Perry
Rhodan não deixou que ninguém percebesse o que pensava a respeito
da situação.
— Comandante
supremo — disse calmamente ao obstinado druuf. — Sua fraqueza
reside justamente na sua força. A existência de suas naves é
apenas uma questão de poucos dias. Fuja para onde quiser: nunca
perderemos seu rastro. As possibilidades de retorno ao seu Universo
são nulas.
“Comandante
supremo, quantas naves o senhor enviou à frente, a fim de verificar
onde seria mais fácil romper a frente de superposição? Nem quero
saber do número de naves de reconhecimento, mas sei que nem uma
única delas regressou. A cada hora que passa aumenta a instabilidade
da área de descarga, enquanto cresce o potencial de nossa frota de
guerra, que até aqui conseguiu impedir que suas naves penetrassem em
nosso Universo.
— Palavras,
palavras, Rhodan, apenas palavras! — interrompeu-o o druuf. —
Você quis falar comigo. Já falou. Nossa conversa chegou ao fim.
— E seu
destino juntamente com o de seus tripulantes também chegou ao fim,
druuf — Rhodan modificara a forma de tratamento, mas não o tom de
voz. De qualquer maneira, os matizes da mesma não seriam
transmitidos para as ultra freqüências.
Harno, o
ser esférico que flutuava dentro do campo de visão de Rhodan,
mostrava o corpo quadrático do druuf, que entrelaçava os dedos. Ao
contrário do corpo maciço, estes eram muito finos. Ao que parecia,
estava refletindo.
— Rhodan,
o que é que você tem a oferecer?
A pergunta
desabou que nem um raio. Alguns dos oficiais na sala de comando
tiveram de esforçar-se para reprimir uma exclamação de espanto.
— O que
você está disposto a dar, druuf?
A
contra-indagação de Rhodan impressionou o chefe da frota. Muito
embora este não fosse capaz de qualquer tipo de comoção humana,
fez um gesto impulsivo para que seu estado-maior, reunido atrás
dele, permanecesse em silêncio.
— Quem
nos garante que você nos oferecerá uma possibilidade de voltar ao
nosso Universo?
Era a
pergunta que Rhodan aguardava, e que não poderia deixar de ser
formulada pelo druuf.
— Pois
eu lhe dou uma garantia dupla — disse Rhodan em tom impassível. —
Ordene a uma das naves de sua frota que se aproxime a cem quilômetros
de minha nave. Indicarei a posição à mesma, por intermédio de sua
nave.
“Essa
nave, e só essa, poderá voar até seu Universo. A seguir, depois
que toda a tripulação convencer-se de que realmente se encontra no
espaço a que pertence, você lhe dará ordens para voltar pelo
caminho mais rápido ao nosso Universo. É nisso que consiste minha
primeira garantia.”
A equipe
de cento e vinte homens, que se encontrava junto ao grande projetor
de campo de refração, instalado no maior dos hangares da Drusus,
estava acompanhando a palestra. Eram cento e vinte homens que
esperavam a ordem de entrar em ação, a fim de ligar o projetor cuja
força era capaz de abrir a porta para o Universo dos druufs.
O esquema
de lugar e tempo das áreas de superposição, já atingidas, fora
elaborado nos últimos meses, num trabalho exaustivo realizado por
uma equipe de astrônomos, de físicos e de matemáticos em Terrânia.
De
repente, a cabeça esférica do druuf pareceu ligar-se rigidamente ao
tronco quadrático. Rhodan apenas podia tentar imaginar o que se
passava, nesse instante, naquele cérebro inteligente de inseto.
— Druuf,
qualquer ataque à minha nave seria inútil. Ao primeiro tiro de
radiações, o aparelho que permite a vocês voltarem a seu Universo
será automaticamente destruído.
O
comandante da frota fez de conta que não ouvira a advertência.
— Qual é
a segunda garantia, Rhodan?
— Mandarei
cinco dos meus homens como reféns à sua nave.
Segundo as
concepções dos druufs, essa oferta não representava qualquer
garantia adicional. Porém esses seres inteligentes já haviam
percebido que a ética que prevalecia no cosmos daqueles pequenos
indivíduos era totalmente diversa da sua. Nela, a vida e a segurança
do indivíduo ocupavam um lugar de destaque.
— O que
terei de fazer, Rhodan? — perguntou o druuf, sem demonstrar
qualquer tipo de concordância face à oferta de Rhodan.
— A
única coisa que terá de fazer é aparecer subitamente com sua frota
nas proximidades de um planeta que lhe será indicado. Você tem o
direito de enviar naves de reconhecimento para certificar-se de que
não pretendo atraí-lo a uma armadilha. Dois dos cinco homens,
sujeitos às suas ordens, levarão as naves de reconhecimento com
toda segurança e pelo caminho mais curto à estrela que será o alvo
da ação.
— O que
pretende conseguir com isso, Rhodan?
— Trata-se
de uma manobra de intimidação. Quero impedir a eclosão de uma
revolução sem derramamento de sangue e...
O druuf
interrompeu-o.
— Rhodan,
pelo que constatamos não há muita diferença entre a inteligência
de vocês e a nossa. Você realmente supõe que eu seria capaz de
acreditar nisso?
Estava na
hora de Rhodan valer-se do perigoso trunfo.
— Comandante,
para nós vocês são monstros, verdadeiros fantasmas. O homem comum
tem medo de vocês. Suas naves carregam o pavor. O mundo que com sua
revolução representa o foco de perigos mal se atreverá a respirar
se depois de nossa advertência realmente aparecer uma frota dos
druufs acima de suas cabeças.
“Druuf,
realize um vôo de demonstração de poder e de intimidação, e, por
tudo que é sagrado, eu juro que depois disso mandarei sua frota de
volta ao seu Universo, por intermédio de minha porta.
— Mostre-me
a porta, Rhodan. Deixe passar uma das minhas naves, que receberá
ordens para regressar, assim que estiver convencida de ter chegado ao
seu Universo. Depois que essa nave regressar, continuaremos a
conversar.
— De
acordo — respondeu Rhodan. — Mande que uma de suas naves de
aproxime a cem quilômetros. Depois indicaremos a posição exata.
Cobriu o
microfone com a mão e olhou para Bell.
— A
nave-correio já chegou?
— Emitiu
um impulso condensado e está esperando na posição combinada,
Perry. Será que você realmente confia nesse druuf?
— Deixemos
isso para depois. Marshall, quem foi que fez explodir aquela bomba
entre as naves?
— Foi
Gucky. Quase morreu, Sir! — respondeu Marshall.
A
observação final visava à proteção do rato-castor. Mas ninguém
conseguiria enganar o excelente sentido do tempo de que era dotado
Perry Rhodan.
Lançou um
olhar penetrante para Marshall.
— Quer
dizer que Gucky deve ter ligado o detonador antes da hora.
Marshall
limitou-se a acenar com a cabeça.
Rhodan não
disse nada. Alguma coisa muito desagradável esperava o rato-castor.
O
administrador voltou a dedicar sua atenção ao comandante dos
druufs.
— Rhodan,
estou enviando a nave mais veloz que tenho. Você a vê nos seus
instrumentos?
A nave já
era perfeitamente visível, pois todos os holofotes da tal nave
estavam ligados. O veículo espacial aproximava-se velozmente. Tinha
o aspecto de uma estrela branco-azulada.
*
* *
O colapso
econômico do Grande Império ameaçava esfacelar o gigantesco reino
estelar do grupo M-13. A cada hora que passava, a inflação assumia
feições mais assustadoras. Por ordem de Árcon as Bolsas foram
fechadas em todos os planetas. Já não havia registros de cotações.
Não adiantava tirar o dinheiro do banco, pois a moeda desvalorizava
terrivelmente.
Os médicos
galácticos tinham mais um motivo para não fornecer medicamentos.
Mesmo que quisessem, não poderiam fazê-lo, pois as naves dos
saltadores, com os bilhões de toneladas de capacidade de carga, não
pousavam mais em qualquer mundo. Reuniram-se em grupos gigantescos no
espaço interestelar e aguardavam o desenrolar dos acontecimentos.
Demorou
apenas vinte horas até que surgisse a primeira pane numa linha de
montagem de Árcon III, porque mais de quarenta naves especiais, que
deveriam trazer acessórios importantes, regressaram vazias.
A política
de aprovisionamento do cérebro também demonstrara sua eficiência
na área dos acessórios mas, uma vez que as naves voltavam sem
carga, teve de lançar mão pela primeira vez das reservas, que
estavam dimensionadas para três meses. O cérebro continuava a
dirigir todo o processo produtivo. Atlan nem pensava em retirar-lhe
os controles, pois tinha trabalho de sobra para substituir
programações, já superadas, que se harmonizassem com os
acontecimentos mais recentes.
Porém até
mesmo os trabalhos inadiáveis não mais podiam ser executados.
A cada
minuto que passava, o cérebro informava-o sobre novos fatores de
perigo surgidos no Império. Via-se cada vez mais nitidamente que
Thomas Cardif, ajudado pelo saltador Cokaze, desencadeara uma
tormenta, uma verdadeira avalancha de proporções galácticas.
Lançou um
olhar pensativo para o Anel dos Nibelungos que se encontrava à sua
frente. Lembrou-se de que fitara o mensageiro com uma expressão de
espanto, quando este o cumprimentou.
— O Anel
dos Nibelungos? — repetira e lembrara-se dos tempos em que viveu e
lutou ao lado de Gunter, de Hagen e de Sigfredo.
Conhecera
os três, e justamente o sombrio Hagen fora seu amigo. Mas naquele
tempo não havia nenhum Anel dos Nibelungos. Tal história fora
inventada pela lenda.
— Ah! —
exclamou Atlan nesse instante. Seu segundo cérebro entrou em
atividade e lhe forneceu a solução.
Passou
pelo terrano perplexo e dirigiu-se ao pequeno computador de bordo.
Fitou o pequeno anel preso ao revestimento, que normalmente apenas
servia para que se pudesse puxá-lo, caso ficasse preso.
Certa vez,
Rhodan chamara sua atenção para um anel semelhante e lhe dissera em
tom de brincadeira:
— Isso
não é um verdadeiro Anel dos Nibelungos? Se o revestimento empinar,
não haverá meio de atingir os tesouros armazenados no interior do
computador se não dispusermos deste anel.
A
nave-correio de Rhodan já partira de novo. Seguira em direção ao
insignificante sistema solar, onde a frota dos druufs se mantinha
escondida em dois planetas.
Atlan
segurou o anel. O mesmo fora fabricado especialmente. Fora fácil
tirá-lo das alças no interior da nave-correio. Porém para
descobrir o mecanismo de abertura do anel, levara alguns minutos.
— Por
que tantas complicações? — perguntou em tom irritado.
Girou o
anel de um lado para outro. Era feito de um metal leve com elevada
resistência à tração.
Há cem
anos os homens nem se atreveriam a pensar num material destes, mas
atualmente era encontrado em qualquer residência terrana.
— É
isto! — espantou-se consigo mesmo e sacudiu a cabeça.
De repente
compreendeu por que o anel fora feito dessa liga de metal leve e por
que fora chamado de Anel dos Nibelungos.
— Perry,
tenho de pedir perdão a você.
Afinal,
não é um grande romântico, mas apenas o formidável realista de
sempre com umas pequenas ambições românticas...
Uma fita
transportadora expressa levou-o ao setor de laboratórios do
gigantesco computador positrônico. Entrou na sala destinada aos
exames fotográfico-metalúrgicos. O anel foi colocado à frente do
revelador tridimensional. Era um aparelho que trabalhava com base em
campos magnéticos dirigidos e tateava o metal camada por camada. Ao
primeiro sinal de uma exposição fotográfico-metalúrgica, passava
a funcionar como revelador tridimensional.
Atlan
acomodou-se na poltrona e fitou atentamente a tela. A seu lado, o
revelador tridimensional emitia um zumbido suave. De repente, a tela
iluminou-se. O rastreador acoplado ao revelador acabara de descobrir
a camada de metal com a mensagem de Rhodan.
Atlan, um
homem que se conservara jovem nos últimos dez mil anos, graças ao
ativador celular preso ao peito, ainda conseguiu surpreender-se,
apesar de todas as experiências pelas quais já tinha passado.
Rhodan lhe
comunicava o que vinha a ser a missão pega-moscas.
Atlan
mantinha-se ereto na poltrona. Leu atentamente a mensagem.
— Se ele
conseguir isso... — disse o arcônida para si mesmo, em voz baixa.
Sentiu uma profunda admiração por Rhodan. — Bárbaro, acho que
você ainda leva certa vantagem sobre seu filho.
Voltou a
desligar o revelador tridimensional, saiu da sala e voltou pela fita
expressa. As notícias chegadas nesse meio tempo já não poderiam
surpreendê-lo. Os acontecimentos evoluíam inexoravelmente em
direção ao colapso total.
*
* *
Mais uma
vez, Atual e Ortece estavam sentados no interior da nave cilíndrica
Cok II, à frente de Cokaze e Thomas Cardif.
E mais uma
vez, os dois financistas insistiam junto a eles para que lhes dessem
uma chance de intervir nos acontecimentos.
— Amanhã
será tarde, patriarca. Uma inflação não conhece qualquer lei. O
colapso não pode ser detido à vontade. Pelos nossos deuses, Cokaze,
não dê mais atenção a este terrano. Dê atenção às nossas
palavras.
— Se
tivesse feito isso, nós, os mercadores galácticos, não estaríamos
no ponto em que estamos — respondeu Cokaze em tom frio e com certa
ironia na voz. — Os arcônidas estão arruinados. O tal do Atlan
atreve-se a usar sua frota robotizada junto a pequenos povos
coloniais, mas para enfrentar os saltadores precisará de algo mais
que algumas naves robotizadas. Árcon sabe perfeitamente que nossas
naves cilíndricas não são navios de peregrinos que confiam
exclusivamente na proteção dos deuses.
Atual
interrompeu o patriarca em tom nervoso:
— Patriarca,
não blasfeme contra os deuses para que não sejamos atingidos por
sua maldição. Árcon continua a ser uma realidade. O perigo
representado pelos druufs, aqueles monstros vindos de um outro
Universo, ainda está presente. Por enquanto o regente ainda existe,
mesmo que tenha sido desligado por Atlan, e Rhodan também continua a
existir. Rhodan...
Cokaze
irrompeu numa estrondosa gargalhada.
— Rhodan!
Sim, Rhodan! Basta citar este nome no Grande Império para que todo
mundo acredite que os demônios estelares estão atrás da gente. Já
tive oportunidade de travar conhecimento com ele. Sei até onde chega
seu poder. Por vários decênios fez de tolos a nós do Grande
Império!
— Não
foi o que eu disse? — esbravejou Atual. Tinha um temperamento
bastante agitado para um banqueiro.
— Quem
está sentado a meu lado, Atual? — perguntou Cokaze em tom de
escárnio. — Será que o senhor veio apenas nos dizer que está com
medo?
Ortece, o
delicado diretor do Banco dos Mercadores Galácticos de Titon, que
até então não havia dito quase nada, interveio na palestra:
— O
Império, e isso inclui a nós, ao senhor, patriarca, e ao mais pobre
dos salta-dores, já perdeu um terço do seu patrimônio.
Thomas
Cardif ergueu-se lentamente. Seus olhos de arcônida chamejavam num
fogo amarelo, mas o brilho apenas espalhava frieza. Um sorriso
irônico dava um feitio esquisito à sua boca.
— O
senhor já falou muito, mas não disse uma única palavra para
explicar por que motivo o banco oficial de Árcon não fez qualquer
tentativa para sustentar as cotações por meio de compras. Dê-me
uma explicação precisa sobre isso, Ortece, e nós lhe permitiremos
deter imediatamente o colapso econômico. Possuímos os poderes e os
documentos necessários a isso.
Ortece
teve a impressão de ter à sua frente um ser vindo de outro mundo. O
saltador delicado fitou o patriarca como se quisesse pedir socorro.
Mas, nos olhos deste, não havia compaixão nem ajuda.
— Não
posso explicar. Para Atual e para mim, a atitude passiva do banco
oficial também é um mistério.
A ironia
de Cokaze foi-se espalhando por seu rosto. O patriarca fez um gesto
de triunfo para Thomas Cardif, que fumava tranqüilamente.
— Ortece,
por que Cardif teve condições de, antes da inflação, dizer a nós,
os patriarcas dos saltadores, e ao Conselho dos Dez, que o banco
oficial de Árcon não interviria no mercado? Como explica isso?
Os olhos
de Ortece chamejaram de raiva.
— Cokaze,
nós não somos profetas. Somos banqueiros que levam sua profissão a
sério e nunca agiremos como charlatães.
Cardif
interveio tranqüilamente com uma pergunta:
— Quanto
ganhará seu banco se ainda hoje tentar deter a inflação, se as
indústrias voltarem a funcionar, se as frotas dos saltadores levarem
as mercadorias de um planeta a outro? De quantos bilhões será o
lucro?
— Será
que não poderíamos dividir esse lucro? — perguntou Cokaze em tom
sarcástico e lançou um olhar penetrante para os dois homens.
Dali a
dois minutos, viram-se a sós. Os banqueiros mais ricos e influentes
do Grande Império quase chegaram a fugir da nave de Cokaze.
— Que
patifes! — exclamou o patriarca atrás deles e sacudiu a cabeça.
Lançou um
olhar indagador para Cardif.
— Sei
lidar com dinheiro e também sei o que devo fazer para multiplicá-lo.
Porém não sei como se pode auferir lucros gigantescos numa inflação
em que todos perdem seu dinheiro.
— Para
isso, deve-se fazer o seguinte:... — principiou Cardif.
Nesse
momento, o intercomunicador da Cok II emitiu um sinal.
— Senhor
— disse o operador de rádio para seu patriarca — os grandes
transmissores de Árcon III anunciam um comunicado importante para os
próximos minutos. Usarão todas as faixas de hiper-rádio...
— Passe
a transmissão para cá assim que a mesma chegue e não fale tanto.
Seja mais breve em suas explicações. Da próxima vez não se
esqueça disso!
6
O
comandante dos druufs e Perry Rhodan mantiveram a segunda palestra
pelo rádio. Mais uma vez Harno, o ser esférico, fez com que Rhodan
pudesse observar o monstro quadrático na sala central de sua nave,
enquanto o comandante não desconfiava de nada.
Nesse meio
tempo, a nave enviada ao Universo dos druufs voltara pela porta
aberta por meio do projetor de campo de refração, instalado no
maior dos hangares da Drusus, e apresentara um relato dos
acontecimentos ao comandante.
— Harno
— perguntou Rhodan ao ser esférico — você consegue ouvir o que
o comandante da nave de reconhecimento está dizendo a seu chefe?
Harno
conseguira, e Rhodan não teve nada a objetar ao relato apresentado
pelo monstro que acabara de regressar do outro Universo.
— Rhodan
— disse o druuf — estamos em segurança em qualquer lugar em que
você não esteja. Você procura atrair-nos com a promessa de
podermos voltar ao nosso Universo, desde que antes disso concordemos
com sua proposta. Na verdade, porém, você tentará destruir-nos.
Rhodan
sentiu que com palavras não conseguiria mais nada junto ao druuf.
Precisava de provas palpáveis de suas intenções honestas. Mas como
conseguir essas provas?
Não se
podia cogitar do transmissor fictício, a única arma de seu tipo e a
mais terrível de todas. Os druufs não deveriam saber de sua
existência, pois isso aguçaria ainda mais seu apetite de
apoderar-se da Drusus.
Guiado
antes pelo sentimento que pelo intelecto, respondeu em voz alta:
— Druuf,
não se esqueça de que não tive necessidade de procurar você e sua
frota, pois, ao sair de meu mundo, já sabia onde você estava
escondido. Poderia perfeitamente ter vindo com todas as minhas naves.
Nesse caso a batalha contra sua frota já teria chegado ao fim. Não
tenho mais nada a dizer. Se quiser falar comigo, não demore.
Era o
velho Rhodan que mais uma vez lançava mão de todos os recursos de
sua personalidade. Graças à sua ampla visão, tinha uma certeza
quase absoluta de que o comandante dos druufs estava disposto a
aceitar sua proposta.
Na
gigantesca sala de comando da nave esférica, os homens voltaram a
conversar entre si, mas ninguém saiu do lugar. A nave capitania de
Rhodan continuava cercada pelas unidades da frota dos druufs. Se
houvesse uma luta para valer, seu destino se consumaria ainda mais
depressa que o da Kublai Khan, durante a batalha travada no mundo dos
lagartos.
— A
mensagem destinada a Atlan já foi elaborada? — perguntou Rhodan,
dirigindo-se ao General Deringhouse.
Este
entesou ligeiramente o corpo.
— Sim
senhor. Só falta a hora.
— Logo
saberemos a hora — arriscou-se Rhodan a dizer.
Nenhum dos
homens que se encontravam na sala atreveu-se a esboçar um sorriso de
incredulidade. Perry Rhodan raramente fazia prognósticos como este
e, quando os apresentava, estes se realizavam.
— Marshall!
O chefe do
Exército de Mutantes encontrava-se ao lado de Bell, junto ao
aparelho especial de localização. Limitou-se a erguer a cabeça.
— Comunique
a Tako Kakuta que ele será destacado para servir de astronauta na
nave capitania dos druufs. Em compensação o doutor Small ficará.
— Mas
Kakuta não é nenhum astronauta.
— Em
compensação é um ótimo teleportador, Marshall — ponderou
Rhodan.
Bell
acenou levemente com a cabeça. Percebera o que Perry Rhodan
pretendia conseguir com essa mudança de função, mas Marshall
parecia encontrar-se num dia nada favorável.
— Sir,
não compreendo.
— Nesse
caso, recomendo-lhe que procure livrar-se da desconfiança. Talvez
haja uma boa terapia para isso. Será que agora o senhor já
compreendeu?
— OK,
chefe! — Marshall não sabia o que estava acontecendo com ele.
Tako
Kakuta, o japonês pequeno e franzino com rosto de criança, nem
pestanejou quando Marshall lhe transmitiu a ordem do chefe. Gucky,
que, em virtude de seu “perigoso
excesso de zelo”,
ainda tinha que esperar uma bronca de Rhodan, foi o único que disse
o que pensava.
— Ainda
não sei se gosto mais dos lagartos de Topsid, dos médicos
galácticos ou dos druufs. Acho que no fundo não gosto de nenhum
deles, pois todos me causam repugnância. Acontece que no meu coração
há um lugar todo especial para os druufs... Não confio nem um pouco
neles. Tako, tome cuidado com nossos reguladores de curso estelar e
traga-os de volta sãos e salvos.
— Acho
que hoje você se encontra muito loquaz, Gucky — disse Marshall em
tom de recriminação.
— Não —
respondeu o rato-castor e sorriu com o dente roedor solitário. —
Será que é proibido pensar no polegar de Bell e...
Marshall,
que ainda se sentia aborrecido pela lerdeza mental que acabara de
demonstrar, gritou:
— Será
que você ainda tem que repetir as tolices de Bell?
— Bell
ficará muito satisfeito em conhecer a boa opinião que o chefe dos
mutantes faz a respeito dele, quando eu lhe disser, naturalmente ao
acaso, o que você andou falando... É possível que eu consiga
esquecer-me de suas palavras para sempre, caso alise meu pêlo por
duas horas.
Uma
verdadeira chantagem! E Gucky sabia disso, mas era um rato-castor e
podia permitir-se esse procedimento. Mas Marshall não estava
disposto a cair na sua conversa.
— Diga-lhe
o que quiser, meu caro. Vamos esperar para ver, quando você receberá
outra tarefa. Acho que, antes disso, sua presa cairá.
Nunca
ninguém chamara de presa o dente roedor de que Gucky tanto se
orgulhava. Mas o que deixou-o mais abalado foi a ameaça de Marshall.
John dera a entender que não lhe confiaria mais nenhuma tarefa.
Ouvir essas palavras era mais terrível que ficar dez semanas sem
cenouras frescas.
— John —
disse em tom humilde. — Será que não poderíamos fazer um acordo?
— Com um
chantagista como você? Gucky não se deu por vencido tão depressa.
— OK,
John! Quer dizer que eu sou um chantagista. Mas você é um
caluniador. E isso não lhe fica bem!
Estas
palavras do rato-castor desarmaram o adversário. Todos riram; até
mesmo Kakuta exibiu seu misterioso riso japonês.
Estava
pronto para entrar em ação. Desligou-se do grupo de Marshall, para
juntar-se à equipe de astronautas, e desapareceu no mesmo instante.
Perry
Rhodan esperava receber pelo sistema de intercomunicação da nave a
notícia de que o druuf tomasse a iniciativa de fazer uma ligação
de rádio. A tensão crescia a cada minuto que passava. Durante o
período de espera, a sala de rádio transmitiu o noticiário
irradiado pelas grandes estações de hiper-rádio de Árcon.
O Grande
Império fervia em todos os cantos, muito embora em cada notícia se
notasse de que a mesma se destinava a preencher um fim específico:
atiçar ainda mais os distúrbios. Mas, mesmo que se fizesse um bom
desconto, não havia dúvida de que a situação política de Atlan
piorava a cada hora que passava. Não podia estar longe o momento em
que se esfacelasse o Grande Império que já tinha mais de 15 mil
anos de existência.
Bell disse
em meio a uma pausa:
— Se
esse druuf descobrir que deverá desempenhar ao mesmo tempo o papel
de mosca e de pega-moscas, então...
Os receios
de Reginald Bell não eram infundados.
As naves
de reconhecimento dos druufs não poderiam deixar de perceber certas
coisas, isso naturalmente se o comandante supremo fosse enviar as
espaçonaves com os dois astronautas terranos.
De início
teriam sua atenção despertada para a concentração extraordinária
do sistema M-13, que fariam nascer na mente dos druufs a suspeita de
se encontrarem dentro do território pertencente ao Estado de seu
encarniçado inimigo.
Além
disso, os druufs, por certo, haviam ouvido as notícias alarmantes
relativas aos distúrbios ocorridos no Império dos arcônidas.
Finalmente,
e este era o ponto principal que mais preocupava Perry Rhodan, os
superpesados patrulhavam os arredores do planeta Archetz. Se as duas
naves de reconhecimento dos druufs se encontrassem com a frota dos
superpesados, o ânimo guerreiro destes faria com que esse encontro
evoluísse para um ataque. Nesse caso, o plano de Rhodan estaria
frustrado, pois a frota dos druufs, que cercava a Drusus,
lançar-se-ia imediatamente ao ataque contra a supernave terrana.
E não
haveria a menor dúvida sobre o resultado do embate.
Rhodan
virou a cabeça para o General Deringhouse.
— Envie
uma mensagem condensada para Árcon III. Peça a Atlan que
providencie... Não! Não envie nenhuma mensagem pelo hiper-rádio.
Inclua, na mensagem a ser levada a Atlan, um aviso de que os
superpesados devem desaparecer dos arredores de Archetz. Diga que
para isso Atlan dispõe de três horas, contadas a partir do
recebimento da mensagem.
Perry
Rhodan não se apercebeu de que estava usando um tom de comando para
com o chefe do maior império cósmico. Nesses dias, sentia que ele e
Atlan estavam no mesmo barco, em meio a um mar revolto e precisava
encontrar um porto seguro. Se o barco afundasse antes de atingir o
porto, dentro de pouco tempo o Grande Império deixaria de existir, e
aquela entidade minúscula que usava o nome pomposo de Império Solar
também teria seus dias contados. Por isso, naquele momento, pouco
importava quem dava ordens a quem. O que importava era vencer a
crise, dentro de uma atmosfera de irrestrita confiança mútua. Não
havia necessidade de prestar atenção a questões de etiqueta e de
competência.
Rhodan
sabia perfeitamente que o projeto pega-moscas pouco tinha de
estratégico. Estava cheio de incógnitas. E a maior das incógnitas
era Thomas Cardif.
Nem ele
nem Atlan esperavam que esse jovem conseguisse, com o auxílio dos
mercadores galácticos, abalar dentro de poucos dias até os
alicerces de um Império que existia há mais de 15 mil anos.
Atlan e
Rhodan contavam com uma única vantagem. Até mesmo uma revolução
acompanhada do colapso econômico precisa de algum tempo para
alcançar maturidade. E enquanto esse momento não chegasse, o maior
poder ainda se encontraria do lado do governo. Por enquanto, esse
fato servia de base ao plano de Rhodan.
Atlan não
fora obrigado a desempenhar o papel do príncipe regente, nem fora
vitimado por um acesso de claustrofobia, porque como único ser vivo,
que se encontrava sob a gigantesca cúpula, ainda se mantinha
escondido de todos. Concordara com as ponderações de Rhodan,
segundo as quais seria preferível assumir um risco maior a usar
meios brutais, para abafar qualquer tendência revolucionária no
nascedouro, com o que se atiçaria fogo em todos os cantos do
território do Estado.
Se a frota
robotizada de Árcon, que continuava a ser grande e forte, resolvesse
intervir, as cem mil naves cilíndricas formariam uma frente de
combate. E o cérebro positrônico já informara Atlan sobre o
armamento eficiente destas naves, e sobre a relação de forças
entre a frota robotizada e a dos saltadores.
— Rhodan...
— para muitos homens da sala de comando da Drusus, a voz do druuf
parecia ter proferido uma senha que os libertara da insuportável
tensão.
— Druuf...
— respondeu Rhodan.
— Estou
disposto a aceitar sua proposta, mas não estou disposto a enviar
duas naves. Uma única nave se dirigirá à estrela-alvo, com seus
dois astronautas a bordo. Se essa nave não regressar ou não
responder aos nossos chamados pelo rádio, você poderá preparar-se
para a batalha, Rhodan!
Perry fez
como se não tivesse ouvido a ameaça.
— Mandarei
uma nave auxiliar para enviar-lhe meus cinco homens. Dê ordem à sua
frota para que não a ataque.
— Já
foi feito. Mande seus homens para cá, Rhodan. O resto será
resolvido depois.
O aparelho
especial de radiocomunicação voltou a calar-se. O chefe da frota
dos druufs acabara de desligar.
Poucas
ordens foram transmitidas através da gigantesca esfera.
Quatro
astronautas e o teleportador Tako Kakuta entraram num girino que os
levaria à nave capitania dos druufs.
Enquanto
isso, o General Deringhouse estava sentado na sala de rádio e
completava as notícias destinadas a Atlan.
Quando um
técnico lhe retirou a mensagem da mão, sacudiu desesperadamente a
cabeça e dirigiu-se a um aparelho que não estava acoplado a
qualquer transmissor.
— Grossi,
faça o favor de explicar mais uma vez o que vem a ser o negativo de
um impulso a ser transmitido pelo rádio. Não consigo compreender,
embora já seja esta a terceira vez que o senhor vai explicar.
O técnico
Grossi sacudiu a cabeça.
— General,
isso só pode ser explicado por meio de fórmulas. A descoberta
deu-se por acaso. Mais precisamente, foi uma idéia-relâmpago.
Quando tal idéia passou pela cabeça de meu colega Francozetti e
este a expôs, rimos dele. No fim, ele estava rindo de nós, pois,
dali a dois meses, enfiou as fórmulas embaixo de nosso nariz. Na
verdade, é uma tolice falar no negativo de um impulso de rádio, mas
o fato é que não temos outra palavra para designar o processo e,
como se baseia em certos procedimentos fotoquímicos, a explicação
tende a levar a concepções falsas que tornam o fenômeno ainda mais
incompreensível ao leigo.
— Obrigado!
— disse o General Deringhouse com um sorriso. — Pelo menos já
sei que devo deixá-lo em paz com minhas perguntas, e fiquei ciente
de que sou um leigo. Mas o que foi que esse aparelho fez com minha
mensagem?
Grossi era
natural da Sicília e fizera seus exames em Nápoles. Há onze anos
pertencia ao grupo dos melhores técnicos que Rhodan trouxera para
Terrânia. Naquele momento, teve pena de si mesmo, pois acabara de
dar uma resposta negativa ao general.
— É
outra coisa que não lhe posso explicar. Se digo que este aparelho
transforma suas palavras em impulsos e, no curso do mesmo processo,
elabora um negativo, o senhor pensará automaticamente em negativos
de filme e se encontrará num beco sem saída...
Levou a
estreita ficha perfurada, que saíra do aparelho com um forte clique,
até o dispositivo automático do hipertransmissor. O General
Deringhouse não saía do seu lado. Ainda não estava disposto a
desistir. Devia haver um meio de explicar-lhe esse fenômeno até
então inexplicável, pois esse sistema de negativo representava a
primeira possibilidade de garantir a irradiação de mensagens de
hiper-rádio, que só podiam ser decifradas caso a outra parte
conhecesse o processo.
Depois
disso, o hipertransmissor da Drusus irradiou o negativo da mensagem à
nave-correio, que se mantinha à espera a trinta anos-luz. Não era
possível estabelecer contato direto com Árcon, pois Atlan ainda não
dispunha desse aparelho.
— Acontece
que a nave-correio já possui um aparelho igual a este. Se não fosse
assim Atlan e seu cérebro-gigante poderiam matutar até o dia do
juízo final para descobrir o sentido da mensagem indecifrável
enviada por nosso chefe. Pois é, general, a nave-correio está
partindo. Veja!
Com um
gesto, Grossi apontou para a tela de rastreamento, na qual a
nave-correio aparecia sob a forma de um ponto luminoso.
Com um
sorriso, Deringhouse perguntou a Grossi:
— Quando
eu sair da sala de rádio o senhor vai ficar contente, não é? Mas
nem por isso o senhor conseguirá livrar-se de vez de mim.
*
* *
O sol
amarelo de Rusuma iluminava dezoito planetas. O quinto era Archetz, o
mundo central dos saltadores. Os mercadores galácticos haviam
seguido o exemplo de Árcon. No curso dos milênios, todos os
planetas, com exceção do de Ult, que ficava próximo ao sol, foram
transformados em fortalezas, e com o tempo também as numerosas luas
foram incluídas no sistema de fortificações defensivas.
Os clãs
que viviam navegando entre as estrelas ficaram zombando da mania de
segurança dos membros de sua raça, que se haviam estabelecido em
Archetz, até que eles mesmos tiveram de dirigir-se a esse planeta,
para efetuar reparos de monta em suas naves, e, vez por outra, para
comprar uma nave.
Desde o
momento em que sentiram chão firme sob os pés, compreenderam o que
valia a certeza de estarem protegidos por uma série de planetas e
luas fortemente armadas.
Archetz, o
foco de infecção dos movimentos subversivos e do colapso econômico,
nos últimos dias ainda fizera mais, levando os superpesados a
patrulhar as áreas adjacentes a fim de proteger o mundo mais
importante dos saltadores.
A noite
pousava sobre Titon, uma cidade de doze milhões de habitantes. Na
nave de Cokaze, a Cok II, os dois filhos mais velhos do patriarca
mantinham-se de vigília. Se chegasse qualquer notícia importante,
Thomas Cardif deveria ser acordado imediatamente. Mas a maior parte
da noite se passara sem que acontecesse nada de especial.
Subitamente,
a central de comando da grande frota de couraçados chamou pela
freqüência dos superpesados.
— Onde
está Cokaze, saltador? — perguntou a voz retumbante do gigante de
mais de meia tonelada, e seu rosto marcado pela cólera estava rubro.
— Está dormindo? Pois acorde-o. Depressa!
O filho
mais velho de Cokaze saiu correndo da sala de rádio. As palavras do
superpesado deixaram-no confuso.
O mais
jovem ligou o intercomunicador, com o qual atingiu simultaneamente o
camarote do pai e o do terrano.
— Quem
quer falar comigo? — perguntou o patriarca em tom sonolento.
O filho
explicou.
— Já
vou! — interveio Thomas Cardif, que acordara imediatamente.
Encontraram-se
no convés principal. Fitaram-se com uma expressão de perplexidade.
Não tinham a menor idéia de qual seria a mensagem importante que a
central de comando dos superpesados poderia querer transmitir a essa
hora da noite.
O
patriarca deixou-se cair pesadamente na poltrona colocada à frente
da tela.
— O que
houve, Onkto? — perguntou, ciente de que era o patriarca mais rico
de todos os clãs dos saltadores, e de que, nesse momento, não havia
em todo o Império de Árcon nenhum homem mais importante que ele.
— Pouca
coisa — disse o superpesado com sua voz de barítono. — Vamos
retirar-nos, patriarca!
— Vão
fazer o quê? — gritou Cokaze com a voz extremamente exaltada. —
Isso infringe nossos acordos, Onkto. É uma traição.
— Tolice!
— respondeu o superpesado em tom grosseiro. — Árcon formulou uma
ameaça inequívoca e exigiu...
— Árcon...
— uma estrondosa gargalhada sacudiu o patriarca, que costumava ser
muito controlado. — Logo Árcon! O que representa Árcon hoje em
dia?
— Quem
está atrás de você, Cokaze? O rosto lembra o de Rhodan. Diga logo
quem é — falou o superpesado, superando a risada violenta de
Cokaze.
Thomas
Cardif adiantou-se. Colocou a mão sobre o ombro do velho, o que
representava um sinal de que o patriarca deveria deixar a palestra
por sua conta.
— Sou
Thomas Cardif. Minha mãe foi Thora, uma princesa arcônida! Acho que
isto basta, Onkto. Quais foram as exigências de Árcon?
Onkto,
chefe do setor de comando dos superpesados, que se encontrava num
supercouraçado estacionado 800 mil quilômetros acima da superfície
do planeta Archetz, quase chegou a sentir-se hipnotizado pelos olhos
frios e amarelentos de arcônida.
— O
senhor é o conselheiro de Cokaze? — perguntou visivelmente
perturbado.
— Quais
são as exigências de Árcon? E quem as formulou? O regente ou o
Almirante Atlan?
Quem
falava pela boca de Thomas Cardif era o arcônida. Era um protótipo
dessa raça, nos gestos, no tom de voz e nas atitudes. Mas, na
linguagem lacônica, era o filho de Perry Rhodan. Nem pensava em
responder à pergunta de Onkto.
— O
computador regente entrou em contato conosco e exigiu nossa retirada
imediata. Diz que, do contrário, ele recorrerá à frota robotizada
para obrigar-nos a abandonar nossas posições.
— O
senhor já dispõe de alguma prova de que o regente retirou a frota
robotizada da frente dos druufs? — perguntou Cardif em tom
insistente.
O gigante
de mais de meia tonelada arregalou os olhos e praguejou. Depois de
algum tempo, disse:
— Cardif,
se o senhor acha que sabe, por que pergunta? Para nós, os
superpesados, basta que a frota robotizada não esteja mais na
frente. O cérebro regente também nos ameaçou com os druufs! —
acrescentou apressadamente.
— Será
que isso basta para expulsar os valentes superpesados para os confins
do Universo? — indagou Cardif numa ironia amarga.
Onkto não
gostou nem um pouco da recriminação.
— Não
somos mais bobos nem mais inteligentes que o patriarca Cokaze, que
mantém apenas dez naves em Titon. As outras foram retiradas da linha
de fogo...
— Nesse
caso quero que o senhor me garanta que não revelará a retirada de
sua frota por qualquer mensagem de rádio. Se não me der essa
garantia, farei com que toda a Galáxia saiba por que desistiu do
patrulhamento em torno de Archetz: apenas porque Árcon o ameaçou
com a frota robotizada!
— Cardif!
— retrucou Onkto em tom de ameaça, estreitando os olhos. — O
senhor sabe tão bem quanto nós que a frota robotizada não se
encontra mais na frente, e o que isso significa...
Cardif
interrompeu-o em tom frio:
— Contestarei
essa afirmativa, Onkto. E Cokaze também contestará. Se os
superpesados se tornarem conhecidos como covardes, seu negócio
guerreiro terá chegado ao fim. Não acha, Onkto?
Ao que
parecia, o superpesado não estava só na sala de comando, pois
Cardif e Cokaze ouviram-no cochichar com outras pessoas, mas não
entenderam o que estava dizendo.
O rosto do
superpesado voltou a virar-se para a tela.
— Aceitamos
suas condições, Cardif. Retirar-nos-emos discretamente. Um dia os
demônios estelares o carregarão, seu maldito terrano!
Estas
palavras representaram a despedida de Onkto. Depois disso, a tela no
interior da sala de rádio da Cok II apagou-se.
Thomas
Cardif acendeu um cigarro. Fumava de olhos fechados. Quando virou a
cabeça para Cokaze, este perguntou:
— Os
superpesados não mentiram?
— Nenhuma
das suas palavras foi mentira! — confirmou Cardif. — Devem ter
constatado por meio dos seus aparelhos de rastreamento que a frota
robotizada não se encontra mais no front. O que importa, saltador?
Por que será que Árcon exigiu que os superpesados se retirem? Há
alguma intenção atrás disso. Qual será? — seus dedos
tamborilaram contra a tela.
Tirou
algumas tragadas profundas e apressadas do cigarro.
Nem Cokaze
nem seus dois filhos perturbaram as reflexões de Cardif. O terrano
descansou o cigarro e disse:
— Sugiro
que a Cok II permaneça por mais algum tempo em Archetz, mas gostaria
que as estações planetárias de observação espacial vigiassem
atentamente o espaço em torno do sistema de Rusuma, pois alguma
coisa perigosa está para acontecer. Gostaria de saber o que é...
*
* *
O vôo da
nave de reconhecimento dos druufs foi acompanhado por dois pontos
muito distantes: a Drusus e Árcon III.
O aparelho
de rastreamento recentemente inventado seguia constantemente a pista
da nave vinda de um outro espaço. Seu hiperpropulsor linear criava a
imagem de um fio vermelho infinitamente comprido, que permitia
acompanhar a rota do veículo espacial.
Certa vez,
o indiano Rabintorge, a cujo dinamismo Rhodan devia agradecer o fato
de dispor tão depressa de um aparelho de rastreamento desse tipo,
afirmara que a hiperpropulsão linear retirava uma das quatro
constantes de seu embasamento normal na estrutura espaço-temporal,
desencadeando o efeito que permitia a localização.
Essa
afirmativa nunca fora seriamente contestada. Restava saber se
resistiria às experiências posteriores. De qualquer maneira, o
requisito básico fora cumprido. Já havia um aparelho que permitia a
localização das naves dos druufs, que se deslocavam à velocidade
superior à da luz.
Atlan
confiava no minúsculo hiper-transmissor de raios goniométricos que,
ao entrar, Kakuta deixara cair na comporta da nave dos druufs. A cada
cinco minutos, o pequeno aparelho transmitia um impulso, que era
captado pelas antenas do cérebro positrônico de Árcon e
interpretado imediatamente pelo computador. Num grande mapa estelar,
uma finíssima trajetória luminosa indicava ao arcônida a rapidez
incrível com que a nave dos druufs percorria o espaço,
aproximando-se do sistema Rusuma. Fazia uso de uma velocidade muito
acima à da luz, e cada vez mais acelerava.
Rhodan e
Atlan desejavam tudo de bom a essa nave, pois ambos sabiam quanta
coisa dependia desse vôo de reconhecimento.
Tako
Kakuta, o teleportador, e o Dr. Brigonne desejavam a mesma coisa.
Ambos foram destacados para esta nave na qualidade de astronautas.
Teriam que desempenhar uma tarefa dupla: fazer chegar a nave até
junto do planeta Archetz, e abandoná-la imediatamente, caso os
monstros, que a tripulavam, resolvessem adotar algum procedimento
hostil contra eles.
Esta
última tarefa cabia a Kakuta, e o japonês com rosto de criança
levava seu trabalho a sério. Ficava constantemente ao lado do Dr.
Brigonne.
Este nem
de longe pensava que os druufs pudessem tornar-se perigosos.
Sentia-se no seu elemento. Pela primeira vez sentia a experiência de
um vôo à velocidade superior à da luz, sem sofrer o choque de
transição.
Kakuta e
Brigonne acostumaram-se logo à circunstância de que seus movimentos
eram duas vezes mais rápidos que os dos monstros, face à dimensão
temporal trazida pelos druufs do outro Universo.
Brigonne e
Kakuta comunicavam-se pelo rádio de capacete. Por enquanto não se
haviam interessado em saber se estavam numa atmosfera respirável.
Naquele instante, os oito druufs da sala de comando começaram a
inquietar-se. Os movimentos de seus braços indicavam uma boa dose de
exaltação. Comprimiam-se em torno de um estranho aparelho.
— Brigonne,
o senhor sabe o que está acontecendo? — perguntou Kakuta e
aproximou-se do cientista, para que ao menor sinal de perigo pudesse
teleportar-se, levando-o.
— Não
faço a menor idéia — respondeu Brigonne com a voz rouca.
Tako
Kakuta sabia que a modificação não fora causada pelo medo. Quando
muito, seria a incerteza causada pelo fato de não ver nem perceber
absolutamente nada.
Por uma
questão de intuição o teleportador ligou o transmissor especial
dos druufs, embutido em seu traje espacial. O aparelho permitia a
comunicação com os monstros.
Logo ouviu
a voz de um druuf pelo alto-falante:
— Desligue!
Tako
Kakuta obedeceu imediatamente, mas o fato lhe deu o que pensar.
“Só
há uma explicação!”,
meditou. “Eles
estão realizando medições goniométricas.”
Acreditou
saber também o que estavam procurando localizar pela goniometria.
Era o minúsculo hipertransmissor que se encontrava na comporta da
nave.
Em
palavras lacônicas, informou Brigonne, mas antes disso ligou o
distorçor. Começava a julgar os monstros capazes de tudo; talvez
chegassem mesmo a compreender o que estava sendo dito por ele e
Brigonne.
O
astronauta logo identificou o linguajar incompreensível saído de
seu alto-falante de capacete e, depois da terceira tentativa,
encontrou o ritmo de recomposição adequado.
Brigonne
só ouviu o final.
— ...Kakuta,
o que podemos fazer para que o transmissor não seja encontrado?
Atlan tem de ser mantido a par. Foi o que o chefe pediu
encarecidamente.
O rosto de
Kakuta fitava-o com uma expressão ingênua através do visor do
capacete.
— O
senhor poderia dizer onde posso encontrar o pequenino transmissor
dentro de alguns segundos?
— O que
eles estão fazendo? — Brigonne deu a perceber que não se sentia
muito à vontade.
Três
druufs saíram da sala de comando, mas não saíram de mãos vazias.
Os três carregavam pesados aparelhos, e era evidente que com estes
realizavam medições goniométricas destinadas a localizar um
transmissor.
— Brigonne,
quanto tempo durará nosso vôo?
— O
senhor está perguntando demais, pois não tenho a menor idéia da
aceleração que pretendem imprimir à nave.
— Não
devem ser mais de três horas, não é? — insistiu Kakuta em tom
apressado.
— Se for
mantida a aceleração atual, não. Daqui a três horas, já deverão
estar voando de volta. Faço votos de que nós também estejamos —
disse o cientista em tom pessimista.
— Distraia
os druufs por dez segundos. Não deverão notar que saí da sala de
comando. O senhor acha que consegue?
— O que
pretende fazer, Kakuta?
— O
senhor acha que consegue, doutor? — de repente os olhos frios de
Kakuta pareciam chispar fogo.
— Naturalmente.
Vou tossir, e... — acenou pesadamente com a cabeça.
O
teleportador não viu outra possibilidade de afastar o perigo. Teria
de jogar todos os trunfos numa única carta.
O Dr.
Brigonne teria que distrair cinco monstros. Dois deles estavam
sentados em grandes poltronas de piloto, enquanto os outros três
estavam de pé junto a um aparelho, mas viravam-se constantemente
para os terranos.
Tako
Kakuta sentiu que o tempo estava passando. Só até certo momento
seria capaz de intervir nos acontecimentos e modificar o curso dos
mesmos. E esse momento não demoraria a chegar.
Por que
Brigonne não fazia nada? Por que ficava parado?
Finalmente
Brigonne aproximou-se dos três monstros que estavam reunidos. Foi em
sua direção, mas estes quase não lhe deram a menor atenção.
Ou será
que o fitavam com os olhos das têmporas?
Brigonne
ligou o aparelho de comunicação.
— Druuf,
ainda tenho que chamar sua atenção para uma circunstância muito
importante. Aqui... — caminhou até a parede, onde estava pendurado
um mapa estelar, e apontou pára um ponto. — Aqui, onde existe a
concentração de estrelas, fica... druuf, isto é muito importante.
Vocês me ouvem?
Kakuta
ouviu Brigonne tossir.
Era o
sinal!
Saltou e
rematerializou-se no interior da comporta, onde se encontrava o
hiper-transmissor de raios goniométricos.
Logo que
concluiu a rematerialização, já segurava duas armas de radiações.
Enquanto
soldava a escotilha interna da comporta com os raios térmicos, suas
mãos não tremeram.
Fez uma
solda dupla tão precisa que qualquer técnico se teria orgulhado da
mesma.
Enquanto
terminava seu trabalho, contava baixinho:
— ...cinco...
seis... sete... oito!
Quando
contou oito, o serviço estava concluído. Girou sobre os pés. Ainda
dispunha de dois segundos. Mais uma vez, os dois radiadores térmicos
chiaram. Colocou uma solda dupla que cobria um terço da linha que
representava a fenda na qual corria a escotilha externa da comporta.
O metal,
liquefeito na profundidade de alguns centímetros, foi endurecendo
lentamente, enquanto Tako Kakuta voltava a surgir na sala de comando,
sob a proteção do zumbido leve de um conversor.
Brigonne
ainda se encontrava à frente do mapa estelar. Tentava convencer os
druufs da periculosidade de um campo magnético rotativo e
superpotente, que ficava bem na rota da nave.
— Pois
então deixemos para lá... — disse sua voz, que o teleportador
ouviu pelo rádio de capacete, depois de saber que Kakuta se
encontrava novamente na sala de comando. — Deixemos para lá...
Sem dizer
mais uma única palavra, o cientista abandonou o lugar em que se
encontrava e desligou o transdutor idiomático.
*
* *
— Faltam
dez minutos — disse Perry Rhodan em voz baixa a Bell, sem tirar os
olhos do rastreador especial. — Depois disso, estarão em cima do
planeta Archetz. Quem dera que estes dez minutos passassem logo!
Não tinha
a menor idéia do que estava acontecendo, nesse instante, no interior
da nave de reconhecimento dos druufs.
Os
monstros haviam algemado o Dr. Brigonne e Tako Kakuta, e disseram por
que estavam agindo assim. No momento em que compreenderam que a
comporta fora misteriosamente bloqueada, desconfiaram dos terranos.
— Só
vocês poderiam ter colocado o transmissor na comporta. Por que
fizeram isso?
— Que
transmissor? — contra-indagou Tako Kakuta em tom frio. — Mostrem
o aparelho. Dizer é fácil...
O
comandante quadrático de quase três metros de altura não deu
resposta a essas palavras, mas os dois monstros, destacados para
vigiar os terranos, com suas armas estranhas e de aparência
perigosa, diziam tudo.
Brigonne e
Tako Kakuta preferiram não mais protestar. Aparentemente estavam
conformados com o destino.
Enquanto
isso, a nave dos druufs corria ininterruptamente em direção a
Archetz, o planeta dos saltadores.
*
* *
A nave
desconhecida já desaparecera misteriosamente do sistema de Rusuma.
As estações de observação, instaladas nos outros dezesseis
planetas, cancelaram o alarma. Cokaze e Thomas Cardif continuavam a
fitar-se em silêncio.
Finalmente,
o patriarca rompeu o silêncio. Levantou-se devagar, proferiu o nome
de Thomas Cardif como quem solta uma maldição e disse:
— De
repente você acredita em tudo, até na ameaça ridícula desse
almirante ainda mais ridículo.
Cardif não
ficou devendo resposta às palavras do patriarca, e com isso, deu
mais uma vez prova de coragem.
— Esse
almirante não é tão ridículo assim, Cokaze. Ainda é um dos
velhos arcônidas.
— Será
que você vai me contar mais uma vez que ele tem mais de dez mil
anos?
Cardif
interrompeu-o com um gesto, sem dar atenção à pergunta que acabara
de ser formulada.
— Acabo
de descobrir uma coisa, patriarca.
Cokaze
aguçou o ouvido.
— O que
foi, Cardif?
O rosto de
seu interlocutor não revelava nada.
— Uma
revolução só pode ser levada a termo com o poder do Estado, não
contra o mesmo.
O rosto de
Cokaze assumiu uma expressão de pavor. Até parecia que acabara de
ver um fantasma. Não queria compreender o que Cardif acabara de
dizer. O medo e a raiva despertaram em sua alma. Os mercadores
galácticos haviam arriscado tudo! Os aras, os ekhônidas e outros
grandes povos haviam aderido ao plano, e agora esse jovem terrano,
que era a verdadeira mola propulsora do movimento subversivo, vinha
lhe dizer que uma revolução só pode ser levada a termo com o poder
do Estado, não contra o mesmo.
— Cardif,
será que esse almirante ridículo conseguiu isso com sua
proclamação? Será que não me engano ao recordar ter ouvido de sua
boca as coisas maravilhosas que as pessoas aprendem na Academia
Espacial do Império Solar? O que sobrou de tudo isso? Um feixe
trêmulo de medo, terrano?
— Ah,
sim... A Academia Espacial Solar! — Cardif sorriu, enquanto fitava
tranqüilamente o patriarca furioso. — Aquilo que aprendi lá me
deu a capacidade de reconhecer que perdemos. Sim, perdemos! Neste
momento Rhodan e Atlan estão lançando seu trunfo principal.
Saltador, será que ainda não compreende o que significa o
aparecimento duma única nave dos druufs? Você se esqueceu da ameaça
de Atlan, que ameaça retirar a frota robotizada do front? Você se
esqueceu do motivo por que os superpesados não querem patrulhar mais
a área em torno de Archetz e o que eles constataram? Será que você
não se quer lembrar do que eu disse e exigi depois da palestra com
Onkto, o superpesado? Exigi que as estações planetárias de
observação espacial se mantivessem numa vigilância muito atenta, e
disse que alguma coisa perigosa estava para acontecer. Na mesma
oportunidade perguntei a mim e a você: o que será?
— E
agora você acha que sabe alguma coisa, seu terrano superinteligente?
— esbravejou Cokaze em tom furioso.
— Não
sei de nada. Apenas receio alguma coisa. Receio que Atlan tenha
deixado uma abertura na frente, para que umas dez ou vinte mil naves
dos druufs tenham possibilidade de penetrar em nosso espaço, avançar
até o grupo estelar M-13 e praticar atos de vandalismo.
— E eu
caí na conversa de uma cópia falsificada de Perry Rhodan como você!
Perry Rhodan ao menos tem certa classe, mas você...
Thomas
Cardif não se sentiu atingido por estas palavras, pois respondeu em
tom frio:
— Sei
admitir a derrota. E, quando essa acontece, ainda me resta coragem
para tirar minhas conclusões. Cokaze, se você quiser continuar
vivo, só lhe posso recomendar uma coisa: saia imediatamente de
Archetz na Cok II. Anuncie sua chegada a Aralon. Isso causará boa
impressão. Uma vez lá, aguarde os acontecimentos dos próximos
dias. É só o que tenho a lhe dizer.
— O que
pretende fazer, terrano? Transferir-se para a Terra?
Thomas
respondeu num tom que quase chegava a ser indiferente:
— Mudarei
para uma das naves cilíndricas que você terá de deixar em Titon
para que sua partida não pareça uma fuga. Você não poderá deixar
de expor umas quatro ou cinco naves ao risco de serem destruídas.
— Você
sabe que neste momento sua capacidade de sacar rapidamente um
radiador não lhe adiantará nada? — de repente, o patriarca
tornou-se desconfiado. — Se fizer o menor movimento, dispararei o
radiador de impulsos contra você.
— Cokaze,
você deveria fazer um curso na Academia Espacial do Império Solar.
É uma pena, mas você é muito velho para isso. E muito estúpido!
Dali a uma
hora, Cokaze decolou com sua Cok II em direção a Aralon. Antes de
partir despediu-se de Thomas Cardif.
— Você
é um sócio que assusta a gente! — foram estas as últimas
palavras que disse ao deixar para trás um terrano pensativo.
Cardif
transferiu-se para a Cok CCXIV, uma das quatro naves do poderoso clã
dos saltadores que estavam estacionadas na extremidade norte do
espaçoporto de Titon.
7
Por um
segundo Perry Rhodan teve a impressão de enxergar um abismo.
Harno, o
ser esférico, flutuava a seu lado. Graças à sua fantástica
capacidade televisora, permitiu a Perry ver a sala de comando da nave
de reconhecimento dos druufs, que acabara de emergir do hiperespaço
e seguia com uma lentidão espantosa em direção à nave capitania.
A nave de
reconhecimento, que gastara algumas horas no vôo para Archetz, só
levara alguns segundos para voltar. Bell, que se encontrava junto ao
rastreador especial, mal tivera tempo de anunciar a chegada da nave,
pois Harno logo projetou a imagem da sala de comando dos druufs.
Rhodan viu
que Brigonne e Kakuta estavam sendo vigiados por dois monstros. Ao
mesmo tempo, o ser esférico informou quais eram os problemas do
astronauta e do teleportador.
O
minúsculo hipertransmissor de sinais goniométricos, que Kakuta
escondera na comporta da nave de reconhecimento, ameaçava
transformar a manobra tática numa verdadeira catástrofe para a
Drusus.
Em seu
cérebro, ouviu Harno dizer:
— O
comandante da nave de reconhecimento está apresentando seu relatório
ao chefe da frota. Fala quase que exclusivamente no transmissor
localizado na comporta três, que não pôde ser aberta.
De
repente, Rhodan teve uma idéia.
Gucky
teria de intervir nos acontecimentos.
Convocou-o
à sala de comando pelo intercomunicador:
— Gucky,
não perca um segundo sequer.
Todos os
olhos fitaram Rhodan. Pouca gente se lembrava de ter visto o chefe
tão nervoso como naquele instante.
Gucky
encontrava-se de pé à frente do chefe. Aquele rato-castor de um
metro de altura rompeu um tabu e, recorrendo ao seu dom telepático,
leu os pensamentos de Rhodan.
— Naturalmente,
Perry! Em que depósito posso encontrar esse rhytmal
five?
Com um
ligeiro movimento de mão, Rhodan ligou o intercomunicador para todos
os compartimentos da Drusus.
— Aqui
fala Rhodan. Estou chamando todos os depósitos. Avisem imediatamente
em que depósito está estocado o rhytmal
five.
Urgência máxima!
O rhytmal
five
era uma substância cristalina descoberta pelos arcônidas que, uma
vez carregada, emitia por anos a fio um impulso débil num ritmo de
cinco minutos, que à primeira vista poderia perfeitamente ser
confundido com uma hipertransmissão goniométrica.
— Sir —
disse o encarregado de um dos depósitos. — O rhytmal
five
é guardado no depósito 123.
No mesmo
instante, Gucky teleportou-se para fora da sala de comando e viu-se
no interior do depósito 123. Lá ainda estavam procurando a tal
substância por meio de um pequeno computador positrônico.
— Passe
logo este negócio! — piou o rato-castor. — Não se esqueçam de
carregá-la. Vocês têm alguma cola que não seja afetada pela
frieza do espaço? Passem para cá. Rápido! Nossa vida está em
jogo.
O pequeno
computador indicou o lugar em que estava depositado o rhytmal
five.
O dispositivo teleguiado trouxe-o.
— O
cristal pequeno! — ordenou Gucky.
O som
metálico dos alto-falantes soou em meio às suas palavras. O
rato-castor forneceu instruções sobre a maneira de carregar o
cristal.
— Onde
está a cola? — Gucky procurou berrar, mas sua voz chiante não
ajudou.
Colocaram
em sua mão alguma coisa que parecia cola de gesso.
— Pronto,
tenente! — disseram logo em seguida.
O tenente
era Gucky, que se sentia lisonjeado, quando alguns homens com os
quais não tinha intimidade o designavam pelo posto.
O
rato-castor não se deu ao incômodo de agradecer.
Desapareceu
do depósito 123 para rematerializar-se no interior da comporta 3 da
nave de reconhecimento dos druufs.
Ligou o
holofote de seu traje espacial e rastejou pelo chão, à procura do
minúsculo transmissor.
Alguns
minutos se passaram. Subitamente, a luz do holofote foi refletida por
um pontinho.
— Até
que enfim! — suspirou o rato-castor em tom de alívio. Um breve
disparo da arma térmica derreteu o corpo de delito.
O dente
roedor solitário de Gucky avançou para a frente. O rato-castor
estava rindo de satisfeito. Dali a um segundo, praguejava
barbaramente. A cola grudenta que não queria sair dos seus dedos
submetia sua paciência a uma dura prova. Finalmente pôs a cola no
chão, e colocou cuidadosamente o rhytmal
five
no interior da mesma.
Dali a
pouco, os monstros iriam arrombar a comporta e tentariam encontrar um
motivo plausível que explicasse como aquele cristal, que emitia um
impulso a cada cinco minutos, poderia ter entrado ali.
Naturalmente
fora trazido por Kakuta ou Brigonne, porém os monstros jamais
poderiam recriminá-los por isso, se notassem aquela cola grudenta.
Mas Gucky
não gostou das marcas de solda deixadas por Tako Kakuta.
— Que
coisa! — disse. — Estas marcas deixarão os monstros loucos. Mas
se eu abrir um buraco aqui, eles ficarão ainda mais loucos e não
acreditarão mais no que estão vendo.
Às vezes,
Gucky gostava de falar demais. Mas também sabia agir, e dificilmente
cometia um erro.
Fez três
buracos na escotilha externa. Ficavam um acima do outro, numa
distância uniforme, e seguiam a linha das marcas de solda. Depois
deu um pequeno salto de teleportação, grudou-se do lado de fora da
escotilha destruída e apontou ligeiramente o radiador térmico para
cada um dos buracos, a fim de que a trajetória do tiro corresse de
fora para dentro.
— Os
druufs ficarão completamente confusos! — disse Gucky com uma
alegria maliciosa.
A seguir,
concentrou-se e reapareceu na sala de comando da Drusus.
— Isso
está liquidado, Perry. Quer que apresente um relatório?
Antes que
pudesse começar, ouviu-se a voz do chefe dos druufs.
— Rhodan,
prepare sua nave para o combate — disse com a voz fria. — Seu
plano traiçoeiro foi tolo demais.
Rhodan
exigiu explicações. O druuf falou num transmissor de sinais
goniométricos. Rhodan contestou a acusação e exigiu provas.
Sentiu-se surpreso quando o estranho ser se mostrou disposto a
apresentá-las.
Mais uma
vez, teve início a espera. Entretanto, desta vez não houve tensão,
pois Gucky teve oportunidade de apresentar rapidamente seu relatório.
— Tão
cedo os monstros não voltarão a chamar — atreveu-se a profetizar.
— Kakuta deixou alguns sinais de solda na comporta, que serão um
mistério para eles. Os três buracos que abri na escotilha externa
lhes darão o resto. Não gostaria de estar no couro do comandante da
nave de reconhecimento, que logo levará uma tremenda bronca do chefe
da frota...
A gíria
pareceu ser uma senha!
— Gucky
— interrompeu-o Rhodan. — Você não acha que ainda precisamos
ter uma conversa? Quem foi a pessoa que contrariou todas as ordens,
ao acionar antes do tempo o mecanismo-relógio do detonador daquela
bomba, no interior da nave capitania dos druufs?
— Perry
— atreveu-se o rato-castor a responder. — Certa vez, o gorducho
me disse que me livrasse de pessoas que ficam guardando rancor de
alguém, por anos a fio só porque esse alguém cometeu certos erros.
Você acha que foi um bom conselho?
*
* *
A grande
emissora de Árcon transmitiu a segunda mensagem do Almirante Atlan.
Apresentou
um ultimato: rendição ou morte!
— Mandarei
vir os druufs, para que eles ataquem o Império carcomido que não
quer manter a união. A frota robotizada de Árcon assistirá
impassível à destruição de um mundo após o outro. Levem a sério
o ultimato que estou apresentando. Não se esqueçam que saberei agir
com a mesma eficiência que o cérebro positrônico. Em qualquer
lugar os rebeldes serão fuzilados. Resolvam se querem ser rebeldes
ou cidadãos fiéis do Grande Império.
Três mil
espaçonaves de guerra dos druufs corriam vertiginosamente pelo
hiperespaço, em direção ao sistema de Rusuma. No momento em que
Atlan apresentava seu ultimato, já se encontravam a caminho. Um
sinal codificado previamente combinado avisara-o de que a operação
pega-moscas estava entrando na segunda fase.
Naves dos
druufs sobre Archetz! Uma demonstração de pavor!
Será que
Rhodan arriscara demais? Estaria seu plano fadado ao fracasso?
Achava que
não, e o computador positrônico lhe fornecera a probabilidade
bastante favorável de 81,54 por cento. Mas apesar desse índice, não
conseguiu livrar-se da inexplicável inquietação.
A Drusus
estava atingindo metade da velocidade da luz e, com isso,
aproximava-se do momento da transição. O salto a colocaria a dez
minutos-luz do sistema de Rusuma. Usando uma forte proteção contra
a localização e o neutralizador de vibrações seria impossível a
qualquer estação arcônida detectar goniometricamente o
supercouraçado.
O doloroso
choque da transição fez gemer as pessoas que se encontravam a bordo
da Drusus. Durante dez segundos, o computador positrônico assumiu
todas as funções da nave. Só depois disso, os tripulantes
recuperaram a capacidade de ação, mas a dor da rematerialização
ainda se fez sentir por muito tempo.
Rhodan nem
teve tempo para respirar profundamente. Harno, o ser esférico,
introduziu-se em seus pensamentos.
De um
instante para outro o rosto de Rhodan, ainda marcado pelo choque,
mudou de cor.
Harno
transmitira-lhe uma notícia quase inconcebível.
— O
comandante da frota dos druufs não pensa em cumprir o acordo
celebrado.
De uma
hora para outra, o monstro passou a acreditar que a promessa do
administrador, de após o vôo de demonstração sobre Archetz fazer
a frota atravessar a porta aberta pelo projetor de campo de refração
e penetrar no outro Universo, fosse uma armadilha.
— Por
quê? — perguntaram os pensamentos de Rhodan ao ser esférico, que
projetava para ele o rosto temível do comandante dos druufs, que se
mantinha imóvel em sua poltrona grosseira.
— É
a mentalidade deles, Rhodan! Seu raciocínio, Perry, não é capaz de
compreender a mudança de idéia dos druufs. Há um elemento
compreensível... Só agora ele entendeu a importância do planeta
Archetz. Pretende conquistar o sistema, estabelecer-se no mesmo e
partir dali, para conquistar uma estrela após a outra.
Neste
momento, Rhodan compreendeu a voz interior que o prevenira para que
não celebrasse qualquer acordo com os druufs.
Só mesmo
Atlan com sua gigantesca frota robotizada poderia evitar a destruição
de Archetz, o planeta dos saltadores.
*
* *
Subitamente,
três mil espaçonaves estranhas e gigantescas cobriram Archetz, o
mundo dos saltadores, como se fossem uma nuvem. Nenhuma das estações
planetárias de observação espacial anunciara sua aproximação.
Desenvolvendo
metade da velocidade da luz, precipitaram-se sobre o planeta. Antes
que as primeiras posições de defesa estivessem em condições de
disparar um único tiro de radiações, começaram a semear a morte e
a destruição sobre o mundo dos saltadores.
Titon
soçobrou em meio às chamas. No mesmo instante, mais três
metrópoles foram reduzidas a montes de cinzas e escombros. As luas
de Archetz com as posições de artilharia transformaram-se em tochas
acesas em pleno dia.
As naves
dos druufs estavam em toda parte. Seus precisos aparelhos de
rastreamento apontavam o caminho aos raios destruidores, fazendo com
que penetrassem nos fortes e os mergulhassem em chamas.
A
desvantagem de só poderem desenvolver metade da velocidade da luz e
de serem duas vezes mais lentos que qualquer outro ser não contava.
Espalhavam a morte e a destruição, antes que os saltadores
compreendessem que a desgraça estendia as garras para eles sob a
forma de uma frota de mais de três mil naves.
Apesar de
tudo, algumas naves cilíndricas estacionadas em Archetz conseguiram
escapar ao inferno, abrindo caminho entre a frota dos druufs e
alcançando o espaço livre.
As pessoas
que se encontravam na Drusus acompanhavam os acontecimentos, mas
mantinham-se inativos. A grande tela de visão global, regulada para
a ampliação máxima, mostrava todo o quadro com uma incrível
nitidez.
— Thomas
está lá embaixo!
— disse uma voz interior a Rhodan.
As naves
esféricas arcônidas de todas as classes, desde o pequeno destróier
até o supercouraçado, foram aparecendo nos céus.
Pareciam
um bando de gafanhotos vindo das profundezas do espaço. Enquanto se
aproximavam, pareciam pequenos sóis, expelindo linhas de fogo de
suas protuberâncias.
Vieram aos
milhares. Dentro de poucos segundos eram mais de dez mil, e os
gigantescos bandos de naves continuavam a chegar e a precipitar-se
sobre os druufs.
— Onde
está o girino, Bell? Nenhuma notícia?
Reginald
Bell não pôde dar uma resposta positiva.
Assim que
Rhodan soube por intermédio de Harno que os druufs pretendiam
conquistar o sistema de Rusuma e nem pensavam em cumprir o acordo
celebrado com os terranos, preparou imediatamente um girino com os
melhores teleportadores a bordo.
A ordem
transmitida aos teleportadores fora a seguinte: retirem nossos
astronautas da nave capitania dos druufs.
E agora os
homens que se encontravam na Drusus esperavam o regresso da nave
auxiliar. Porém, até agora, não haviam recebido nenhum pedido de
socorro.
Nada,
absolutamente nada!
A batalha
entre as naves robotizadas e os druufs representou o fim dos
monstros. A essa altura, cada espaçonave dos seres quadráticos
estava sendo caçada por dez ou quinze naves esféricas, tripuladas
por robôs. Os robôs de Árcon só conheciam sua programação. Seu
criador, o computador gigante, não lhes incutira qualquer sentimento
humano. Nem sequer compreenderam que estavam lutando contra seres
estranhos, vindos de outro Universo. Haviam recebido ordem de
destruir essa frota, e se guiariam por essa ordem até que a última
nave inimiga tivesse deixado de existir, ou até que outra ordem de
Árcon revogasse a anterior.
Chegaram a
fazer caça às naves dos druufs que desciam em Archetz ou em outros
planetas e suas luas e as bombardeavam com seus desintegradores ou
canhões térmicos, até que se desfizessem numa nuvem de energia
espraiante.
De uma
hora para outra, a terrível luta chegou ao fim.
A frota
robotizada voltou a formar-se em esquadrilhas e retirou-se.
— Terminou
— disse Bell em tom desanimado, enquanto a Drusus corria
vertiginosamente em direção ao planeta incendiado, irradiando
sempre e sempre seu sinal de identificação.
Quando
rompeu a camada de nuvens e o solo foi avistado, os tripulantes do
supercouraçado viram aproximar-se uma gigantesca nuvem de fumaça
sob a qual uma cidade de doze milhões de habitantes se desfazia em
cinzas.
Bell
sobressaltou-se. Um peso, um corpo caíra sobre seu colo.
— Gucky!
— exclamou em tom de surpresa, e o sorriso que cobria seu rosto
tornou-se cada vez mais amplo.
O salto de
teleportação do rato-castor fizera-o parar no colo de Bell.
Abriu o
capacete e achegou-se ainda mais a Reginald Bell, enquanto fitava
Perry Rhodan, que esperava pacientemente.
Gucky
estava exausto. Parecia que iria adormecer nos braços de Bell. Mas
fez um último esforço e apresentou seu relato:
— Tudo
em ordem, Perry. Todos bem. O girino está lá embaixo. Foi
derrubado. Tivemos que descer. Estamos...
Gucky
adormeceu, e Bell carregou-o cuidadosamente até o sofá encostado a
uma parede. Quando voltou, o gorducho parecia pensativo.
— Gostaria
de saber o que esse pirralho teve de fazer para retirar nossos
astronautas sãos e salvos da nave dos druufs.
*
* *
Pela
terceira vez num curto espaço de tempo, as grandes emissoras de
Árcon, situadas no grupo estelar M-13, fizeram-se ouvir. Não havia
necessidade de noticiar os acontecimentos verificados no sistema de
Rusuma. Os súditos do Grande Império já haviam recebido essa
notícia, quando a batalha mal havia começado e ainda não se sabia
se os druufs seriam ou não aniquilados.
Mas
juntamente com o susto também compreenderam que o tal do Almirante
Atlan, que alegava ser o sucessor do computador regente, sabia agir
implacavelmente para resguardar o poder do Estado. Por isso, os
bilhões de inteligências do Império prestaram muita atenção,
quando as grandes emissoras de Árcon III anunciaram a transmissão
de outra mensagem. Ao verem na tela um rosto que lhes parecia
conhecido, alguns milhões desses bilhões estremeceram.
Perry
Rhodan estava falando aos homens do Império por intermédio da
grande emissora de Árcon.
— Inclino
a cabeça diante de Atlan, o Imperador Gonozal VIII, que conduzirá o
Império de Árcon a um novo apogeu. Como administrador de meu reino
estelar, faço um apelo ao Grande Império: vamos retribuir a
lealdade com a lealdade. Povos do Grande Império! Peço-lhes que
compreendam que nossa missão deve ser procurada na amplidão do
Universo, não no ódio e na discórdia que nos separa...
Um amargo
sorriso brincava em torno dos lábios de Atlan, enquanto Perry Rhodan
se afastava da câmara e vinha em sua direção.
— Amigo
— disse com uma profunda emoção. — Você acaba de me promover a
imperador, mas de que me servirá o título, se os povos do Grande
Império não quiserem continuar unidos a Árcon? Não, Perry, não
pretendo abdicar, mas também não quero ser nenhum sonhador. Preciso
de sua amizade e de tempo, bárbaro! Tempo, tempo e mais tempo. Não
poderei modificar de hoje para amanhã aquilo que foi estragado por
várias gerações de arcônidas irresponsáveis. Não posso fazer as
coisas sozinho. Mas será que poderei dispor de tempo para fazer
alguma coisa?
Rhodan
parecia muito espantado:
— É a
primeira vez que o vejo tão pessimista, almirante.
— Não
sou nenhum pessimista, Perry. Apenas não me esqueci da existência
de um certo Thomas Cardif. E você é a melhor prova do que um único
terrano é capaz de fazer.
Rhodan fez
como se não tivesse ouvido esta observação.
— Acho
que Thomas pereceu em Archetz.
— Pois
eu não acredito nisso. Um Rhodan não seria capaz de morrer de forma
tão normal, à margem de um grande acontecimento. Nem mesmo um
Rhodan que use o nome Thomas Cardif!
*
* *
*
*
*
O plano
do desertor fracassou, embora tivesse sido muito bem preparado. Mas a
essa hora já se deve ter percebido que o filho de Perry Rhodan não
desiste tão depressa...
O
próximo volume da série, intitulado O
Regresso de Ernst Ellert,
trata de outro vibrante tema.

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