domingo, 21 de agosto de 2016

P-084 - Recrutas de Árcon - Clark Darlton [Parte 3]

Está duro de pavor. Assim será fácil transportá-lo. Vamos, Ras, dê-me a mão.
O africano não se fez de rogado.
Boa sorte, Osega! Ficaremos em contato com o senhor.
Os dois teleportadores desmaterializaram-se juntamente com Calus, antes que este tivesse tempo de pensar qualquer coisa.
Osega, que estava transformado no falso Calus, ficou só. Felizmente não se sentia solitário. Mantinha contato permanente com Perry Rhodan, através do telepata John Marshall. Dessa forma recebia prontamente ás instruções que se tornavam necessárias. Isso acontecia graças à habilidade de Harno, que sabia reproduzir em sua superfície a imagem de Osega e dos arredores do lugar em que o falso almirante se encontrasse.
Atenção, Osega! — “disse” um impulso mental captado assim que Gucky e Ras desapareceram com o prisioneiro. — Um oficial aproxima-se do gabinete. Quer falar com o senhor.
Ótimo; assim tenho oportunidade de submeter-me a uma prova — respondeu Osega e passou a dedicar sua atenção às anotações do discurso que teria de proferir. Quando a porta se abriu, mal levantou os olhos. Teve a habilidade de fazer surgir uma ruga de contrariedade em sua testa.
Tomara que o oficial pensasse que realmente se tratava da testa de Calus.
Trago uma ótima notícia, almirante — principiou o oficial na esperança de melhorar o humor de seu superior. — Um transporte de homens recrutados à força acaba de chegar das cidades do ocidente. Estão sendo escoltados por robôs. Devem ser cerca de cinco mil.
Osega recebeu a informação com a maior tranqüilidade. De certa forma, a notícia era lamentável, pois significava que mais cinco mil zalitas inocentes seriam arrastados para Árcon. Mas, por outro lado, também podia significar que Rhodan e seus homens não teriam de esperar muito para serem transportados para Árcon.
Excelente! — respondeu. — Providencie para que a notícia seja transmitida imediatamente ao regente. Agora prefiro ficar só, pois preciso preparar meu discurso.
O oficial suspirou aliviado e retirou-se.
Também Osega sentiu-se bastante aliviado. Dera certo. Também passaria pelo teste da câmara de televisão, especialmente se anunciasse as drásticas medidas que deveriam atingir as classes mais antigas.
Os zalitas ficariam pasmados. Mas o importante era os arcônidas e seu regente não se admirarem.

* * *

E bem verdade que o verdadeiro Calus tinha motivos de sobra para admirar-se com uma porção de coisas. Além de ter sido levado por meio da teleportação a um lugar totalmente desconhecido, que parecia ficar embaixo da superfície, fitou alguns rostos estranhos e nada amistosos.
Num canto do recinto em que se encontrava, havia uma espécie de impressora, que com intervalos de alguns minutos expelia passaportes zalitas autênticos. Um grupo de homens de guarda-pó branco prendia fotos e modelos de vibrações cerebrais aos documentos, preenchia-os e os empilhava.
Num ponto mais afastado, um grupo de zalitas estava sentado em torno de uma mesa tosca e conversava. Alguns liam. Calus viu que à esquerda um nicho fora separado por meio de plásticos negros. Não podia ver o que havia atrás desses panos. Uma única vez um homem passou por baixo desses panos e disse a um zalita:
Os aparelhos estão prontos para entrar em funcionamento, Sir. Se quiser podemos começar.
Muito bem.
Com uma expressão indefinível, o zalita ao qual haviam sido dirigidas essas palavras fitou Calus. Depois de algum tempo começou a falar:
O senhor já deve ter compreendido o que aconteceu, Calus. Um sósia foi colocado em seu lugar. O senhor encontra-se em nosso poder e só depois de atingirmos nossos objetivos, será libertado. Em grande parte, dependerá do senhor quando isso acontecerá. O senhor se dispõe voluntariamente a prestar as informações que desejamos, ou teremos de recorrer a uma suave coação?
Calus tinha certeza absoluta de ter caído nas mãos dos rebeldes. Talvez tais rebeldes contassem com o apoio de seres vindos de outros mundos, que dispunham de faculdades parapsicológicas.
Nem pensou na possibilidade de ter à sua frente os temíveis terranos dirigidos por Perry Rhodan!
Pode perguntar — disse em tom tranqüilo. — Não terei dúvida em dizer aquilo que posso revelar. Quanto ao resto...
Quanto ao resto, não se preocupe — disse o zalita, que não era outro senão Perry Rhodan. — Sua saúde não será prejudicada, pois nossos métodos de interrogatório hipnótico são totalmente inofensivos. As primeiras perguntas são: qual é o motivo do recrutamento forçado? Qual é o inimigo contra o qual Árcon está lutando?
Os olhos de Calus estreitaram-se.
Recuso responder essa pergunta. Aliás, tenho de preveni-lo de que os senhores acabam de seqüestrar um almirante arcônida, e por isso sofrerão um castigo rigorosíssimo. Se concordarem em libertar-me, terei muito prazer em usar minha influência para...
Rhodan sacudiu a cabeça e lançou um olhar para os homens que estavam reunidos num canto. Já não estava sorrindo.
Manoli! Sinto muito, mas não temos outra alternativa. Vamos recorrer ao tratamento hipnótico.
Enquanto um Calus relutante estava sendo submetido aos efeitos dos campos de choque eletrônicos, caminhava pelas ruas de Tagnor um homem ao qual cabia testar as primeiras ordens do falso Calus.
Tratava-se do mutante japonês Tako Kakuta, um teleportador. Ninguém desconfiaria de que aquele corpo pequeno pertencesse a um terrano, quanto mais a um japonês, pois o tratamento especializado fizera de Tako um verdadeiro zalita. Seus cabelos pretos e vastos haviam desaparecido. Em vez disso, tinha uma cabeleira cor de cobre. O brilho esverdeado foi imitado com uma perfeição enganadora. Bastava que Tako inclinasse a cabeça para que os raios do sol gigantesco de Voga se quebrassem nos microcristais acrescentados à cabeleira artificial.
Tako passeava tranqüilamente pelas ruas como quem não tem nada a fazer. Viu poucos zalitas com a sua idade. Os que não estivessem a caminho de Árcon deviam estar escondidos. Por mais de uma vez conseguiu esquivar-se das patrulhas de busca. Geralmente essas guarnições, compostas por robôs ou soldados zalitas, eram comandadas por oficiais arcônidas.
O êxito desse tipo de controle já era muito reduzido. Um zalita que se arriscasse a andar pela rua só poderia ser um doido, a não ser que tivesse uma boa idade. Ainda se viam muitos velhos, mas por enquanto estes não tinham nada a recear. Os arcônidas até chegavam a tratá-los com muita consideração, naturalmente porque esperavam que poderiam encontrar traidores entre os velhos zalitas.
Quando os alto-falantes públicos começaram a transmitir o discurso diário do almirante, Tako entrou num restaurante. Sentou a uma mesa e pediu o vinho do planeta, que era muito saboroso graças ao sol gigantesco que fazia amadurecer as uvas. O rosto conhecido de Calus parecia fitá-lo da tela.
Ouviu algumas pessoas praguejarem baixinho, mas logo a voz do arcônida superou os cochichos.
Contemplou Calus e não pôde deixar de reconhecer que, raras vezes, um disfarce fora tão bem sucedido. Calus era Calus; não havia a menor dúvida. Até mesmo a voz, a maneira de expressar-se e a entonação eram semelhantes às do verdadeiro almirante. Os gestos, que serviam para reforçar os trechos mais importantes do discurso, haviam sido tão bem estudados por Osega que ninguém poderia ter dúvidas sobre a identidade do almirante.
Nesta oportunidade mando que todos, repito: todos os homens de Zalit se apresentem para serem examinados pelas comissões de recrutamento. Só estas decidirão quem é inapto para o serviço da frota. Dentro de uma semana, todo zalita deverá estar devidamente registrado. Qualquer um que for encontrado sem um documento visado será preso.
Tako divertiu-se ao pensar como a situação estava ficando esquisita. Os documentos a que Calus se referia estavam sendo fabricados na caverna, situada embaixo da arena, e seriam entregues às comissões de recrutamento.
Pelo que se diz, existem zalitas que se recusam a prestar serviço voluntário ao Império. Portanto, para o computador, todos estão sujeitos às leis de guerra, daqui para frente. Qualquer sujeito apto para a prestação do serviço militar, mas que negue-se a prestá-lo, poderá ser condenado à morte.
Tako notou que alguns zalitas mais idosos o fitavam. Devia pertencer à categoria das pessoas a que acabara de aludir o almirante.
Calus prosseguiu. Ressaltou que a paciência do regente de Árcon estava definitivamente esgotada. O Império estava sendo ameaçado por uma potência estranha, e o computador era generoso a ponto de confiar os postos mais importantes aos arcônidas e zalitas. Portanto, seria uma ingratidão... e o discurso prosseguia neste diapasão.
Quando Calus concluiu, houve alguns segundos de silêncio no interior do restaurante. Finalmente um zalita idoso levantou-se, atirou uma moeda para o dono do restaurante e dirigiu-se à porta. Antes de sair, virou-se e disse:
Quem se juntar aos arcônidas será um traidor e um escravo do computador!
Uma vez proferidas estas palavras, desapareceu.
Os que ficaram para trás pareciam suspirar aliviados. Começaram a discutir apaixonadamente; procuravam convencer uns aos outros. Tako aproveitou a confusão generalizada para sair do local. Não podia deixar de confessar que Osega fizera um trabalho perfeito. Estava convencido de que teria enganado até mesmo o regente de Árcon, se o computador tivesse tido oportunidade de ouvir o discurso.
Tako não se encontrou com nenhuma das patrulhas, que vasculhavam as ruas, e por isso tornou-se mais arrojado. Foi-se aproximando do espaçoporto e, subitamente, viu-se diante de uma fileira de guardas. Eram todos robôs. Seus olhos frios e inexpressivos dirigiram-se para ele como se fosse uma caça pela qual esperavam há muito tempo. Um deles veio em sua direção. Seria inútil correr. Um robô sabe deslocar-se com uma rapidez espantosa.
Documento! — disse a voz rangedora da máquina.
Naturalmente Tako possuía documento. A identidade fora fabricada no dia anterior, no laboratório situado embaixo da arena. Toffner fornecera todos os dados para isso. Acontece que não era o documento que importava. Tako tinha a idade apropriada.
Enquanto entregava o documento ao robô, o japonês falou sem pestanejar.
Quero apresentar-me à comissão de recrutamento. Onde fica?
O robô examinou o documento. Sua programação, que no início previa a prisão do homem que tinha diante de si, foi modificada. Aquele indivíduo queria apresentar-se. Para este caso, as instruções eram outras:
Atravesse a barreira que fica junto ao edifício principal. Ali encontrará um oficial.
Tako se transformaria em cobaia!
Enquanto caminhava, procurou entrar em contato com John Marshall ou outro mutante através do microtransmissor. Pouco antes de chegar ao edifício que lhe fora designado, alguém respondeu:
Faça de conta que se apresentou para ser examinado. Se lhe perguntarem por que só apareceu hoje, alegue doença. Estamos cuidando de você. Harno tem sua imagem. Não se preocupe, dentro em breve o seguiremos.
Tako continuou a caminhar. Sentiu-se tranqüilo. Enquanto Rhodan e seus colegas do Exército de Mutantes estivessem atrás dele, nada lhe poderia acontecer.
Chegou na hora exata para assistir à chegada do almirante arcônida, que iria realizar uma inspeção de surpresa na sede da comissão de recrutamento.
6



No dia seguinte, mais dez homens do grupo de Rhodan apresentaram-se para o serviço da frota de Árcon. Possuíam documentos válidos e estavam em condições de provar que, nos dias anteriores, viram-se impedidos por motivos ponderáveis a apresentar-se às comissões de recrutamento. Foram encaminhados aos alojamentos e examinados sem maiores formalidades. O resultado do exame foi um só: aptos para o serviço da frota.
Dali a dois dias, aquele grupo de dez homens, entre os quais se encontrava o hipno André Noir, começaram a “trabalhar” os oficiais das diversas unidades. Não foi muito difícil chamá-los um por um ao aposento em que os terranos haviam sido alojados. Uma vez lá, foram submetidos a um “tratamento” e regressaram às suas unidades com uma memória renovada e com ordens estranhas.
E foi assim que o grupo de dez terranos, e posteriormente Tako, fizeram carreira muito rápida e logo se transformaram em chefes, subordinados diretamente aos oficiais de Árcon. Até mesmo os robôs deviam obedecer-lhes, isso principalmente depois que seus dispositivos foram reprogramados às escondidas.
Enquanto isso, Osega continuava a desempenhar o papel de Calus. Anunciou ao regente que outro grupo estava pronto para ser transportado. E logo depois, uma grande nave esférica decolou, levando muitos recrutas de Zalit.
Os homens do grupo de Rhodan não embarcaram nessa nave. Nem mesmo Calus possuía poderes para decidir sobre o transporte dos recrutas. E a hora ainda não havia chegado.
Na caverna situada sob a arena, Rhodan e seu grupo estavam realizando uma conferência. Harno estava aceso. Há vários dias não descansava. Constantemente havia alguém perto dele e observava o que se passava na superfície esférica de seu corpo.
Tristemente agachado num canto, Gucky mastigava uma planta nativa do planeta, que Bell lhe oferecera, dizendo que eram cenouras. Mas não era isso que o deixava aborrecido. Seus problemas eram bem mais graves.
Rhodan fornecera o nome de cinqüenta pessoas que não poderiam ir a Árcon. Fora decidido em definitivo que ele, Gucky, era uma dessas cinqüenta pessoas. Não havia meio de transformá-lo num zalita.
Ainda hoje subiremos à superfície e nos apresentaremos. Com isso, seremos cento e cinqüenta homens ao todo. Acho que será suficiente. — Rhodan olhou em torno. — Toffner ficará aqui. O Major Rosberg assumirá o comando e dirigirá as ações em Zalit. Se houver algum imprevisto, o Major Rosberg usará o aparelho de Toffner para avisar a Drusus, que virá buscá-los. Acho que está tudo claro.
Este ponto será o único que poderá levar-me a recusar o cumprimento de uma ordem — observou Rosberg. — Acredita que seríamos capazes de deixá-lo preso numa armadilha somente porque alguma coisa não deu certo? Arrancá-lo-emos de lá e...
Não farão nada disso, Rosberg! — a voz de Rhodan soou com uma estranha aspereza. — Saberemos resguardar-nos. Além disso, seu sacrifício seria inútil. Se formos agarrados, você não poderá fazer nada. Exijo que se atenha às instruções que lhe são fornecidas. Mais alguma pergunta?
O Major Rosberg voltou a falar.
Como deveremos guarnecer o transmissor que se encontra na caverna?
Ainda bem que se lembrou, Rosberg. Acho que você deverá destacar três homens que permanecerão lá, depois de terem avisado a Califórnia. Precisaremos de suprimentos de armas e materiais. Em Zalit deve ser instalada uma verdadeira base, capaz de defender-se até mesmo dos ataques de Árcon. Não sei se as coisas chegarão a este ponto, contudo deveremos estar preparados para qualquer eventualidade. Mas peço-lhe que só cuide dessa caverna depois que estivermos a caminho de Árcon.
Outros detalhes foram discutidos, até que tudo ficou esclarecido. Nenhum ponto deixou de ser examinado. O contato fônico entre os dois grupos seria mantido ininterruptamente, embora Harno pudesse transmitir sempre a Rhodan a imagem dos homens que permaneciam em Zalit.
A missão tornava-se cada vez mais, menos perigosa, pois os homens já recrutados haviam preparado o terreno. A maior parte dos oficiais arcônidas recebera um bloqueio hipnótico e quase todos os robôs foram reprogramados. Duas telepatas, Betty Toufry e Ishy Matsu, que permaneceriam em Zalit, manteriam o contato entre Calus e o Major Rosberg. Gucky também se dedicaria a essa tarefa.
Dali a dois dias, os últimos “voluntários” puseram-se a caminho. Além de Rhodan e Bell pertenciam ao grupo o Capitão Gorlat, Atlan e Fron Wroma. Tal qual os outros, levavam um passaporte falso no qual estava consignado um nome zalita. Não havia nada que pudesse sair errado.
Passaram pelos primeiros controles e chegaram à entrada principal, onde foram recebidos por um arcônida arrogante. Robôs de guerra patrulhavam as áreas adjacentes à cerca provisória. No interior do acampamento enxameavam os zalitas, que haviam realizado o treinamento preliminar ali mesmo e aguardavam o momento de serem transportados para Árcon. Uma vez lá, talvez fossem incorporados definitivamente na frota do Império.
O oficial arcônida fitou os recém-chegados com um misto de alegre surpresa e de arrogância insuportável. Apesar disso, esforçou-se para encontrar uma forma de tratamento aceitável.
Quer dizer que resolveram entrar para a gloriosa frota do Império? — disse e fez um sinal para os vigilantes robôs. — Serão examinados, registrados e transportados o mais depressa possível. Qualquer homem capaz poderá fazer uma carreira rápida. Também temos lugar para o pessoal técnico.
Estendeu a mão.
Os documentos, por favor.
Depois de algum tempo, devolveu os papéis.
No primeiro edifício fica o setor de registro. Apresentem-se ao sargento de plantão. Ele os encaminhará. Desejo-lhes um futuro repleto de vitórias.
Rhodan agradeceu, voltou a guardar o passaporte e passou pelos robôs, sem saber se estes haviam sido reprogramados ou não. Naquele momento, isso ainda não importava muito. Eram recrutas e qualquer gesto estranho provocaria suspeitas. Por enquanto tinham de submeter-se às normas vigentes.
Felizmente o sargento incumbido do registro já fora “preparado” por Noir. Um dos homens do grupo de Rhodan, que já se encontrava no acampamento há alguns dias, ajudou o hipno no registro dos recém-chegados.
Apresentaram seus passaportes e tiveram o cuidado de não proferir uma única palavra suspeita. Os aparelhos de escuta poderiam estar escondidos em qualquer lugar, e os arcônidas que os ouvissem certamente não estavam condicionados.
O sargento levantou a cabeça e piscou ligeiramente os olhos.
Como vejo, já serviu na frota de Zalit. Foi major, não foi, Sesete? — era o nome que Rhodan estava usando. — Excelente! Precisamos de homens experientes como o senhor. Acho que ocupará o mesmo posto. Examinou os passaportes dos outros.
Comandante Ighur, da frota mercante — o nome pertencia a Atlan, que se limitou a confirmar com um aceno de cabeça. — Pelo que vejo, foram todos oficiais. Major Roake — lançou um olhar ligeiro para Bell. — Capitão Norvt, Tenente Likro... excelente.
Empurrou os passaportes para seu assistente.
Providencie alojamentos de primeira. Não é todos os dias que aparece um grupo formado exclusivamente por ex-oficiais. Sem dúvida resolveram esperar um pouco antes de resolver juntar-se a nós, não é? Bem, não importa. O que vale é que atenderam ao nosso apelo. O exame médico será realizado amanhã. Acredito... bem, parecem todos muito sadios.
O assistente devolveu os passaportes. Além disso, entregou-lhes um papel com uma planta do acampamento, pela qual poderiam orientar-se. Os algarismos indicavam a seqüência dos locais em que teriam de apresentar-se.
Constataram que realmente lhes forneceram alojamentos condignos, a que tinham direito por serem antigos oficiais.
Parecia pura coincidência... Os outros homens do comando terrano foram alojados em local bem próximo!

* * *

Toffner levou a sério a tarefa que lhe foi confiada. Sabia quanta coisa dependia da execução da mesma. O Major Rosberg o prevenira quanto a isso. Se fosse preso pelos arcônidas ou pelos soldados de Zalit, não poderia contar com qualquer auxílio. Além disso, deveria evitar que sua pista levasse às catacumbas.
Dessa forma, Toffner voltara a ficar só; dependeria exclusivamente de sua habilidade.
O documento, que Calus assinara, era a única coisa que o tranqüilizava, pois atestava que a comissão de recrutamento o julgara inapto para o serviço da frota.
Não foi por nada que o Almirante Calus baixou tal ordem, que admitia certas exceções e permitia a emissão dos respectivos documentos...
Toffner teria de preparar os jogos da arena, que seriam realizados no outono. O terrano, ou melhor, Garak, tinha necessidade premente de gladiadores. Onde arranjá-los, se em Tagnor quase não restavam homens capazes? Não teve outra alternativa senão viajar por aí.
Foi a uma agência e alugou um planador. Desta vez escolheu um modelo maior. Talvez tivesse de realizar alguns transportes. Por duas vezes as patrulhas o pararam e controlaram seus documentos. O atestado produziu verdadeiros milagres. Deixaram-no passar sem dificuldades.
O planador estava estacionado na área de parqueamento. Achava-se cercado por uma fileira de guardas. E tal situação provocou um sorriso discreto em Toffner.
O que poderia acontecer-lhe?
Conforme esperava, o controle foi rápido e fácil como os anteriores. Permitiram-lhe que decolasse, depois de ter informado seu destino: a cidade de Larg.
Descreveu uma curva a baixa altitude e constatou que o tráfego civil estava praticamente paralisado. Vez por outra encontrava-se com um planador militar. Mas estes não se interessaram por ele. Logo atingiu a periferia da cidade e dirigiu-se para o leste, para o deserto.
Resistiu à tentação de pousar nas proximidades da caverna. Pelo que se sabia, ninguém aparecera por lá. Isso só aconteceria nos próximos dias. Seria necessário colocar o transmissor em recepção e descarregar os volumes que chegassem.
A cadeia de montanhas foi avistada e voltou a desaparecer. Finalmente, Toffner pousou em Larg sem maiores incidentes. Estacionou o planador e regulou o fecho positrônico para seu número de identificação. Nenhuma pessoa estranha seria capaz de abrir a cabina, a não ser que possuísse seu modelo de vibrações cerebrais, o que era totalmente impossível.
Hhokga, o negociante de tecidos, ficou não apenas surpreso, mas assustado ao rever tão depressa o homem que conhecia como Garak. Pediu silêncio e levou o inesperado hóspede à sala de estar. A tarde findava; dentro de mais algumas horas, escureceria. Os robôs patrulhavam as ruas.
Sua vinda representa um tremendo perigo para mim! — as palavras de Hhokga foram ditas em voz tão baixa que Toffner mal conseguiu entendê-las. — Por que veio? Nos últimos dias, a situação tornou-se muito mais crítica. Devo apresentar-me amanhã para ser submetido a exame médico. Os homens velhos estão sendo recrutados...
Não se preocupe! — interrompeu Toffner com a voz tranqüila e sentou-se. — O senhor não será incorporado em hipótese alguma. Acredite em mim e não faça perguntas. Tome este papel. Trata-se de um documento emitido em seu nome, no qual se lê que o senhor se apresentou em Tagnor e foi julgado inapto. Apresente-o a qualquer patrulha que venha abordá-lo.
Hhokga lançou um olhar de espanto para o documento.
O senhor deve ter amigos muito influentes — disse o negociante de tecidos em tom respeitoso. — Quem sabe se pode proteger Markh e Kharra dos arcônidas?
Ambos poderão andar à vontade em Tagnor, pois também receberão hoje um documento igual a este. Ainda obterão licença para viajar para Larg. É por isso que estou aqui.
Hhokga foi pegar o vinho e sentou-se.
Não compreendo como foi que o senhor conseguiu isso. O que sei é que não tenho a menor esperança de poder retribuir este favor. O senhor é mais poderoso que eu, que apenas sou um velho sem confiança no futuro...
O futuro é muito mais brilhante do que o senhor imagina — asseverou Toffner, esperando que não tivesse dito demais.
O Almirante Calus também é mortal — comentou Hhokga.
Toffner assustou-se. Será que planejavam o assassinato do almirante arcônida, do qual ninguém sabia que, na realidade, era um terrano e um grande amigo dos zalitas? Isso complicaria a situação. Talvez Hhokga soubesse dizer alguma coisa.
Pretendem matá-lo?
Como é que o senhor pode dizer uma coisa dessas, Garak? Não se trata disso. Apenas estou falando em termos gerais. Qualquer pessoa terá de morrer um dia — suspirou. — Posso ajudá-lo em algo?
Markh me disse que o senhor tem relações com as autoridades locais. É bem verdade que o mercador de animais pode locomover-se livremente, mas achamos preferível que por enquanto mantenha uma atitude mais discreta. Preciso de animais selvagens e de gladiadores que se disponham a lutar na arena. Não posso contar com presos políticos ou comuns, pois os arcônidas esvaziaram as prisões. E quem mais concordaria em ir voluntariamente para a arena? Quer dizer que tenho pouca gente. E, se não consigo gladiadores, terei de fazer os animais lutarem contra outros animais.
O que posso fazer pelo senhor?
Pode ajudar-me a formar uma expedição. Basta que um dos seus veículos de transporte, destinados a Tagnor, pouse em determinado ponto nas montanhas e receba as cargas que expedirei em nome de Markh. Será feito tudo legalmente e com licença das autoridades. Eu mesmo poderia organizar tudo, mas tenho de voltar o quanto antes para Tagnor.
Entrego-lhe dez documentos assinados pelo Almirante Calus. Tais identidades dizem que o portador, depois de examinado pela comissão de recrutamento arcônida, foi julgado inapto para o serviço ativo. Os documentos foram emitidos em branco. Utilize-os à vontade. O senhor deve ter dez bons amigos que estejam dispostos a trabalhar nesses transportes em troca da garantia de não serem molestados pelos arcônidas.”
Se o documento realmente for bom, posso garantir que uma caravana chegará às montanhas. Vou desenhar um esboço.
Dali a trinta minutos, Toffner saiu da residência de Hhokga. Quando pousou em Tagnor já estava escurecendo. A fim de apresentar seu relato a Rosberg, dirigiu-se furtivamente ao esconderijo situado embaixo da arena.
O Major elaborou seu plano.
Daqui a dois dias, Gucky saltará para a caverna juntamente com três especialistas e ligará o transmissor. Antes disso, entraremos em contato com a Califórnia para mandar que as coisas nos sejam enviadas. Daqui a três dias, o tal do Hhokga sairá de Larg. Dali a mais dois dias, chegará às montanhas. Carregará as caixas. Acontece que a carga poderá ser controlada. Não seria preferível incluir alguns animais? Seu amigo Markh poderia cuidar disso.
Toffner prometeu confiar essa tarefa ao caçador.
Como estão as coisas lá em cima? — perguntou Rosberg, depois que tinham discutido todos os detalhes. — Hoje ouvi o discurso de Osega. Metade da população de Zalit deve ter sido levada do planeta.
As coisas não são tão ruins, Sir. A maior parte dos homens está escondida. A vida econômica de Zalit está um tanto paralisada, mas a situação não chega a ser crítica. Os habitantes do planeta são ricos e têm suas reservas. Agüentarão mais algum tempo.
Até lá o perigo terá sido eliminado, ou nada mais importa — disse Rosberg em tom tranqüilo.

* * *

O comando era formado por quatro robôs de guerra e um arcônida.
O grupo vasculhou sistematicamente os porões de uma rua de Tagnor que levava diretamente do palácio do governo à arena. O fato em si não tinha nada de inquietante, pois todos os dias surgiam as patrulhas que andavam à procura de desertores.
E nada teria acontecido, se não...
O guarda zalita, que estava de folga e viera visitar a família em Tagnor, correu bem para dentro dos braços do comando. Seus documentos foram controlados e foi dispensado. Pretendia seguir seu caminho, mas o arcônida chamou-o de volta.
O senhor deve conhecer Tagnor muito bem, soldado.
O zalita estava muito interessado em servir aos seus senhores, e por isso fez um gesto afirmativo.
Conheço a cidade como a palma de minha mão, oficial. Deseja alguma informação?
O arcônida apontou para a arena.
É ali que são realizadas as lutas?
Atualmente não, senhor. Não há animais e gladiadores.
A arena tem instalações subterrâneas.
Existem algumas catacumbas, senhor. Quando há jogos, é lá que costumam alojar-se os lutadores. E as jaulas dos animais também ficam lá.
Não seria possível que alguns desertores se escondessem nessas catacumbas?
O soldado sacudiu a cabeça.
Dificilmente, senhor. Revistamos atentamente as catacumbas, na parte conhecida. Não encontramos nenhum sinal da presença de fugitivos.
O oficial aguçou o ouvido.
Na parte conhecida? Isso quer dizer que nem todos os subterrâneos são conhecidos?
Isso mesmo. Antigamente havia muitas passagens secretas que davam para o palácio. Em parte, tais entradas foram fechadas. A arena não precisa de tanto espaço. Seria muito dispendioso providenciar calefação e ventilação para todas as catacumbas.
Era só o que o arcônida queria saber. Suas suspeitas se confirmaram. Embaixo de Tagnor havia esconderijos que eram completamente desconhecidos... ao menos da maior parte das pessoas.
Obrigado — disse, dirigindo-se ao soldado. — Pode retirar-se.
O zalita afastou-se. Estava satisfeito por não ter causado uma impressão desfavorável. Pelo contrário: prestara um serviço ao arcônida. Talvez um dia, isso lhe trouxesse alguma vantagem. Dificilmente a informação causaria qualquer prejuízo a seu povo.
A entrada tinha ao menos dez metros de largura. Os degraus levavam para baixo.
Então é este o acesso às catacumbas! — balbuciou o arcônida.
Lembrou-se de que as galerias já haviam sido revistadas, mas não se esqueceu da observação do soldado zalita: na parte conhecida. Era o ponto decisivo, que o animava a empreender a ação que estava iniciando.
Sigam-me — ordenou aos robôs. — Mantenham os radiadores térmicos prontos para disparar.
Estava muito escuro, mas as luzes fortes dos robôs dissiparam a escuridão. Antigamente havia luminárias aplicadas nos tetos abaulados, e que apareciam a intervalos regulares. Mas agora, todas estavam apagadas. Vez por outra, um corredor estreito saía para a direita ou para a esquerda. O arcônida deixava um robô na bifurcação, enquanto juntamente com os outros examinava o corredor lateral. Via de regra, tais passagens terminavam depois de poucos metros numa parede lisa.
O fato de não encontrar nenhum desertor por ali apenas reforçou suas suspeitas. Se nesse lugar não havia gente escondida, deveria haver esconderijos melhores mais embaixo. Precisava encontrá-los.
Seus passos ressoaram, mas não conseguiram sobrepujar o ruído dos outros passos...
Parem!
Os robôs imobilizaram-se abruptamente. As armas dirigiram-se para a escuridão que surgia à sua frente. O arcônida aguçou o ouvido.
Era isso mesmo! Alguém vinha ao seu encontro.
Apaguem as luzes.
A escuridão foi completa. Porém, lá na frente, surgiu uma luminosidade que se tornou mais forte, à medida que se aproximava.
Finalmente, um vulto saiu de um dos corredores laterais.
Aproximou-se do grupo e, quando avistou os quatro robôs, parou de repente. A lanterna balançou ligeiramente.
Quem é você? — perguntou o arcônida e adiantou-se. No mesmo instante, as luzes dos robôs acenderam-se e mergulharam o vulto numa luz ofuscante. Era um zalita.
Quando descobriu o comando, Toffner levou um susto tremendo... Tarde para pôr-se a salvo! Acabara de atravessar a porta secreta a fim de visitar um amigo em Tagnor. E agora acontecia isso!
Sou Garak, o administrador disto.
O que veio fazer aqui de noite?
Meu negócio é este...
Talvez seja — disse o arcônida em tom desconfiado. — De onde veio? Desse corredor lateral? Vamos até lá. Mostre-me onde esteve.
Toffner sabia que só mesmo um milagre poderia evitar a descoberta do recinto secreto. O corredor era curto e, tal qual os outros, terminava numa parede de rocha lisa.
Foi caminhando devagar, seguido pelo oficial e pelos robôs. Desta vez todos os quatro foram com o oficial; nenhum ficou para trás. Era uma sensação desagradável saber que as armas de radiações dos monstros estavam apontadas para suas costas.
O corredor termina aqui — disse quando atingiram a parede atrás da qual ficava o esconderijo.
Toffner só poderia fazer votos de que o arcônida não notasse as pequeninas fendas, e de que um metro de rocha fosse suficiente para deter os robôs.
Acontece que o arcônida não era nenhum tolo. Sabia raciocinar logicamente.
Quer dizer que você esteve num corredor em que praticamente não existe nada?
Sim; eu me perdi.
É muito estranho que isso tenha acontecido com o administrador da arena, que deve conhecer todos os cantos destes subterrâneos, não acha? Fale logo, zalita! O que veio fazer aqui? E onde está a saída?
Onde está a saída...
Toffner refletiu febrilmente para encontrar uma solução.
Gucky! Betty! Ishy! — foi esta a mensagem silenciosa que enviou aos três telepatas. — Há um perigo gravíssimo bem à porta: Quatro robôs e um arcônida. Cuidado!
A resposta veio pelo microcomunicador colocado em seu ouvido:
Já percebemos, Toffner. Mantenha a calma. Procure detê-los.
Devia ter sido Gucky.
Entendido — “respondeu” Toffner.
Responda, zalita! — disse o arcônida em tom grosseiro, quando viu que o silêncio de Toffner se prolongava demais. — O que veio fazer aqui? Mostre a porta oculta, senão darei ordem aos robôs para que derretam a parede.
Era apenas uma ameaça. Nem mais nem menos. O arcônida ameaçava ao acaso, na esperança de amedrontar seu interlocutor.
Atrás dessa parede não há nada — asseverou Toffner, e fazia votos de que logo fosse acontecer alguma coisa.
Os homens no esconderijo haviam sido avisados. Saberiam defender-se. Mas quando a parede tivesse sido derretida, o esconderijo não valeria mais nada.
Mande seus robôs entrarem em ação. Talvez assim fique sabendo se por aqui realmente existem passagens secretas.
O arcônida hesitou. Será que um zalita sabia fingir com tamanha perfeição? Mas não era esta a hora de refletir sobre isso. Transmitiu suas ordens aos robôs.
Intensidade reduzida, contra a parede que está à nossa frente. Iniciar dentro de dez segundos.
O feixe energético atingiu a parede de rocha e foi-se espalhando por igual. A rocha foi-se derretendo lentamente e começou a pingar. No chão do corredor surgiram poças reluzentes.
Toffner começou a suar de aflição.
O que Gucky e os outros estavam esperando para agir?” pensou. “Se não tomassem logo providências...
Psiu! Não pense tão “alto”! — era Gucky. — Eu trouxe Betty. Precisamos de dois telecinetas para pôr os robôs fora de ação. Você conhece a disposição de suas peças. Enquanto nós os “seguramos”, procure pôr a mão na chave que os desliga. Mais tarde mudaremos sua programação e mandaremos que voltem à superfície, com o oficial submetido ao tratamento hipnótico, que a esta hora já está dormindo.
Toffner ficou calado. Caminhou às apalpadelas em direção ao fim do corredor, que estava bem iluminado, a fim de colocar-se atrás dos robôs.
Um pedaço da parede já havia sido derretido. O chiado do raio energético sobrepujava os outros ruídos.
Pegarei dois, enquanto Betty se encarregará de um. Vamos, Toffner, gire o parafuso...
Realmente era um parafuso que podia ser girado com a mão, desde que a gente conseguisse aproximar-se do robô por trás. Nem mesmo os arcônidas quiseram dispensar esse dispositivo de segurança. Se necessário, um robô poderia ser desativado de um instante para outro.
Toffner deu dois ou três passos e tateou para encontrar o parafuso do primeiro robô.
Gucky saltara para o lado de Toffner.
Não está mesmo dando certo! — cochichou apressadamente, pois havia lido os pensamentos de Toffner. — Rápido! Pegue os outros dois. Estão sob controle, mas não por muito tempo.
Os outros dois não ofereceram a menor dificuldade. Toffner conseguiu pô-los fora de combate.
O quarto e último dos robôs apresentaria maiores problemas. Estava em posição inclinada e não poderia deixar de ver as ações de Gucky e Toffner, desde que girasse levemente para o lado. Além disso, sua arma estava funcionando. Um movimento do corpo significaria a destruição inevitável. O calor quase chegava a ser insuportável. Metade da parede já devia estar derretida.
Gucky passou rapidamente por Toffner e colocou-se bem atrás do robô.
Fitou o parafuso que sobressaía na nuca do monstro. Tal peça começou a girar muito lentamente sob a ação das energias mentais de Gucky. Segurava o robô por meio da telecinese e, simultaneamente, pelo mesmo processo, fazia girar o parafuso.
Ao apagar-se num bruxulear, o raio energético atingiu o rato-castor!
Gucky soltou um grito estridente e teleportou-se rapidamente até a entrada.
Betty correu para junto dele e abaixou-se.
Coitado! Está doendo muito?
Gucky levantou-se e mal conseguiu disfarçar o embaraço.
Se você me consolar, nada mais poderá doer, Betty. — ergueu-se de vez. — O que aconteceu com o arcônida?
Levou apenas uma leve pancada de um dos robôs, quando este parou de funcionar. Acho que devemos primeiro colocar-nos em segurança. Além disso, temos de remover os vestígios. Aquele buraco na parede...
Nós o taparemos — completou Gucky com a voz tranqüila. Soprava as patas que ainda ardiam. — Primeiro vamos reprogramar os robôs, e depois aplicaremos um bloqueio hipnótico no arcônida.
Toffner sentiu-se satisfeito por não ter de ouvir recriminações. De certa forma era culpado pelo que acontecera a Gucky, se é que no caso se podia falar em culpa.
Abriu uma porta lateral do corredor. Felizmente tal porta não fora afetada pelos raios energéticos disparados pelos robôs. Os outros membros do comando terrano cumprimentaram Toffner e os dois mutantes com uma certa sensação de alívio. Não sabiam o que tinha acontecido do lado de fora. As informações que Ishy Matsu lhes pôde fornecer foram muito escassas.
E foi assim que, dali a quatro horas, um comando de busca voltou ao espaçoporto e anunciou ao oficial arcônida que exercia o comando:
Revistamos a rua que dá para o palácio. Sem resultado. Além disso, vasculhamos as chamadas catacumbas. Todos os corredores terminam em paredes. Não há a menor possibilidade de que por lá exista um esconderijo. É impossível que haja desertores embaixo da arena.
O oficial, que transmitiu estas informações, foi elogiado pela operação de busca e recebeu ordens para, no dia seguinte, patrulhar outras ruas. Garantiu que essa incumbência também seria executada de maneira a satisfazer seus superiores.
Com certo orgulho afirmou que não havia melhores robôs que os seus.
Seu superior acreditou nisso, pois também já havia recebido um “tratamento”.
Dessa forma, Rhodan iniciou sua caminhada para Árcon...






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A primeira parte dos preparativos estava concluída. Tratava-se dos preparativos que, segundo a intenção de Rhodan, deveriam levar à conquista de Árcon e ao término do governo do robô.
Cento e cinqüenta homens estavam preparados para abalar um império estelar.
E o próprio regente daria a ordem para isso.
A ordem para que o cavalo de Tróia fosse transportado de Zalit para Árcon!
Em Escola de Guerra Naator, título do próximo volume, Rhodan tentará neutralizar as ações defensivas do computador-regente.

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