O recinto
estava frio e escuro. Perry Rhodan acordou com um pensamento pouco
amistoso, provocado por aquilo que os druufs chamavam de
hospitalidade.
Levantou-se.
Para seu espanto, isso não lhe custou nenhum esforço. Ao menos o
medicamento cumprira aquilo que fora prometido pelos druufs: não
apresentava nenhum efeito colateral.
Rhodan
estendeu a mão e procurou tatear as paredes da cela em que se
encontrava. Era simples. O recinto tinha o formato aproximado de um
quadrado de quatro metros de lado. Nem mesmo com um salto conseguiu
atingir o teto. Devia ficar a quatro ou cinco metros de altura.
Numa das
paredes parecia haver uma porta. Rhodan sentiu duas ranhuras
paralelas. Além disso, havia um campo de gravitação artificial,
pois a gravidade no interior do recinto não ultrapassava a
intensidade normal da gravidade da Terra. Rhodan ficou espantado. Era
estranhável que os druufs, que o haviam trancafiado numa cela fria e
pequena, na qual não havia nada além dele mesmo, se tivessem dado
ao trabalho de tornar-lhe a situação mais suportável por meio de
um campo de gravitação artificial.
De repente
lembrou-se da idéia que tivera no momento em que a injeção o
deixou inconsciente. Agachou-se no chão e começou a concentrar-se.
Esforçou-se para imaginar a presença de Fellmer Lloyd. Depois de
alguns minutos conseguiu. O rosto de Lloyd surgiu num pálido círculo
luminoso que se destacava na escuridão. Estava sorrindo.
— Onde
está o senhor?
— emitiu Rhodan.
— Numa
cela escura
— respondeu Lloyd imediatamente. —
Seu tamanho é de quatro metros por quatro metros. O teto é bem
alto, não há móveis, é fria, tem uma porta que está trancada e
há um terrível mau cheiro.
— É
amoníaco — disse Rhodan.
Proferiu a
palavra em voz alta, porque os pensamentos se formulavam com maior
precisão, quando concebidos juntamente com a palavra falada.
Também
ouvia as palavras de Fellmer Lloyd como se este as pronunciasse à
sua frente. Mas isso não passava de uma ilusão dos sentidos. Era o
dom telepático de Lloyd que provocava uma espécie de ressonância
em suas células cerebrais.
Perry
Rhodan não era um telepata nato. Ou melhor, sempre possuíra essa
qualidade, mas a mesma era recessiva. Só depois de um treinamento
intensivo e do apoio de telepatas experimentados, Rhodan pôde
colocar-se em condições de usar a faculdade. Continuava a ser um
telepata fraco, pois só conseguia receber mensagens, quando as
condições fossem extraordinariamente favoráveis. Mas o dom lhe
permitia entrar em contato com outro telepata.
— Preste
atenção — disse, dirigindo-se a Lloyd. — Deve haver um meio de
abrir a porta. Os druufs não têm nenhuma necessidade de
prender-nos. Sabem perfeitamente que nunca sairíamos
espontaneamente, pois existe o ar venenoso do planeta.
Lloyd
parecia fazer um gesto afirmativo.
— Isso
parece bastante razoável
— emitiu. — Acontece
que na porta não há maçaneta nem botão.
— Lembra-se
da mesa? — perguntou Rhodan. — Bastou aproximarmo-nos de
determinado lugar e logo a mesa ficou na sua posição normal.
— Ah,
sim. Então o senhor acha que basta colocar a mão em determinado
lugar para que a porta se abra?
— Exatamente.
Provavelmente para os druufs isso nem chega a ser um mistério. É de
supor que estejam acostumados a abrir portas dessa forma.
— Mas
é possível que esse lugar fique tão alto que nem conseguiríamos
alcançá-lo —
ponderou Lloyd. — Afinal,
os seres-toco têm três metros de altura.
— Temos
de experimentar — decidiu Rhodan. — Não podemos ficar parados,
esperando que os druufs tenham outra idéia. Precisamos sair.
Assim que
terminou de proferir estas palavras, sentiu a perplexidade de Lloyd.
Adiantando-se à pergunta deste, disse:
— Por
quanto tempo você agüenta sem respirar?
Lloyd
ficou confuso.
— Como?
— Quanto
tempo o senhor pode passar sem respirar?
Uma luz
acendeu-se na mente de Lloyd.
— Não
sei exatamente
— respondeu. — Talvez
seja mais ou menos um minuto.
— Não
se esqueça de que terá de trabalhar durante esse tempo — lembrou
Rhodan. — De qualquer maneira terá tempo de sobra. Preste atenção.
Passarei a expor meu plano. Repita cada frase, para que eu saiba que
a transmissão está funcionando.
*
* *
Os
terranos passaram a chamar esse druuf de Tommy, um comandante
político. Na verdade, seu nome era composto de uma série de
ultra-sons, imperceptíveis ao ouvido e impronunciáveis pela língua
do homem.
O conjunto
usado dava a entender que se tratava de um alto dignitário. Esse
conjunto era ao mesmo tempo um traje especial de trabalho e de
proteção contra radiações. Para os druufs, o cinza-escuro era a
cor mais bela do mundo. Por isso, várias faixas cinza-escuras
enfeitavam o traje quase negro do druuf, a fim de indicar sua
graduação.
Por mais
que esses seres diferissem dos homens, os pensamentos de ambas as
raças seguiam trilhas idênticas. Este druuf, por exemplo, estava
sentado atrás de uma monstruosa mesa, e trabalhava em alguma coisa.
Procurava calcular por quanto tempo ainda teria de esperar nos
recintos pouco agradáveis da base subterrânea do planeta de metano,
antes que viesse o revezamento.
Aceitara o
posto de comandante da base, pois, assim que voltasse para Druufon,
este lhe renderia uma promoção. Para isso, teria de passar meio ano
fora de Druufon, no interior das cavernas. E agora só faltavam
poucos dias para completar meio ano. Seu sucessor deveria chegar a
qualquer momento.
Tommy
lembrou-se de que a acomodação adequada dos prisioneiros e a
frustração da tentativa de fuga — para ele, a manipulação do
gerador antigravitacional pelos prisioneiros representava nada menos
que isso — seriam atos que pesariam a seu favor, quando chegasse o
momento de ser avaliada sua atuação.
Quando
voltou a dedicar sua atenção ao trabalho que tinha sobre a mesa,
seus quatro olhos facetados brilhavam. Uma comissão de altos
funcionários anunciara sua chegada. Desembarcariam no planeta de
metano dentro de alguns dias de Druufon. Não sabia se nessa
oportunidade a base ainda se encontraria sob seu comando ou se seu
sucessor já teria assumido as funções.
Ao
lembrar-se de que devia tomar todas as providências para que os
visitantes fossem tratados condignamente, Tommy sentiu-se
contrariado.
O anúncio
da próxima visita trouxe certo mistério. Os funcionários viriam
para interrogar os prisioneiros. Entre os nomes anunciados havia os
de alguns membros da aristocracia de Druufon.
Por que
essa gente se daria ao trabalho e aos incômodos de uma visita ao
planeta de atmosfera venenosa? Por que não mandaram levar os
prisioneiros a Druufon para interrogá-los?
Tommy não
sabia quem eram os prisioneiros dos quais tinha de cuidar. Uma
espaçonave os trouxera e os mesmos lhe foram entregues com a
indicação de que se tratava de terranos. Ainda lhe disseram que, em
hipótese alguma, deveria deixar que fugissem. Também outras pessoas
com as quais entrou em contato não sabiam qual a grande importância
dos prisioneiros.
O simples
fato de a comissão pretender vir de Druufon parecia indicar que,
naquela cidade, desejavam manter em segredo não só a identidade dos
prisioneiros, mas até mesmo o próprio ato de prisão.
Tommy
voltou a estudar a lista dos nomes. Depois de algum tempo, teve a
impressão de que deveria procurar um dos subordinados para falar
sobre o problema. Pegou o pequeno videofone, que se encontrava sobre
a mesa, e comprimiu uma tecla. A tela iluminou-se e o sinal de linha
livre se fez ouvir; era um ruído agudo e chiante.
Mas a tela
continuou vazia. Ninguém respondeu do outro lado da linha.
“Que
diabo! O que aconteceu?”,
pensou irado.
A essa
hora, seu subordinado, que os terranos teriam chamado de Oscar, um
oficial-cientista, devia estar trabalhando. Não tinha autorização
para sair do local de trabalho. Por que não respondia?
Tommy
deixou a ligação em aberto e voltou a dedicar sua atenção à
lista. Depois de algum tempo começou a ficar nervoso. Levantou-se e
foi até a porta. Para abri-la, colocou a mão finamente articulada
na parede junto à porta e à meia altura desta.
A porta
escorregou para o lado, deixando livre a entrada da comporta. Do
outro lado estava o corredor principal do sistema de cavernas. Uma
vez no interior deste corredor, o druuf colocou o capacete e
fechou-o. Deixou que a porta interna se fechasse e esperou que as
bombas aspirassem o ar respirável e enchessem o recinto com a
mistura venenosa de metano e amoníaco.
Saiu.
Nessa parte da caverna existiam as condições de gravitação do
planeta Druufon. Mais adiante, no lugar onde ficavam as celas dos
prisioneiros, até haviam criado mais um campo gravitacional que
reduzia a gravidade a 1 G. Não queriam cansar desnecessariamente os
terranos, antes da chegada da comissão. Mas, no resto da caverna,
reinava integralmente a gravidade própria do planeta de metano.
Seria um desperdício de energia proporcionar proteção
antigravitacional para toda a caverna, pois, nas outras partes, só
havia peças sobressalentes e matérias-primas, e os homens que
trabalhavam lá eram de graduação inferior.
Tommy
subiu na fita rolante e saltou na terceira porta adiante. Chegou à
comporta da sala com a qual procurara entrar em contato pelo
videofone. Abriu imediatamente a comporta e entrou. O bombeamento foi
repetido, mas em seqüência invertida. Em apenas alguns segundos, a
atmosfera venenosa, sob alta pressão, foi expelida pelas bombas.
Simultaneamente, o bombeamento encheu o recinto da mistura de
oxigênio e nitrogênio. Tommy deixou o capacete cair nas costas e,
abrindo a porta interna, entrou na sala.
À
primeira vista, o recinto parecia estar vazio, com exceção do
mobiliário abundante que o guarnecia. Não viu Oscar. Seus gritos
furiosos ficaram sem resposta. Contornou a escrivaninha e...
Logo viu
Oscar. Estava estendido atrás da mesa de trabalho e tinha um olho
fechado.
Tommy
soltou um grito estridente de surpresa e abaixou-se para ver o que
havia acontecido com seu subordinado. Apalpou sua mão. Estava mole e
fria. Pôs o dedo em determinado ponto do braço onde deveria sentir
a pulsação da mistura de sangue e linfa. Durante alguns terríveis
segundos, chegou a acreditar que Oscar estivesse morto. Mas comprimiu
mais fortemente o lugar e sentiu as ligeiras batidas.
Dali a
pouco descobriu a ferida, que se encontrava na parte inferior da
esfera sem cabelo, perto do lugar em que a mesma se ligava ao corpo.
A “esfera”
estava amassada. Oscar devia ter sido atingido por uma pancada muito
violenta. Ou talvez apenas tivesse caído.
De
qualquer maneira já sabia por que Oscar não respondera a seu
chamado. O ferimento era grave. Se fosse um pouco mais profundo,
teria sido mortal. No entanto, era provável que Oscar escapasse com
vida.
Porém, as
funções cerebrais estariam prejudicadas para sempre. O cérebro dos
druufs era muito sensível, desde que se soubesse onde golpear.
Tommy
sabia o que devia fazer. Antes de mais nada teria de avisar o serviço
médico, para que este prestasse os primeiros socorros a Oscar.
Depois deveria providenciar, a fim de que o paciente fosse levado a
Druufon. No planeta de metano não seria possível dispensar-lhe o
tratamento de que precisava. Tommy refletiu por algum tempo sobre se
esse incidente poderia lançar uma luz desfavorável na sua atuação
como comandante. Mas logo concluiu pela negativa. Se Oscar caiu e
sofreu ferimentos graves, o único culpado era ele mesmo.
Tommy
ergueu-se. Isso lhe custou um considerável esforço, pois o corpo
dos druufs foi feito exclusivamente para andar ereto. Ficar sentado
era bastante desagradável, muito embora essa posição fosse
indispensável para muitos trabalhos. Só de noite ficavam deitados.
Não foi nada fácil erguer aquele corpo que nas condições
gravitacionais de Druufon pesava quatrocentos quilos.
Por isso,
quando descobriu a pequena criatura, que estava de pé em cima da
mesa, já era.
Fez um
esforço para erguer-se rapidamente. Mas a criaturinha segurava um
objeto reluzente e comprido, maior que ele mesmo, brandiu-o
ameaçadoramente. Tommy procurou desviar-se do golpe, mas não
conseguiu sair em tempo do raio de ação daquela vara. A forte
pancada atingiu-o exatamente no mesmo lugar em que Oscar fora
atingido, isto é, na junção da cabeça com o tronco. Tommy deu
mais um passo, cambaleou e caiu ruidosamente sobre seu subordinado.
Nem chegou
a ver o pequeno ser atirar para longe a vara reluzente e massagear os
braços, praguejando sempre.
*
* *
Fellmer
Lloyd bem que precisava da massagem. Acabara de derrubar dois druufs
e colocara toda a força de que dispunha nos golpes desferidos.
Fellmer Lloyd teve a impressão de que os braços lhe estavam sendo
arrancados, mas conseguira escapar ileso.
O plano de
Perry Rhodan estava funcionando!
E era tão
simples. A pressão da mistura de amoníaco e metano no interior da
caverna era de dois mil torrs, ou seja, 2,7 atmosferas. O ser humano
poderia perfeitamente suportar essa pressão, desde que tapasse os
ouvidos e prendesse a respiração.
Cada
recinto da caverna possuía sua comporta independente, e a troca da
atmosfera existente no interior desta demorava apenas alguns
segundos. Por isso, o ar venenoso nos corredores já não era um
obstáculo insuperável. Bastava colocar um pedacinho de pano nos
ouvidos e no nariz, comprimir a mão contra a boca, precipitar-se até
a comporta da sala mais próxima e entrar.
Era
verdade que havia um fator de incerteza: a gravitação. Perry Rhodan
esperara que fora das celas dos prisioneiros reinasse a gravitação
normal do planeta. Nesse caso, provavelmente, teriam de arrastar-se
com dificuldade, e talvez levassem mais de quarenta segundos para
chegar de uma comporta a outra. Mas, por um feliz acaso, naquela
parte do subterrâneo reinava a gravitação de Druufon,
correspondente a 0,95 do nível terrano.
Uma vez
concluídos os preparativos, Perry Rhodan e Fellmer Lloyd puseram-se
a caminho simultaneamente. Cada um viu o outro abrir a comporta e
sair correndo, um para a direita e outro para a esquerda. As celas
eram vizinhas.
De início
acreditavam que os druufs os houvessem abrigado num canto afastado da
caverna. Raciocinavam de acordo com a mentalidade terrana. As celas
ficariam no porão e os escritórios no primeiro andar. Fellmer Lloyd
não demorou a descobrir que, neste ponto, as idéias dos druufs eram
completamente diferentes. Mas, antes disso, teve a sorte de encontrar
uma espécie de depósito. Assim que sua comporta se abriu, saiu
correndo sem escolher a direção. Não perdeu tempo em escolher a
fita rolante mais adequada. Depois, deslocando-se fora das fitas,
chegou à primeira comporta. Isso não lhe custou maiores esforços.
No momento em que manipulou o mecanismo de abertura — já sabia que
todos ficavam à direita da porta, a pouco menos de dois metros de
altura — sentiu-se martirizado por fortes zumbidos no ouvido. Mal
conseguiu prender a respiração até o momento em que a comporta se
encheu com a mistura respirável. A rápida normalização da pressão
deixou-o um pouco tonto, mas sentia-se forte e ávido de ação como
antes.
Na sala
que ficava atrás da comporta havia uma quantidade enorme de armações
sobre as quais se viam os mais variados objetos, desde minúsculos
parafusos até tubos de três metros de comprimento, que
provavelmente constituíam peças sobressalentes dos aparelhos de
bombeamento. Face ao tamanho dos druufs e às dimensões dos recintos
em que viviam, escolheu um pedaço de tubo de pouco menos de dois
metros de comprimento. Era bem pesado, mas teve a impressão de que
conseguiria segurá-lo e usá-lo para desferir golpes, caso isso se
tornasse necessário.
Não
“ouviu”
nada de Perry Rhodan.
Captou
fragmentos de idéias, mas não conseguiu descobrir de onde e de quem
provinham. Concentrou-se fortemente e percebeu que, na sala contígua
do lado esquerdo, havia alguém. Reconheceu o modelo de vibrações,
mas não foi capaz de ler os pensamentos. Estes provinham de um
cérebro estranho. Do cérebro de um druuf.
Sentiu-se
dominado pelo pânico. Já sabia que a parte do subterrâneo em que
se encontrava não era nenhum recanto afastado nem estava vazia.
Devia prevenir Perry Rhodan. Este era telepata, mas quando se
defrontasse com alguém que pensasse com um cérebro inumano, não
reconheceria qualquer pensamento; quando muito sentiria dor de
cabeça. Lloyd concentrou-se ao máximo para chamá-lo. Depois de
algum tempo, conseguiu estabelecer contato com Rhodan, que, neste
meio tempo, havia penetrado nas celas de Reginald Bell e Atlan e os
avisara sobre os acontecimentos mais recentes. A essa hora, os três
estavam vasculhando o corredor do lado oposto ao da cela de Lloyd.
Fellmer
Lloyd pegou o pedaço de tubo e pôs-se a caminho. Desta vez, soube
controlar melhor a respiração; quando se encontrava no interior da
comporta seguinte, também não sentiu qualquer espécie de
mal-estar. Assim que conseguiu respirar normalmente subiu pelas
travessas do sistema de bombeamento.
Encontrou
um lugar em que podia prender as pernas atrás de uma vareta de
metal, e assim ficou com as mãos livres. A posição não era muito
cômoda. Esperava não ter de suportá-la por muito tempo.
Experimentou
a melhor maneira de manejar a “arma”
de que acabara de apoderar-se e ficou satisfeito com o resultado.
Depois bateu fortemente com a peça metálica contra a porta interna.
Percebeu que o druuf que se encontrava no interior da sala notara
alguma coisa. Voltou a bater. O druuf levantou-se para verificar o
que estava acontecendo em sua comporta. Fellmer Lloyd estava
pendurado uns três metros e meio acima do chão. O druuf viu-o
imediatamente, mas o susto paralisou-o por alguns segundos. Os olhos
facetados brilhantes fitaram a estranha e pequena criatura. Fellmer
Lloyd teve tempo para levantar o tubo metálico e golpear
violentamente a cabeça do druuf.
Não
esperava que o resultado fosse tão rápido. O fato é que o ser-toco
caiu, desfalecendo. Lloyd desceu pelas travessas metálicas e
examinou a ferida que causara no druuf. Não parecia muito perigosa.
Concluiu que, nessa parte do crânio, devia localizar-se algum órgão
muito sensível, talvez o cérebro. Procurou lembrar o lugar.
Tinha de
contar com a possibilidade de que o corpo do druuf, deitado parte na
comporta, parte no interior do recinto, provocaria a desconfiança de
qualquer pessoa que entrasse ali. Por isso fez um esforço tremendo e
arrastou-o até a gigantesca escrivaninha. Escondeu-o atrás da mesma
e começou a procurar armas. Não acreditava que ele, Perry Rhodan e
os dois outros conseguissem conquistar a base subterrânea, se
tivessem que derrubar todos os habitantes da caverna, um por um, com
a peça de metal.
Logo
depois, ver-se-ia obrigado a usar pela segunda vez a arma original.
Assim que
iniciou sua busca, o videofone chamou. Naturalmente deixou de
responder ao chamado. Nem saberia como lidar com o aparelho.
Tornou-se ainda mais cauteloso.
Dali a
pouco, captou as vibrações cerebrais de um druuf que se aproximava!
Escondeu-se
com a “arma”,
entre a escrivaninha e uma espécie de arquivo, e ficou observando as
ações do “monstro”.
Depois,
sem que o druuf que se inclinava sobre o companheiro inconsciente
percebesse nada, conseguiu subir à escrivaninha. Assim que o
ser-toco começou a erguer-se, Lloyd o golpeou com força e obteve
excelente resultado: mais um fora de ação.
Continuou
a procurar armas. A sala estava recheada de armários de todos os
tamanhos. O maior deles tinha as dimensões de uma casa de
fim-de-semana dos terranos. As portas abriam-se da mesma maneira que
as da comporta.
Fellmer
Lloyd levou mais ou menos uma hora para revistar todos os armários;
não encontrou nada que se parecesse com uma arma. Conhecia
perfeitamente os artefatos em forma de pistola usados pelos druufs e
tinha certeza de que nenhum lhe tinha passado despercebido.
Subitamente
teve uma idéia. Que idiota não era ele! Onde é que um homem
costuma guardar a pistola? Num lugar em que possa alcançá-la
facilmente e com rapidez.
Fellmer
Lloyd teve de subir ao corpo imóvel do druuf que golpeara por último
para alcançar a gaveta da escrivaninha. Examinou-o cuidadosamente.
Viu que continuava inconsciente. Também viu meia dúzia de faixas
cinzentas que se estendiam sobre os ombros de seu conjunto-uniforme.
Se essas faixas fossem divisas, esse sujeito devia ocupar ao menos o
posto de comando. Portanto, seria um Tommy, um político.
A gaveta
não era uma gaveta do tipo que Lloyd imaginava. Consistia de duas
peças triangulares, que saíam à direita e à esquerda de quem
estivesse sentado atrás da escrivaninha. Para tanto, bastava que se
colocasse a mão em determinado lugar. Fellmer Lloyd examinou o
conteúdo das gavetas e, após alguns segundos, segurava a pistola.
Muito satisfeito, examinou-a e descobriu que não possuía qualquer
peça móvel além do pequeno gatilho. Parecia muito simples. Fez
pontaria para a porta de um armário e puxou o gatilho.
Não
aconteceu nada. Fellmer Lloyd voltou a puxar o gatilho. O efeito
continuou a ser nulo. Sentiu-se perplexo e examinou a pistola de
todos os lados. Finalmente teve a idéia de que talvez se tratasse de
uma arma de choque; e ninguém poderia dar um choque de nervos numa
porta de armário. Precisava de outro objeto para realizar a
experiência.
Acontece
que não havia nenhum. E não tinha tempo para procurar. Havia coisas
mais importantes em jogo.
Desceu de
cima do druuf inconsciente e voltou a examiná-lo.
“Deve
haver uma possibilidade de evitar o amoníaco, o metano e a pressão
de 2,7 atmosferas”,
pensou, depois de recordar-se do ardor que sentira, quando da corrida
pelo corredor.
Fitou os
dois druufs. E teve a idéia salvadora.
*
* *
No início,
as coisas foram mais fáceis do que Rhodan julgava possível. A
distância da comporta de sua cela até o recinto vizinho era de uns
cinco metros. Levou menos de três segundos para percorrê-la. Da
primeira vez, ficou cinqüenta segundos com a respiração presa.
Isso era perfeitamente suportável. Mas os vapores cáusticos do
amoníaco eram muito mais desagradáveis. Rhodan procurou avançar
com os olhos fechados. Não haveria como errar o caminho. Bastava
seguir junto à parede.
Encontrou
Reginald Bell e Atlan. Reginald Bell demonstrou certa surpresa,
enquanto Atlan afirmou que, naquele momento, tivera a mesma idéia.
Perry Rhodan não teve a menor dúvida de que falava a verdade. Na
mente de cada um deles sempre caminhava uma idéia à frente ou atrás
da do outro.
Saíram
para revistar os arredores. Constataram que quase todos os recintos,
situados além de sua cela, eram depósitos. Viram uma porção de
coisas, mas nada que lhes pudesse ser útil. Estavam à procura de
armas e dos trajes protetores, que os druufs lhes haviam tirado. Se
não os encontrassem poderiam voltar à sua cela e esperar até que
os “monstros”
tivessem outra idéia. Descobriram quatro salas que pareciam ser
escritórios. Estavam vazias e, ao que parecia, já há muito tempo
não vinham sendo usadas. Uma fina camada de pó cobria o chão e os
móveis. Era claro que ninguém deixaria uma arma num lugar como
este.
O que os
tranqüilizou foi o fato de não terem visto nenhum druuf. Se isso
acontecesse antes que tivessem uma arma, o encontro provavelmente
seria desastroso para eles.
Depois de
duas horas, aproximadamente, chegaram a um lugar em que o corredor
parecia terminar. Uma parede de rocha natural fechava-o por completo.
Mas as fitas rolantes passavam por baixo da parede, motivo por que
Rhodan pensou que ali houvesse uma porta camuflada. Procuraram
abri-la, mas a parede não saiu do lugar. Atlan disse que talvez os
druufs apenas tivessem instalado o mecanismo de reversão da fita
rolante atrás da porta, a fim de não perturbar o movimento no
interior do corredor.
Haviam
chegado ao fim do caminho. Tinham revistado vinte e uma salas e não
encontraram nada; só restava uma. Se nesta também não achassem o
que estavam procurando, a situação seria praticamente
desesperadora.
Penetraram
na última sala. Nos fundos do corredor, a atmosfera era tão
venenosa como na parte anterior, e assim não podiam colocar ninguém
à frente da comporta para ver se porventura aparecia algum druuf. A
sala era outro depósito. Nos armários, nas prateleiras e nas
gavetas havia milhares de coisas diferentes, todas elas completamente
inúteis para os prisioneiros.
Bastante
abatidos, iniciaram o caminho de volta. Tinham uma pequenina chance
de regressar às suas celas, antes que os druufs aparecessem ou o
robô lhes trouxesse a comida.
Ao
aproximarem-se da comporta, esta se abriu. O quadro que se lhes
ofereceu era inconfundível. Três maciços druufs encontravam-se à
sua frente, segurando aquilo que os prisioneiros procuravam
desesperadamente há duas horas e meia: armas.
4
Conrad
Deringhouse foi parar no interior do transmissor montado na base
subterrânea.
Quando
alguém procurou abri-la de fora, o fecho da porta gradeada tiniu.
Olhando pela grade, Deringhouse viu um homem com um uniforme de
capitão. Reconheceu Marcel Rous, comandante da base.
— Bem-vindo,
Sir — disse Rous laconicamente, enquanto Deringhouse saía do
transmissor.
Deringhouse
apertou-lhe a mão. A seu lado apareceram Gucky e Ras Tschubai. O
pequeno rato-castor usava um traje espacial feito exclusivamente para
ele.
Conrad
Deringhouse já se recuperara do nervosismo passado a bordo da
Califórnia. A primeira parte da missão fora bem sucedida; não se
podia dizer que tudo correra sem incidentes, mas as coisas haviam
sido feitas de acordo com os planos. Não havia a menor dúvida de
que, a essa hora, a Califórnia já se encontrava em segurança.
— O
senhor está chegando em bom momento — disse Marcel Rous, dando
início à palestra. — Alguma coisa está acontecendo no Universo
dos druufs.
Deringhouse
lançou-lhe um olhar de surpresa. Rous falou em palavras lacônicas
no estranho S.O.S. captado há poucas horas.
— O
lugar de expedição da mensagem só pode ser um gigante de metano do
tipo de Júpiter. Parece que os druufs mantêm prisioneiros terranos
por lá. Já demos um nome ao planeta. Chamamo-lo de Rolando.
— É um
bonito nome — disse Deringhouse.
Porém o
general estava alheio ao assunto. Refletia. Haveria alguma ligação
entre a mensagem de S.O.S. e o pedido de socorro emitido por Ernst
Ellert?
Deringhouse
fitou a estação do transmissor. Uns vinte aparelhos desse tipo
estavam montados num pavilhão de vinte por trinta metros. Era por
meio deles que se fazia a ligação entre a base de Hades, situada no
Universo dos druufs, e o Universo einsteiniano. Depois da instalação
dos transmissores, já não era necessário que as naves terranas
rompessem as linhas de bloqueio dos arcônidas e atravessassem a área
de superposição, a fim de penetrar no Universo dos druufs, onde
estes ficavam sempre de olho para que ninguém lhes estragasse os
planos.
A única
desvantagem do transmissor consistia no fato de que sua utilização
só se tornava possível caso existisse outro aparelho do mesmo tipo,
pronto para receber a remessa. Quando isso se desse, bastava
comprimir um botão. Então os dois aparelhos forneceriam a energia
necessária para que o objeto a ser transportado fosse levado de um
aparelho ao outro, numa espécie de hipersalto.
— Não
vamos ficar parados por aqui — sugeriu Deringhouse. — Nosso amigo
de Vagabundo, mais que qualquer outro, precisa de um local adequado,
onde ninguém o perturbe. Nas próximas horas, terá que desenvolver
uma concentração bastante intensa.
Com um
sorriso, o Capitão Rous fitou o rato-castor. Este lançava olhares
curiosos em torno e fez de conta que não tinha ouvido uma única
palavra.
Rous
levou-os pelo corredor que separava as duas fileiras de
transmissores. O ar no interior do pavimento era puro e fresco.
Ninguém desconfiaria de que às portas da base reinava um verdadeiro
inferno, já que esse mundo sempre voltava a mesma face para seu
astro central, motivo por que só conhecia temperaturas
elevadíssimas. A jovem tecnologia terrana realizou esforços febris
para construir, às pressas, e em meio a um segredo absoluto, uma
base situada no território inimigo, e que quase chegava a ser mais
que uma simples cabeça-de-ponte.
Junto ao
pavilhão dos transmissores ficavam as salas ocupadas pela
administração, inclusive o escritório no qual Marcel Rous
costumava ficar, quando estava de serviço. Às vezes, costumava
ficar demais, motivo por que no gabinete havia uma peça muito
interessante. Tratava-se de um sofá. E sofá era justamente aquilo
que Gucky, o rato-castor, estava procurando. Saltou até a peça e
estendeu-se confortavelmente.
O Capitão
Rous mandou que seu ordenança servisse um lanche aos hóspedes.
Deringhouse ponderou que, a rigor, a refeição seria um jantar, pois
os relógios indicavam vinte horas, tempo de Terrânia. Rous
respondeu com um sorriso embaraçado que em Hades as coisas não
podiam ser levadas tão a sério. As lâmpadas solares, brilhando no
interior da base, nunca eram desligadas, e dessa forma cada um podia
escolher à vontade suas horas diurnas e noturnas.
O lanche,
composto de alimentos em conserva, foi servido prontamente. Seu sabor
era apenas regular. O ordenança retirou-se, sempre pronto a receber
novas ordens. O General Deringhouse começou a contar o que havia
acontecido na Terra, levando-o a voar para Hades.
— Na sua
opinião o chamado de Ellert e a mensagem de S.O.S. têm a mesma
causa? — perguntou Marcel Rous.
— Não é
bem isso — respondeu Deringhouse. — Não tenho essa opinião;
apenas afirmo que talvez seja assim. Por isso, a primeira coisa que
temos que fazer é entrar em contato com Ellert. Precisamos saber
qual foi o motivo de seu chamado.
Via-se que
Marcel Rous queria dizer mais alguma coisa.
— Mais
alguma sugestão, capitão? — perguntou Deringhouse.
Rous fez
que sim. As palavras foram saindo lentamente de sua boca.
— Recebemos
pelos transmissores as peças de várias naves de reconhecimento a
grande distância do tipo gazela. Esses veículos já foram montados
e estão em condições de decolar a qualquer momento. Não acho que
correríamos um risco excessivo se mandássemos uma das gazelas a
Rolando para...
Deringhouse
o interrompeu com um gesto.
— Acho
que é uma boa idéia — disse. — Mas não convém que o veiculo
decole antes que Ellert nos tenha dito o que está acontecendo por
aqui.
Naquele
instante, Gucky, um pouco afastado do grupo, tomou a palavra:
— Tenham
mais um pouquinho de paciência; já estou “varenando”.
Ninguém
sabia o que significava varenar.
De qualquer maneira, os sinais telepáticos de Gucky deviam estar a
caminho de Druufon, onde deveriam ser captados por Ernst Ellert.
Dentro de mais alguns segundos, este deveria responder e resolveria o
mistério que cercava a mensagem enviada para a Terra pelo mutante;
era ao menos o que se esperava.
*
* *
Toda a
base ficou curiosa. O General Deringhouse havia assumido o comando.
Parecia que, depois de tantos dias de calma, algo de importante
estava para acontecer.
Na grande
comporta do hangar havia uma gazela preparada para a decolagem. Não
se sabia quem a pilotaria, muito menos para onde deveria voar.
Corriam boatos de que o piloto seria Deringhouse em pessoa.
Deringhouse
em pessoa? De que se tratava? Será que Druufon seria atacada? Será
que a Terra se preparava para conquistar o poder também na dimensão
temporal dos druufs? E isso logo agora, poucos dias depois da morte
de Perry Rhodan?
As
especulações atropelavam-se no cérebro dos homens. Porém quem
sabia alguma coisa, nada dizia.
Marcel
Rous estava satisfeito com o desenrolar dos acontecimentos.
Lembrou-se da suposição que surgira em sua mente, quando procurou
descobrir a origem do S.O.S. Se o que estava em jogo era realmente a
vida de terranos tão importantes como Perry Rhodan, Reginald Bell e
do arcônida Atlan, então seria preferível que outra pessoa
assumisse a responsabilidade. As conseqüências de qualquer erro
seriam imprevisíveis. Aliás, até então não havia transmitido sua
suposição a ninguém, nem mesmo ao General Deringhouse.
Quanto ao
mais, as tentativas de entrar em contato com Ernst Ellert, realizadas
por Gucky, falharam por completo. A distância entre Hades e Druufon
era muito grande. Gucky recebeu alguns sinais telepáticos, mas estes
eram quase incompreensíveis. Não pôde identificar qualquer
pensamento. Aqui em Hades não podia contar com o corpo humano de
Ellert, que na Terra desempenhara as funções de estação
retransmissora. Embora a distancia entre Hades e Druufon fosse muito
menor do que aquela que separava este último da Terra, aqui não se
entendia sequer uma pequena fração daquilo que Betty Toufry
compreendera em Terrânia, às portas do mausoléu.
Conrad
Deringhouse sabia perfeitamente que não poderia perder mais tempo.
Não sabia o que Ellert pretendia dizer, mas Gucky sentiu que o
assunto era muito importante, e que os pensamentos de Ellert
recomendavam pressa. Foi a única coisa que conseguiu entender.
Vinte
horas após sua chegada a Hades, Deringhouse concluiu que a gazela
teria que decolar logo, mesmo sem as informações de Ellert. O
destino era Rolando e Deringhouse estaria a bordo. Se o pouso fosse
muito difícil, Ras Tschubai procuraria atingir a superfície do
planeta por meio da teleportação. Gucky também pertencia à
tripulação da nave de reconhecimento de longa distância. Se em
Rolando houvesse terranos, ele os reconheceria pelas emanações de
seus cérebros.
A última
conferência foi realizada no gabinete de Marcel Rous.
— Como
já sabe, vamos correr um risco — disse Deringhouse, dirigindo-se
ao capitão. — E o risco atingirá não só os ocupantes da gazela,
mas todos nós, inclusive a guarnição da base. Por enquanto os
druufs nem desconfiam de que a Terra lhes preparou uma boa, bem no
centro de seu sistema. É possível que o vôo da gazela atraia a
atenção deles para a base e que resolvam atacar. Por isso, toda
vigilância será pouca. Se acontecer o pior, procure agüentar até
que o transmissor da Califórnia dê o sinal verde e salve o maior
numero possível de pessoas. Entendido?
Rous fez
que sim. Naturalmente entendia muito mais. Desde o primeiro momento
de sua existência, a base corria certo risco. Tiveram de manter-se
atentos durante todo o tempo. A situação não ficaria pior com a
partida da gazela.
Marcel
Rous procurou imaginar o que aconteceria quando os druufs vissem pela
primeira vez um veículo espacial que, em caso de perigo, pudesse
desaparecer prontamente, sem deixar o menor vestígio de transição.
Tudo que
fora transferido do Universo einsteiniano ao plano temporal dos
druufs conservaria sua dimensão temporal primitiva. Isso significava
que, neste espaço, uma gazela atingiria velocidades que no Universo
dos druufs seriam impossíveis, por ficarem acima da
velocidade-limite aqui prevalente, isto é, a da luz. Qualquer objeto
que se deslocasse a uma velocidade superior à da luz já não
pertenceria ao espaço em que se encontrava antes. Os druufs teriam a
impressão de que a gazela desaparecera sem mais nem menos.
A idéia
divertia Marcel Rous. Gostaria de ver o druuf ao qual acontecesse
isso.
Rous ouviu
que Deringhouse continuava a falar. Procurou afastar as idéias que
lhe iam pela mente, a fim de concentrar-se nas palavras de
Deringhouse, mas não conseguiu.
Como
seriam as coisas para o druuf? A partir da sala de comando de sua
espaçonave, veria a gazela desaparecer de um instante para outro.
Isso representaria uma surpresa enorme. Menos para um dos seres-toco:
Ernst Ellert. Este tinha conhecimento da diferença das dimensões
temporais e conseguiria imaginar os efeitos que poderiam resultar do
fenômeno. Mas Ellert vivia em Druufon, onde era um cientista de
renome; nunca subiria a bordo de uma nave de guerra.
Alguém
disse:
— Capitão,
tenho a impressão de que o senhor não está dedicando a necessária
atenção ao assunto.
Rous ouviu
estas palavras, mas não pôde deixar de refletir sobre o problema
que ocupava sua mente.
“É
esquisito”,
pensou. “Até
parece que alguém está segurando minha inteligência.”
Pensava em
Ernst Ellert. Ernst Ellert, que nunca viajaria numa nave de guerra.
Era claro
que não. Por que iria viajar? Ou será que poderia vir a viajar?
Será que o assunto que o fizera expedir a mensagem para a Terra era
tão importante que o faria praticar certos atos que normalmente
nunca praticaria? Por que teria chamado? O que estava acontecendo?
De repente
Marcel Rous viu um druuf à sua frente; tinha pele escura, cabeça
redonda e era gigantesco. Parecia aproximar-se dele. Marcel Rous teve
certeza absoluta: o druuf era Ernst Ellert. Era o ser-toco, cujo
corpo fora tomado pelo espírito de Ellert, enquanto o corpo do
próprio mutante jazia no mausoléu de Terrânia, aparentemente
morto.
O que
queria?
Marcel
Rous fez menção de afastar-se para o lado, mas alguma coisa o
travava. O druuf continuava a aproximar-se, como se quisesse passar
por cima dele. Mas, no momento em que entrou em contato com seu
corpo, fundiu-se com o mesmo; ambos passaram a ser um só.
Subitamente, passou a saber o que o druuf estava pensando. E quando
abriu a boca para falar, ele o fez a pedido e com os pensamentos do
druuf, cujo corpo era habitado pelo espírito de Ernst Ellert.
Para os
circunstantes, o fenômeno era estonteante, mas não assustador. Quem
primeiro notou que Marcel Rous estava absorto em seus pensamentos foi
Conrad Deringhouse. Deixou-o à vontade por algum tempo. Finalmente
fez uma observação. Ao que parecia, Rous não a ouvira. Continuava
a fitar o ar com a expressão de quem reflete sobre um problema muito
importante.
Subitamente,
seus olhos se arregalaram. Parecia enxergar alguma coisa que os
outros não viam!
Deringhouse
esteve a ponto de pôr as mãos em seu ombro e sacudi-lo para que
acordasse. Mas alguma coisa o preveniu para não o fazer. Por um
motivo que ele mesmo não conhecia estava convencido de que alguma
coisa importante iria acontecer, e seria preferível que ele e os
outros se mantivessem em silêncio.
Parou de
falar e acenou para que todos também ficassem quietos. Marcel Rous
fez uma tentativa para sair do lugar. Parecia que desejava dar um
passo para trás e para o lado. Deringhouse teve a impressão de que
queria desviar-se de alguém. Mas continuou parado. Alguma coisa
parecia paralisá-lo. Seu rosto assumiu uma expressão de espanto, e
depois de medo. Mas, quando o pavor chegou ao auge, o rosto se
descontraiu e Rous suspirou aliviado.
Repentinamente,
começou a falar. A fala era desajeitada e a voz não parecia ser a
de Rous.
— Não
se assustem — disse a voz. — Não estou bêbedo, mas tenho que me
adaptar à constituição da laringe deste homem.
Estas
palavras pareciam apavorantes.
Quem seria
o homem que estava falando por Rous?
— Sou
Ernst Ellert — prosseguiu “Rous”.
— Escolhi este caminho para entrar em contato com os senhores, pois
todos os outros falharam. Peço-lhes que não fiquem refletindo sobre
como consegui apossar-me do corpo de Marcel Rous. Prefiro que prestem
atenção às minhas palavras. O assunto é muito importante. De
acordo?
— De
acordo — respondeu Deringhouse em tom automático.
— Muito
bem. Podemos começar — disse “Rous”.
Ellert
parecia adaptar-se aos poucos aos órgãos de fonação do corpo
estranho. A fala passou a ser fluente, mas o tom de voz continuava a
ser estranho.
— Há
pouco tempo uma das nossas naves, quer dizer, um cruzador dos druufs,
conseguiu romper as linhas do bloqueio arcônida e penetrar no
Universo de Árcon. Bem além da área de superposição, encontrou
uma nave inimiga que ia à deriva. Os tripulantes eram aliados dos
arcônidas e, na nave, havia quatro prisioneiros. Terranos. Os druufs
deixaram os aliados dos arcônidas no lugar em que os encontraram,
mas recolheram os prisioneiros terranos.
“Agora,
o mais importante. Não consegui descobrir quem são os prisioneiros.
O assunto é considerado altamente sigiloso. Os prisioneiros foram
colocados no trigésimo sexto planeta deste sistema, que é um mundo
de metano semelhante a Júpiter. Nos próximos dias, uma comissão de
altos funcionários viajará para lá, a fim de interrogar os
prisioneiros.
“A
conclusão só pode ser uma: os quatro prisioneiros devem ser gente
muito importante. E se são importantes para nós, ou seja, para os
druufs, também devem ser importantes para os terranos.
“Foi por
isso que resolvi entrar em contato com os senhores. Pensei que talvez
tivessem dado pela falta de quatro pessoas. Talvez possa ajudá-los a
encontrá-las.”
Ficou
calado, e os ouvintes também se mantiveram em silêncio, porque
ninguém soube o que responder. O número quatro parecia ter exercido
um encanto sobre eles. Desde a perda da base de Fera Cinzenta,
destruída num ataque-relâmpago dos arcônidas, dera-se pela falta
de quatro homens, e, ao dizer que essas quatro pessoas eram muito
importantes, Ellert tinha toda razão. Eram as pessoas mais
importantes do Império Solar.
A mente do
General Deringhouse trabalhava febrilmente. Procurou rememorar o que
havia acontecido em Fera Cinzenta.
Há quinze
dias — quando a Drusus realizou uma viagem arriscadíssima,
contornando várias vezes o planeta moribundo, a fim de localizar os
sobreviventes da catástrofe — foi irradiado um pedido de socorro.
Não encontrara o menor sinal de vida em Fera Cinzenta.
Deringhouse
teve certeza de que as pessoas que o haviam chamado já não estavam
vivas, quando a Drusus chegou. No entanto, o relato de Ellert
oferecia um ângulo totalmente novo. Outra nave fora mais rápida que
a Drusus; e, conforme Ellert acabara de dizer, essa outra nave era
tripulada por aliados dos arcônidas. Pouco importava quem seriam
esses aliados. O que realmente importava era que o aliado dos
arcônidas não conseguira ir muito longe com as pessoas salvas da
catástrofe. Alguma coisa devia ter acontecido com sua nave. Os
druufs a haviam encontrado à deriva. Não se sabia como a
encontraram. Talvez a nave tivesse transmitido pedidos de socorro,
que acabaram atraindo a atenção dos seres-toco.
Deringhouse
esteve a ponto de abandonar a idéia, mas lembrou-se de uma coisa. Há
onze ou doze dias, algumas naves terranas de patrulhamento haviam
captado uma transmissão de telecomunicação redigida em arcônida,
cujo teor era o seguinte: “Lamira
XII chama YNLISS posição Goshun.”
Os
comandantes examinaram a mensagem. Parecia uma transmissão rotineira
realizada por uma espaçonave — provavelmente seria uma nave dos
saltadores — chamada Lamira XII, proveniente de um lugar, ou
destinada a uma pessoa de nome Ynliss. No entanto, a posição da
Lamira XII era bastante estranhável: Goshun!
Goshun era
o nome do lago em cujas margens ficava a cidade de Terrânia, capital
do planeta Terra. Era pouco provável que, em algum ponto da Galáxia,
houvesse outro lugar com o mesmo nome, ainda mais numa língua
estranha. As naves terranas puseram-se a caminho. Iriam tentar
localizar o transmissor que irradiara a estranha mensagem. Os
cálculos goniométricos revelaram que a nave terrana mais próxima
desse lugar se encontrava a mais de cinco mil anos-luz de distância.
Acontece que, depois da estranha mensagem, o transmissor só voltou a
chamar uma única vez, irradiando uma mensagem codificada em
arcônida. Por isso, seria muito difícil ou talvez impossível que
as naves terranas o localizassem. Depois de alguns dias, estas
suspenderam as buscas e voltaram às posições anteriores.
Face ao
relato de Ellert, o episódio ganhava em importância. Deringhouse
tinha certeza, quase absoluta, de que a mensagem com a palavra Goshun
fora transmitida por um dos quatro prisioneiros. Ele a redigiu dessa
forma porque era altamente provável que qualquer mensagem menos
corriqueira atrairia um verdadeiro enxame de naves arcônidas.
Os
prisioneiros deviam ter se apossado de um telecomunicador, instalado
a bordo da nave arcônida. Qual não devia ter sido a decepção
deles, quando em vez da nave terrana surgiu uma espaçonave dos
druufs, fazendo com que fossem de mal a pior?
Quer dizer
que os seres-toco os haviam levado a Rolando. Ellert soubera disso,
embora não conhecesse a identidade dos prisioneiros. Mais tarde,
estes puseram a funcionar um gerador gravitacional, a fim de realizar
uma transmissão precária para a base de Hades, informando sobre a
situação em que se encontravam.
O fato de
terem realizado a tentativa provava que sabiam da existência da base
de Hades. Os sinais transmitidos por meio de um gerador
antigravitacional não seriam capazes de atravessar a área de
superposição e chegar a uma das naves terranas que se encontravam
além da zona de descarga. Acontece que o fato do conhecimento da
existência da base delimitava quem seriam as quatro pessoas
prisioneiras, pois o projeto Hades era altamente sigiloso.
Conrad
Deringhouse estava convencido de que os prisioneiros não eram outros
senão aqueles quatro homens que permaneceram em Fera Cinzenta até o
último instante, quando então pretendiam reunir-se à frota que
preparara um ataque a Árcon. E estes homens eram Fellmer Lloyd,
Atlan, Reginald Bell e Perry Rhodan!
Deringhouse
teve de esforçar-se ao máximo, para conservar o autocontrole. Ernst
Ellert sabia que os prisioneiros se encontravam em Rolando. Será que
conhecia a situação da prisão?
Perguntou
a “Rous”.
Ellert respondeu prontamente:
— No
planeta de metano existe uma base subterrânea, destinada
principalmente à realização de experiências perigosas. É claro
que conheço a situação dessa base, pois estive lá muitas vezes.
Fez uma
pausa.
— É bem
verdade que tenho de realizar a conversão — prosseguiu. — Os
padrões dos druufs são completamente diferentes dos padrões
terranos. Um momento. Vamos definir o pólo norte. O pólo norte é
uma das extremidades do eixo do planeta. Para quem estiver em cima
desse ponto, o planeta gira para a esquerda, que nem a Terra.
Entendido?
Deringhouse
procurou visualizar a descrição.
— Entendido
— respondeu.
— Pois
bem. A base fica no hemisfério norte, ou melhor, a quarenta e cinco
graus de latitude norte. Também compreendeu esta parte?
— Naturalmente.
— Vamos
prosseguir. Será mais difícil fixar a longitude, porque o
respectivo ponto de referência foi escolhido ao acaso. Mas o senhor
não poderá deixar de notar um lago em forma de ferradura, que fica
quase exatamente no equador. O lago é grande; na Terra, quase
chegaria a ser um oceano. Cada lado da ferradura tem dois mil
quilômetros de comprimento, e sua largura, no ponto mais largo,
também tem dois mil quilômetros. O meridiano zero passa pelo ponto
extremo da curva da ferradura. A esta hora, convém lembrar que os
druufs dividiram o círculo em quinhentos e doze graus, uma vez que
usam um sistema octonal. O número quinhentos e doze corresponde a
oito na terceira potência. Pois bem. Dentro deste sistema, a base
subterrânea fica em cento e vinte graus de longitude leste. Acho que
o senhor poderá fazer a conversão.
— Poderei,
se alguém tiver anotado — respondeu Deringhouse com a maior
tranqüilidade.
— Eu
anotei — disse Ras Tschubai, que se encontrava num ponto mais
afastado.
— As
informações que lhe posso dar são só estas — prosseguiu Ellert.
— Apenas posso acrescentar que deve agir com cautela. Para os
druufs, a base subterrânea é muito importante, motivo por que ela
tem uma guarnição permanente de dois mil homens. E o socorro, vindo
de Druufon ou de outra base espacial, poderá chegar dentro de poucos
minutos. Se alguma coisa acontecer no planeta de metano, o senhor
pode ter certeza de que, dentro de uma hora, no máximo, a frota
chegará ao local. Ah, sim. A gravitação do planeta de metano
corresponde a um vírgula três, quatro vezes a de Druufon. O senhor
também poderá fazer a conversão deste dado. É um nível bastante
elevado.
— Obrigado;
já conhecíamos este detalhe — respondeu Deringhouse.
— Neste
caso, minha missão está concluída — disse Ellert.
— Nós
todos lhe somos muito gratos — disse Deringhouse. — Já lhe
devemos muito. Se um dia pudermos fazer alguma coisa por você, não
deixe de nos avisar.
O rosto de
Rous continuou impassível, mas a voz de Ellert soou como a de alguém
que está sorrindo:
— Será
um prazer. Se um dia estiver em apuros, não deixarei de avisar.
Neste
momento, Marcel Rous estremeceu. Deu um passo desajeitado, tropeçou,
conseguiu firmar se sobre os pés, olhou em torno com uma expressão
de perplexidade e passou a mão pela testa.
— Onde...
como?
Era
novamente a voz de Rous. Ernst Ellert se havia retirado de seu corpo.
Durante um momento de perplexidade, Deringhouse perguntou a si mesmo
o que teria feito com seu corpo de druuf, enquanto estivera ali.
A memória
de Rous começou a funcionar.
— Ellert
esteve aqui, não esteve? — perguntou, ainda um tanto perplexo.
Deringhouse
fez um gesto afirmativo.
— Esteve
em seu interior — disse em tom enfático.
Rous não
parecia surpreender-se com a notícia.
— Tive a
impressão... — respondeu em tom distraído, quase sonhador.
Ao que
parecia, consideravam o caso liquidado. Deringhouse e Ras Tschubai
atribuíram maior importância ao relato propriamente dito de Ellert
que à maneira pela qual conseguiu aproximar-se deles.
Não foi
necessário informar Rous. Depois de um momento de reflexão, o
capitão se lembrou de tudo que Ernst Ellert acabara de dizer.
Deram-se
ordens definitivas para que a gazela decolasse.
5
Com a
segunda tentativa de fuga, os druufs pareciam ter perdido a vontade
de Ironizar. Um dos três disse por intermédio da tradutora:
— Os
senhores não terão outra oportunidade de fugir. Daqui por diante,
ficarão amarrados.
Os
terranos não responderam. A única coisa que lhes interessava
naquele momento era saber o que havia acontecido com Fellmer Lloyd.
— Venham
conosco! — ordenou o druuf. — E é bom avisar que ao menor
movimento suspeito atiraremos.
Não havia
ninguém que duvidasse disso. A comporta fechou-se atrás dos druufs.
Ameaçando-os com as armas, eles tangeram os prisioneiros para um
canto da sala. O que carregava a tradutora automática disse:
— Os
senhores receberão outra injeção igual à primeira. Estamos
aguardando o preparado.
Perry
Rhodan foi de opinião que não convinha protestar contra isso.
Encostou-se à parede e lançou um olhar de tédio para as
prateleiras. Ainda tinha um resquício de esperança de que pudesse
ter uma idéia que lhe permitisse enganar os druufs. Procurou
estabelecer contato telepático com Fellmer Lloyd, mas a tentativa
resultou num fracasso completo. Lloyd devia estar muito longe ou
“desligara”
sua mente, o que poderia significar perfeitamente que os druufs já o
tinham prendido e lhe aplicaram a injeção.
Alguns
minutos se passaram. Perry Rhodan viu a porta externa da comporta
abrir-se.
“Deve
ser o druuf com a injeção”,
pensou, sem olhar sequer para o lugar.
A porta
externa abriu-se com um forte ruído, e, dali a alguns segundos, a
interna também abriu-se. Perry Rhodan nem virou o rosto. Seu olhar
passou pelas prateleiras e foi pousar num dos druufs, que mantinha a
arma engatilhada e não tirava os olhos deles. Perry Rhodan tentou
dar a seu olhar uma expressão de escárnio e desprezo, embora não
tivesse certeza sobre se o “monstro”
compreenderia a mímica facial dos homens.
Seu olhar
de desprezo pareceu produzir um efeito surpreendente!
O druuf
deu um pequeno passo para a frente e caiu. Quando seus quatrocentos
quilos atingiram o chão, ouviu-se um forte estrondo.
E não foi
apenas este estrondo. O mesmo ruído foi ouvido mais duas vezes,
quando os outros druufs caíram. Perry Rhodan estava estupefato.
Evidentemente não cometeria a tolice de acreditar que os derrubara
com seu olhar.
Levantou
os olhos e viu uma criatura estranha sair da comporta. Esta estava
enfiada num traje espacial dos druufs, mas este parecia engoli-lo.
Só um dos
componentes do quadro não era ridículo: a arma que o “ser”
segurava, e com a qual, num movimento seguro e conseqüente, pusera
fora de ação os três druufs.
Perry
Rhodan lançou um olhar perplexo pelo visor do capacete. Viu o rosto
sorridente do “ser”,
e disse:
— Como
foi que o senhor fez isso, Lloyd?
*
* *
Fellmer
Lloyd abriu o capacete e jogou-o para trás com tamanha habilidade
que até parecia que nunca usara outra coisa senão trajes espaciais
dos druufs. Antes que começasse a falar, lançou um olhar demorado e
pensativo sobre os druufs.
— Isso
aconteceu mais ou menos por acaso — disse com um sorriso
embaraçado. — Nem sabia se esta pistola iria funcionar.
— Pois
funcionou — respondeu Reginald Bell, que começava a recuperar-se
da surpresa. — Parece que é uma arma de choque.
Perry
Rhodan passou por cima do corpo de um dos druufs e examinou de perto
o traje de Fellmer Lloyd.
— É
claro que isso também pode ser uma solução — disse. — Como
está se arranjando com esse traje?
— Não é
tão confortável como o meu — confessou Lloyd. — Mas, de
qualquer maneira, é melhor andar com este do que andar sem nenhum.
— Como
estão as coisas lá fora? O corredor continua livre?
— Quando
cheguei, estava livre — respondeu Lloyd. — Mas a situação pode
mudar de um instante para outro. Parece que eles descobriram nossa
fuga.
— O
senhor é um menino inteligente! — exclamou Bell, que se encontrava
em lugar mais afastado.
Estava
inclinado sobre um dos druufs desmaiados, e começava a abrir o traje
protetor do mesmo.
— Encontrou
alguma coisa que nos possa ser útil? — indagou Atlan.
Fellmer
Lloyd sacudiu a cabeça.
— Apenas
a pistola. Não vi nem sinal de um transmissor, se é a isso que o
senhor se refere.
— Mas
deve haver um transmissor! — disse Rhodan. — Ninguém me
convencerá que os druufs não têm nenhuma possibilidade de entrar
em contato com Druufon.
Atlan
colocou-se a seu lado.
— Esta
caverna tem pelo menos mil salas — ponderou. — Por enquanto
conhecemos menos de trinta. O transmissor pode ficar em alguma das
novecentas e setenta salas restantes.

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