrelas do que muitos outros
homens. Mas Bell pensava sempre em moças bonitas.
*
* *
O cruzador
pesado Centauro, uma esfera de duzentos metros de diâmetro, estava
relativamente imóvel no espaço, aguardando. Bem perto dele, a menos
de dois quilômetros, flutuava a nave gêmea Terra, cujo comandante
era o major McClears.
A bordo da
Centauro estavam, além do telepata John Marshall, nove outros
mutantes, sem incluir Gucky, o rato-castor. A separação de seu
amigo do peito, Bell, estava lhe fazendo muito bem, pelo menos estava
deixando de aprender outras expressões um tanto fortes e tinha que
se contentar com as que já sabia.
Deringhouse
tinha dormido algumas horas, e naquele exato momento estava chegando
à cabina de comando, para substituir seu lugar-tenente capitão
Lamanche.
— Alguma
novidade, capitão?
O francês
balançou a cabeça.
— Nada,
senhor. A distância do sol Beta continua ainda a de trinta anos-luz.
O rastreador estrutural constatou um grande número de transições
nas imediações do sistema Beta. Os tópsidas estão recebendo
realmente o prometido reforço.
Deringhouse
ouvia cansado.
— Está
bem, Lamanche, substitua-me daqui a cinco horas.
Cinco
horas... Deringhouse não foi diretamente para sua poltrona, mas
ficou andando de um lado para o outro na espaçosa cabina da
Centauro. Quanta coisa havia acontecido nos últimos dias...
O plano de
Rhodan de enganar os poderosos inimigos da Terra estava se tornando
cada vez mais concreto. Os saltadores, unidos a Topthor, tinham em
mãos um trunfo insuperável. O superpesado Topthor sabia onde estava
a Terra. Pelo menos julgava que sabia. O que realmente não sabia era
que os mutantes de Rhodan, já há muito tempo, haviam alterado os
dados no computador de bordo da Top II, onde estavam armazenados
todos os detalhes sobre a posição da Terra. Quando fosse
consultado, o cérebro eletrônico diria hoje que a Terra é o
terceiro planeta do sistema Beta.
Conforme o
plano de Rhodan, os saltadores haveriam de atacar este terceiro
planeta de Beta e destruí-lo, na crença de que se tratava da Terra.
Com isto
estava ganhando tempo para fortalecer o sistema de defesa da Terra e
para se preparar para um segundo encontro com o cérebro robotizado
de Árcon. É claro que após a destruição da “Terra”,
tinha-se de dar a impressão de que não existiam mais os terranos de
Perry Rhodan.
Deringhouse
tinha nos lábios um leve sorriso. Um plano ousado e prudente que,
quando bem sucedido, resolveria muitos problemas de uma só vez.
O terceiro
planeta do sol Beta era um mundo de florestas virgens inabitado, que
seria sacrificado para salvar a Humanidade. O quarto planeta, porém,
o “mundo
d’água”,
chamado Aqua, foi uma verdadeira surpresa. No único continente, que
nadava num mar imenso, como uma pequena ilha, os tópsidas haviam
estabelecido uma base. Os tópsidas ou sáurios possuíam a 815
anos-luz da Terra um reino estelar, dominado por um ditador. Eram
velhos inimigos de Rhodan. E agora surgiam de repente tão pertos da
“Terra”
de novo. Num plano feito na última hora, Deringhouse e os seus se
faziam passar por saltadores e acabaram revelando aos tópsidas que a
força de combate dos superpesados, uma tropa de assalto de elite dos
saltadores, estava a caminho para destruir a base dos tópsidas.
Outras unidades dos saltadores e dos aras participariam também do
assalto.
A reação
foi como se esperava. Os sáurios exigiram reforços para poderem se
defender do assalto. Deringhouse fugiu e estava a trinta anos-luz de
distância, esperando o sucesso de sua artimanha.
Um zunido
muito agudo chegou a seus ouvidos, vindo da cabina de rádio ao lado.
Tenente Fischer estava de serviço.
O zumbido
estridente significava hiper-rádio.
— Rhodan?
Com um
pulo, Deringhouse atravessou a cabina de controle e empurrou a porta
da cabina de rádio.
Fischer
regulou o volume e procurou o manual dos códigos. Ligou o aparelho
de decodificação e, no mesmo instante, os sons quase inarticulados
se tornaram compreensíveis:
— ...tauro.
Repetindo: Titan para Centauro. Indique posição, major Deringhouse.
O chefe aguarda relatório completo. Repito mensagem toda: Aqui
Titan, posição dez mil anos-luz da Terra, direção Árcon. Titan
para Centauro...
— Apresente-se,
Fischer — ordenou Deringhouse — talvez já estão chamando por
nós há mais tempo. Ou você recebeu o chamado neste instante?
— Não
tenho a menor idéia de quando começou o sinal, senhor.
Demorou
mais dois minutos até que a voz de Rhodan se fez ouvir no
alto-falante. Para a cobertura de uma distância quase inimaginável,
ela levou menos de um milésimo de segundo.
— Aqui
fala Rhodan. Estou a nove mil setecentos e vinte oito anos-luz de
vocês, Deringhouse. Transições contínuas anunciam a concentração
da frota dos saltadores. O número exato não é possível saber. E o
que está se passando por aí?
— As
últimas mensagens dos tópsidas puderam ser decifradas. O ditador de
Topsid prometeu enviar para a base de Aqua uma poderosa esquadrilha
militar. Conforme meus cálculos, chegam a uns quinhentos aparelhos,
e já estão a caminho.
— Os
saltadores também devem trazer um número mais ou menos aproximado.
A destruição intencionada por nós do pseudo-planeta Terra se dará,
pois, sob circunstâncias dramáticas. Quando os tópsidas e os
saltadores se digladiarem, não sobrará muita coisa. Temos que fazer
tudo para que não cheguem a explicações verbais. Os saltadores têm
de considerar os tópsidas como terranos ou seus aliados, enquanto
que os tópsidas têm de ver nos saltadores seus inimigos figadais.
Se nós aparecermos uma vez ou outra e permitirmos que eles nos vejam
um pouco, a ilusão será completa. Mais alguma coisa, Deringhouse?
Tudo claro?
— Apenas
uma pergunta, senhor.
— Pois
não, Deringhouse.
— O
senhor vai ficar por aí ou vem nos dar um pouco de apoio? E ainda
mais: Quando devemos voltar para o terceiro planeta?
A resposta
de Rhodan não se fez esperar.
— Vamos
agir juntos. Você receberá a ordem de atacar no mesmo segundo em
que a Titan saltar para o terceiro planeta. Será no momento em que
os saltadores caírem em cima dos tópsidas.
— Será
que três espaçonaves apenas bastam para enganar os dois lados?
— Acho
que sim, se não ficarmos sempre no mesmo lugar. Até logo mais,
Deringhouse.
O major
olhou para a tela, onde, em condições normais, a imagem de Rhodan
teria aparecido. Voltou depois para a cabina de comando e ficou
refletindo.
“Tomara
que os cálculos de Rhodan dêem certo. Do contrário...”
*
* *
O segundo
parceiro do jogo de xadrez galático era Al-Khor, o comandante geral
dos tópsidas nos planetas do sistema Beta. Depois de haver eliminado
seu inimigo Wor-Lök, e ter entrado em ligação com Topsid, muita
coisa se havia alterado. A base dos tópsidas no quarto planeta, até
então muito fraca, foi imediatamente reforçada para não ser
derrotada em caso de um ataque. Sem suspeitar de nada, Al-Khor veio
de encontro aos planos de Rhodan. Além disso, quis o acaso que
Al-Khor, através de suas providências, confirmasse os dados falsos
dos saltadores de que no planeta das matas virgens é que estava a
Terra. Al-Khor transferiu para o terceiro planeta todo o poderio
militar dos tópsidas.
A cada
momento chegavam novos reforços da longínqua pátria dos tópsidas,
a mais de quinhentos anos-luz do sistema Beta. Deringhouse conseguiu
registrar as transições, já estavam acima de quatrocentas.
No
planalto, situado acima das matas virgens, os raios energéticos
escavavam enormes cavernas nos rochedos. O planeta, até então
desabitado, virou de uma hora para outra uma verdadeira fortaleza.
Naves de patrulhamento dos sáurios cruzavam em direções
predeterminadas todo o planeta, fazendo tudo para evitar um ataque de
surpresa dos saltadores. Outras unidades estavam escondidas nas
partes rasas do mar, esperando pela ordem de entrar em ação.
Os
tópsidas estavam bem armados para repelir a cobiça dos saltadores,
cujos motivos, porém, não estavam bem claros desta vez. Se
soubessem por que motivos os saltadores estavam atacando o terceiro
planeta, ou se chegassem a perceber que os saltadores julgavam que se
tratava da Terra, seu procedimento mudaria, e tudo estaria perdido.
Al-Khor
estava a bordo de um dos últimos aparelhos que haviam deixado Aqua,
o planeta das águas. Quando o mundo azul desapareceu atrás dele,
acenou contente para o comandante do cruzador.
— Os
saltadores jamais chegarão à idéia de que nós estamos mais
interessados no quarto planeta do que no terceiro. E também não
terão possibilidade de corrigir o erro. O ditador me comunicou há
pouco, que, exatamente no momento em que nós estivermos no apogeu do
ataque, mandará uma outra frota de duzentos cruzadores pesados.
Tenho a impressão de que nenhuma espaçonave dos saltadores escapará
da destruição.
— Uma
jogada genial — disse o comandante do cruzador tópsida elogiando.
— Seu nome, Al-Khor, ficará nas páginas da história dos
tópsidas.
Al-Khor
concordou feliz. Já estava se vendo, em traje de gala, na parada da
vitória, ao lado do ditador que o condecoraria como herói do Reino
das Estrelas.
O cruzador
chegou ao terceiro planeta e Al-Khor se dirigiu ao quartel-general,
uma caverna escavada num morro, nas proximidades do equador. A
estação de hiper-rádio já estava em funcionamento. Em menos de
dois minutos, Al-Khor conseguiu ligação com Topsid. Exigindo um
relato completo da situação, o comandante local das forças armadas
apresentou-se. Depois prometeu solenemente:
— Pode
ficar tranqüilo, Al-Khor, os saltadores terão a maior derrota de
sua longa história. O ditador está muito contente com as
providências que você tomou. Envie a senha, assim que os saltadores
atacarem e faça com que estejamos sempre a par do desenrolar dos
acontecimentos.
— Haveremos
de vencer! — exclamou Al-Khor pateticamente.
Houve um
momento de silêncio e depois veio a resposta:
— Temos
de vencer, Al-Khor.
*
* *
O terceiro
parceiro da partida chamava-se Cekztel, o mais velho patriarca dos
superpesados, que mantinha em suas mãos o comando geral de todas as
forças armadas dos saltadores. Sua figura maciça — pesava mais de
seiscentos e cinqüenta quilos — estava sentada numa poltrona
especial diante dos controles da espaçonave, de onde iria dirigir a
estratégia geral. A estratégia que significava a destruição total
de um planeta chamado Terra.
Cekztel
era, propriamente, o órgão executivo do empreendimento, pois o
iniciador de tudo chamava-se Topthor. E por isso, vamos nos ocupar
mais dele, pois foi ele quem um dia descobriu a Terra e registrou no
computador de bordo, com muito cuidado, sua localização. Como Perry
Rhodan se tornava cada vez mais importante, e portanto mais perigoso,
o valor deste registro positrônico era incalculável. Topthor acabou
revelando este segredo aos saltadores, pois estava em jogo sua
própria segurança. Resolveram, então, unidos, acabar com Rhodan,
de uma vez por todas. Seu planeta pátrio teria que ser destruído. A
chave para isto estava com Topthor.
Mas a
chave não prestava mais, pois há muito, os mutantes de Perry Rhodan
haviam alterado os dados do computador de Topthor. A “Terra”
agora girava em torno do sol Beta.
Quanto
mais longe, melhor.
O
corpanzil de Topthor repousava numa poltrona larga. Os superpesados
tinham vivido por muito tempo num planeta de elevada gravitação,
mas apesar de seu enorme corpo, eram relativamente ágeis.
— Alô,
Regol! Você está cochilando aí no seu posto?
— Cabina
de rádio na escuta, Topthor. Não foi possível ainda fazer a
ligação com Talamon.
— Não
temos nenhuma freqüência secreta?
— Talamon
não responde nem mesmo por ela.
Topthor,
com um soco da mão direita fechada, fez funcionar outro botão,
interrompendo a ligação com a sala de rádio. Durante uns dois
minutos ficou praguejando sozinho, antes de ligar o intercomunicador.
— Gatzek
deve vir falar comigo, imediatamente.
Gatzek era
o segundo-oficial da nave Top II, homem de confiança de Topthor. Os
dois superpesados já tinham feito muitas campanhas juntos e travado
muitas batalhas, por bom dinheiro dos ricos comerciantes das
Galáxias. Desta vez, porém, não se tratava de dinheiro, tratava-se
de riscar do mapa um adversário que se tornara poderoso demais.
Por que
Talamon não se manifestou?
Gatzek era
relativamente magro, pesava tão somente... quinhentos quilos.
— Qual é
a novidade, Top? Ataque?
— Ainda
não — murmurou Topthor mal-humorado. — Cekztel está levando
muito tempo. Enquanto isto ocorre um número muito grande de
transições lá por perto da Terra. Isso me preocupa. Parece que
Rhodan foi avisado de alguma coisa.
Por uns
instantes, Gatzek parecia assustado, mas de repente um sorriso
sarcástico inundou seu rosto.
— Quem é
que o poderia ter avisado?
Topthor
não prosseguiu com suas idéias.
— Não
consegui ainda me comunicar com Talamon. Onde estará o nosso amigo
Talamon...?
Era o
único saltador que havia feito amizade com Rhodan, porque este lhe
poupara a vida, quando duzentas naves dos superpesados entraram num
beco sem saída. Além disso, Talamon era devedor de gratidão a
Rhodan, pelo melhor negócio que fizera em sua vida.
Naturalmente,
ninguém conhecia estes detalhes, mas Topthor tinha suas suspeitas e
sabia muito bem ler entre as linhas. Sua última conversa com Talamon
o deixou muito preocupado.
— Ele
vai tomar parte no ataque à Terra? — perguntou Gatzek.
— Quem
dos superpesados que não vai tomar parte, ao menos com uma nave, que
seja? — foi a contra-pergunta de Topthor. — Nossa frota de
assalto já conta com mais de oitocentas unidades, mas de Talamon não
há nem um aparelho de pequeno porte. Você tem uma explicação
razoável para isto?
Gatzek
sacudiu os poderosos ombros:
— Será
que ele está com medo?
Topthor se
irritou um pouco com esta hipótese descabida.
— Medo?
Talamon ter medo? Receio que tenha outro motivo: simpatiza muito com
Rhodan.
— Com um
terrano que está mais morto do que vivo? — disse Gatzek
sinceramente admirado. Depois deu uma sonora gargalhada. — Por que
nos preocupamos com Talamon? Se não quiser vir, que fique em casa.
Mesmo sozinhos, somos capazes de liquidar este Rhodan. Não pode
fazer nada contra oitocentas naves poderosíssimas.
No fundo,
ele tinha razão, mas felizmente não sabia de que maneira ele estava
acertando.
— Talamon
é meu amigo — disse Topthor — e eu não gostaria que um amigo
seguisse caminhos errados, que acabariam sendo sua ruína. Temos de
chamá-lo a atenção.
— E como
você vai conseguir isto, se ele não dá sinal de vida?
Topthor
não sabia o que responder. Não tinha também mais oportunidade de
se preocupar com isto, pois neste momento ouviu-se o estalo
característico do alto-falante do intercomunicador e logo depois
soou a voz objetiva de Regol:
— Acabam
de chegar as coordenadas para o salto e o horário. O ataque à Terra
será desfechado exatamente dentro de trinta minutos.
É claro
que ele não usou a palavra minuto, mas convertido daria mais ou
menos o equivalente. Topthor esqueceu num instante o caso de Talamon.
Fazendo um sinal para seu homem de confiança, Gatzek, perguntou:
— Para
onde é que nos leva o salto?
— Para o
centro do sistema dos terranos. Uma nave de patrulhamento colheu
informações. Chegaremos a menos de dois minutos-luz da Terra no
superespaço.
— A
rapaziada vai arregalar os olhos — continuou Topthor, pois o
superpesado já estivera uma vez na Terra. Mas, naquela vez, Rhodan o
enganara. De qualquer maneira, Rhodan lhe poupara a vida. Mas Topthor
não era homem para se mostrar grato por uma coisa desta. — Porém
desta feita, vamos acabar com Rhodan.
— Esperamos
que sim — observou Gatzek, e já não parecia tão seguro.
Mas
Topthor atribuía seu mau humor a um outro motivo: Talamon. Sabia que
seu amigo era um homem muito perspicaz, que jamais teria tomado uma
atitude como esta sem motivos de grande peso. Se não estava tomando
parte neste ataque, era porque estava duvidando de antemão do
resultado da ação. Por quê? Conhecia ele tão bem assim a
capacidade de Rhodan, para acreditar na vitória dos terranos? Ou
seria sentimento de gratidão que o impedia de atacar Perry, por lhe
haver poupado a vida, há tempos atrás?
Um
saltador superpesado, mas... sentimental...?
Topthor
deu uma risada forçada e se dirigiu à sala de rádio.
— Então,
Regol, que é que há com Talamon?
— Os
sinais de chamada continuam sem resposta, Topthor. Seu amigo não
aparece e ninguém sabe onde está.
Topthor
ficou calado, virou-se bruscamente na direção da cabina de
controle. Deixou-se cair pesadamente na poltrona que rangeu sob o
peso.
Gatzek
esperava tranqüilo. Percebeu pela fisionomia de Topthor, que seria
melhor ficar calado. Pois nos traços de Topthor não se via apenas
uma curiosidade angustiante, mas declaradamente a expressão da
dúvida.
*
* *
Afinal aí
estava Talamon, que Topthor procurava tão desesperadamente. Neste
jogo de xadrez galático, representava ele o papel mais
insignificante possível, pois nem aparecia. Mas exatamente isto é
que deixava Topthor tão zangado e incerto.
Porém,
Talamon agiu por conta própria, quando deixou de atender o pedido de
seu patriarca Cekztel, não enviando nenhum aparelho para o ataque à
Terra. Por que razão haveria ele de prejudicar Rhodan? Não foi
exatamente Rhodan que o fizera milionário? Que lhe poupara a vida?
Que lhe provara que também entre raças estranhas existe algo
chamado “código
de honra”?
Não,
Talamon não via razão para trair Rhodan.
Estava com
sua frota de duzentas unidades em algum lugar da Via Láctea, não
mandou naves de patrulhamento e sua central de rádio ficou em
permanente escuta. Caso fosse necessário, tinha a firme resolução
de ajudar Rhodan. Sua tentativa de avisar os terranos foi inútil,
pelo menos não havia recebido nenhuma resposta. Ficou acompanhando
todas as transmissões das frotas dos saltadores que se reuniam e
estava muito bem informado sobre tudo. Também os chamados de Topthor
ele havia recebido, sem respondê-los.
E assim
aconteceu, que atrás dos bastidores espreitava uma força militar de
envergadura, aguardando o momento de intervir nos acontecimentos. Uma
força de que ninguém suspeitava.
Nem mesmo
Perry Rhodan.
2
Tudo
convergia para a Titan.
O
operador-chefe Martin acordara de um sono reparador e já tinha
voltado para seu posto, quando o receptor começou a acusar impulsos
fortes demais. Continham apenas uma palavra no texto: “Rhodan”.
O restante
era ininteligível. Martin, que tinha muita experiência, gravou em
fita a mensagem que se repetia e depois chamou o chefe. Rhodan
apareceu logo, bem disposto depois de um bom repouso.
— O que
há, Martin?
O operador
ligou a fita gravada. Rhodan ouviu por uns instantes, sem dizer uma
palavra, depois sorriu e apontando para a instalação de controle
positrônico, disse:
— Aplique
a chave XX-treze e deixe a fita correr. Pegue o texto decifrado e me
traga na sala de comando. Eu estou substituindo Bell.
Martin
começou seu trabalho enquanto Rhodan abriu a porta da cabina e
entrou. Bell estava na poltrona do comandante e virou para trás com
cara de cansado. Um leve sorriso tremulou em seus lábios quando
fitou Rhodan.
— Já é
tempo que alguém me venha substituir. Não consigo mais ficar de pé.
Minhas pernas estão cansadas.
Perry
retrucou:
— Se
meus conhecimentos de anatomia não estão errados, você também
senta sobre as pernas, mas numa parte muito especial que você chama
de...
— Santo
Deus, será que tudo tem que ser tomado ao pé da letra? — lamentou
Bell. — Só queria dizer que estou muito cansado.
— Então
vá dormir, Gordo — aconselhou-o Rhodan, tirando seu amigo da
poltrona. — O negócio vai começar logo e todos os guerreiros
estão mesmo cansados.
A
brincadeira de Rhodan deixou Bell com melhor disposição.
— O
negócio vai começar? Que negócio? Você se refere ao ataque?
— Quando
é que você vai aprender a falar melhor? — e apontando na direção
da sala de rádio, disse: — Chegou um rádio há pouco. Se não me
engano, vem de Talamon.
— Do
superpesado? Que quer de nós?
— Saberemos
logo. De qualquer maneira, manteve a palavra.
Nesse
instante entrou Martin.
— Já
decifrei o texto, devo...?
— Pode
rodar a fita e ligue o som para cá.
Segundos
após, a fita estava tocando na sala de rádio, a mensagem tinha um
texto simples e claro.
— Sim —
disse Rhodan contente — é sem dúvida o vozeirão do nosso amigo
Talamon. Deve estar muito apreensivo a nosso respeito, para ter
coragem de nos mandar esta mensagem.
Bell nada
disse. Estava atento a cada palavra que saía do alto-falante:
— Rhodan,
aqui fala Talamon. Perigo iminente para a Terra. Em vinte minutos
exatos a Terra será atacada por uma frota sob o comando de Cekztel e
a orientação astronáutica de Topthor. Posição já conhecida.
Estou esperando suas instruções. Não tomo parte no ataque. Repito:
Rhodan, aqui fala Talamon. Perigo iminente para Terra. Em vinte
minutos exatos...
Bell fazia
sinal de aplauso.
— Veja
só, iam deles, o supergordo, é sincero e quer nos avisar. Não
esperava isto dele.
— Mais
tarde haveremos de nos lembrar dele — prometeu Rhodan, desligando a
instalação de som.
Encostou-se
comodamente na poltrona e volvendo-se para Bell:
— Como
é? Não vai dormir? Estava tão cansado?
— Cansado?
— suspirou Bell. Seus cabelos vermelhos estavam arrepiados. —
Como posso dormir se a batalha começa em vinte minutos?
— Você
não deve esquecer que esta mensagem foi recebida por Martin há uns
dez minutos — disse Rhodan bem calmo. — Só a decifragem levou
seis minutos.
— Dez
minutos!... — os olhos de Bell se arredondaram. — Isto quer dizer
que os saltadores em dez minutos... Puxa vida! Que estamos fazendo
aqui?
— Dez
minutos... — Rhodan olhou para o relógio e se corrigiu. — Nove
minutos é um tempo bem grande quando se sabe aproveitar. — Rhodan
apertou um botão. — Martin, faça-me uma ligação para
Deringhouse. Eu vou atender aí.
Desligou o
intercomunicador e se levantou.
— A
operação está em marcha, mesmo que não façamos mais nada. Não
podemos mais detê-la, o máximo que podemos fazer é influenciar
para o lado positivo e haveremos de fazê-lo, naturalmente. Você
ainda quer ficar acordado?
Rhodan se
dirigiu novamente para a sala de rádio, pois Deringhouse já estava
esperando.
— Atenção,
Deringhouse. Última informação — disse Rhodan, olhando para o
relógio. — Os saltadores se materializam no espaço dentro de sete
minutos e trinta segundos. Temos então que já estar aí, pois não
sei qual vai ser a reação de Topthor, se reconhecer seu erro. Temos
que cuidar que não lhe sobre tempo para uma desculpa. Os saltadores
têm que ver no terceiro planeta a Terra verdadeira. Topthor é o
único ser humanóide que viu o sol da nossa Terra e guardou sua
posição. Os saltadores devem, portanto ser atacados assim que
chegarem.
— Os
tópsidas estão esperando por eles — observou Deringhouse.
— Certo,
mas nós devemos ajudar um pouco. Transição exatamente em sete
minutos para o sistema Beta. Deringhouse, ataque a primeira nave dos
saltadores que aparecer. Não espere muito e não fique mais do que
um minuto em cada posição. Transição é mais importante do que
luta. Os saltadores devem ter a impressão de que estão lutando
contra uma grande frota de poderosos cruzadores. A mesma ordem vale
também para McClears. Entendido?
— Entendido,
senhor. E o que é que o senhor vai fazer?
— A
Titan também vai aparecer. Já que somos as três únicas naves
esféricas, não há perigo de nos enganarmos.
— Por
que — perguntou Deringhouse com voz abafada — não destruímos
logo a nave de Topthor, para tirar muito aborrecimento do caminho?
Quando ele e seu computador de bordo estiverem destruídos, ninguém
mais poderá corrigir o erro.
Rhodan deu
um sorriso frio.
— Existem
centenas de naves de conformação cilíndrica, muito semelhantes
umas às outras. Você acha que consegue distinguir a de Topthor das
outras?
Depois de
curta pausa, Deringhouse ainda perguntou:
— E o
que faço, caso eu realmente a distinga?
Agora a
pausa era do lado de Rhodan. Refletiu um pouco, embora soubesse que
não haveria outra resposta. Naturalmente, Deringhouse tinha muita
possibilidade de distinguir a nave de Topthor, pois a bordo da
Centauro se encontrava o corpo de mutantes. E se Topthor já
estivesse morto...
— Se
encontrar Topthor, destrua sua nave.
— Obrigado.
Vou fazer esforço para isso. Mais alguma coisa?
Rhodan
olhou para o relógio, um movimento que haveria de repetir ainda
muitas vezes, nos próximos minutos.
— Transição
dos saltadores em... três minutos e cinqüenta segundos.
Felicidades, Deringhouse.
Rhodan
virou-se para trás, quase se chocando com Bell que o seguia. Passou
por ele sem dizer uma palavra e foi na direção do computador, onde
recolheu os dados para o hipersalto.
— Sente-se,
Gordo. Dentro de cinco minutos, você poderá ver o gigantesco sol de
Beta, se tiver tempo para isto.
*
* *
— Quer
apostar como acharei a nave de Topthor, em poucos instantes? —
dizia Gucky.
Deringhouse
levantou as duas mãos, como se quisesse se proteger do rato-castor.
— Posso
apostar com o diabo, a qualquer momento, mas nunca mais com você.
Meus dedos ainda estão doendo de tanto coçá-lo. Além disso, ainda
tenho de lhe pagar seis arrobas de cenoura.
— Mesmo
assim ainda vou achar Topthor — continuou Gucky ignorando o
pretexto do comandante. — Então, saltarei em sua nuca e lhe
quebrarei o pescoço.
Deringhouse
sorriu, enquanto verificava os controles que realizariam o salto
iminente para o sistema Beta.
— Teria
prazer em ver isto. Você é telepata, teleportador, telecineta, mas
não sabia que é também lutador de judô. Prazer em conhecê-lo...
— Você
não crê em mim? — disse Gucky, encostando-se no sofá, com uma
expressão incrível em sua cara cômica. — Eu já liquidei
centenas de robôs.
— Não
se trata apenas de Topthor — lembrou-lhe Deringhouse, empurrando
uma alavanca para frente. — Sua espaçonave inteira deve ser
destruída. Você se lembra que todos os dados sobre a nossa Terra
estão ainda registrados na positrônica de bordo, pois não foram
totalmente suprimidos. Claro, Topthor também é importante, pois o
superpesado não é bobo. Vai perceber logo que está no planeta
errado, que pulou confusamente noutro sistema e talvez mude de idéia.
John
Marshall, chefe do exército de mutantes, entrou na cabina de
controle da Centauro. Cumprimentou Gucky e se dirigiu a Deringhouse.
Como telepata, sabia, naturalmente, sobre o que os dois estavam
conversando.
— Uma
das missões do corpo de mutantes será descobrir a presença de
Topthor, major. Por que então não se utilizar de Gucky, quando ele
está tão seguro de sua competência?
— Não
tenho nada contra, se ele tomar a iniciativa — respondeu
Deringhouse cauteloso. — O que não quero é fazer mais apostas com
ele. É meu direito, não é? Não quero voltar para a Terra pobre e
meio aleijado.
Marshall
concordou, sorrindo, e Gucky estava feliz enquanto Deringhouse se
sentia aliviado. O rato-castor concentrou-se então na grande missão
que estava prestes a desempenhar.
Deu-se
então o salto da Centauro. Saltou simultaneamente com sua irmã
gêmea, Terra. A cinco minutos-luz do terceiro planeta, as duas
esferas gigantescas de duzentos metros de diâmetro voltaram ao
espaço normal.
Todos os
canhões de raios energéticos estavam a plena carga e os envoltórios
de proteção entraram em ação. O capitão Lamanche, na central de
rádio, estava em grande atividade, procurando informações das
muitas mensagens captadas, para melhor orientar uma estratégia
coordenada.
A bordo da
Centauro era grande a agitação, mas o espaço em volta ainda estava
tranqüilo. O terceiro planeta era uma estrela bem nítida à sua
frente. O rastreador estrutural estava ligado e registrava as
primeiras transições. As distâncias eram diferentes, mas logo se
evidenciou que todos partiam do mesmo local.
A frota
dos saltadores chegava com um pequeno atraso.
*
* *
Os
tópsidas estavam esperando em fortificações subterrâneas. Num
trabalho febril nas últimas horas, aquelas instalações foram
montadas para desviarem os adversários do precioso quarto planeta.
Era-lhes preferível que atacassem um mundo que não apresentava
coisa melhor do que imensas matas virgens e planaltos pedregosos.
Neste mundo de florestas, não existia vida inteligente, fora dos
tópsidas, naturalmente.
Al-Khor, o
comandante supremo, achava-se em ligação permanente com todos os
postos de comando. Estava a par de todos os preparativos de defesa e
de outros segredos. Para o ditador, no sistema tópsida, a 543
anos-luz de distância, havia um canal permanente de
hipercomunicação.
— Cruzador
de patrulhamento MV-treze tem mensagem importante.
Al-Khor
fez um sinal para o operador, através do vídeo de bordo.
— Encaminhe
a ligação para cá — ordenou ele.
Suas
cerdas na nuca estavam em desalinho e sua fisionomia demonstrava
grande cansaço. O corpo coberto por escamas, estava parcialmente
coberto pelo uniforme. No amplo cinturão, via-se a coronha da
pistola de raios energéticos.
As imagens
na tela variavam. Ora a silhueta de uma nave em forma de torpedo, ora
os traços duros de um tópsida.
— Cruzador
MV-treze, comandante Ber-Ka. Mensagem importante. Primeiros estrondos
no espaço a dois minutos-luz. Os saltadores iniciam o ataque.
— Tente
fazer uma contagem dos estrondos — falou Al-Khor. — Ordene
imediatamente outras transições, dando-lhes a posição. Mandarei
logo algumas unidades de combate para o ponto onde você se encontra.
Ataque, Ber-Ka, somente ações isoladas é que podem desnortear o
adversário.
— Vou
atacar, sim — confirmou Ber-Ka. Seu rosto desapareceu da tela e
logo depois surgiu outro tópsida.
Al-Khor
não parava mais. O ataque ao terceiro planeta havia mesmo começado.
Mas o cruzador de patrulhamento MV-treze tinha recebido ordens.
Ber-Ka não hesitou em cumpri-las.
Ber-Ka era
ainda muito jovem e vaidoso. Fazia apenas poucos anos que comandava
uma nave de porte maior, uma nave cilíndrica de duzentos metros de
comprimento. Os armamentos extraordinários lhe proporcionavam uma
sensação de segurança e lhe davam muita coragem para enfrentar um
adversário até mais forte. Empertigou-se todo e deu ordens a seus
oficiais, para que se reunissem com ele, imediatamente.
— Meus
amigos — disse com muita determinação. — Al-Khor nos deu ampla
liberdade de ação. Devemos atacar os saltadores onde quer que
apareçam. Vocês sabem, melhor do que eu, que nunca teremos
oportunidade melhor do que esta para nos colocar em destaque. Viva o
ditador!
— Viva o
ditador! — gritaram todos os oficiais, mais ou menos entusiasmados.
Para alguns, a vida tinha mais valor do que uma condecoração de
validade duvidosa. Mas, desobediência ao comandante significava a
morte imediata. Assim, a possibilidade de sobrevivência em meio à
luta era bem maior.
Na tela da
MV-treze, apareceram os pontos luminosos flutuantes dos saltadores em
ataque. Aqui e ali, estes pontos surgiam, às vezes, do nada,
demonstrando assim que as transições não paravam. Depois de
observar melhor, Ber-Ka não tinha dúvidas de que os saltadores
haviam mesmo escolhido como seu objetivo principal o terceiro
planeta.
Era de
qualquer maneira surpreendente. Afinal de contas, o quarto planeta
era aquele que servia de base aos tópsidas e que devia ser atacado.
Por que então os saltadores não se preocupavam com o quarto
planeta, mas se concentravam apenas no terceiro?
Era uma
questão que interessava grandemente a Al-Khor também, neste
momento. Mas ninguém tinha resposta cabível para ela.
Externamente,
as naves dos saltadores se assemelhavam muito com as dos tópsidas,
eram, porém, mais rápidas, mais ágeis e mais bem armadas. Enfim,
os superpesados eram a elite experimentada das tropas de assalto dos
comerciantes das Galáxias, que sempre tinham vivido da guerra. Até
hoje, não tinham conseguido fazer nada por meios pacíficos. Aliás,
nunca lhes passou pela cabeça tentar fazer alguma coisa sem assaltos
e guerra.
Ber-Ka
procurou tanto, até que encontrou um ponto luminoso vagando mais
afastado dos outros, a tal distância que excluísse qualquer cilada.
Deu então as ordens ao piloto, correndo ele para o ponto de comando
da artilharia, para dirigir pessoalmente o ataque.
A vítima
selecionada era uma nave relativamente pequena de um clã
desconhecido dos saltadores. O comandante já tinha ouvido falar de
Perry Rhodan e de sua pátria Terra, achava, porém, que eram
referências muito exageradas. Exatamente por isto, por ter um ponto
de vista errado, é que ele e os seus seriam muito sacrificados.
Ber-Ka se
aproximou de sua vítima. O saltador, sem suspeitar de nada, mantinha
seu curso direto para o terceiro planeta.
As mãos
quase humanas do sáurio repousavam sobre os botões de controle dos
canhões de raios energéticos. No interior do cruzador se acumulava,
num zumbido permanente, as energias necessárias, como que aguardando
o momento de irromperem pelo espaço.
— Ainda
a um segundo-luz — disse um oficial quase trêmulo. O coitado não
se sentia bem, embora já tivesse muita experiência de outras
expedições punitivas contra súditos indefesos. Mas esta agora era
diferente. Estavam pelo menos diante de um adversário à altura
deles.
No mínimo.
— Distância,
zero vírgula cinco segundos-luz.
A
distância diminuía, mas ficou de repente constante, quando o
saltador percebeu o atacante, fazendo uma curva fechada.
— Atrás
dele! Fogo! — gritou Ber-Ka e sentiu como o solo a seus pés
estremeceu todo, quando a rajada de raios poderosos saiu pela proa.
Não foi
difícil aos raios energéticos, com a velocidade equivalente à da
luz, atingir a nave dos saltadores, antes que pudessem tentar
qualquer reação. Raios coloridos envolveram a diminuta espaçonave,
como o envoltório de proteção se rompeu imediatamente, não
oferecendo mais nenhuma resistência aos ataques dos raios
incendiários.
Com um
grande clarão esbranquiçado, explodiram os geradores. A carcaça se
arqueou e começou a derreter. Pedaços de destroços voavam em todas
as direções do espaço. De vez em quando se podia ver grandes
vultos com trajes pressurizados, cujos dispositivos automáticos se
inflavam instantaneamente, procurando colocar a salvo os
sobreviventes.
Um dos
oficiais sáurios não despregava os olhos dos saltadores que
tentavam fugir.
— Não
vamos matá-los? — perguntou.
— Não.
Sou soldado, mas não assassino.
— Eles
nos atacaram, Ber-Ka.
— Falando
em tese, você tem razão. Mas estes aí, fomos nós que atacamos.
Deixemos-lhes esta chance e não nos incomodemos mais com eles.
Ber-Ka
voltou para a central de comando. Era ele o comandante, sua ordem era
lei. Os saltadores, em seus uniformes de emergência, foram se
separando e se perderam no vazio entre os planetas.
Ber-Ka
concentrou sua atenção novamente na tela. Os pontos flutuantes eram
cada vez mais numerosos, mas a uma distância daquela não se podia
saber se havia naves dos tópsidas misturadas com eles. A força
principal, no entanto — Ber-Ka sabia muito bem disto — estava
escondida nas rochas do terceiro planeta, ou como se dizia nos
catálogos dos sáurios: Lira III.
A MV-treze
tinha se afastado um pouco do terceiro planeta e se aproximava da
órbita de Aqua. De qualquer maneira, os atacantes deviam ser
impedidos de se aproximarem do “mundo
d’água”
onde os restos das bases abandonadas poderiam despertar atenção.
Os pontos
luminosos oscilantes desapareceram todos, menos um. Dava a impressão
de ser um aparelho que não fazia questão de ser destruído logo no
primeiro assalto. Uma ampliação na tela e uma chamada em código
confirmou a suspeita de Ber-Ka: tratava-se mesmo de uma nave dos
saltadores. E este saltador se dirigia exatamente para o planeta
Aqua.
— Novo
curso, operação cubo CO-dezessete-dk — gritou ele para o oficial
navegador, ordenando ao mesmo tempo prontidão para o ataque.
Devia-se
pegar o saltador de surpresa, antes que pudesse desconfiar de alguma
coisa.
— Velocidade
ao máximo! Acompanhou com grande sensação os movimentos do ponto
luminoso e acabou constatando que se tratava de uma belonave dos
superpesados. Claro que muito superior ao cruzador de patrulhamento.
Na
mentalidade de Ber-Ka havia duas forças polarizantes: orgulho e
instinto de conservação.
Podia
ainda se afastar um pouco do curso e fazer como se não tivesse
notado o adversário. Por interesse próprio, a maioria de seus
subordinados manteria silêncio. Mas se houvesse apenas um que
quisesse prejudicá-lo ou fazer carreira, ele estaria perdido.
Covardia perante o inimigo era castigada com a morte.
Foi
propriamente o receio de ser denunciado que obrigou Ber-Ka a
prosseguir no ataque. Não estava se sentindo bem, mas não havia
outra opção.
O ponto
luminoso aproximou-se e transformou-se numa sombra alongada na tela,
que focalizava muitas estrelas distantes. Não havia nenhum sinal de
que o saltador houvesse percebido a presença de seu perseguidor.
Continuava indiferente, com rumo fixo. Pela pequena velocidade,
supor-se-ia que ainda tinha duas horas para chegar até a atmosfera
de Aqua.
— Central
de rádio — disse Ber-Ka, cedendo a um impulso repentino — tente
ligação com a nave estranha.
— Com o
saltador? — foi a reação de espanto.
— Sim,
com o saltador. As freqüências de chamada estão no catálogo. Por
que se admira? Já tivemos muitos contatos com os saltadores em
outros tempos.
— Sim,
mas sob outras circunstâncias.
— Exatamente
— disse Ber-Ka rindo.
— É
curiosidade minha. Estas circunstâncias me interessam.
Desligou a
tela, colocando a central de rádio diretamente em ligação com ele.
Sem sair do lugar, podia agora acompanhar melhor os esforços do
operador.
Continuava
a chamada.
Na outra
tela, a sombra alongada da nave estava bem maior. A MV-treze se
aproximava de sua órbita. Num determinado ponto as duas naves teriam
de se encontrar, caso ambas mantivessem o curso e a velocidade.
Alto-falante
e tela permaneciam mudos e apagados. O saltador não respondia, ou
talvez não tivesse ouvido o chamado. Mas Ber-Ka não cedia tão
depressa.
— Continue
chamando — ordenou ao oficial do rádio. — Acrescente que nós
pedimos uma conferência.
Isto era
contra o regulamento. Propor uma conferência com um adversário
ultrapassava de muito a competência de um comandante de um pequeno
cruzador. Ber-Ka sabia disto, mas lhe era completamente indiferente.
Suspeitava de algo e queria saber se seu pressentimento estava certo
ou errado. Para ele, isto justificava o risco que assumia.
Não
poderia imaginar que, sem querer, estava dando um passo avante na
história. Também não suspeitava quem era o comandante da nave
estranha.
Ao
penetrarem nas camadas superiores da atmosfera as primeiras naves dos
saltadores, o comandante supremo do terceiro planeta, Al-Khor, deu
ordem de contra-ataque.
Em todos
os cantos, abriram-se pesadas comportas de metal e canos de canhões
de raios energéticos emergiam do chão para erguerem sua boca de
fogo contra o céu. Hangares subterrâneos despejavam frotas de
combate de aparelhos velozes que galgavam o espaço em ascensão
quase vertical.
Começou a
batalha quase suicida, com perdas enormes para os dois lados. As
primeiras bombas atômicas destruíram uma parte das instalações de
defesa. Os foguetes antiespaciais dirigidos por tópsidas perseguiam
as naves dos saltadores até atingi-las, destruindo-as no espaço. Só
conseguiam escapar se tivessem tempo de efetuar o salto para o
hiperespaço.
Al-Khor
estava sentado nas profundezas de um rochedo, ouvindo as notícias.
Fazia uma fisionomia de dor, ao ouvir os danos que os atacantes lhes
infligiam. Mas seu rosto se iluminava todo sempre que ouvia o relato
da destruição de uma nave inimiga.
No
entanto, ele mesmo sabia que era questão de tempo, até que os
saltadores conseguissem, por meio de uma bomba arcônida ou por uma
bomba de gravitação, destruir completamente o terceiro planeta.
Começou a
se surpreender pelo fato de que isto ainda não acontecera.
— Ligação
com Topsid! — gritou ele, desesperado, naquela caverna no coração
da rocha, quando uma tremenda detonação fez tremer o rochedo e as
luzes se apagaram. — Ligação imediata com o ditador, vamos, antes
que seja tarde.
Por uns
instantes, ninguém respondeu. Depois, ouviu-se a voz do operador de
rádio:
— Falta
energia, estamos tentando com os geradores de emergência.
— Estou
esperando — disse Al-Khor. Depois, apoiando a cabeça nas duas mãos
quase humanas, passou a pensar na morte certa que teria em Topsid,
caso os saltadores vencessem.
Mas... era
sua culpa? Culpa por não ter naves suficientes? Não tinha ele
avisado o ditador e pedido que não subestimassem os comerciantes das
Galáxias? Por que então tinha que morrer?
Porém não
pensava nisto. O melhor seria ele se entregar aos invasores, passaria
por traidor, mas continuaria vivo. Mas isto era uma decisão que não
era para aquele momento.
Levantou-se,
tendo nos olhos um brilho perigoso.
— Ligação
com Topsid — exclamou o operador. — Ligue seu aparelho, Al-Khor.
Al-Khor
estremeceu, ao ouvir a palavra Topsid. Por uns instantes, não sabia
o que fazer. Depois, criou coragem.
— Aqui
fala Al-Khor, Lira III. Começou o ataque dos saltadores, ditador. O
adversário é muito superior a nós. Sem o auxilio de Topsid,
estamos perdidos.
— Então
lutem! — disse o ditador friamente. Seus traços permaneceram duros
e inacessíveis, na tela. Seus olhos frios pareciam penetrar Al-Khor,
parecendo poder ler seus pensamentos. — Mandarei mais duzentos
aparelhos, mas nem um a mais. Lutem e vençam, Al-Khor. Ou, nunca
mais volte a Topsid.
— Mas...
— Al-Khor não pôde continuar, o ditador havia interrompido a
ligação.
O
comandante dos sáurios apoiou-se no espaldar da poltrona e
suspirando profundamente, disse:
— Lutar
e vencer... como é fácil falar. Um mundo está caindo aos pedaços
e nós temos de lutar. O que estamos fazendo, senão lutar? Nossas
naves se defendem valentemente contra um inimigo em grande
superioridade, mas não cedemos, preferimos morrer. E o ditador? Não
tem nem uma palavra de gratidão.
Al-Khor
estremeceu, como se tivesse levado uma chicotada, ao ouvir um forte
ruído atrás de si. Passos pesados que se aproximavam. Ouviu-se uma
voz fria, sem a menor expressão:
— Como
poderemos vencer, se o comandante está hesitando? O que há com
você, Al-Khor? Cansado, desanimado?
Virou-se
lentamente, com sua mão escamosa já segurando a arma energética.
— Ra-Gor,
é você! Não podia imaginar. Por que não está na seção de
baterias antiaéreas, tratando de destruir as naves inimigas? Se
quiser ouvir a verdade: o que você está fazendo agora é crime de
alta traição.
O jovem
oficial que estava atrás do comandante estava também com a mão na
arma, sorrindo friamente. Nos seus olhos, havia um misto de orgulho e
ódio, de medo com denodo irrestrito.
— E
você, Al-Khor? O que tem feito? Duvidou da sabedoria de nosso
ditador. Você está exigindo o reconhecimento dele pelo simples
cumprimento do nosso dever. Isto é insubordinação.
Al-Khor
virou-se novamente — e devagar — olhando o painel apagado. Podia
ver nitidamente no vidro fosco o reflexo do jovem oficial que lhe
estava às costas.
— Estava
apenas pensando, Ra-Gor. Acresce ainda que guardei meus pensamentos
comigo e não os transmiti a ninguém.
— Não é
verdade, transmitiu a mim.
Al-Khor
teve que concordar:
— Sem
ter intenção de fazê-lo, meu amigo. Você, agora, por sua culpa,
carrega na consciência um conhecimento que se torna pesado para seus
ombros jovens. Vou ajudá-lo a carregar este peso.
— Não é
necessário, Al-Khor, eu consigo carregá-lo sozinho. O ditador me
será muito grato, quando lhe explicar a covardia de seu comandante
supremo.
— O quê?
— Sim,
porque você não vai chegar vivo a Topsid. Esta vergonha deve ser
poupada aos oficiais que combatem corajosamente. Ou você prefere ser
fuzilado publicamente?
Al-Khor
reconheceu que não tinha alternativa. Foi sempre um súdito fiel do
ditador, embora não estivesse de acordo com alguns de seus métodos.
Mas, agora, ser delatado por um bobalhão orgulhoso e inexperiente...
não, isto era demais.
Imperceptivelmente
sacou a arma, estudou um pouco o ambiente, podendo ver pelo reflexo
do vidro do painel apagado que Ra-Gor ainda estava hesitando em
executar sua intenção. Será que de repente ficou com medo? Mas já
era muito tarde para isto. Al-Khor não sentiu a menor compaixão ou
piedade, quando, de súbito, se virou contra o jovem oficial de arma
na mão.
— Insubordinação
se castiga com a morte, Ra-Gor. Como comandante tenho o poder de
julgá-lo. Condeno-o, pois, à morte. A pena será executada
sumariamente. Você pode ficar com sua arma e usá-la mesmo...
Mas o
sentenciado não chegou a se utilizar da arma, antes mesmo de sacá-la
estava morto.
Al-Khor
ficou olhando por uns instantes o cadáver do jovem oficial, corajoso
e idealista, que queria tirar proveito às suas custas. Depois voltou
a manusear os botões de controle.
Os
relatórios das forças em combate chegavam com a maior confusão.
Depois de alguns minutos, Al-Khor já sabia que a batalha estava
perdida. Definitivamente. A superioridade do adversário era
palpável. O que restava era um fio, quase invisível, de esperança.
Com uma
pancada da mão direita, silenciou no rádio as vozes confusas. Todas
as estações passaram automaticamente para a escuta.
— A
todos os oficiais! Aqui fala Al-Khor, o comandante supremo — fez
uma pequena pausa para respirar. — Neste momento vamos desistir do
planeta Lira III e vamos enfrentar os saltadores no espaço. Ou
vencemos ou morremos. Fim.
Fim! A
palavra ainda estava nos ouvidos de Al-Khor, quando se levantou para
tomar as medidas necessárias.
*
* *
Quando a
Top II se materializou, e apareceu nas telas de bordo o gigante
vermelho de Beta, foi como se Topthor tivesse levado uma bofetada na
cara.

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